O BRT de Belo Horizonte, mais conhecido pelo nome MOVE e o BRT Metropolitano, integrante do Sistema TREM (Transporte Estadual Metropolitano), são sistemas BRT (Bus Rapid Transit, em inglês) em operação nos municípios de Belo Horizonte, Ribeirão das Neves, Santa Luzia e Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais. A rede de transporte é parte integrante dos sistemas de transporte de passageiros por ônibus municipal de Belo Horizonte e intermunicipal da RMBH, sob gestão e planejamento da Superintendência de Mobilidade Urbana de Belo Horizonte (SUMOB) e Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (SEINFRA), respectivamente, sendo a operação do sistema de responsabilidade das concessionárias operadoras das redes de transporte citadas.

Consiste em uma rede de corredores exclusivos e estações de transferência ao longo das avenidas Antônio Carlos, Cristiano Machado, Paraná, Pedro I, Santos Dumont e Vilarinho, além de estações de integração nas regionais administrativas Nordeste, Pampulha e Venda Nova, em Belo Horizonte, bem como nos municípios de Ribeirão das Neves, Santa Luzia e Vespasiano, na RMBH. Realiza, dessa forma, uma conexão entre o hipercentro e o vetor norte da capital e de sua região metropolitana. Em Contagem, não há estações de integração, as linhas que passam lá vão até a Estação Eldorado ou Cidade Industrial. Inaugurado em 8 de Março de 2014, conta atualmente com uma rede de 23,1 km de corredores que transportam diariamente 500 mil passageiros.

A implantação do BRT em Belo Horizonte foi anunciado oficialmente pela Prefeitura de Belo Horizonte, através da então Empresa de Transporte e Transito (BHTRANS), em 16 de Dezembro de 2010, como proposta de mobilidade urbana para a cidade. O projeto faz parte do Plano de Mobilidade Urbana do município, que estabeleceu diretrizes e metas para os transportes e o trânsito da cidade até 2030. A implantação do MOVE é apontada como uma alternativa aos atrasos na modernização e ampliação do Metrô da cidade, além de ter sido utilizado como oferta de mobilidade durante os jogos da Copa do Mundo FIFA de 2014, que teve o Brasil como país sede.

Histórico

Antecedentes e concepção

A Lei Nº 5.953, de 31 de Julho de 1991, decretada pela Prefeitura de Belo Horizonte, estabeleceu a criação da BHTRANS, empresa de economia mista responsável pela gestão, planejamento, fiscalização e legislação dos serviços de transporte público e individual em Belo Horizonte. A empresa assumiu a responsabilidade sobre o gerenciamento dos serviços de transporte coletivo por ônibus do município em 1993, até então a cargo da Autarquia de Transportes Metropolitanos - TRANSMETRO.

Em 1995, a BHTRANS inicia o desenvolvimento do Plano de Reestruturação do Transporte Coletivo de Belo Horizonte (BHBUS), como forma de racionalização da infraestrutura de transportes, propondo sistemas tronco alimentados, operando em vias exclusivas e integrados, física e tarifariamente, em estações de integração, com adequação da frota de ônibus e a reformulação da estrutura tarifária, em um cenário planejado aos horizontes de 2000 e 2005. A rede BHBUS fora projetada para implementação em todas as regionais administrativas de Belo Horizonte, captando e distribuindo a demanda do transporte coletivo conforme as necessidades de deslocamento. Doze estações de integração foram propostas pelo projeto.

Em 1997, a Estação Diamante, localizada na regional Barreiro, foi a primeira a ser inaugurada, racionalizando parte dos atendimentos semi-expressos da regional. Em 1998, ocorre a licitação da rede de transporte coletivo, extinguindo as delegações precárias de operação do sistema e instituindo um novo modelo de subconcessão com validade de dez anos. Posteriormente, outras estações de integração foram inauguradas nas regionais Venda Nova, Nordeste e Leste. Entretanto, a falta de recursos, alegada pela Prefeitura de Belo Horizonte, além de entraves na liberação de terrenos e desapropriações impossibilitaram a implementação de todas as estações previstas. Em 2009, seis das doze estações propostos estavam implantados, com apenas quatro em operação integral, atendendo a menos de 1/5 dos passageiros do transporte coletivo municipal.

No âmbito metropolitano, houve a extinção, em 1994, da TRANSMETRO, autarquia criada em 1987 para gerenciar, planejar e legislar sobre o transporte coletivo e individual da RMBH. As delegações atribuídas a TRANSMETRO foram transferidas ao Departamento de Estadas de Rodagem (DER-MG), que passou a ser vinculado a então Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (SETOP). O DER-MG não realizara mudanças significativas na gestão do transporte metropolitano da RMBH após a esse período, tendo gerenciado o sistema nos mesmos moldes realizados pela TRANSMETRO, através do Programa de Reestruturação do Transporte Coletivo (PROBUS).

Entre os anos de 2007 e 2008, as redes de transporte coletivo por ônibus de Belo Horizonte e da RMBH estiveram sob processo de licitação, que encerraram as outorgas de operação aos grupos empresariais da RMBH e iniciaram processo de operação do sistema por meio de regimes de concessão, com o cumprimento de metas relacionadas a racionalização e padronização técnica estipulados em contrato. Os sistemas foram divididos em Redes de Transporte e Serviços (RTS) - no caso da concessão municipal de Belo Horizonte - e em Redes Integradas de Transporte (RIT) - na concessão do transporte metropolitano, que correspondem as áreas de atuação das concessionárias vencedoras das concorrências, bem como aos eixos estruturais de circulação do transporte coletivo. Entre as premissas definidas, estava a continuidade de implantação, no caso belo-horizontino, do sistema tronco alimentado, iniciado em 1997 com o BHBUS, que também passou a ser previsto no transporte metropolitano, onde houvera a licitação das linhas junto ao serviço de transporte, além de definidos os eixos de circulação prioritários e os terminais de integração metropolitanos.

