António Manuel Lopes da Silva Reis (Porto, — Porto, 5 de abril de 2022) foi um actor e encenador português, condecorado pelo Presidente da República Portuguesa com o Grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
Biografia Em 1964 inicia a sua actividade no Grupo dos Modestos no Porto e em 1970 ingressa no Teatro Experimental do Porto.
Foi um dos fundadores da Companhia de Teatro Seiva Trupe, desempenhando até à sua morte o cargo de Director.
Integrou e foi fundador de vários organismos culturais, dos quais se destaca: FITEI - Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (Presidente e Director Artístico de 1988 a 2004); ACE - Academia Contemporânea do Espectáculo (Presidente do Conselho Fiscal); ADN - Agência para o Desenvolvimento do Norte Teatral; Teatro do Bolhão (Presidente Conselho Fiscal); AMAR - Associação Mutualista dos Artistas - Casa do Artista/Norte.
Morreu a 5 de abril de 2022, no Porto.Morreu o ator e encenador António Reis, cofundador da Seiva Trupe e do FITEI, Lusa 05.04.2022
Cursos Frequentou diversos cursos nacionais e internacionais de especialização:
Seminário de Dramaturgia, dirigido por Henrique Buenaventura - Nova Iorque, 1980 Curso sobre o Teatro Contemporâneo em Espanha e na América Latina, organizado pela Universidade Menendez Pelayo, Espanha, 1983; Curso de Administração Teatral, dirigido por Filipe Arnoult, 1986; Seminário sobre o futuro dos Festivais Internacionais de Teatro, organizado pela Associação de Criticos de Teatro, em Itália, 1987; Curso Livre de Economia Social, 2006 Cursos de Formação Teatral dirigidos por Julio Castronuovo, Angel Faccio, Augusto Boal, Chris Pagêe, Professores do Old Vic (Inglaterra), entre outros.
Espetáculos de teatro Como actor, no Teatro, participou em mais de 80 peças de variadíssimos autores tais como: Samuel Beckett, Molière, García Lorca, Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco, Bertolt Brecht, Copi, Eugéne Labiche, Valle Inclan, Leon Tolstoi, Plínio Marcos, Bernardo Santareno, Pirandello, Shakespeare, Dias Gomes, Peter Schaffer, Nelson Rodrigues, Heiner Müller, Michael Frayn, Roberto Cossa, Antonio Skármeta, Carl Djerassi, Roald Hoffmann, Eric Emmanuel Smicht, Steven Berkoff, Dib Carneiro Neto, entre outros.
Entre as peças encontram-se:
1964 – Arsénico e rendas velhas, de Joseph Kesselring
1965 – Artimanhas de Scapin, de Moliére
1966 – O vagabundo das mãos de oiro, de Romeu Correia
1967 – O borrão, de Augusto Sobral
1970 – O cravo espanhol, de Romeu Correia
1970 – Fim de festa, de Samuel Beckett
1971 – Batalha Naval, de Jaime Salazar Sampaio
1971 – A raposa e as uvas, de Guilherme Figueiredo
1971 – Bodas de sangue, de Federico García Lorca
1971 – Os fidalgos da Casa Mourisca, de Júlio Dinis
1971 – Jogos do ganso d'ouro, de Correia Alves
1972 – Arco de Sant'Ana, de Almeida Garrett
1972 – A casa de Bernarda Alba, de Federico García Lorca
1973 – A princesa e o papagaio, de Raul Carrat
1973 – Strip-Tease, de Mrozek
1973 – Carlos, de Mrozek
1973 – A menina Alice e o inspector, de Robert Thomas
1973 – Musicalim na praça dos brinquedos, de Stella Leonardos
1974 – A seiva conta Catarina na luta do povo, de Luís Humberto
1975 – Aqui é que a porca torce o rabo, texto colectivo
1975 – Os três patrões bons, de Virgílio Martinho
1975 – As duas faces do patrão, de Luís Valdez
1975 – Terra e trabalho, de Luís Humberto
1975 – A força do povo, de Manuel Girio
1975 – Lux in Tenebris, de Bertolt Brecth
1976 – Santo Inquérito, de Dias Gomes
1977 – D. Beltrão de Rebordão, de Jaime Gralheiro
1977 – Os cornos de Dom Gaitas, de Valle Inclan
1977 – Contos cruéis, de Jorge de Sena
1978 – Queda de um anjo, de Camilo Castelo Branco
1978 – Perdidos numa noite suja, de Plínio Marcos
1979 – Confissão, de Bernardo Santareno
1980 – Quanto vale um poeta, de Luís de Camões
1982 – Um cálice de porto, de Benjamim Veludo, Manuel Dias e Norberto Barroca. Este espectáculo obteve vários prémios nacionais como “MELHOR ESPECTÁCULO DO ANO”. Esteve dois anos consecutivos em cena. Foi reposto em 1986 e fez em 1988 a animação cultural da 50.ª Volta a Portugal em Bicicleta.
