Alfredo Ellis Júnior (São Carlos, – São Paulo, ) foi um historiador, sociólogo, ensaísta e professor universitário brasileiro. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, e do Instituto de Estudos Genealógicos e da Academia Paulista de Letras, onde ocupou a cadeira 18.

Filho de Alfredo Ellis, formou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1917, tendo se tornado promotor público. Foi também deputado estadual de 1925 a 1930 e de 1934 a 1937. Já em 1939, tornou-se titular da cátedra de História da Civilização Brasileira da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, da qual foi diretor de 1939 a 1941.

Colaborou com a criação da Liga de Defesa Paulista, fundada em 19 de maio de 1931. Agravando a situação entre a classe agromercantil exportadora paulista e o governo provisório brasileiro, Ellis Junior e mais alguns membros da Liga de Defesa Paulista criam o jornal O Separatista, cujo pregava a independência do estado de São Paulo em 1932, contribuindo como editor. Com o início da Guerra Paulista em 9 de julho de 1932, criaram-se os batalhões da Liga de Defesa Paulista, que passaram a ser organizados pela Força Pública. Ellis Junior, como membro, alistou-se e lutou na frente de Cunha, desertando em agosto após ser ferido na perna. Com o fim da guerra, para evitar o exílio, assumiu o disfarce de turista inglês em passeio pelo interior de São Paulo. Ficou escondido na fazenda de um amigo em Dourados, aproveitou o tempo e escreveu o panfletário Nossa Guerra, publicado em 1933. Na luta como por uma maior autonomia contra o processo de centralização realizado pelo governo Vargas, como alternativa ao independentismo paulista, em 1933, destacou-se como um dos fundadores da Liga Confederacionista, cuja foi inspirada em seu livro Confederação ou Separação, publicado em 1932.

Ellis Júnior publicou um importante número de obras sobre a história de São Paulo, como Raça de gigantes (1926), Populações paulistas (1934), Capítulos da história social de São Paulo (1944), Meio século de bandeirismo (1946) e O Café e a Paulistânia (1950).

Primeiros anos e formação O último dos dez filhos de Alfredo Ellis (sendo neto do inglês William Ellis) e Sebastiana da Cunha Bueno, Ellis Júnior nasceu no município de São Carlos dos Pinhais, na fazenda cafeeira de Santa Eudóxia, onde ele recebeu a primeira educação. A fazenda viria a falir em 1918 e seria vendida no início de 1919.

O pai dele se formou em medicina nos Estados Unidos, pela Universidade da Pensilvânia. Em 1874, junto de Coronel Francisco da Cunha Bueno, seu sogro e tio, ele abriu a fazenda Santa Eudóxia, local onde Ellis Júnior nasceu e passou a infância. Após a Proclamação da República, ele foi eleio deputado federal para a Câmara Constituinte, em 1890, pelo Partido Republicano Paulista. No início do século XX, ele se torna Senador.

Ellis Júnior deixou a educação caseira com a mudança da família para a capital, devido ao cargo do pai no senado da recente República, sendo matriculado na Escola Alfredo Gomes. No entanto, a família não demorou a retornar a São Paulo, em 1906, onde ele foi matriculado para cursar o ginásio no Colégio São Bento, sendo aluno de Afonso d'Escragnolle Taunay.

Ao completar os estudos ginasiais em 1911, Ellis Júnior, com 15 anos na época, embarcou em uma longa viagem pela Europa acompanhado do pai. Essa experiência teria consolidado a influência de Alfredo Ellis nas ambições intelectuais do filho. Os dois embarcaram no Rio de Janeiro em um navio para Portugal; visitaram também à França, Alemanha e Inglaterra antes de retornar ao Brasil e ao estado de São Paulo.