Elaboração do Projeto e Recursos miniaturadaimagem|260x260px|Ônibus do Move transitando na Avenida Cristiano Machado. Paralelo ao processo de concessão do transporte em Belo Horizonte, a BHTRANS também elaborou o Plano de Mobilidade Urbana do município - Planmob - com um horizonte de planejamento e gestão até 2030. Através do estudo fora realizado um diagnóstico da situação dos transportes coletivo e individual, de modo e elucidar as características operacionais existentes, que deram suporte a realização do prognóstico contendo as diretrizes para reformulação dos sistemas viário, de transporte, de política tarifária e de incentivos fiscais. Entre as intervenções propostas, esteve a implantação de um sistema por ônibus de média/alta capacidade ao longo dos principais eixos de transporte do município, tendo a empresa avaliado os modais de Bus Rapid Transit e Veículo Leve sobre Trilhos nos cenários analisados. Tendo em vista as características contratuais dos regimes de concessão do transporte por ônibus e o anúncio, em 2007, do Brasil como país sede da Copa do Mundo FIFA de 2014, o BRT fora selecionado.

Dois cenários de implantação foram apontados pelo Planmob. O primeiro, "Cenário Copa 2014", definiu a implantação de corredores BRT ao longo das avenidas Amazonas, Antônio Carlos, Carlos Luz, Cristiano Machado, Pedro I, Pedro II, Portugal, Tereza Cristina, Vilarinho e Via do Minério, além do corredor da área central. Um segundo cenário, com horizonte em 2020, projetou a ampliação da rede de corredores ao longo de vias como a Afonso Pena, Amazonas, Anel Rodoviário, Nossa Senhora do Carmo e Raja Gabaglia, além implementação das linhas 2 e 3 do Metrô. A implantação do primeiro cenário recebeu, em 2010, recursos avaliados em R$ 1 bilhão por parte do governo federal, através do Programa de Aceleração do Crescimento, no setor de Mobilidade Urbana. A garantia de recursos, junto a elaboração dos projetos básico e de engenharia, fizeram com que, em dezembro do mesmo ano, a prefeitura de Belo Horizonte, através da BHTRANS, anunciasse a obra, com início planejado para 2011.

Em 2013, a então Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (SETOP) anunciou o investimento de R$ 187 milhões na implantação de terminais metropolitanos de integração na RMBH. A intervenção é parte do programa "Terminais Metropolitanos", originado do próprio regime de concessão do transporte por ônibus metropolitano, de 2007, contemplando 13 dos terminais previstos. Desses, sete seriam parte integrante do sistema BRT em implantação, situados nos municípios de Ribeirão das Neves, Santa Luzia e Vespasiano, além da própria capital.

Implantação miniaturadaimagem|Obras de implantação de estação de transferência na avenida Pedro I As obras de implantação foram iniciadas em 2011, com a duplicação da avenida Pedro I, uma das vias estruturantes do sistema. Também houve a continuidade nas obras de duplicação da avenida Antônio Carlos, que encontrava-se em obras desde 2005, com a substituição de cruzamentos em nível e a implantação de pavimento de concreto, tido em literatura e engenharia de transportes como mais adequado a circulação dos veículos com padrão BRT. Intervenções viárias similares foram também iniciadas na Avenida Cristiano Machado, no trecho entre a Estação São Gabriel e os túneis do complexo da Lagoinha. As avenidas Santos Dumont e Paraná, no hipercentro, foram segregadas para circulação exclusiva dos ônibus do sistema, tendo obras iniciadas em 2012.

Durante as obras de implantação, houve alterações no projeto, que consideraram fatores relacionados ao orçamento e dificuldades técnicas de implantação. O corredor na avenida Portugal foi suprimido, sendo incorporado a rede de atendimento do corredor Antônio Carlos. A implantação do sistema nas avenidas Carlos Luz e Pedro II foi cancelada, devido a dificuldades com as seções transversais ao longo da via, além de imbróglios envolvendo o processo de desapropriação ao longo das vias, tendo em vista a alta densidade de empreendimentos comerciais ao longo das vias. A rede de corredores da área central, antes prevista para se estender ao longo do hipercentro e região hospitalar, foi resumido as avenidas Santos Dumont e Paraná. O corredor previsto nas avenidas Amazonas, Tereza Cristina e Via do Minério foram postergados, devido a insuficiência orçamentária. Também foram revisados os projetos de implantação da Estação São Gabriel, considerando, mais uma vez, o orçamento previsto, além do prazo estabelecido.

A instalação das estações de transferência ao longo dos corredores em obras fora iniciada em 2013. As estações foram projetadas para operarem com 1 a 2 módulos, considerando o perfil de carregamento diário previsto. Os módulos foram segregados entre as operações municipal e metropolitana, tendo em vista a não integração entre as instâncias de serviço de transporte vigentes. Foram implantadas 14 estações ao longo do corredor Antônio Carlos, 9 no corredor Cristiano Machado e 6 no corredor da área central. Das 4 estações de integração previstas para operação do sistema em Belo Horizonte, 3 já estavam em operação, tendo sido reformadas para adequação a operação com características do BRT. Para o sistema metropolitano, os terminais de integração tiveram obras iniciadas em 2013, sendo dois deles - São Gabriel e Vilarinho - reformados para a operação, outros 4 construídos - Bernardo Monteiro, Justinópolis, Morro Alto e São Benedito - e 1 postergado (TERGIP).

Nomenclatura do sistema direita|miniaturadaimagem|Logomarca oficial do MOVE