1984 – Uma familia do Porto, de Júlio Dinis. Este espectáculo obteve vários prémios nacionais como “MELHOR ESPECTÁCULO DO ANO”.
1985 – Os amorosos da Foz, de Camilo Castelo Branco
1986 – Toda a nudez será castigada, de Nelson Rodrigues
1987 – Portugal, ontem e sempre, de João de Freitas
1987 – Echos de uma voz quasi extincta: evocação de António Cândido, de Júlio Cardoso
1987 – O Motim, de Miguel Franco
1988 – Antígona, de Sofocles/Brecth
1988 – Henrique IV, de Luigi Pirandello
1989 – Gota d'Agua, de Chico Buarque de Hollanda e Paulo Pontes
1990 – Assassino de Macário, de Camilo Castelo Branco
1990 – Play Stringberg, de Friederich Dürrenmatt
1991 – A história de um cavalo, de Leon Tolstoi e Mark Rozovsky
1991 – Marathona, de Ricardo Monti
1991 – Monólogo do vaqueiro, de Gil Vicente
1991 – Conde Barão, de Félix Bermudes, Ernesto Rodrigues, João Bastos
1992 – Conhece a via lactea, de Karl Witlinger
1993 – O comissário de policia, de Gervásio Lobato
1993 – Para tão longo amor, de Maria Adelaide Amaral
1993 – Macbeth, de William Shakespeare
1995 – Luzes de palco, de Arnaldo Leite/Carvalho Barbosa/Heitor Campos Monteiro.
1995 – Porto d'Honra, de Benjamim Veludo/Manuel Dias/Norberto Barroca
1996 – Ópera do Malandro, de Chico Buarque de Hollanda
1996 – Chamam ao telefone o sr Pirandello, de António Tabucchi
1997 – A secreta obscenidade de cada dia, de Marco António de La Parra
1997 – Viagem ao centro do Porto, de Eugéne Labiche
1998 – O estranho caso do trapezista azul, de Mário Cláudio
1998 – Um cálice de Porto (nova versão), de Benjamim Veludo, Manuel Dias e Norberto Barroca
1998 – À espera de Godot, de Samuel Becket
1999 – O arco de Sant'Ana, de Almeida Garrett
1999 – Uma visita inoportuna, de Copi
2000 – Péricles, Príncipe de Tiro, de William Shakespeare
2001 – Amadeus, de Peter Schaffer. Este espectáculo recebeu o prémio de “MELHOR ESPECTÁCULO DO ANO”/Globos d`Ouro (SIC)
2003 – Separações, de Domingos Oliveira
2003 – Quarteto, Relações Perigosas, de Heiner Müller
2003 – Copenhagen, de Michael Frayn
2004 – E é dor o meu desejo, de Pedro Homem de Mello
2004 – Variações Enigmáticas, de Eric Emmanuel Smicht
2005 – Porto Alegre, de B.Veloso, Fernando Gomes e Norberto Barroco
2006 – Oxigénio, de Carl Djerassi e Roald Hoffmann
2007 – Yepeto , a dor de uma paixão, de Roberto Cossa
2007 – O carteiro de Pablo Neruda: Ardiente Paciência, de António Skármeta
2008 – Mil olhos de vidro, de Pedro e Filipe Pinto
2008 – Um Merlim, de Luís Alberto Abreu
2009 – Kvetch, de Steven Berkoff
2009 – Um barco na cidade, de Benjamim Veludo e Norberto Barroca
2010 - Fim de festa, de Samuel Beckett
2011 - Falácia, de Carl Djerassi
2012 - Adivinhe quem vem para rezar, de Dib Carneiro Neto
2016 - Espectros, de Henrik Ibsen
Filmografia Entre a sua filmografia encontram-se:
1985 - Barão de Altamira, realizado por Artur Semedo
1987 - Matar Saudades, realizado por Fernando Lopes
1991 - Una Glória Nacional (Espanha), realizado por Jaime Armiñan
1992 - Saudades (Soares do Reis), realizado por Francisco Manso
1992 - Vale Abraão, realizado por Manoel de Oliveira
1997 - Inquietudes, realizado por Manoel de Oliveira
1999 - Palavra e Utopia, realizado por Manoel de Oliveira.
