Beyoncé é o quinto álbum de estúdio e homônimo da artista musical estadunidense Beyoncé. O seu lançamento ocorreu em 13 de dezembro de 2013 sem qualquer aviso prévio na loja virtual iTunes Store, através das gravadoras Columbia Records e Parkwood Entertainment, seguido de uma distribuição física nos dias seguintes. A cantora iniciou as gravações do disco em meados de 2012 na cidade de Nova Iorque, onde convidou produtores e compositores para viver com ela no local por um mês. No ano seguinte, durante a turnê extensiva da intérprete, a direção musical do trabalho mudou, já que ela havia concebido criar um acompanhamento visual para suas canções e retomou as sessões de gravação com o produtor eletrônico e músico de rock Boots. Essa colaboração levou a um material sonoramente mais experimental, que combinou o R&B com a música eletrônica e soul. Nesse período, as faixas do projeto e seus respectivos vídeos musicais foram feitas em segredo, já que Beyoncé planejava um lançamento inesperado.

Desenvolvido como um álbum simultaneamente audiovisual, Beyoncé é musicalmente derivado do R&B alternativo, fundindo-o com uma variedade de gêneros, como hip hop, soul, música eletrônica e dubstep. Descrito como o trabalho mais experimental de Beyoncé até a data, o projeto apresenta vocais emotivos, produção obscura e temperamental. Suas canções são acompanhadas por curta-metragens não-lineares que ilustram os conceitos musicais desenvolvidos durante a produção do disco. Liricamente, são obscuras e íntimas, e refletem-se a temas feministas e complexos como sexo, amor monogâmico, questões de relacionamento e, no caso de "Pretty Hurts", padrões de beleza, inspirados pelo desejo da artista de afirmar sua liberdade criativa por completo. Beyoncé foi aclamado por críticos musicais, que elogiaram sua exploração de sexualidade, sua produção e os vocais da artista, bem como seu lirismo. Como resultado, entrou em diversas listas que compilaram os melhores álbuns do ano e da década, vencendo três Grammy Awards na 57.ª cerimônia da premiação.

Comercialmente, Beyoncé também mostrou-se ser bem recebido, vendendo pouco mais de 800 mil unidades digitais mundialmente em seus três primeiros dias de disponibilidade na iTunes Store. Atingiu o topo das tabelas musicais da Austrália, Canadá, Estados Unidos e dos Países Baixos, enquanto listou-se entre os dez mais vendidos em outros territórios, como Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Nova Zelândia e Reino Unido. Em território estadunidense, debutou no topo da Billboard 200 com 617 mil cópias digitais vendidas em apenas três dias, culminando a tabela por outras duas edições consecutivas. Como resultado, foi certificado como platina sêxtupla pela Recording Industry Association of America (RIAA) e vendeu 6 milhões de réplicas no país até dezembro de 2024, convertendo-se no sexto mais vendido no território em 2014 e o segundo com melhores resultados na Billboard 200 naquele ano — ficando apenas atrás da trilha sonora do filme Frozen. Mundialmente, foi o 10º mais vendido em 2013 e o 20º mais comercializado em 2014, registrando vendas de cinco milhões de exemplares até novembro de 2014.

De Beyoncé foram lançados quatro singles oficiais. Os dois primeiros, "XO" e "Drunk in Love", foram lançadas simultaneamente nas rádios estadunidenses, e embora a segunda tenha sido lançada oficialmente apenas nos Estados Unidos e no Reino Unido, obteve maior destaque, entrando em diversas tabelas musicais após o lançamento do disco e tornando-se a mais bem sucedida da cantora na Billboard Hot 100 em quatro anos, atingindo a vice-liderança, além de ter ganhado os Grammy Awards de Melhor Canção de R&B e Melhor Desempenho de R&B. Os outros dois, "Partition" e "Pretty Hurts", obtiveram um desempenho comercial moderado. Para a divulgação do trabalho, Beyoncé incluiu algumas canções do projeto na The Mrs. Carter Show World Tour (2013-14) a partir de dezembro de 2013, iniciou a turnê On the Run Tour (2014) em conjunto com seu marido, o rapper Jay-Z, e apresentou todas as músicas do material em um medley realizado nos MTV Video Music Awards de 2014. O projeto foi notado por influenciar outros lançamentos surpresa e por causar a mudança da data de lançamento global de discos e músicas de terça para sexta, devido ao seu grande sucesso, além de ter levantado discussões sobre a sexualidade feminina e o feminismo.

Antecedentes Em 7 de janeiro de 2012, após a conclusão dos trabalhos promocionais de 4, Beyoncé deu a luz à sua primeira filha, Blue Ivy, no Lenox Hill Hospital em Nova Iorque. Apenas quatro meses após o parto, ela iniciou uma residência de três shows no Ovation Hall, no Revel Atlantic City, intitulada Revel Presents: Beyoncé Live. A decisão de realizar concertos tão cedo foi proposital; a cantora queria demonstrar para as mães que elas não precisavam interromper suas vidas profissionais apesar de terem tido filhos. Após as apresentações, Beyoncé passou o verão nos The Hamptons, em Nova Iorque, onde ela cuidou de Blue Ivy e deu início às gravações de seu próximo álbum. No começo de 2013, a artista cantou "The Star-Spangled Banner" na segunda cerimônia de presidência de Barack Obama e realizou o show do intervalo do Super Bowl XLVII, para o qual surgiram expectativas de que ela lançaria material novo, embora tais rumores não tenham se confirmado. A intérprete também lançou um documentário autobiográfico em fevereiro, intitulado Life Is But a Dream.