Permanecendo no estado, Ellis Júnior começou a estudar Direito na Faculdade do Largo São Francisco, que, mais tarde, seria agrupada à Universidade de São Paulo, se tornando a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Em 1915, enquanto o estudioso cursava o terceiro ano de Direito, Waldomiro de Carvalho o convidou a participar da Bucha (nome informal de Burschenschaft), sociedade secreta atrelada à Faculdade de Direito, Medicina e à Politécnica. Em 25 de janeiro de 1917, os membros da Burschenschaft, ou Sociedade dos Camaradas, ajudaram a fundar a Liga Nacionalista de São Paulo. No mesmo ano, Ellis Júnior completou seu bacharelado.

Formado, Ellis Júnior retorna à fazenda Santa Eudóxia. No entanto, a propriedade sofria com pragas, enfraquecimento da terra para plantio e cheias do rio Mogi-Guaçu, levando à falência da fazenda, que foi liquidada pela Cia. Brazilian Warrant. Com a ajuda de Roberto Simonsen, amigo da família, o pai de Ellis Júnior consegue uma quantia suficiente para manter uma vida tranquila.

Correio Paulistano e Partido Republicano Paulista Afastando-se do meio rural, Ellis Júnior teve uma breve estadia na Capital Federal, antes de voltar a São Paulo para exercer a advocacia e também ministrar aulas no Colégio São Bento, através da indicação de Taunay. O mesmo professor também foi responsável por apresentar Ellis Júnior à redação do Correio Paulistano em 1922; entretanto, o intelectual só viria a contribuir como articulista no jornal em 1923.

A publicação, fundada em 1854, era conhecida por não se vincular a nenhum partido político ou escola literária, situação que mudou com a Proclamação da República do Brasil, fazendo com que, em 1890, o Correio Paulistano se tornasse o porta-voz oficial do Partido Republicano Paulista, inclusive com a redação do jornal sendo transformada na sede do partido. Ellis Júnior sempre manteve relações estreitas com a imprensa paulista, principalmente com o Correio Paulistano. Foi nesse cenário em que Ellis Júnior se aproximou de Washington Luís, que viria a ser presidente.

Também introduzido por Afonso Taunay, Ellis Júnior integrou o movimento Verde-Amarelo. Além deles, Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo, Plínio Salgado e Cândido Mota Filho – todos do Correio Paulistano – atuavam no movimento, que surgiu em resposta ao Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924), redigido por Oswald de Andrade. Visto como um vertente conservadora do modernismo, o Verde-Amarelismo se baseava, culturalmente, em uma ruptura com a herança cultural europeia e, politicamente, no autoritarismo como meio de garantir a independência cultural e política do país. Apesar de não tomar parte nas expressões estéticas do movimento, a participação no Verde-Amarelismo fez com que Ellis Júnior começasse a ser conhecido por sua estreita relação com o regionalismo paulista, levando-o a se aproximar mais ainda das ideias tradicionalistas que permeavam a política na São Paulo da época.

É neste momento em que Ellis Júnior inicia de fato sua carreira política e literária. O ingresso na imprensa foi fundamental para a publicação de três obras suas: O Bandeirismo Paulista e o Recuo do Meridiano (1924) – cujo lançamento aconteceu, em parte, graças à relação de apadrinhamento entre Ellis Júnior e Washington Luís –, Raça de gigantes (1926) e Meio século de bandeirismo (1939). Esta última se originou a partir de uma série de 12 artigos retratando algumas das bandeiras que ocorreram entre 1590 e 1640, publicados no Correio Paulistano entre maio e setembro de 1923. Os artigos marcaram a estreia de Ellis Júnior na imprensa e se transformaram na tese de concurso para o ingresso dele na cátedra de História da Civilização Brasileira em 1939. Logo depois, a coletânea foi publicada como o primeiro número da seção de História da Civilização Brasileira do Boletim da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, na época em que ele já detinha a posição de catedrático e diretor da FFCL.

