Estado Islâmico,O que é o temível Estado Islâmico? Revista IHU online. Instituto Humanitas Unisinos, 18 de novembro de 2014. antes denominado Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) ou Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS),Em árabe, a fórmula الدولة الإسلامية في العراق والشام(ad Dawla al Islamiya fi al ‘Iraq wa ash Sham) significa literalmente 'Estado Islâmico no Iraque e no Levante'. Essa formulação, e não 'Estado Islâmico do Iraque e do Levante', é a mais próxima da sintaxe árabe. Admais, embora a mídia também se refira à organização como Islamic State in Irak and Syria [Estado Islâmico no Iraque e na Síria] ou Islamic State in Irak and al-Sham [Estado Islâmico no Iraque e al-Sham], somente essa segunda forma seria a correta pois os objetivos da organização não se limitam ao território de um país. Sham designa o Levante, nome dado historicamente à região constituída por Síria, Líbano, Jordânia e Israel-Palestina, antes de serem traçadas as fronteiras coloniais. Ver Doit-on dire EIIL, Da'ech, ISIS, Etat islamique en Irak et au Levant, de l'Irak et du Levant? Por Fanny Arlandis. Slate, 25 de junho de 2014. é uma organização jihadista islamita de orientação salafista (sunita ortodoxa) e wahabita'wahabita' in Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa. Porto: Porto Editora, 2003-2019. criada após a invasão do Iraque em 2003. O grupo opera principalmente no Oriente Médio e também é conhecido pelos acrônimos em língua inglesa ISIS (Islamic State of Iraq and Syria) ou ISIL (Islamic State of Iraq and the Levant), sendo muitas vezes designado, por seus oponentes árabes (que não reconhecem a organização como 'Estado', nem como 'islâmico'Bem-vindo a bordo do D-AECH. Por Nuno Paixão Louro. Sábado, 28 de novembro de 2015. Du bon usage du mot « terrorisme » et de quelques autres. Por Alexis Varende. Orient XXI, 1º de dezembro de 2014.<ref> "Agora vamos deixar duas coisas bem claras: ISIL não é "islâmico". Nenhuma religião tolera a morte de inocentes. E a grande maioria das vítimas do ISIL é constituída por muçulmanos. E o ISIL certamente não é um estado" (declaração de Barack Obama sobre o EI, em 2014). No original: "Now let’s make two things clear: ISIL is not "Islamic". No religion condones the killing of innocents. And the vast majority of ISIL’s victims have been Muslim. And ISIL is certainly not a state." The White House. Office of the Press Secretary. Statement by the President on ISIL. 10 de setembro de 2014.</ref>), pelo acrônimo (de ; em português: 'Estado do Iraque e do Levante'), frequentemente grafado Da'ish ou, por influência do inglês, ,Porque é que o Estado Islâmico tem tantos nomes?. Observador, 16 de novembro de 2015.] de onde provém a forma aportuguesada Daexe.
Em 29 de junho de 2014, o EIIL passou a se autodenominar simplesmente "Estado Islâmico" (EI) (, ), autoproclamando-se um califado sob a liderança de Abu Bakr al-Baghdadi. Tal Estado nunca foi reconhecido pela comunidade internacional. O EIIL afirma autoridade religiosa sobre todos os muçulmanos do mundo e aspira tomar o controle de muitas outras regiões de maioria islâmica, a começar pela região do Levante, que inclui Jordânia, Israel, Palestina, Líbano, Chipre e Hatay, uma área no sul da Turquia.
O grupo, em seu formato original, era composto e apoiado por várias organizações terroristas sunitas insurgentes, incluindo suas organizações antecessoras, como a Al-Qaeda no Iraque, o Conselho Shura Mujahideen (2006) e o Estado Islâmico do Iraque (ISI) (2006–2013), além de outros grupos insurgentes, como Jeish al-Taiifa al-Mansoura, Jaysh al-Fatiheen, Jund al-Sahaba, Katbiyan Ansar al-Tawhid wal Sunnah e vários grupos tribais iraquianos que professam o islamismo sunita. O objetivo original do EIIL era estabelecer um califado nas regiões de maioria sunita do Iraque. Após o seu envolvimento na guerra civil síria, este objetivo se expandiu para incluir o controle de áreas de maioria sunita da Síria. O grupo é oficialmente considerado uma organização terrorista estrangeira por países como Estados Unidos, Brasil, Reino Unido, Austrália, Canadá, Indonésia e Arábia Saudita, além de também ter sido classificado pela Organização das Nações Unidas (ONU), pela União Europeia e pelas mídias do Ocidente e do Oriente Médio como grupo terrorista.
