Alkiza é um município do centro de Guipúscoa (Pais Basco), de carácter rural, ao noroeste da comarca de Tolosaldea, a 27 quilómetros ao sul de San Sebastián. Em 2016 tinha 346 habitantes, dos quais o 88,8% falavam o basco. É município independente desde 1731, anteriormente dependeu de Tolosa e de San Sebastián.
A praça do povoado encontra-se a 340 metros sobre o nível do mar e nela se encontram a escola, a câmara municipal, o frontão e a igreja paroquial. O município conta com mas de 40 quintas e casas dispersas. alt=|miniaturadaimagem|320x320px|Alkiza, núcleo urbano (2010) Está ligado com Anoeta e Asteasu através da estrada GI-3630. A bifurcação de Asteasu inaugurou-se em 1952 e a de Anoeta em 1957. Até então, os caminhos rurais uniam Alkiza com os povos próximos.
Aos seus habitantes se lhes apelida em basco oiloak (galinhas).
A festa maior da vila é o 8 de setembro.
Geografia Alkiza encontra-se ao este da serra de Hernio. O terreno de termo autárquico é em geral de grande pendente, encontrando-se a zona mas plana no bairro Arana.
Tem clima atlântico típico. O facto de que as nuvens procedentes do mar fiquem aderidas à serra de Hernio não é raro quando sopra o vento do noroeste, pelo que goza de um clima húmido
Ao ser a serra de Hernio uma formação calcária, nos terrenos de Alkiza existem numerosas estruturas cársicas como grutas, dolinas e rios subterrâneos. Assim mesmo, algumas dos ribeiros que percorrem o município permanecem secos se não chove muito. O mesmo ocorre com a cascata de Amixuri.
O complexo Leize Haundia 2/Sabe-saia é a estrutura cársica mais importante de Alkiza. As duas grutas formam um sistema de 340 m de profundidade, 2 km de galerias e um ribeiro no seu interior.
As cimeiras mais destacadas são Herniozabal (1.010 m), Herniotxiki (820 m), Enaizpuru (731 m), Alluts (687 m) e Beleburu (619 m) ao oeste e Mendiola (431 m) ao este.
No termo autárquico de Alkiza encontra-se a quarta parte a Zona de Especial Conservação Hernio-Gazume. alt=|esquerda|miniaturadaimagem|285x285px|Bairro Azaldegi, no primeiro plano; bairro Aldapa à direita e bairro Hernio, nas encostas da Serra de Hernio, ao fundo
Hidrografia Como se mencionou anteriormente, Alkiza é uma zona cársica, pelo que as águas de chuva e degelo vão ao subsolo em grande proporção. Por isso, alguns ribeiros só conduzem água em caso de precipitação intensa e, em outras, há águas superficiais só em alguns trechos do leito.
São dois os principais ribeiros de Alkiza:
O ribeiro Mandabe atravessa o bairro de Arana e verte as suas águas no termo de Anoeta ao rio Oria. Nasce na fonte chamada Bidania erreka, onde surgem as águas do complexo Leize Haundia 2/Sabe-saia. Entre os habitantes de Alkiza pensava-se que as águas desta fonte procediam do outro lado de Hernio, concretamente de Bidania, e daí o seu nome Alkiza O ribeiro Aranguren nasce junto a casa do mesmo nome e escorre pelo bairro de Aldapa. Verte as suas águas no ribeiro Asteasu, afluente do Oria. A este ribeiro denomina-se-lhe Arraiaga águas abaixo da ponte de Egurrola.
Municípios limítrofes Alkiza limita ao norte com Larraul e Asteasu; ao sul com Hernialde, Tolosa, Albiztur e Bidania-Goiatz; ao este com Anoeta; e ao oeste com Errezil.
História O território do concelho de Alkiza é habitado desde a Idade do Bronze. Isso é indicado, por exemplo, pelas peças de cerâmica na caverna Olatzazpi ou peo túmulo de Itzuregi.
As primeiras referências escritas sobre Alkiza são de 1348. De facto, por encarrego do rei de Castela Afonso XI elaborou-se a lista dos fidalgos de Tolosa. Nesta lista aparecem várias quintas de Alkiza. O povoado menciona-se associado administrativamente a Tolosa. Por causa dos impostos Alkiza e outros povoados de Tolosaldea tiveram litígios com Tolosa desde 1435. Dentro deste processo, em 1450, Alkiza decidiu convergir com San Sebastián, mas isto não se materializou legalmente até que em 1479 Tolosa e San Sebastián assinaram um acordo.