Ao longo dos dois anos em que Ellis Júnior foi colunista do Correio Paulistano, Bandeirismo seiscentista e Raça de gigantes se destacaram como artigos publicados no periódico que viriam a se tornar obras do autor. A primeira surgiu como uma série de 11 artigos, publicados entre setembro e dezembro de 1923, acerca de bandeiras ocorridas no século XVII – período que ele chama de seiscentista – de busca por metais preciosos, apresamento de indígenas e a Guerra dos Emboabas. Raça de gigantes, por sua vez, se tratava de dez artigos publicados entre janeiro e outubro de 1924, e é considerada a gênese da obra de Ellis Júnior. Mesmo depois desse período, Ellis Júnior teve presença constante no jornal, tendo sua carreira política iniciada em 1925 e acompanhada pelo Correio Paulistano.

Carreira política no Parlamento Estadual Ellis Júnior nasceu em berço político. O pai, Alfredo Ellis, tinha conexões com os nomes responsáveis por implementar a República no Brasil, tornando-se uma das principais figuras da política nacional. Com a República, ele foi eleito deputado federal, mudando-se para o Rio de Janeiro para participar da Assembleia Constituinte. Ellis foi eleito senador pelo PRP e permaneceu no cargo até a morte dele, em 1925.

Ellis Júnior exerceu duas legislaturas como deputado estadual de São Paulo entre 1925 e 1930, sendo que a última foi interrompida devido à Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas, que pôs fim à República Velha ao depor o presidente Washington Luís e impedir a posse do presidente eleito em 1 de março de 1930, Júlio Prestes.

Primeira legislatura (1925-1927) Com o apoio do PRP, Ellis Júnior lançou sua candidatura para deputado estadual pelo 9º Distrito para a legislatura de 1925-1927. Mas quando chegaram as eleições de 25 de abril, ele não obteve votos suficientes. Em novembro de 1925, ele foi indicado pela Comissão Diretora do Partido Republicano Paulista para uma vaga sobressalente como deputado estadual do 5º Distrito. Desta vez, nas eleições ocorridas em 29 de novembro, ele foi eleito. Devido a esses acontecimentos, o nome de Ellis Júnior não está incluído nas listas da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo dos deputados da legislatura de 1925-1927. O trabalho do parlamentar, no entanto, foi registrado regularmente no Correio Paulistano, que tinha uma seção dedicada à Câmara Estadual.

Dessa forma, em 23 de outubro de 1925, Ellis Júnior começou a atuar como deputado estadual. Ao longo do ano seguinte, ele também trabalhou como secretário em várias sessões e foi direcionado para a Comissão de Redação. O primeiro projeto que o intelectual submeteu ao plenário visava lidar com o problema do povoamento de São Paulo, atentando-se aos imigrantes que chegavam ao estado. Ellis Júnior, então, propôs a criação de um órgão – para o qual ele indicou o professor Roquette Pinto, do Museu Paulista, como diretor – responsável de, através de métodos técnicos-científicos, fazer uma análise de observações demográficas afim de fornecer uma orientação para a chegada de correntes imigratórias no território paulista. Apresentado no dia 17 de agosto de 1926, o projeto número 5 foi aprovado de maneira rápida e praticamente sem ressalvas.

No mesmo ano, Ellis Júnior submeteu outros dois projetos. Um deles, em favor do amigo Taunay, pelo financiamento para a continuação da obra História Geral das Bandeiras Paulistas. O outro, por sua vez, foi proposto em dezembro e se tratava de uma linha férrea, ligando Sorocabana ao Paraguai. Para embasar a construção da linha, Ellis Júnior apresenta dois argumentos centrais: primeiramente, em caso de guerra, a linha agilizaria a locomoção do aparato militar; e serviria de percurso para a escoação dos produtos da região, sendo assim um contribuinte para o avanço econômico da região. Na época, a lavoura cafeeira paulista vivia um declínio causado pelo esgotamento do solo; a criação da ferrovia seria também um incentivo ao cultivo e produção de lavoura em locais ainda não ocupados. Partindo de uma demanda similar, o parlamentar também argumentou a favor da construção da linha férrea Mayrink-Santos, que conecta o oeste do estado de São Paulo e o porto de Santos.