Engenheiro Schmitt é um distrito do município brasileiro de São José do Rio Preto, sede da Região Metropolitana de São José do Rio Preto, no interior do estado de São Paulo. É conhecido nacionalmente como a capital dos doces artesanais.

História Origem A história de Engenheiro Schmitt está inteiramente ligada à história de São José do Rio Preto. Foi uma antiga parada de tropeiros, conhecida como "Parada do Ipezal".

Seus primeiros habitantes chegaram por volta de 1885 e o local servia como ponto de referência e passagem para imigrantes, mascates e viajantes que seguiam em direção aos sertões dos estados do Mato Grosso, Triângulo Mineiro e Paraná.

Posteriormente, a área foi ocupada por fazendeiros e sitiantes que mantinham roças de subsistência, uma agricultura comercial em bases rudimentares de cana-de-açúcar, com a utilização de engenhos para industrialização do produto e a instalação de olarias para o fornecimento de tijolos e telhas.

Como ocorreu em toda a região, o café foi plantado com sucesso e o pequeno povoado se desenvolveu com safras generosas. Na primeira década do século XX, começou a se formar como bairro rural, um povoado, distante a 12 quilômetros da sede municipal, com a qual se ligava por uma estrada. O município de São José do Rio Preto, então chamado Rio Preto, atraiu a via férrea. A Estrada de Ferro Araraquara, que em 1910 chegou a Catanduva, demorou dois anos para concluir o trecho até o município. Estações de embarque foram construídas a pequenas distâncias: Ignácio Uchoa, Cedral, Engenheiro Schmitt, precedem a estação de São José do Rio Preto.

Todos esses postos atraíram a atenção de pioneiros. Nos acampamentos e canteiros de obras da ferrovia, os operários necessitavam da presença de fornecedores de produtos indispensáveis à subsistência, que gradativamente se instalaram em caráter permanente ao redor da "estação".

As terras férteis e a facilidade de escoamento da produção incentivaram o avanço do crescimento populacional. O povoado começou a se formar por volta de 1910, com a construção da primeira casa do italiano Nicola Storti, a fixação dos trilhos e a construção da estação de trem.

Dentre as várias famílias que se dedicaram às atividades agrícolas na região, pode-se destacar as de Egydio e Tarquinio Ballarotti, Angello Bignardi e Fernando Semedo, que se uniram para construir uma pequena capela dedicada à Santa Apolônia, por volta de 1913, num terreno de 22 metros de frente por 44 metros de fundo, adquirido de Eleutério por Semedo, como consta na escritura lavrada no 1º Tabelião de Notas da Comarca de São José do Rio Preto, transcrita no livro de notas nº 40 da página 5 a 6 verso.

O vilarejo cresceu com novos moradores. No dia 2 de setembro de 1918, a capela por determinação do arcebispo de São Carlos, Dom José Marcondes Homem de Melo, passou a ser atendida pelo curato de São José do Rio Preto, que neste período foi administrado pelos sacerdotes jesuítas: padre José Coelho da Rocha, vigário paroquial, padre Eduardo Maria de Almeida, padre José de Castro, padre Bernardino Araújo e padre João Bento Justino, coadjutores.

Em 20 de abril de 1922 é criado o Grupo Escolar de Engenheiro Schmitt, atual Escola Estadual Padre Clemente Marton Segura, sob a direção de Clóvis de Lima Paiva.

Em 17 de dezembro de 1923, Egydio Ballarotti, sua esposa Corina Sanfelice e Tarquinio Ballarotti e esposa passaram escritura pública doando uma área de 54 metros por 74 metros, na povoação de Engenheiro Schmitt, destinado à expansão da capela dedicada a Santa Apolônia já edificada, como se lê na escritura de doação, no 2º Tabelionato de Notas da Comarca de São José do Rio Preto, livro de notas nº 84 na folha 34.

Cônego Doutor Arthur Augusto Teixeira Barbosa da Guerra Leal, representando o bispo de São Carlos assinou a escritura, pois desde abril de 1923, atendia aos moradores do povoado, juntamente com seu coadjutor, padre Álvaro Pereira Pinto.

O Decreto Estadual nº 2.214 de 28 de novembro de 1927, assinado por Júlio Prestes, criou "o distrito de paz de Engenheiro Schmitt com sede na povoação de igual nome, do município e comarca de Rio Preto".

