Eustácio Maleíno () foi um importante general bizantino e um dos mais ricos e influentes membros da aristocracia militar anatólia durante o final do . Manteve postos administrativos e militares seniores no Oriente, e esteve envolvido nas rebeliões aristocráticas contra o imperador , lutando contra Bardas Esclero, mas apoiando a revolta de seu sobrinho Bardas Focas, o Jovem. Após o fracasso do último, não foi punido, mas sua imensa fortuna acabou por causar sua queda, com Basílio confinando-o numa mansão em Constantinopla e confiscando seus bens após sua morte.

Biografia

upright=1.1|thumb|Histameno de ouro de . Basílio II, o genro e coimperador júnior de Nicéforo II, está representado no reverso

Eustácio era filho de Constantino Maleíno, um general sênior e governador do tema da Capadócia. A família Maleíno havia se tornado por esse tempo, principalmente através da estreita associação com a família Focas, uma das famílias mais importantes e influentes da aristocracia fundiária da Ásia Menor, que forneceu ao império muitos de seus generais. Assim, Eustácio podia contar tanto com a considerável autoridade de sua família como com sua experiência em assuntos militares para assegurar um alto cargo. Tornou-se estratego do Tema de Licando, antes de seu primo, o imperador , nomeá-lo, junto com seu posto original, como o primeiro governador bizantino (duque) de Antioquia após a cidade ser tomada pelo Império Bizantino em outubro de 969. Cerca de um anos depois do assassinato de Nicéforo II em dezembro de 969, Maleíno foi transferido por seu sucessor, , para Tarso, na Cilícia, um posto que ainda mantinha em 976, quando o jovem Basílio II tornou-se imperador sênior.

A ascensão de Basílio II ao governo imperial não foi bem aceita pela aristocracia militar, cujos membros, apoiados pelo exército, suas grandes propriedades e suas extensas redes de clientes, havia dominado o poder durante os trinta anos anteriores, quando Nicéforo Focas e João Tzimisces governavam como protetores nominais de Basílio e seu irmão mais novo, . Assim, logo após a morte de Tzimisces em janeiro de 976, seu principal apoiante, o doméstico das escolas Bardas Esclero foi declarado imperador. Maleíno, um adepto de Focas e por conseguinte adversário dos aliados de Tzimisces, manteve-se leal a Basílio. Embora não tenha conseguido evitar adequadamente a eclosão da rebelião de sua base original - a região à volta de Melitene através do Antitauro - e de ter sofrido uma pesada derrota frente aos rebeldes no final do verão de 976, Maleíno continuou a servir como um general leal até a supressão final da revolta em 979.

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Contudo, para conter com sucesso o rebelde, Basílio e seu importante ministro, o paracemomeno Basílio Lecapeno, foram forçados a chamar de volta do exílio o general Bardas Focas, o Jovem, o sobrinho do imperador Nicéforo II, em 978 e o nomearam comandante dos exércitos orientais. Após sua vitória sobre Esclero, Focas e seus adeptos começaram a conspirar para derrubar o imperador. O conflito não eclodiu imediatamente, mas ambos os lados estabeleceram aquilo que o historiador Mark Whittow considerou uma "guerra fria". Em 985, o imperador agiu, começando por demitir ou demover uma série de generais orientais leais à família Focas: o próprio Bardas Focas foi rebaixado para duque de Antioquia e Eustácio Maleíno foi dispensado do exército. Em 986, todavia, após a humilhante derrota de Basílio contra os búlgaros na batalha da Porta de Trajano e o retorno de Esclero do exílio em Bagdá, o imperador foi forçado a renomear Bardas Focas como comandante-em-chefe do Oriente. Bardas logo atraiu ardilosamente Esclero para uma reunião e o prendeu, mas agora o conflito decisivo pelo trono era inevitável: em 15 de agosto ou 14 de setembro de 987, na casa de Maleíno no tema de Carsiano, os líderes reunidos das famílias aristocráticas proclamaram Focas como imperador.

A rebelião de Focas espalhou-se rapidamente por toda a Anatólia. Finalmente Basílio, desesperadamente necessitado de tropas leais, concluiu uma aliança matrimonial com o Rússia de Quieve: em troca de sua irmã Ana Porfirogênita, enviou varegues com os quais Basílio conseguiu subjugar a revolta, com o próprio Focas caindo em batalha. À exceção de alguns ajudantes dos rebeldes, Basílio tratou de forma relativamente generosa os apoiantes dos Focas. Assim, apesar de ser um dos mais proeminentes adeptos de Focas, Maleíno foi autorizado a manter seu título cortesão de magistro e suas extensas propriedades (fontes árabes registram que uma delas se estendia de Claudiópolis, na Bitínia, até o rio Sangário, cobrindo cerca de 115 quilômetros quadrados).

Em 995, quando o imperador Basílio II retornou de sua campanha contra o Califado Fatímida na Síria, ele ficou nas propriedades de Maleíno, que supriu suntuosamente, com seus próprios recursos, as necessidades da comitiva imperial e de todo o exército. Basílio, que ficou muito impressionado e alarmado pela demonstração de riqueza e poder, levou Maleíno consigo para Constantinopla como um refém virtual, e, em janeiro de 996, emitiu uma nova lei contra a apropriação ilegal de terras de aldeias comunais pela aristocracia fundiária, os então chamados dínatos ("os poderosos"), em uma tentativa de reduzir-lhes o poder. Confinado doravante à capital, Maleíno foi bem tratado, mas, nas palavras do cronista João Escilitzes, "fornecendo-o abundantemente de tudo o que precisava, Basílio prendeu Eustácio como se ele fosse um animal selvagem em uma gaiola". Após sua morte, suas propriedades e fortuna foram confiscados pelo imperador.

Ver também

Bibliografia

Categoria:Nascidos no século X Categoria:Bizantinos do século X Categoria:Duques de Antioquia Categoria:Estrategos bizantinos Categoria:Generais de Basílio II Categoria:Magistros Categoria:Rebeldes do Império Bizantino Categoria:Família Maleíno Categoria:Prisioneiros bizantinos