Em março de 2013, uma canção de hip hop de duas partes intitulada "Bow Down/I Been On" foi divulgada na conta de Beyoncé no SoundCloud. A primeira, "Bow Down", foi produzida por Hit-Boy e escrita após a artista acordar certa manhã com um canto grudado em sua mente, sentindo-se furiosa e agressiva. A segunda parte, "I Been On", foi produzida por Timbaland e faz uso proeminente de um vocal com altura distorcida como uma homenagem à cena de hip hop de Houston. Michael Cragg, do The Guardian, descreveu a faixa como "brilhantemente estranha", enquanto Lindsay Zoladz, da Pitchfork Media, notou a sua assertividade e acreditou que ela servia como uma introdução do que estava prestes a vir. "Bow Down/I Been On" foi percebida como um afastamento significativo do catálogo anterior de Beyoncé, particularmente por sua natureza agressiva. A atmosfera da canção e seu controverso refrão "Curvem-se, vadias" geraram reações mistas daqueles que questionaram se a letra era direcionada a mulheres ou era apenas um momento de braggadocio. A artista esclareceu após o lançamento do álbum, onde elementos de "Bow Down" aparecem em "Flawless", que a faixa e seu refrão foram destinados como uma declaração de empoderamento feminino.

Beyoncé ou seus representantes não comentaram sobre o lançamento de "Bown Down/I Been On", e muitos jornalistas questionaram a natureza de seu lançamento no contexto do lançamento de seu futuro álbum. Maior desentendimento foi criado quando trechos de duas outras faixas, "Grown Woman" e "Standing on the Sun", foram usadas para propagadas televisivas, com uma similar falta de explicação em relação aos seus propósitos. Ao longo de 2013, a mídia por várias vezes noticiou que o disco havia sido adiado ou descartado, com uma matéria alegando que a cantora havia descartado 50 canções para recomeçar o projeto. Em julho de 2013, um porta-voz de Beyoncé negou as especulações de que o projeto havia sido adiado, declarando que não havia uma data de lançamento oficial e que quando esta seria definida, seria anunciada através de um comunicado oficial para a imprensa. Houve considerável confusão entre jornalistas e fãs, já que a artista estava em uma grande turnê, e não discutiu o álbum ou seu lançamento.

Gravação As sessões de gravação para o álbum começaram no verão de 2012 nos The Hamptons, em Nova Iorque, onde Beyoncé e seu marido Jay-Z estavam vivendo. Ela convidou compositores e produtores para acompanhá-los, incluindo Sia, Timbaland, Justin Timberlake e The-Dream. Beyoncé descreveu a atmosfera como inconvencional, dizendo: "Nós jantávamos com os produtores todos os dias, como uma família (...) era como um acampamento. Finais de semana livres. Você podia pular na piscina e andar de bicicleta (...) o oceano, a grama e a luz do sol (...) era um lugar muito seguro". Ela passava a maior parte do tempo com sua filha recém-nascida, tirando algumas horas para gravar músicas. A primeira canção do disco, "Pretty Hurts", co-composta por Sia, foi completada durante estas sessões. O projeto foi suspenso até 2013 e realocado para os estúdios Jungle City Studios e Oven Studios, onde a maior parte do projeto foi gravado. Em matéria para a Vogue em janeiro de 2013, o jornalista Jason Gay descreveu a atenção de Beyoncé para os detalhes como "obsessiva" ao observar seu estúdio, notando as anotações de visões que ela havia criado para inspiração, que continham potenciais títulos para as canções, capas de álbuns antigos e fotos de performances.

Em meados de 2013, um artista relativamente desconhecido, Boots, assinou um contrato de publicação com a Roc Nation, gravadora de Jay-Z. Em entrevista com Pitchfork após o lançamento do álbum, Boots ficou tímido ao responder perguntas sobre como Beyoncé descobriu sua demo ou sobre seus trabalhos anteriores, apenas confirmando sua contratação com a Roc Nation. Em junho de 2013, eles se encontraram pela primeira vez e o músico apresentou à cantora material que sentiu ser mais adequado para ela. Entretanto, Beyoncé estava mais interessada em seus projetos experimentais, e ele relutantemente tocou-lhe a demo ao piano de "Haunted" em seu celular, acreditando que o instrumental seria desinteressante. Ela discordou e recusou-se em ignorar, acreditando em seu potencial. Num encontro posterior, Boots apresentou-a um rap de fluxo de consciência intitulado "Ghost", o qual ele escreveu após uma reunião exasperante com uma gravadora. O músico começou o desenvolvimento da obra compondo uma melodia que o fazia lembrar de um estado hipnótico, colocando em seguida arpejos de guitarra para a assimilar com trabalhos do músico britânico de música eletrônica Aphex Twin. Posteriormente, "Ghost" acabou se tornando a primeira metade de "Haunted"; Boots descreveu Beyoncé como a "única visionária na sala" por sua habilidade de encontrar potencial em trechos de músicas. Após essas sessões, ele viria a trabalhar em 85% do álbum.

alt=A picture of a woman smiling directly at the camera.|thumb|"Criamos garotas para ver umas às outras como concorrentes. Não por empregos ou realizações (o que eu acho que poderia ser algo válido), mas pela atenção dos homens. Ensinamos as meninas que elas não podem ser seres sexuais da mesma forma que os meninos. Feminista: a pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica dos sexos". O discurso de Adichie (foto) é audível em "Flawless".