Ricardo de Aquino Salles (São Paulo, 8 de junho de 1975) é um advogado, administrador e político brasileiro, filiado ao Partido Novo (NOVO). É deputado federal por São Paulo desde 2023. Foi ministro do Meio Ambiente do Brasil de 2019 a 2021, no governo Jair Bolsonaro.
Foi secretário particular do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, de 2013 a 2014, e Secretário do Meio Ambiente de São Paulo de 2016 a 2017, nomeado por Alckmin. Fundou, em 2006, o Movimento Endireita Brasil (MEB), organização alinhada à chamada nova direitaMovimento Endireita Brasil (site oficial) e parceira do Instituto Millenium.Silveira, Luciana. Fabricação de ideias, produção de consenso: estudo de caso do Instituto Millenium . Campinas, Unicamp:2013, p. 85
Em 9 de dezembro de 2018 foi anunciado como ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro, alegando ter como prioridades a agenda ambiental urbana, o combate ao lixo do mar e agilidade de processos de licenciamentos. Em sua gestão, foram tomadas medidas apontadas por ambientalistas e pela imprensa como prejudiciais à proteção ambiental, tais como a revogação de resoluções que protegiam restingas e manguezais, suspensão de multas ambientais e interferências em órgãos de fiscalização ambiental.
Foi exonerado, a pedido, em 23 de junho de 2021, após acusações de suposto envolvimento em esquema de exportação ilegal de madeira do Brasil para o exterior.
Biografia Proveniente de uma família de advogados paulistana,Por que os políticos mentem em seus currículos? Por Flávio Moura. Época, 23 de fevereiro de 2019. Ricardo Salles formou-se em direito pela Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Fez pós-graduações em direito nas universidades de Coimbra e Lisboa, além de pós-graduação em administração pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGV). Por quase sete anos, acreditou-se que Salles tinha um mestrado em Yale, após ele ter assinado um artigo na Folha de S.Paulo com essa qualificação. Em 2019, após a universidade confirmar que Salles nunca estudou lá, ele alegou que a informação fora fornecida incorretamente por um assessor.
Foi candidato a deputado federal por São Paulo em 2006 pelo Partido da Frente Liberal (PFL), em sua estreia na vida pública. Obteve , não conseguindo se eleger. Em 2010, foi candidato a deputado estadual pelo Democratas (DEM), obtendo , não conseguindo se eleger. Entre 2012 e 2016, participou de campanhas eleitorais como apoiador de diversas candidaturas. Em 2018, tentou novamente uma vaga como deputado federal por São Paulo pelo Partido Novo (NOVO). Obteve , não tendo sido eleito. Em 9 de dezembro de 2018, Ricardo Salles é indicado pelo então presidente eleito, Jair Bolsonaro, ao cargo de Ministro do Meio Ambiente, a partir de 2019. Em maio de 2020 foi expulso do Partido Novo após decisão da comissão partidária.
Movimento Endireita Brasil Em 2006, juntamente com quatro amigos, Ricardo Salles fundou o Movimento Endireita Brasil (MEB), e com eles fez curso de liderança no Leadership Institute, um “think tank” conservador.
Em sua declaração de princípios, o movimento defende o liberalismo econômico, a diminuição do Estado e o fim de mecanismos que limitem liberdades individuais. Um dos objetivos declarados do movimento é reabilitar a palavra “direita” no vocabulário político brasileiro.
Uma das principais iniciativas do movimento foi a criação do Dia da Liberdade de Impostos em São Paulo, em 2010. O evento ocorre anualmente ao fim do mês de maio, marcando o término do período em que o brasileiro trabalha "para pagar os tributos cobrados pelo governo". Nessa data, o MEB e o Instituto Mises Brasil se unem para cobrir o valor dos impostos para quem abastecer o carro num posto de São Paulo.
Já em 2007, o Movimento Endireita Brasil declarava oposição não apenas ao então presidente Lula, mas à maior parte da classe política brasileira, negando ser um movimento ligado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).