Entre os séculos XV e XVIII, Alkiza autogoverna-se como concelho aberto, embora também se nomeavam magistrados para as decisões quotidianas.
No final do primeiro terço do século XVIII chegou o momento mais importante da história de Alkiza: converter-se em município. O 21 de janeiro de 1731 foi declarada vila pelo rei Felipe V e separada de San Sebastián. A lonjura a San Sebastián foi a razão mais importante para levar a cabo essa secessão. Miguel Irazusta foi o primeiro presidente da câmara municipal. Nesse mesmo ano definiram-se oficialmente os limites de Alkiza com as outras vilas da zona e procedeu-se à designação da cada um dos marcos. O limite de Asteasu, por exemplo, foi delimitado pelos marcos de Olatza, Arizmendi, Zalminaga e Arraiaga. 54 lares constituíram o novo município.
Ao converter-se em município independente Alkiza adquiriu o direito de participação nas Juntas Gerais de Guipúscoa. Isso tinha um custo económico e Alkiza lhe propôs se unir a Anoeta para compartilhar despesas. Em 1742 os dois povos fundaram a união Ainssu para a sua representação nas Juntas Gerais. Às Juntas Gerais de 1743 assistiram representantes de ambos municípios; às de 1744 assistiram os de Anoeta; às de 1754 os de Alkiza e assim sucessivamente. O acordo foi de vinte anos e foi renovado em 1762, 1781 e 1805. Este último não tinha prazo de finalização.
Em 1815 aderiu-se a Ainssu Hernialde e à união alargada denominou-se-lhe Ainssuberreluz.
A princípios do século XIX produziu-se a privatização dos terrenos comunais em Alkiza. O primeiro movimento produziu-se por causa das dívidas derivadas da Campanha do Rossilhão, e assim em 1797 o povo autorizou à Câmara municipal a venda de terrenos comunais. O primeiro leilão de terrenos comunais celebrou-se em 1799 e a Câmara municipal vendeu 53 lotes. Desde essa data até 1814 a Câmara municipal realizou seis leilões para a alienação de terrenos comunais. Em 1810 foram leiloados, além disso, outros bens, como os moinhos de Olaa e Goiko Errota no bairro Aldapa e Igaran no bairro Arana. No final do século XVIII a metade dos terrenos do município eram públicos e entre 1799 e 1845 a Câmara municipal leiloou 682 parcelas comunais: 5,3 km2 no total. Os terrenos comunais reduziram-se a uma superfície de 0,4 Km2.
Esta privatização afetou gravemente à economia da câmara municipal. De facto, o mesmo conseguia grandes recursos económicos vendendo lenha, carvão vegetal, castanhas e demais. Isto provocou, por exemplo, a perda dos notários residentes que Alkiza tinha desde 1749 em 1801. Também desapareceram os guardas florestais responsáveis pelos bosques e viveiros autárquicos.
As duas guerras carlistas do século XIX afetaram pouco a Alkiza. Durante a Primeira Guerra carlista, entre 1836 e 1938, os carlistas confiscaram aos seus donos liberais os seus casarios e obrigaram aos inquilinos a pagar as rendas às autoridades carlistas. Durante a Terceira Guerra carlista aconteceu em 1873 o chamado encontro de Alkiza. Suspeitava-se que o chefe de guerrilha cura Santa Cruz, estava na zona de Hernio e as tropas liberais foram a lhe procurar. Não encontraram a ninguém e decidiram descer do porto de Zelatun a Alkiza. Ao entrar no povo receberam-nos com disparos, mas os liberais expulsaram aos carlistas carregando a baioneta. Por outra parte foi frequente que Santa Cruz tomasse albergue na reitoria de Alkiza cujo pároco era fervoroso carlista.
O serviço de correio começou em 1873 com dois carteiros. Um deles realizava o percurso Azpeitia-Alkiza-Larraul-Asteasu e o outro, Tolosa-Alkiza-Larraul-Asteasu.
