Profilaxia pré-exposição (PrPE ou em sua versão inglesa PrEP) é qualquer procedimento médico ou sanitário usado antes da exposição a um patógeno capaz de provocar uma doença, com o propósito de prevenir, e não tratar ou curar, essa doença; especialmente referido ao de VIH.Profilaxia pré-exposição. SERES. Trata-se de um procedimento opcional para pessoas sãs HIV-negativas, mas que têm um risco substancial, mais alto que a média, de contrair uma infecção por HIV. Profilaxis por exposición (PPRE) para el VIH. Infosida.
Na actualidade, é recomendado para a profilaxia pré-exposição do HIV o Truvada, uma combinação de emtricitabina e tenofovir. Mais recentemente foi aprovado também o medicamento Apretude, uma injeção de Cabotegravir. Conforme os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças a PPrE pode ser uma poderosa ferramenta de prevenção do VIH ao combinar-se com preservativos e outros métodos de prevenção para proporcionar uma protecção ainda maior que quando se utilizam por separado. No entanto, as pessoas que usam PrEP devem se comprometer a tomar o medicamento todos os dias e manter um rastreamento ao menos a cada 3 meses. Pre-Exposure Prophylaxis (PrEP) Clinical Trials. Centers for Disease Control and Prevention. PPrE está recomendado para o uso combinado com preservativos, de maneira que cada método pode compensar os déficits de eficácia ocasionais do outro.
Existe uma divisão social entre o apoio e a oposição ao uso da profilaxia pré-exposição como método de prevenção da infecção por VIH. Em fevereiro de 2016 documentou-se o primeiro caso de uma pessoa que, tomando adequadamente a PPrE, contagiou-se de uma cepa multirresistente ao tratamento, Almost-certain case of PrEP failure due to drug resistance reported at CROI 2016. AIDS map. 25 de febrero de 2016. seguido por um segundo caso em outubro do mesmo ano. Second case report of PrEP failure due to drug-resistant virus. AIDS Map. 18 de octubre de 2016. Ingredientes Um dos ingredientes ativos da preparação é o disoproxil fumarato de tenofovir, que é um análogo de nucleotídeo que inhibe a transcriptase reversa, bloqueando eficazmente a incorporação do material genético do VIH no genoma do hóspede, e portanto, evitando a infecção por HIV. Pre-exposure prophylaxis of HIV. Indian Journal of Sexually Transmited Diseases and AIDS. 2011. Pesquisa A maioria dos estudos de PrPE utiliza o medicamento que é administrado por via oral. Mas muitas pessoas que iniciam a PrPE não aderem a ela ou tomam as pílulas apenas intermitentemente, prejudicando sua eficácia. Um implante de liberação lenta de um medicamento anti-retroviral experimental fornece uma proteção eficaz contra o HIV por um ano ou mais. É uma estratégia de ARV que oferece uma opção mais simples para tratar ou prevenir o HIV e, se for amplamente usada, pode mudar o curso da epidemia de AIDS.
Vantagens e Desvantagens
Vantagens
Dupla proteção - para casos em que os usuários combinavam com o uso de preservativos Menor preocupação em relações sexuais sem preservativos Possibilidade de ter relações sexuais sem preocupação com soropositivos ou pessoas de sorologia desconhecida. Gratuidade na medicação (no caso do Brasil, em que é distribuído pelo SUS) Liberdade sexual
Desvantagens
Efeitos colaterais
Medo da medicação não ter eficácia Dificuldade em conseguir o medicamento - tanto pela burocracia quanto pela carência de locais em que o medicamento esteja disponível Falta de informação sobre a PrEP Necessidade de tomar todos os dias Preconceito por ser um medicamento relacionado ao HIV Não ter proteção contra outros tipos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) Receio de que a PrEP diminua o uso de preservativo não apenas entre usuários, mas também em não usuários, por se sentirem seguros quando seus parceiros usam utilizam Necessidade de mais dias de uso para obter proteção em relação vaginal (20 dias) que em relações anais (7 dias) Poucos participantes dos estudos continuavam a utilizar a PrEP após 6 meses, e a desistência aumentava ao longo de 1 ano.
Em Portugal Um estudo académico levado a cabo por Rui Baptista Gonçalves, estudante do Mestrado Integrado em Medicina da Universidade do Algarve demonstra que três em cada quatro profissionais de saúde que trabalham na área do VIH em Portugal concordam com a implementação da PrEP - Profilaxia Pré-Exposição, em Portugal.Estudo: Profissionais de saúde concordam com a PrEP em Portugal, dezanove.pt, 24.10.2016
No Brasil
Profilaxia Pré Exposição no Sistema Único de Saúde Em 25 de Maio de 2017, foi aprovada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos, a portaria n° 21, que permite incorporar no Sistema Único de Saúde (SUS) a combinação de Tenofovir (300mg) associado a entricitabina (200mg) como Profilaxia Pré Exposição para populações mais vulneráveis ao HIV.
Distribuição e acesso No Brasil, o medicamento é distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os locais cadastrados para disponibilizar a PrEP podem ser consultados no site aids.gov.br A rede conta com 1.443 Unidades Dispensadoras de PrEP ativas em todo o território nacional.
Desde o início da implementação em 2018, mais de 360 mil pessoas iniciaram o uso da profilaxia no país. Até julho de 2026, contabilizavam-se cerca de 150.760 usuários ativos no programa, com 94% dos atendimentos realizados diretamente na rede pública e 6% na rede privada. Além disso, 234.567 pessoas registraram pelo menos uma dispensa da medicação no intervalo de doze meses.
Apesar do alcance acumulado, a retenção ao método permanece como um desafio central: há mais de 83 mil usuários em descontinuidade registrada. Esses pontos de distribuição ainda enfrentam desafios de concentração regional, onde a baixa cobertura e as barreiras de acesso para populações vulnerabilizadas impactam diretamente a constância do tratamento.
A quem é indicado A PrEP não está disponível e nem é indicada para qualquer pessoa. Há populações-chave que têm maior risco de infecção, as quais têm prioridade na hora de receberem a medicação. A OMS e a UNAIDS reconhecem essas populações como:
Homens que fazem sexo com outros homens Profissionais do sexo Pessoas trans Pessoas que fazem sexo desprotegido com frequência Casais sorodivergentes
Ver também
Profilaxia pós-exposição Truvada Cabotegravir
Categoria:Tratamentos médicos Categoria:Síndrome da imunodeficiência adquirida Categoria:Redução de danos