Palestina Secunda ou Palestina II foi uma província do Império Bizantino que durou de 390 até a década de 630. Ela compreendia, a grosso modo, a Galileia, o baixo vale de Jezreel, vale de Bete Seã, a região para leste da Galileia ao sul das colinas de Golã e a porção ocidental da antiga Decápole, com capital em Citópolis. Ela foi perdida durante a Guerra bizantino-sassânida de 602-628 e foi transformada na Comunidade Judaico-Sassânida em 614, mas acabou sendo reanexada em 628 apenas para ser perdida novamente, desta vez de forma definitiva, durante a conquista muçulmana da Síria em 636.
História
A região da Síria Palestina passou a se subordinar à Diocese do Oriente da Prefeitura pretoriana do Oriente no final do . Já sob a gestão do Império Romano do Oriente, ela foi subdividida em Palestina Prima e Palestina Secunda. No , a Palestina Salutar foi segregada. As maiores cidades da Palestina Secunda eram Citópolis, Cafarnaum e Nazaré.
Nos séculos V e VI, os bizantinos e seus aliados árabes cristãos, os gassânidas, tiveram um papel preponderante na supressão das diversas Revoltas Samaritanas que irromperam na vizinha Palestina Prima. No , os gassânidas formaram um estado vassalo dos bizantinos com capital em Golã, servindo como tampão entre o Império Bizantino e as tribos árabes.
Em 614, porém, a Palestina Prima e a Palestina Secunda foram conquistadas por um exército misto de sassânidas e judeus que conseguiram estabelecer uma comunidade conjunta na região. O evento foi um choque para a sociedade cristã da época, pois muitas das igrejas da região foram demolidas e a Vera Cruz foi levada pelos persas para Ctesifonte. Depois do recuo das tropas persas e da rendição final dos rebeldes judeus, a região foi novamente anexada ao império em 628.Greatrex-Lieu(2002), II, 196
O controle bizantino foi perdido, desta vez definitivamente, em 636, durante a conquista muçulmana da Síria. A região foi reorganizada na forma do distrito militar do Junde de Urdune da província de Bilade Xame do Califado Ortodoxo.
Demografia
Antes do , a província da Palestina Secunda era composta majoritariamente por judeus e uma população mista de gregos e falantes do aramaico, praticantes do cristianismo. Os judeus transformaram a Galileia e Gaulanita (Colinas de Golã) no centro de sua religião depois da derrota na Revolta de Barcoquebas no e a região floresceu nos séculos IV e V conforme o controle bizantino desvanecia, o que dava uma grande margem de autonomia para a população local.
A região nordeste da província era também habitada por iturianos pagãos, que viviam em números significativos nas vizinhas Fenícia Palária e Fenícia Libanense ao norte. Os gassânidas migraram para a região vindos do território do moderno Iêmem por volta dos séculos IV e V e se assentaram em Gaulanita e também nos antigos territórios da Arábia Pétrea, criando um reino cliente dos bizantinos no , com capital em Gaulanita, a fronteira nordeste da Palestina Secunda.
No , a província passou por um importante declínio demográfico por conta da guerra bizantino-sassânida e da revolta dos judeus. Depois de um breve período de controle bizantino, os exércitos muçulmanos provocaram a fuga de uma parte significativa da população cristã para o norte, para a Síria e, depois da conquista, para a Anatólia.
Religião
Judaísmo A província da Palestina Secunda foi um vibrante centro do judaísmo por todo os séculos IV e V e é a origem do Talmude de Jerusalém. A autoridade máxima judaica, o Sinédrio, ainda existia em Tiberíades até o início do , quando foi abolido pelas autoridades bizantinas. Seu último nasi (presidente) foi Gamaliel VI, que foi executado em 425 por ordem do imperador Teodósio I por "construir sinagogas ilegalmente".
Cristianismo
A conversão de Constantino colocou em marcha diversos eventos que transformaram novamente a Palestina num dos mais importantes centros do cristianismo primitivo, algo que não acontecia desde a década de 70 do . Porém, a partir do , o governo bizantino respondeu ao interesse cristão na Terra Santa embarcando num massivo programa de patrocínio na região, especialmente na forma de construção de igrejas, o que encorajou a emigração cristã para a região. Com menos sucesso, essa política procurou também encorajar os judeus a se converterem oferecendo-lhes proteção e recompensas. No fim, como resultado do assentamento de cristãos nas vizinhanças de Cafarnaum, Nazaré e Tabga, a Galileia perdeu sua maioria judaica.
Religião romana e o paganismo
Uma pequena minoria de pagãos - seja de romanos ou gregos não-cristãos ou iturianos - moravam na província desde a sua criação.
Sés episcopais As sés episcopais da província e que aparecem no Anuário Pontifício como sés titulares sãoAnnuario Pontificio 2013 (Libreria Editrice Vaticana 2013 ISBN 978-88-209-9070-1), "Sedi titolari", pp. 819-1013:
Ábila na Palestina Capitólia Diocesareia na Palestina (Tzippori) (Iksal) Gádara Helenópolis na Palestina (Dabúria) Hipo Maximianópolis na Palestina
Ver também Síria Palestina Palestina Prima Palestina Salutar
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