Todavia, isso não impediu que Ricardo Salles tentasse por duas vezes ingressar na vida política. Em 2010, apresentando-se como representante de uma "nova direita, acima de tudo democrática", ele posicionou-se "contra o aborto, a favor da pena de morte e contra o uso de drogas". Para justificar seu posicionamento ideológico, invocou uma pesquisa Datafolha, segundo a qual, "47% dos jovens de 18 a 25 se diziam de direita". Para estes jovens, ele apresentava-se como a opção indicada.
Embora tenha deixado de investir em site próprio, o Movimento Endireita Brasil se manteve ativo em seus perfis nas redes sociais. Até o início de 2013, ainda era listado entre "mantenedores e parceiros" do Instituto Millenium. Entre 2010 e 2015, participou do Dia da Liberdade de Impostos com o Instituto Mises Brasil. Em ação polêmica, a página do Facebook do Movimento Endireita Brasil anunciou em 2016 que pagaria mil reais para quem filmasse e hostilizasse o ex-governador Ciro Gomes, do PDT, enquanto ele jantava em um restaurante de São Paulo.
Pedido de impeachment de Dias Toffoli Em agosto de 2012, juntamente com o advogado Guilherme Campos Abdalla, ingressou com um pedido de impeachment, na presidência do Senado, contra o ministro José Antonio Dias Toffoli, do STF, por crime de responsabilidade. Dias Toffoli foi acusado pelos advogados de agir com parcialidade (a favor dos réus) no julgamento da Ação Penal 470 ("Mensalão"). A denúncia foi arquivada.
Governo Alckmin
Secretaria Particular No início de 2013, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, nomeou Ricardo Salles para a Secretaria Particular. Entre suas atribuições, estavam o gerenciamento da agenda do governador, entre viagens, inaugurações e compromissos do dia a dia, e sua interface com demais secretarias, prefeituras e com o Poder Legislativo.
A escolha gerou reações negativas dentro do PSDB. Entre as insatisfações relatadas anonimamente por um partidário “histórico” do PSDB ao veículo de esquerda Diário do Centro do Mundo, estavam a defesa do regime militar, a abominação do Estado, a contrariedade ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e ao aborto, e que Ricardo Salles se definisse então como “o único direitista assumido do Brasil”. Alckmin foi procurado por “Secretários de Estado e integrantes do PSDB”, preocupados com possível prejuízo à imagem do governador. À época, o então presidente estadual do PSDB, deputado Pedro Tobias, não ocultou sua insatisfação: “há um incômodo generalizado no partido”.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Ricardo Salles afirmou que nunca defendeu o regime militar, mas sim uma visão histórica mais equilibrada, que compreenda que a guerrilha também cometeu erros, e citou como exemplo dessa parcialidade histórica o caso do soldado Mário Kozel Filho, cuja morte causada pela explosão de um carro-bomba durante ataque da organização terrorista Vanguarda Popular Revolucionária, jamais teria sido investigada.
Secretaria do Meio Ambiente Em 18 de julho de 2016, Ricardo Salles retornou ao governo estadual, assumindo então a Secretaria do Meio Ambiente. Suas propostas essenciais foram reduzir os conflitos entre ambientalistas e a agricultura (“único setor da economia brasileira que vai bem”) e reduzir a burocracia das decisões judiciais na área, devolvendo a responsabilidade de obedecer à lei para a sociedade civil.
Entre as ações de Ricardo Salles à frente da Secretaria do Meio Ambiente, destacam-se autuações em instalações portuárias poluentes, a penalização da Vale Fertilizantes após acidente com fumaça tóxica que contaminou o Rio Mogi e o programa Invasão Zero, que visava a coibir a ocupação de áreas ambientais protegidas. Consoante à sua convicção de redução do papel do Estado, Ricardo Salles participou do programa de concessão de 25 parques estaduais à iniciativa privada, buscando “um equilíbrio entre viabilização econômica e preservação ambiental” e visando a gerar um turismo que levaria a população a ter mais interesse pelos parques e cobrar mais fiscalização.