Suas divisas vão do córrego "Boa Esperança" até a barra do córrego "D. Avelina"; rumo do ponto de intercessão das divisas dos distritos: Rio Preto, Potirendaba e Cedral; pelas divisas do distrito de Cedral até o ponto terminal do mesmo espigão da fazenda "Ribeirão Claro", seguem a esquerda pelo referido até encontrarem as divisas das terras de Dona Maria Balbina Espigão e logo pelo da fazenda "Felicidade", com o rio Preto e Jesus Villanova Vidal; seguem a esquerda por esta divisa em rumo sul 41º 20' este até o rio Preto, e por este acima até o córrego "Alegria" ou "São João", seguem por este abaixo até o córrego "Boa Esperança" e finalmente por este acima até ao ponto onde tiveram início.

Em 30 de outubro de 1934, Dom Lafayette Libânio, bispo de São José do Rio Preto, anunciou a criação de uma nova paróquia, chamada Santa Apolônia de Engenheiro Schmitt. Ao ser elaborada a nova divisão administrativa do Estado de São Paulo, Engenheiro Schmitt foi incluído como um dos distritos de São José do Rio Preto, juntamente com Borboleta (Bady Bassitt), Ipiguá, Itapirema, Nova Aliança e Ribeirão Claro (Guapiaçu).

Em 1952, os maestros José Ravazzi e Manoel de Oliveira, o Manequinho, fundam a Corporação Musical de Engenheiro Schmitt, mais conhecida como Furiosa.

Toponímia O nome do distrito é uma homenagem a Karl Ebenhardt Jacob Schmitt, em algumas citações Carlos Everardo Jacó Schmitt, ou simplesmente Carlos, como era chamado, que foi o responsável pela implantação dos trilhos da Estrada de Ferro Araraquarense entre 1907 e 1912.

Um engenheiro alemão nascido em 1854, formado pela Escola Politécnica de Estugarda, que chegou ao Rio de Janeiro em 1879, seguindo para Rio Claro, onde se casou. Trabalhou em diversas ferrovias no Estado de São Paulo e era chamado em Araraquara de "Alemão da Mulas", pois percorria o estado montado numa mula.

Um ano depois da construção da última estação antes do trem alcançar São José do Rio Preto, em 9 de agosto de 1913, faleceu em Rio Claro, com apenas 59 anos.

Formação administrativa Distrito policial de Engenheiro Schmidt criado em 22/04/1925 no município de Rio Preto. Distrito criado pela Lei nº 2.214 de 28/11/1927, com sede na povoação de Engenheiro Schmidt.

Pedidos de emancipação

Em 1963, houve o único plebiscito a respeito da sua emancipação. Engenheiro Schmitt permaneceu rio-pretense por apenas dois votos de diferença. O distrito também tentou emancipar-se e ser transformado em município na década de 90, mas sem êxito novamente.

Geografia Demografia População urbana

População total Pelo Censo 2022 (IBGE) a população total do distrito era de .

Dados do Censo 2010 (IBGE):

População total: 18.153 Urbana: 10.244 Rural: 7.909 Homens: 9.045 Mulheres: 9.108 Densidade demográfica (hab./km²): 225,9

Área territorial A área territorial do distrito é de (IBGE 2022).

Bairros O distrito é formado pelos seguintes bairros:

Engenheiro Schmitt (sede) Condomínio Alferville (Estância Santa Maria) Condomínio Vila Velha Córrego do Cedro Córrego da Lagoa Córrego da Mata Estância Bela Vista I Estância Bela Vista II Estância da Luz Estância dos Manacás Estância Éden Leste Estância José Bernardino de Souza Estância Nossa Senhora de Fátima Estância Nova Veneza Estância Pazzotti Estância Primavera Estância Santa Catarina Estância Santa Luzia Estância São Francisco Estância São João Ideal Life Ecolazer Residence Jardim Veneza Jardim Schmitt Maza Residencial Parque das Amoras I Parque das Amoras II Residencial Ana Cláudia São Judas Tadeu (Vila Ramos)

Rodovias Engenheiro Schmitt está totalmente integrado a São José do Rio Preto pela Rodovia Washington Luís e pela Estrada Vicinal João Parise. Localiza-se a noroeste da capital do Estado distando desta cerca de 444 km.