2003 - Tim Watcher, realizado por Ricardo Pinho (Curta Metragem)
2004 - Quinto Império, realizado por Manoel de Oliveira.
2007 - Cristovão Colombo: O enigma, realizado por Manoel de Oliveira
2008 - Singulariedades de uma rapariga loira, realizado por Manoel de Oliveira
2010 - O estranho caso de Angélica, realizado por Manoel de Oliveira
Televisão
1971 – Assembleia ou partida, de Correia Garção, com realização de Correia Alves
1972 – As profecias do Bandarra, peça de Almeida Garrett, com realização de Correia Alves
1972 – O Ganso d' Ouro, texto e realização de Correia Alves
1972 – História de uma luzinha, texto e realização de Correia Alves
1972 – O Alfaiate e os espelhos mágicos, texto e realização de Correia Alves
1972 – D.Caio, realização de Correia Alves
1972 – Fantoches, texto e realização de Correia Alves.
1972 – O cavalo encantado, texto e realização de Correia Alves.
1972 – João que ser actor, texto e realização de Correia Alves.
1973 – A gata borralheira, realização de Correia Alves.
1974 – O Motim, de Miguel Franco, realização de Correia Alves.
1975 – O dia seguinte, de Luís Francisco Rebelo, realização de Correia Alves
1977 – Os Muros de Verona, de António Cabral, realização de Adriano Nazareth
1978 – D. Francisco Manuel de Melo, realização de António Faria.
1979 – Bocage, realização de António Faria.
1979 – O homem que matou o diabo, de Aquilino Ribeiro, realização de António Faria
1980 – D. Afonso Henriques, realização de António Faria
1980 – Ao longo da estrada, realização de Rui Ramos
1982 – Um táxi na cidade, de Sérgio de Andrade e José Saraiva, série realizada por Rui Ramos
1984 - A festa continua, programa de Júlio Isidro
1985 - A Idiota, de Michael Achard, realização de Rui Ramos
1985 – Café-Autarquias, realização de José Cruz
1986 - ABZ, programa de fim de semana de Júlio Montenegro
1986 – Um, Dois, Três, concurso com Carlos Cruz
1987 – O Motim, de Miguel Franco, espectáculo da Companhia Seiva Trupe
1988 - O vinho do Porto, realização de Adriano Nazareth
1988 – Histórias quasi clinicas, série de Armando Moreno, realização de Adriano Nazareth Júnior
1992 – A viúva do enforcado, de Camilo Castelo Branco, série realizada por Walter Avancini
1993 – Clube Paraíso, de Carlos Tê (série), realização de Paulo Grizoli
1993 – Major Alvega, série realizada por Henrique Oliveira
1993 – Ideias com história, série de Hélder Costa com Carlos Cruz
1995 – Os Andrades, de António Manuel Pina (série), realização de António Moura Ramos
1999 – Garrett (série), realização de Francisco Manso
2004 – A Ferreirinha, de Moita Flores (série) – realização de Jorge Paixão Costa
Telenovelas
2004 - Como uma Onda, TV GLOBO e SIC, realizada por Deniz Carvalho
2005 - Dei-te Quase Tudo, TVI
Prémios e Distinções Ao longo da sua carreira foi distinguido com vários prémios e condecorado pelo Estado Português:
Prémio de Interpretação Nacional, com o espectáculo "O Vagabundo das Maões de Oiro", de Romeu Correia, concurso do SNI em 1966;
Medalha de Ouro de Mérito Cultural na cidade do Porto, em 1988;
Prémio Prestígio, atribuído pela Casa da Imprensa, em 1991;
Grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, grau conferido pela Presidência da República Portuguesa, em 9 de junho de 1995;
Prémio Lorca, atribuído pelo Patronato Garcia Lorca e Universidade de Granada, em 1995; Presidente Honorário do FITEI, em 2005; Prémio "Nos 30 Anos de Abril", atribuído pela Cooperativa Árvore e Fundação Luís Araújo, em 2005; Foi homenageado na 10.ª Edição do MIT - Mostra Internacional de Teatro, Valongo, 2007; Incluído no Dicionário de Personalidade do Séc. XX da cidade do Porto.
Ligações Externas
Arquivos RTP | A Hora de Baco: António Reis (2004) Documentário António Reis, o Actor, realizado por António Pires
Categoria:Naturais do Porto Categoria:Personalidades da Área Metropolitana do Porto Categoria:Atores do distrito do Porto Categoria:Comendadores da Ordem do Infante D. Henrique