A nomeação não agradou a todos. O ex-governador Alberto Goldman se disse “enojado” com a escolha. A declaração veio logo após o partido de Salles — então, o PP — ter aderido à pré-candidatura de João Doria para a eleição municipal de São Paulo em 2016. Para Goldman, esse seria “mais um motivo para não votar em Dória.” Veículos de esquerda como a revista CartaCapital e o site Brasil 247 se posicionaram contra Ricardo Salles chamando-o entre outras coisas de “reaça-mor”.
Após os pedidos de afastamento do cargo e indenização de 50 milhões, o Secretário saiu de licença para tratar de assuntos particulares e foi depois afastado pelo governador, por supostas pressões do partido do próprio Secretário. Em carta enviada ao Governador, afirmou ter pautado sua passagem pela pasta pela desburocratização, pela livre iniciativa e pelo respeito à propriedade. Segundo o governador, a saída de Ricardo Salles já era planejada, em vista das eleições vindouras.
Eleições em 2018 Ricardo Salles se candidatou, em 2018, ao cargo de deputado federal por São Paulo pelo Partido Novo, tendo se destacado por ter usado as redes sociais para difundir mensagens que incitam a violência, associando o uso da munição ao combate à esquerda e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), levando o perfil oficial do partido a alertar que não compactuava com qualquer insinuação ou apologia à violência, de qualquer tipo, contra quem quer que seja. Salles recebeu 36.603 votos, não conseguido se eleger ao cargo.
Ministro do Meio Ambiente (2019–2021)
Em 9 de dezembro de 2018, Ricardo Salles foi anunciado Ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro. Para ambientalistas em geral, o ministro não era uma pessoa adequada para sua função, mas se alinhava com o programa de governo de Jair Bolsonaro,Ver nota: Críticas de ambientalistas incluem,
Roxo, Sérgio. "Ambientalistas criticam escolha de novo ministro do Meio Ambiente". O Globo, 09/12/2018 Costa, Flávio. "Ao minimizar o meio ambiente, Bolsonaro enfraquecerá o Brasil, diz Marina". Notícias UOL, 12/12/2018 "Posicionamento do Greenpeace sobre nomeação de Ricardo Salles para ministro do Meio Ambiente". Greenpeace, 09/12/2018 Jucá, Beatriz. "Um investigado por fraude ambiental comandará Meio Ambiente sob Bolsonaro". El País, 09/12/2018 "Nota oficial da APqC sobre a indicação de Ricardo Salles para o cargo do Ministro do Meio Ambiente". Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo, 10,12/2018 que agiu extinguindo ou enxugando órgãos e conselhos reguladores e fiscalizadores e retirando uma série de atribuições do Ministério do Meio Ambiente, segundo o ministro, em nome de mais eficiência.Girardi, Giovana. "Mudança do clima e combate ao desmatamento somem no Meio Ambiente de Bolsonaro". Programa Estadual de Mudanças Climáticas do Estado de São Paulo, 02/01/2019 Entre os críticos do projeto de governo que vem sendo implantado e de promessas já feitas para a área do ambiente se incluem ex-ministros do Meio Ambiente como Marina Silva e Izabella Teixeira,"Indefinição sobre política de clima e de controle do desmatamento preocupa representantes da área". Programa Estadual de Mudanças Climáticas do Estado de São Paulo, 02/01/2019 Alessandro Molon, presidente da Frente Parlamentar Ambientalista,Alencastro, Catarina. "Ambientalistas reclamam de desinformação da equipe de Bolsonaro". O Globo, 08/11/2018 lideranças indígenas,Phillips, Dom. "Jair Bolsonaro launches assault on Amazon rainforest protections". The Guardian, 02/01/2019 e representantes de destacadas ONGs e instituições como o Observatório do Clima, Instituto Socioambiental, World Wildlife Fund-Brasil, Serviço Florestal Brasileiro, e Greenpeace Brasil.Ver nota Exemplos incluem
Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima Márcio Santilli, fundador do Instituto Socioambiental Mauricio Voivodic, diretor executivo do World Wildlife Fund-Brasil