A Crônica do Padre de Dóclea (Presbyter Diocleas), conhecida também como Crônica de Dóclea, é uma crônica medieval do Principado de Dóclea (Duklja). Sua cópia mais antiga ainda existente é do e acredita-se que ela foi compilada pelo menos no ou XV, embora o autor alegue ser o arcebispo de Bar numa época que o cargo não existia. Historiadores descartam a obra por conta das suas inúmeras incorreções e invenções, mas, mesmo assim, ela contém algum material semi-mitológico sobre a história primitiva dos eslavos do sul. A quinta parte, chamada "Hagiografia do Santo Sérvio João Vladimir" é considerada como sendo a novelização de uma obra anterior.

Autor Há várias teorias sobre quem seria o autor da obra:

Presbítero Rudigero (), o arcebispo cisterciense de Antivari (moderna Bar, Montenegro) entre 1299 e 1301. Acredita-se que ele tenha vivido por volta de 1300 por que a sua descrição das fronteiras bósnias coincidem com um texto anônimo chamado "Anonymi Descriptio Europae Orientalis" (Cracóvia, 1916), que foi datado em 1308.Tibor Živković: On the Beginnings of Bosnia in the Middle Ages, 2010; in Spomenica akademika Marka Šunjića (1927-1998), University of Sarajevo, p. 172, ; in the Yearbook of the Center for Balkan Studies of the Academy of Sciences and Arts of Bosnia and Herzegovina, p. 155, in Serbian, Mavro Orbin, um historiador da República de Ragusa por volta de 1601 e então Johannes Lucius por volta de 1666.S. Bujan, La Chronique du pretre de Dioclee. Un faux document historique, Revuedes etudes byzantines 66 (2008) 5–38

Uma das principais controvérsias sobre a Crônica está justamente no fato de que o Arcebispado de Antivari não existia entre 1142 e 1198. Umas poucas notas autobiográficas identificando o autor se preservaram na porção introdutória da própria obra, chamada de "O Reino dos Eslavos".

Língua A obra só sobreviveu em suas redações latinasThe legend of Basil the Bulgar-slayer, p. 27 dos séculos XVI e XVII, mas sua língua original, segundo indicação do próprio autor, era o antigo eslavônico eclesiástico:

Conteúdo A Crônica está dividida em seis grandes partes: O livro sobre os godos (Libellus Gothorum ou Barski Rodoslov) A lenda de Constantino (uma lenda modificada sobre a vida de São Constantino) O livro sobre os eslavos (Methodius), sobre a cristianização do povo de Dóclea e a organização eclesiástica Crônica da Travúnia Hagiografia do santo sérvio João Vladimir (a história romântica do duque Vladimir e a princesa búlgara Cossara, filha de Teodoreto) História de Dóclea

O autor tentou apresentar uma visão geral das famílias reinantes no decurso de dois séculos — do até sua própria, o . Há 47 capítulos no texto.

Folclore e traduções É geralmente aceito que este presbítero incluiu em sua obra material folclórico e literário de fontes eslavas que ele depois traduziu para o latim. Entre o que ele traduziu (e não inventou) está "A Lenda do Príncipe Vladimir", que foi supostamente escrito por outro clérigo de Crajina, na Dóclea. Em sua versão original, tratava-se de uma obra hagiográfica, a "Vida de Santo Vladimir" ao invés da "Lenda". O príncipe Vladimir, o protagonista da história, assim como o rei Vladislau, que ordenou a sua morte, eram personalidades históricas, mas, apesar disso, a obra contém muito material não histórico.

Impacto Mavro Orbini, o autor de "Il Regno dei Slavi" (Regnum Sclavorum, 1601) tomou emprestado o título de "O Reino dos Eslavos" da obra do padre de Dóclea e baseou seu relato na informação que encontrou ali.

Vários fatos incorretos ou simplesmente errados no texto tornam a obra pouco confiável. Historiadores modernos tem sérias dúvidas sobre a maioria do que se encontra ali como sendo puramente material ficcional ou wishful thinking. Alguns chegam ao ponto de defender que ela seja completamente descartada, mas esta não é a opinião majoritária, que defende que ela apresenta uma visão única da época sob o ponto de vista das populações eslavas indígenas da região. O tema ainda é tópico de discussão.

A obra descreve os eslavos locais como um povo pacífico importado pelos governantes sérvios locais que invadiram a área no , mas não tenta elaborar sobre como e quanto isto teria acontecido. Esta informação contradiz o que nos conta o imperador bizantino Constantino VII Porfirogênito em Sobre a Administração Imperial.

A Crônica também menciona um Svetopeleg ou Svetopelek, o oitavo descendente dos invasores sérvios originais, como sendo o monarca das terras que cobrem os estados modernos da Croácia, Bósnia e Herzegovina, Montenegro (Dóclea) e a Sérvia. Ele também é creditado como sendo o responsável pela cristianização dos godos e eslavos - uma atribuição fictícia. Estas alegações sobre um reino unificado são provavelmente o reflexo da glória anterior da Grande Morávia. Ele pode também estar fazendo referência ao Grão-Canato Avar.

O capítulo IX da Crônica menciona Methodus ou Liber Methodios, um texto do ano 753, como sendo a fonte.

Ligações externas

Versão em latim Versão croata

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