Em 1885 a câmara municipal decidiu fazer chegar o telégrafo e o telefone ao povo. Estes serviços tiveram a sua sede na taberna autárquica. O telefone não se estendeu a todos os lares do município até princípios dos anos 80. Por outro lado, a Câmara municipal decidiu em 1896 estabelecer o sistema métrico de pesos e medidas no município.
Em 1911 quatro Alkizarras, Ignacio Urruzola, Eusebio Zubiaur, Markos Bengoa e Fermin Roteta, construíram uma central hidroelétrica no ribeiro Mandabe. Desta maneira conseguiu-se que a eletricidade chegasse aos lares de Alkiza. Esta central foi pioneira da atual Elektralkiza. A energia elétrica de Alkiza foi produzida pelo ribeiro Mandabe até que em 1971 quando a empresa Iberduero instalou dois centros de transformação no município.
O primeiro automóvel chegou a Alkiza o dois de novembro de 1930 conduzido por um dos proprietários da fábrica pepeleira Echezarreta, Larrion e Aristi de Irura.
Organização administrativa Em 1775 a Câmara municipal ditou um decreto pelo que se organizava a recolha de samanbaia, folhas soltas e similares para as camas do gado dos terrenos comunais. No mesmo dividia-se o município em quatro bairros: Azaldegi, Aldapa, Arana Behea e Arana Goikoa. O centro localizou-se na casa Otsamendi e o termo autárquico dividiu-se em quatro quartos para levar a cabo esta distribuição.
No momento em que se estabeleceram as quotas para o pagamento do médico da localidade em 1847, o município se dividiu novamente em quatro bairros: Azaldegi, Aldapa, Arana e Herriburua. Em 1884 o bairro Aldapa dividiu-se em dois: Aldapa e Hernio. O bairro Sakamidra foi organizado em 1940, juntando vários casarios de Arana e Azaldegi.
Além do núcleo urbano, denominado Praça pelos naturais, Alkiza divide-se atualmente oficialmente em cinco bairros: Aldapa (limita com Larraul), Arana (zona plana da estrada de Anoeta), Azaldegi (a ambos lados da estrada de Asteasu), Hernio (aos pés do maciço de Hernio) e Sakamidra (contiguo o bairro Goi-bailara de Anoeta).
Demografia No momento que aparece a primeira documentação escrita sobre Alkiza, isto é no século XIV, se estima tinha uns 60 habitantes; a princípios do século XVII eram ao redor de 230 e quando se constituiu como município, uns 270. A princípios do século XIX viviam em Alkiza mais de 350 pessoas. Primeiros dados exatos do número de habitantes são do meio do século XIX. Na tabela seguinte mostra-se a evolução da população de Alkiza desde 1851.Desde princípios do século XX a população foi diminuindo paulatinamente, diminuição que se acelerou desde a década de 1960 até finais de século. O número de habitantes atingiu o mínimo em 2000, com só 254.
A começos do século XXI a população de Alkiza era comparável à que tinha quando se converteu em município. Isto tem uma explicação singela desde o ponto de vista da estrutura económica e familiar do município. Desde o meio do século XX a agricultura deixou de ser o motor da economia local. Os alkizarras começaram a ir trabalhar à indústria e aos serviços situados de localidades próximas como Asteasu, Anoeta ou Tolosa. Ao mesmo tempo as famílias extensas que precisa a economia rural começaram a se reduzir, passando de seis a sete meninos a só dois ou três.
Economia Até o meio do século XX a atividade económica principal de Alkiza foi a agricultura e atividades relacionadas como a ferraria ou os moinhos
A atividade agrária organizou-se em torno da fazenda e foi em grande parte uma economia de subsistência. O necessário para viver produzia-se principalmente na fazenda. A diferença de outras comarcas de não parece que o pastorerio tenha um grande peso na economia das fazendas de Alkiza.
Alkiza contou historicamente com três moinhos: Igaran, no bairro Arana ao ribeiro Mandabe, e Olaa e Goiko Errota no bairro Aldapa ao ribeiro Aranguren. Estes dois últimos moihos estiveram ativos até 1953. Se moía milho e trigo.
No século XVI, cabe destacar a forno de fundição Egurrola que teve uma atividade foi muito importante entre 1511 e 1615. A ferraria foi destruída por uma grande inundaçao.