miniaturadaimagem|Cena do filme Betrayed (1954), um filme de espionagem na Holanda na Segunda Guerra Mundial. Este gênero é conhecido pelas reviravoltas na trama, com traições e suspense movendo a narrativa. A reviravolta () é uma mudança radical inesperada na direção do enredo de uma história. Quando acontece perto do final, é conhecida como um final surpresa. A reviravolta é um dispositivo de enredo em que a revelação de uma informação imprevista força o leitor ou espectador a reavaliar toda a narrativa e os personagens apresentados até seu momento. Seu uso, em geral, tem a intenção de manter o interesse do público na obra e obter uma reação de surpresa.
Conceito A reviravolta é um artifício de alto risco e alta recompensa, e que nem sempre funciona. Pode mudar a percepção do público sobre os eventos anteriores ou introduzir um novo conflito que o coloque em um contexto diferente. Uma reviravolta na trama pode ser prenunciada, para preparar o público para aceitá-la, mas geralmente vem com algum elemento surpresa. Existem vários métodos usados para executar uma reviravolta na trama, como ocultar informações do público ou enganá-lo com informações ambíguas ou falsas. Nem toda trama tem uma reviravolta, mas algumas têm várias reviravoltas menores, e algumas são definidas por uma única reviravolta importante. Revelar uma reviravolta para leitores ou espectadores com antecedência é comumente considerado um spoiler, uma vez que a maior parte das obras relacionadas a este elemento desenvolvem-se no intuito de alcançar a surpresa.
Um exemplo inicial de romance com múltiplas reviravoltas foi o conto "As Três Maçãs", de Mil e Uma Noites. Começa com um pescador descobrindo um baú trancado. A primeira reviravolta ocorre quando o baú é arrombado e um cadáver é encontrado dentro. A busca inicial pelo assassino falha, e uma reviravolta ocorre quando dois homens aparecem, alegando separadamente ser o assassino. Uma complexa cadeia de eventos finalmente revela que o assassino é o escravo do investigador.
Mecânicas
Anagnórise Anagnórise, ou descoberta, é o reconhecimento súbito do protagonista (ou de outro personagem) de sua própria identidade e natureza. Através desta técnica, as informações anteriormente inexplicadas do personagem são reveladas. Um exemplo notável de anagnórise acontece em Édipo Rei.John MacFarlane, "Aristotle's Definition of Anagnorisis." American Journal of Philology - Volume 121, Number 3 (Whole Number 483), Fall 2000, pp. 367-383. Onde Édipo mata seu pai e se casa com sua mãe na ignorância, aprendendo a verdade apenas no clímax da peça. O primeiro uso deste dispositivo como o final surpresa de um mistério de assassinato foi em "As Três Maçãs", um conto medieval das Mil e Uma Noites, onde o protagonista Jafar ibne Iáia descobre por acaso um item-chave no final da história que revela o culpado por trás do assassinato.
Flashback Flashback ou analepse é a interrupção súbita da sequência cronológica narrativa da história pela interpolação de eventos ocorridos anteriormente. É usado para surpreender o leitor com informações previamente desconhecidas que fornecem a resposta para um determinado mistério, colocando certo personagem em uma visão diferente ou revelando a razão para uma ação anteriormente inexplicável.
Narrador não confiável Um narrador não confiável distorce o final revelando, quase sempre no final da narrativa, que o mesmo havia manipulado ou inventado a história contada até então, forçando o leitor a questionar suas suposições prévias sobre o texto.
Falso protagonista Um falso protagonista é um personagem apresentado no início da história como o personagem principal, mas depois descartado, geralmente morto para enfatizar que não retornará. Um exemplo clássico é Marion Crane, de Psicose, que é brutalmente assassinada no início do filme. Outro exemplo é a personagem Casey Becker em Pânico, que apesar de estampar o cartaz e todo o material promocional do filme, é morta nos primeiros quinze minutos.