Ferrovias

A estação ferroviária de Engenheiro Schmitt foi construída nas terras da Fazenda Rio Preto, pouco depois da chegada, em 1912, dos trilhos da Estrada de Ferro Araraquara. Já com problemas financeiros, a linha-tronco chegou ao município. A obra visava atender os moradores das propriedades rurais.

A estação foi chamada de Engenheiro Schmitt em homenagem ao alemão Karl Ebenhardt Jacob Schmitt, que traçou o desenho da estrada de ferro entre Taquaritinga e São José do Rio Preto. As primeiras moradias que deram origem ao povoado surgiram ao redor da paragem.

Somente em 1933, depois de ter sido estatizada em 1919, a linha foi prolongada até Mirassol, e em 1941 começou a avançar mais rapidamente, chegando a Presidente Vargas em 1952, seu ponto final à beira do rio Paraná.

Em 1955, completou-se a ampliação da bitola do tronco para 1,60m, totalmente pronta no início dos anos 60. Em 1971 a Estrada de Ferro Araraquara foi englobada pela Fepasa. Até 1986 a Estação de Engenheiro Schmitt serviu como parada de passageiros e cargas, quando foi desativada e a Fepasa recomenda a demolição do seu prédio de embarque.

Em dezembro de 2002, um trem de passageiros funcionou até Engenheiro Schmitt para levar visitantes a uma exposição de arte no distrito. Em 2008 isso se repetiu, mas com uma litorina. No mesmo ano a estação ferroviária tornou-se patrimônio histórico municipal.

O prédio pertence à união, mas foi concedido à América Latina Logística desde a concessão da ferrovia até 2009, quando um acordo entre a prefeitura de São José do Rio Preto e a concessionária deixou o patrimônio sob-responsabilidade do município, por causa do projeto de VLT que deve incentivar o turismo na região noroeste paulista com um percurso entre São José do Rio Preto e o distrito. A proposta é criar espaços que também serão utilizados nos dias em que o trem não estiver funcionando, com feira de artesanato, museu e restaurante. O centro comunitário terá aproximadamente 300 m² e será um espaço para eventos e shows.

No dia 4 de maio de 2014 começa a operar para o público, por meio da SEMDEC – Secretaria de Desenvolvimento Econômico e de Negócios de Turismo, o Trem Caipira. Trajeto turístico de 10 km entre a estação central de São José do Rio Preto até a Estação de Engenheiro Schmitt.

Para colocá-lo "no trilho", o Ministério do Turismo investiu R$ 731 mil na compra da locomotiva, em parceria com a prefeitura de São José do Rio Preto. O percurso de 10 km leva cerca de trinta minutos para ser percorrido.

A travessia é feita apenas um domingo por mês, e permanece no distrito por cerca duas horas. Nos dias de passeio, os passageiros são recebidos na Estação de Engenheiro Schmitt com uma exposição de produtos de artesãos locais. As reservas devem ser feitas no website da prefeitura.

O trem é um VLT composto por um veículo motriz com capacidade para 28 passageiros sentados mais um cadeirante e o reboque com capacidade máxima para 30 passageiros sentados. No total são 58 lugares. A viagem é executada por dois maquinistas treinados pela América Latina Logística, dois monitores ou chefes de trens, que contarão com o apoio de um socorrista, de agentes da guarda municipal nas estações e em todas as passagens de nível, além de funcionários da ALL que dão respaldo técnico e logístico ao projeto.

Hidrografia Rio Preto

Serviços públicos Administração Subprefeitura do Distrito de Engenheiro Schmitt NºSubprefeitoInício do mandatoFim do mandato1Fernando Semedo1945 19482Ernesto Tirelli194819523Raul de Oliveira195319564Paulino Rovina195719605José Doreto196119646Vicente Polachini196519687Neamen Raduan196919728Evaristo de Oliveira197319809Deolindo Bortoluzzo 1981199610Evaristo de Oliveira1997200011Gilberto Martins Lira2001200812Gelson Rasteli Junior2009201213Gilberto Martins Lira2013201614Devair Oliveira20172020

Registro civil Atualmente é feito no próprio distrito, pois o Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais ainda continua ativo. Os primeiros registros dos eventos vitais realizados neste cartório são: