thumb|upright=1.3|Ataques de Kamikaze no USS Bunker Hill, em maio de 1945. Ataque suicida é qualquer tipo de operação bélica em cujo processo quem ataca tem a intenção de morrer. Exemplos de ataques suicida são Kamikaze e homens-bomba.Homem-bomba mata 53 em ataque contra peregrinos xiitas no IraqueBurke, J., 'Al Qaeda', (London, 2005), p1-24p.22 Um ataque suicida caracteriza-se por ser uma ação perpetrada contra um alvo específico em que o indivíduo perde a vida ao concretizar o ataque, sendo essa morte crucial e desejada pelo perpetrador, diferenciando-se de missão suicida, a qual se caracteriza por ser uma ação em que o indivíduo sabe que vai perder a vida porque não irá escapar a tempo e não há outra solução senão morrer ao completá-la, ou seja, a morte do perpetrador durante o ataque é uma necessidade e não uma causalidade.Martha Crenshaw (2007) “Explaining Suicide Terrorism: A Review Essay”, Security Studies, 16:1, 133-162. O termo “Ataque Suicida” é redutor e simplificado para classificar os ataques em que o próprio membro da organização terrorista, que efetua o ataque, morre. Os motivos adjacentes a esse tipo de ataques são, algumas vezes, diferentes dos motivos que levam alguém a suicidar-se, aproximando-se também dos motivos do sacrifício ou do martírio.

Segundo a base de dados Iraquiana para contagem de cadáveres, entre Março de 2003 e Dezembro de 2010 ocorreram ataques suicidas contra alvos iraquianos que resultou em 12 284 mortes.Gilbert Burnham (2011). Suicide attacks - the rationale and consequences. The Lancet, Vol. 378, 855 - 857. No Afeganistão são usados frequentemente turbantes e vestes próprias para esconder os explosivos, no entanto o método mais utilizado nos bombardeamentos são os veículos. Desde 2007 que os veículos são usados habitualmente em ataques suicidas no Paquistão, resultando num número de mortes semelhante ao número no Iraque.

As primeiras explicações para o terrorismo suicida surgiram nos anos 80 do século XX contudo, a partir dos anos 90 começou a ser evidente que as explicações anteriormente dadas não eram suficientes para identificar quais os indivíduos que se tornavam mais tarde em terroristas suicidas e porque é que as organizações começavam a usar cada vez mais este tipo de ataque.Robert A. Pape (2003). The Strategic Logic of Suicide Terrorism. American Political Science Review Vol. 97, No. 3, 243 - 361.

Os ataques suicidas atraem muito mais publicidade do que qualquer outro ataque, não só pela morte do próprio membro da organização como também pelo grande número de vítimas inocentes que causa. Algumas das vezes o ataque tem apenas como objetivo obter atenção, sendo uma forma fácil de ser notícia em todo o mundo e de ajudar a publicitar as causas pelas quais as organizações terroristas lutam.Audrey Kurth Cronin (2003). Terrorists and Suicide Attacks. Congressional Research Service - The Library of Congress.

Evolução histórica thumb|esquerda|Ataques de 11 de setembro de 2001 Após o 11 de Setembro, o ataque suicida começou a ser visto como um fenómeno comum do islamismo e comum na cultura árabe, contudo essa afirmação está longe de ser verdadeira.Daniel Helmer (2006). O Emprego de Terroristas Suicidas pelo Hezbollah Durante a Década de 80: Desenvolvimento Teológico, Político e Operacional de uma Nova Táctica. Military Review, 61 - 73. Apesar de atualmente existir um uso crescente de ataques suicidas, estes existem desde a época em que a Judeia estava ocupada pelos Romanos, altura essa onde existiam os sicários (), um grupo extremista com a intenção de expulsar os Romanos da Judeia.Scott Atran (2003). Genesis of Suicide Terrorism. Science, Vol. 299, 1534 - 1539. A Ordem dos Assassinos (hashashin) que existiu durante o século XI no Irão também é um exemplo da utilização de ataques suicidas no passado, com o objetivo de difundir uma nova religião criada pelo fundador da Ordem.

O conceito de terror associado aos ataques suicidas, contudo, surgiu com Maximilien Robespierre durante a revolução Francesa. Exemplos da ligação entre o terrorismo e os ataques suicidas são a morte de Alexandre II da Rússia em 1881 ou os ataques realizados por Camicases em 1944, mas a utilização de bombistas suicidas como se conhece hoje, surgiu nos anos 80 no Líbano, como método utilizado pelo Hezbollah, sendo a Al Qaeda quem criou uma dimensão transnacional do método principalmente com o ataque às Torres Gémeas de 11 de Setembro de 2001. Os primeiros ataques suicidas ocorridos no conflito israelo-palestiniano iniciaram-se em 1993 pelo Hezbollah, que tinha membros treinados pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

Seja um ataque suicida suportado pelo estado (ex.: Camicases) ou uma entidade subnacional (ex.: Anarquistas Russos), o ataque suicida é normalmente utilizado por grupos mais fracos contra entidades mais poderosas como forma de gerar terror.

Motivações As motivações que levam os indivíduos a cometer ataques suicidas são discutíveis e envolvem preocupações completamente diferentes dos ataques terroristas convencionais, não só porque estão associados a dilemas sociais que outros ataques não envolvem, bem como dilemas morais que condicionam o combate ao terrorismo.João de Pina Cabral (2008). Terrorismo, suicídio e utopia: Um olhar sobre o debate actual. Etnográfica, 12 (2): 489-500. As motivações e o perfil dos indivíduos dão origem a debates intensos, sendo que em si radica uma observação contraditória do mesmo fenómeno.

Perfil As características adjacentes aos indivíduos que realizam os ataques suicidas são muitas das vezes a pobreza, poucas habilitações literárias e doenças crónicas ou deficiências. Robert Pape considera que não existe apenas um perfil definido de todos os indivíduos que cometem ataques suicidas. Até há pouco tempo, vários peritos consideravam os terroristas suicidas como tendo poucas habilitações literárias, desempregados, isolados socialmente, solteiros e entre a casa dos 20 anos, mas atualmente sabe-se que essas características podem não estar presentes, podendo ser casados, serem mulheres, estarem integrados na sociedade, com idade entre os 13 e os 47 anos, ou seja, apesar de apenas um pequeno número de pessoas se tornar terrorista suicida, essas mesmas pessoas podem ter estilos de vida completamente diferentes o que torna quase impossível detectá-los a tempo. As motivações de quem comete os ataques suicidas e os líderes das organizações são diferentes, ou seja, alguns indivíduos que cometem ataques suicidas são fanáticos religiosos e irracionais. Contudo, o terrorismo suicida segue uma estratégia lógica pois os líderes das organizações que comandam e recrutam quem vai cometer os ataques suicidas não são relativamente a este tópico em específico, irracionais.

Suicídio, martírio ou sacrifício? Existe alguma confusão entre os termos “suicídio”, “martírio” e “sacrifício” e a diferença entre as três definições é crucial para entender as motivações adjacentes aos ataques suicidas. Segundo Ofer Zur, o termo suicídio caracteriza-se no ato de tirar a própria vida e o objetivo desse mesmo ato é, apenas e só, a morte do individuo que o comete. Dependendo da religião, cultura, sistemas penais e/ou tradições da sociedade, o suicídio é visto de diferentes formas, podendo ser considerado crime em alguns locais, assim como pecado em certas religiões. No entanto o suicídio também pode ser visto como um ato heroico e, de certa forma honorável, dando como exemplo alguém que prefira morrer a ter que continuar a vida em sofrimento. No que toca ao sacrifício e ao martírio, a diferença é apenas o motivo do mesmo, ou seja, o significado de sacrifício traduz-se em abdicar de alguém, ou algo, considerado importante para esse mesmo individuo, por algo que essa pessoa considera ainda mais importante. Podem, por exemplo, sacrificar a sua vida em prol do terrorismo ou em prol de destruir o inimigo. Já o martírio caracteriza-se por sacrificar a sua própria vida com a certeza de ter um lugar no “paraíso” depois da morte e de não ir para o "inferno", sendo um ato repleto de conceções religiosas e de fé, afastando-se assim da definição de sacrifício.Ofer Zur. Sacrifice, Martyrdom, Scapegoating, Suicide and Terrorism: Definitions, Differentiations and Resources. [Em linha] Disponível em http://www.zurinstitute.com/sacrifice2.html [Consultado em 16 de Outubro de 2013].

Segundo Lydia Voronina, o estado mental em que se encontra o terrorista suicida é similar ao de um individuo que se queira suicidar mas na maior parte dos casos os bombistas suicidas não são suicidas, estão perfeitamente estáveis e completamente conscientes dos seus atos, que não é morrer mas sim matar outros. O facto de esses indivíduos abdicarem das suas vidas por uma grande causa em que acreditam, não os faz social e religiosamente odiados pela sua fraqueza e violação das regras de deus, mas sim fá-los heróis aos olhos das comunidades e mártires nos termos da sua ideologia.Lydia Voronina (2008). Suicide Bombers: Martyrdom vs. the Death-Drive. Existenz: An International Journal in Philosophy, Religion, Politics, and the Arts, Vol. 3, No. 1, 30 - 39.

O sacrifício também se verifica nas situações de terrorismo suicida, sendo esse ato com a intenção de obter algum ganho, seja um lugar no paraíso como acontece com o sacrifício religioso ou então para conseguir que a família sobreviva, dando-lhes apoios financeiros e obtendo respeito do resto da comunidade. Segundo Abdul Aziz al-Rantisi, porta-voz do Hamas, quando um individuo concorda em levar a cabo o ataque suicida, é acordado um salário que irá ser dado à família, num valor de $400 (homem) ou $200 (mulher).Lindsey A. O'Rourke (2009) What's Special about Female Suicide Terrorism?, Security Studies, 18:4, 681-718. Alguns autores consideram o termo “ataque suicida” inadequado e desajustado para classificarem este tipo de atentados pois existem poucas evidências de os perpetradores possuírem qualquer psicopatologia ou pensamentos suicidas.

Segundo Robert Pape, apesar das motivações religiosas interessarem, no terrorismo moderno os ataques suicidas não estão limitados ao Fundamentalismo Islâmico sendo o Islamismo quem recebe mais atenção mundialmente mas quem lidera o número de ataques suicidas são Os Tigres de Liberação do Tamil Eelam (LTTE), uma organização que recruta predominantemente população Hindu Tamil de Sri Lanka e que possuem ideias Marxistas/Leninistas. Esta organização sozinha é responsável por 75 dos 186 ataques suicidas entre 1980 e 2001.

Apesar de a religião ser uma das motivações de alguns indivíduos que cometem ataques suicidas, a mesma apenas começou a ter um papel primordial no terrorismo nas passadas duas décadas. Os ataques suicidas são claramente motivados politicamente e as organizações terroristas aproveitam-se do ambiente caótico que existe para extorquir e explorar a população.