O Estado Islâmico cresceu significativamente devido à sua participação na Guerra Civil Síria e ao seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi. Denúncias de discriminação econômica e política contra árabes sunitas iraquianos desde a queda do regime secular de Saddam Hussein também ajudaram a dar impulso ao grupo. No auge da Guerra do Iraque, seus antecessores tinham uma presença significativa nas províncias iraquianas de Alambar, Ninaua, Quircuque, maior parte de Saladino e regiões de Babil, Diala e Bagdá, além de terem declarado Bacuba como sua capital. No decorrer da guerra civil síria, o EIIL teve uma grande presença nas províncias de Raca, Idlibe, Alepo e Deir Zor. Contudo, a partir de 2016, o grupo começou a perder força considerável, cedendo grandes porções de territórios no leste da Síria e no norte e oeste do Iraque. Em 2017, o Estado Islâmico, sob o peso de uma intervenção armada estrangeira e ações mais organizadas de grupos opostos e governos locais, foi forçado a se reorganizar, enquanto perdia cidades chave como Ramadi, Faluja, Mossul e Raca, sofrendo também com privações e deserções em suas fileiras. No começo de 2019, os últimos redutos do Estado Islâmico no leste Síria foram sobrepujados e o Califado, proclamado quase cinco anos antes, é considerado "formalmente" como destruído. Em outubro de 2019, seu líder, fundador e principal figura de autoridade, Abu Bakr al-Baghdadi, foi morto durante uma operação militar dos Estados Unidos no noroeste da Síria.
O Estado Islâmico obriga as pessoas que vivem nas áreas que controla a se converterem ao islamismo, além de viverem de acordo com a interpretação sunita da religião e sob a lei charia (o código de leis islâmico). Aqueles que se recusam podem sofrer torturas e mutilações, ou serem condenados a pena de morte. O grupo é particularmente violento contra muçulmanos xiitas, assírios, cristãos armênios, iazidis, drusos, shabaks e mandeanos. Segundo a Agência Central de Inteligência (CIA), em meados de 2014 o EI tinha pelo menos entre 20 000 e 31 500 combatentes na Síria e no Iraque que, além de ataques a alvos militares e do governo, já assumiram a responsabilidade por ataques que mataram milhares de civis. O Estado Islâmico tinha ligações estreitas com a Al-Qaeda até 2014, mas em fevereiro daquele ano, depois de uma luta de poder de oito meses, a Al-Qaeda cortou todos os laços com o grupo, supostamente por sua brutalidade e "notória intratabilidade".
História Formação do grupo (1999–2006)
thumb|esquerda|upright|Corpo de Abu Musab al-Zarqawi após ataque de forças dos Estados Unidos em 2006. Zarqawi foi o fundador do grupo militante Tawhid wal-Jihad, que mais tarde se tornaria o Estado Islâmico Após a invasão do Iraque em 2003, o jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, adepto do salafismo jiadista, e seu grupo militante, o Jamaat al-Tawhid wal-Jihad, fundado em 1999, alcançou notoriedade nos estágios iniciais da insurgência iraquiana por conta de ataques suicidas contra mesquitas islâmicas xiitas, civis, instituições do governo iraquiano e soldados italianos que faziam parte da coalizão militar internacional liderada pelos Estados Unidos. O grupo de Al-Zarqawi rompeu oficialmente com a rede Alcaida, de Osama bin Laden, em outubro de 2004, mudando seu nome para Tanzim Qaidat al-Jihad fi Bilad al-Rafidayn (; "Organização de Base da Jihad na Mesopotâmia"), também conhecida como Alcaida no Iraque (AQI). Os ataques do grupo contra civis, forças governamentais e de segurança iraquianas, diplomatas estrangeiros e comboios de soldados norte-americanos continuaram com aproximadamente a mesma intensidade. Em uma carta a al-Zarqawi em julho de 2005, Ayman al-Zawahiri, o então vice-líder da Alcaida, delineou um plano de quatro etapas para expandir a Guerra do Iraque, que incluía expulsar das forças norte-americanas do país, criar uma autoridade islâmica através de um califado, espalhar o conflito para os vizinhos seculares do Iraque e entrar em confronto com Israel, que a carta diz que só "foi criado só para desafiar qualquer nova entidade islâmica".
Em janeiro de 2006, a AQI passou a trabalhar em conjunto com vários grupos insurgentes iraquianos menores sob o comando de uma organização guarda-chuva chamada o Conselho Shura Mujahideen (CSM). Em 7 de junho de 2006, al-Zarqawi foi morto em um ataque aéreo feito por forças dos Estados Unidos e foi sucedido como líder do grupo pelo militante egípcio Abu Ayyub al-Masri.
Em 12 de outubro de 2006, o CSM uniu-se com três grupos menores e seis tribos sunitas islâmicas para formar a "Coalizão Mutayibeen", que jurou por Alá que iria "... livrar os sunitas da opressão dos rejeicionistas (xiitas) e cruzado ocupantes,... restaurar nossos direitos mesmo que ao preço de nossas próprias vidas... para fazer a palavra do Deus supremo do mundo e para restaurar a glória do Islã... ". Um dia depois, o CSM declarou o estabelecimento do Estado Islâmico do Iraque (ISI), que incluía seis províncias árabes do Iraque, em sua maioria sunitas,Stephen Negus: "Call for Sunni state in Iraq". Financial Times, 15 de outubro de 2006. Acessado em 15 de janeiro de 2015. sendo que Abu Omar al-Baghdadi foi anunciado como seu Emir. Al-Masri foi nomeado Ministro da Guerra.
Estado Islâmico do Iraque (2006–2013)
thumb|Insurgentes iraquianos em 2006
De acordo com um estudo elaborado por agências de inteligência dos Estados Unidos no início de 2007, o grupo planejava tomar o poder das áreas centrais e ocidentais do Iraque e transformá-las em um Estado islâmico sunita. O grupo ganhou força e no seu auge teve uma presença significativa nas províncias iraquianas de Alambar, Diala e Bagdá e reivindicou a cidade de Bacuba como a sua capital.
thumb|Um exercício de treinamento conjunto entre militares dos Estados Unidos e do Iraque perto de Ramadi em novembro de 2009. O Estado Islâmico do Iraque havia declarado a cidade como a sua capital
Em 2007, as tropas norte-americanas realizaram operações de enfraquecimento do grupo, o que resultou em dezenas de militantes capturados ou mortos.Targeting al Qaeda in Iraq's Network, The Weekly Standard, 13 de novembro de 2007 Entre julho e outubro de 2007, a Alcaida no Iraque parecia ter perdido suas bases militares seguras na província de Alambar e na região de Bagdá. Em 2008, uma série de ofensivas iraquianas e norte-americanas conseguiram expulsar os insurgentes de seus antigos refúgios seguros, como as províncias Diala e Alambar, para a área da cidade de Moçul, o último grande campo de batalha contra a organização.
Até 2008, o grupo descrevia-se como se estivesse em um estado de "crise extraordinária". As suas tentativas violentas de governar seu território levou a uma reação de iraquianos sunitas e outros grupos insurgentes e um declínio temporário no grupo, que foi atribuído a uma série de fatores.
No final de 2009, o comandante das forças norte-americanas no Iraque, o general Ray Odierno, afirmou que a organização "tem se transformado significativamente nos últimos dois anos. O que antes era dominado por indivíduos estrangeiros tornou-se cada vez mais dominado por cidadãos iraquianos". Em 18 de abril de 2010, dois líderes do grupo, Abu Ayyub al-Masri e Abu Omar al-Baghdadi, foram mortos em um ataque conjunto EUA-Iraque perto de Ticrite. Em uma conferência de imprensa em junho de 2010, o general Odierno informou que 80% dos 42 principais líderes da organização, incluindo recrutadores e financistas, haviam sido mortos ou capturados, com apenas oito restantes em geral. Ele disse que foram retirados da liderança da Alcaida no Paquistão.