Peripeteia Peripeteia é uma inversão súbita da fortuna do protagonista, seja para o bem ou para o mal, que surge a partir das circunstâncias do personagem de maneira natural. Ao contrário da mecânica de deus ex machina, a peripeteia deve ser lógica dentro do quadro da história.
Deus ex machina Deus ex machina é um termo latino que significa "deus vindo da máquina". Refere-se a um inesperado, artificial ou improvável dispositivo, personagem ou evento introduzido repentinamente em uma obra de ficção para resolver uma determinada situação ou desemaranhar a trama. Nos teatros da Grécia Antiga, o "deus ex machina" ('ἀπὸ μηχανῆς θεός') era o personagem de um deus grego, literalmente trazido ao palco em um guindaste (μηχανῆς-mechanes), logo após a resolução de um problema aparentemente insolúvel pela vontade do deus. Em seu sentido moderno e figurativo, o "deus ex machina" traz o final da narrativa através da resolução inesperada (geralmente de maneira feliz) para o que aparentava ser um problema insuperável. Este mecanismo é usado frequentemente para terminar uma história sombria sobre uma nota mais positiva.
Justiça poética Justiça poética é um mecanismo literário em que a virtude é recompensada e o vício é punido, de tal forma que a recompensa ou punição tem conexão lógica com o ato. Na literatura moderna, este mecanismo é muitas vezes usado para criar reviravoltas irônicas do destino em que o vilão é pego em seu/sua própria armadilha.
Arma de Chekhov A arma de Chekhov refere-se a uma situação em que um personagem ou elemento da trama é introduzido no início da narrativa e, muitas vezes, a utilidade do item não é imediatamente aparente até chegar o momento em que este alcança importância fundamental na história. Um mecanismo semelhante a arma de Chekhov é a "planta", o qual prepara determinado elemento para ser repetido inúmeras vezes ao longo da história. Durante a resolução, o verdadeiro significado da planta é revelada. Ambos os mecanismos são usados para criar uma antecipação do que irá acontecer.
Arenque vermelho Um "arenque vermelho" é uma pista falsa, criada com a intenção de direcionar os investigadores a uma solução incorreta. Este mecanismo geralmente aparece em romances policiais e ficções de mistério. A pista falsa é usada como um tipo de desorientador, um mecanismo destinado a distrair o protagonista e por extensão, o leitor, afastando-o da resposta correta ou das pistas verdadeiras. Um arenque vermelho também pode ser usado como um tipo de falso antecipador.
In medias res In medias res (latim para "no meio das coisas") é uma técnica literária onde a narrativa começa no meio da história, ao invés do início (ab ovo ou ab initio). Os personagens, cenários e conflitos são frequentemente introduzidos através de uma série de flashbacks ou através de personagens que discutem entre si sobre eventos passados. Esta técnica cria uma reviravolta quando a causa não explicada anteriormente do incidente é revelada, culminando no clímax.
Narrativa não-linear Narrativa não-linear é um mecanismo de narração que revela a trama e o personagem em uma ordem não-cronológica. Esta técnica requer a atenção do leitor em tentar organizar a linha do tempo da trama, a fim de compreender a história. Um final surpresa pode ocorrer como resultado de todas as informações reunidas, sendo direcionada até o clímax que coloca os personagens ou os eventos em uma perspectiva diferente.
Cronologia reversa A cronologia reversa tem como função revelar o enredo em ordem inversa, ou seja, a partir do evento final para chegar no inicial. Ao contrário de histórias cronológicas, onde as causas vão progredindo antes de chegar a um efeito final, as não cronológicas revelam o efeito final antes de explicar e desenvolver as causas que levaram a ela, portanto. A causa inicial seria nada mais do que o final surpresa da trama.
Ver também Drama Literatura Modo narrativo Dispositivo de enredo Spoiler (mídia)
Bibliografia
Ligações externas
Categoria:Narratologia Categoria:Ficção Categoria:Enredo Categoria:Palavras, frases e expressões em inglês