Andrea dei Mozzi (Florença, ? — Vicenza, 1296) foi um bispo italiano, titular das antigas dioceses de Florença e Vicenza.

Era filho de Diamante e Spigliato di Cambio ("Spigliato filho de Cambio"). O sobrenome Mozzi só se fixou na sua família depois da morte de Andrea, mas na bibliografia moderna é usado retrospectivamente para todos os membros da família. Deriva de Mozzo, pai de Cambio. Spigliato era um rico patrício e comerciante de lã e tecidos, importante membro da guilda dos tecelãos e em 1234 fez parte do Conselho Comunal. Seu filho Andrea aparece nos registros a partir de 1248 como cônego da Catedral de Florença e prebendado de igrejas na Inglaterra. Nesta época fazia estudos jurídicos, provavelmente em Bolonha, e em 1256 laureou-se como mestre em Direito Civil. Sua família vinha estabelecendo sólidas relações com o papado e a dinastia angevina, e seria enobrecida no fim do século, pouco antes da morte de Andrea, quando haviam se tornado muito influentes e imensamente ricos.

Andrea foi amigo íntimo de Carlos I de Anjou,Diacciati, Silvia. "Mozzi, Andrea". In: Dizionario Biografico degli Italiani, Volume 77, 2012 e capelão dos papas Alexandre IV, Gregório X e Nicolau III. Em 1279 atuou como vigário do cardeal Latino Malabranca Orsini na Toscana, e por seus bons serviços recebeu um canonicato in absentia e uma prebenda em Cambrai. Entre 1279 e 1280 fez parte da missão liderada pelo cardeal a fim de fazer a paz entre os guelfos e gibelinos de Florença. Em 1280 foi o guardião dos juramentos dos partidários de ambas as facções. No ano seguinte foi nomeado vigário do cardeal em Florença e atuou como agente da Cúria Pontifícia em várias cidades da região. Outra vez seus serviços foram reconhecidos, sendo nomeado pelo papa regente de toda a parte sul dos Estados Pontifícios. thumb|A Basílica de Santa Cruz.

Após a morte do bispo florentino Iacopo Rainucci em 1286, foi eleito pelo Capítulo para sucedê-lo. Foi um ativo defensor dos direitos da Igreja, reorganizou as finanças da Diocese, fundou várias igrejas, entre elas Santa Maria sul Prato e a Basílica de Santa Cruz, restaurou outras, e apoiou a fundação do Hospital de Santa Maria Nova. Iniciou ainda, com seu próprio dinheiro, a construção de um palácio de verão, que também não chegou a ver terminado. Por outro lado, envolveu-se em escândalos e acerbas controvérsias com os franciscanos, os dominicanos, o clero secular e autoridades civis, sendo acusado de abuso de poder, de nepotismo e de violação de direitos adquiridos. Em breve sua posição ficou insustentável, e em 1295 Bonifácio VIII o transferiu para a sede vacante de Vicenza, onde faleceu em 1296. Seu corpo foi devolvido a Florença, sendo sepultado na Igreja de São Gregório, pertencente à sua família.

Embora algumas das acusações pareçam ser fundamentadas, ainda subsiste muita incerteza sobre o que realmente motivou sua transferência, e a documentação que sobrevive é contraditória.Terza, Dante della. "The Canto of Brunetto Latini". In: Mandelbaum, Allen; Oldcorn, Anthony & Ross, Charles. Lectura Dantis: Inferno: A Canto-by-Canto Commentary. University of California Press, 1999, pp. 197-212 De todo modo, os ditos escândalos não eram uma novidade nos costumes do grandes dignitários da Igreja de sua época, mas parecem ter sido muito magnificados por vários autores antigos, tornando-o um personagem perverso e tenebroso. Brunetto Latini, por exemplo, o chamou de sodomita, e Dante Alighieri o colocou no "Inferno" da sua Divina Comédia.Chiarini, Eugenio. "Mozzi, Andrea de". In: Enciclopedia Dantesca, 1970

A opinião dos críticos recentes é bastante cética a respeito da imagem que seus detratores construíram. Segundo Diacciati, "Mozzi foi pessoa capaz e hábil; expoente de uma das principais famílias magnatícias (nobres), manifestou modos e atitudes próprias da sua condição, procurando favorecer a si e à sua família a partir da posição que conquistara. Não por acaso o papa determinou que seus sucessores não podiam ser nativos de Florença". Para Chiarini, "deve ser assinalada a grande discrepância entre os dados biográficos que são conhecidos com segurança e a imagem de um homem decaído até o ponto do rídículo".

Andrea foi a origem da fortuna da família Sartori de Vicenza. Alguns membros faziam parte do seu séquito e o acompanharam a Vicenza, onde receberam do bispo um feudo na jurisdição de Roana, entrando para a nobreza local como vassalos da Mesa Episcopal.Frigo, Rita. Il Passaggio da una regione a Statuto Ordinario ad una Regione a Statuto Speciale. Gli art. 5 d 132 della Costituizione: Il caso dell’Altopiano di Asiago. Tesi di Laurea. Universitá degli Studi di Verona, 2013 Esta família em pouco tempo adquiriu um vasto patrimônio fundiário na região e se notabilizou a partir do século XVI como uma das principais famílias comerciantes, tornando-se riquíssimos.Occhi, Katia. "La corsa al legno. Scambi commerciali tra Altopiano e pianura in età moderna". In: Rigoni, P. & Varotto, M. (eds.). Altopiano dei Sette Comuni (Immagini e territorio). Cierre Edizioni, 2009Occhi, Katia. "Affari di famiglie: rapporti mercantili lungo il confine veneto-tirolese (secoli XVI-XVII)". In: Mélange de l’École française de Rome - Italie et Méditerranée modernes et contemporaines, 2013; 125 (1)

Ver também Família Mozzi Palazzo dei Vescovi a San Miniato al Monte

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