Judith Lauand (Pontal, — São Paulo, 9 de dezembro de 2022), foi uma artista plástica brasileira, concreta, pop e experimental.
Suas obras se destacaram pela combinação entre a linguagem geométrica da arte concreta e abstrata em conjunto com as experimentações desenvolvidas em diferentes momentos de sua trajetória artística. Além disso, sua produção também ficou marcada pelo rigor geométrico, contrastes cromáticos e uso de linhas e planos. Sua carreira se estendeu por mais de sete décadas, período em que participou de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, produzindo desenhos, colagem, têxteis e objetos tridimensionais.
Biografia e Carreira Judith Lauand nasceu em Pontal, no interior de São Paulo, em 1922. Filha de dois imigrantes libaneses, cresceu em uma numerosa família junto com 11 irmãos. Ela se desenvolveu em um ambiente cercada pela arte desde criança, apresentando um grande talento artístico. Já jovem, Lauand recebeu a oferta de uma bolsa da família Lupo para estudar arte na Europa, entretanto, seu pai não permitiu.
Começou a dedicar-se a pintura na década de 1940 em Araraquara, na escola de Belas Artes. No início de sua carreira dedicava-se a arte com influência expressionista, pintando figuras e naturezas mortas. Formou-se em Artes Plásticas em 1950 e em 1952 mudou-se para São Paulo onde estudou gravura com Livio Abramo. Passou a se dedicar a abstração em 1953 e entra em contato com o concretismo em 1954. Um marco em sua trajetória ocorreu no mesmo ano, quando atuou como monitora da II Bienal Internacional de São Paulo. A experiência possibilitou seu contato com importantes artistas e tendências da arte moderna, entre eles Geraldo de Barros e Alexandre Wollner. Ainda em 1954 realizou sua primeira exposição individual na Galeria Ambiente. esquerda|325x325px|Judith Lauand em sua formatura na Escola de Belas Artes em Araraquara, no interior paulista, em 1950|alt=Judith Lauand em sua formatura na Escola de Belas Artes em Araraquara, no interior paulista, em 1950|miniaturadaimagem Em 1955, foi convidada por Waldemar Cordeiro para integrar o grupo Ruptura tornando-se a única mulher a participar do movimento concretista paulista. A partir desse período, abandonou gradualmente a figuração e passou a desenvolver uma produção baseada na abstração geométrica e nos princípios da arte concreta. É fundadora da Galeria NT (NOVAS TENDÊNCIAS) em São Paulo junto com Hermelindo Flaminghi e Luiz Sacilotto. Em 1958 ganha o prêmio Leirner de Arte Contemporânea.
A partir da década de 1960, Judith Lauand passou a reincorporar elementos figurativos à sua produção artística, ampliando os limites da linguagem concreta que havia caracterizado sua trajetória anterior. Influenciada pela poesia concreta, integrou palavras e expressões às composições, utilizando-as como elementos visuais e estruturais de suas obras. Nesse período, marcado por acontecimentos como a Ditadura Civil Militar no Brasil e a Guerra do Vietnã, desenvolveu trabalhos que abordavam temas políticos, sociais e questões relacionadas à representação feminina que demonstraram o diálogo da artista com os debates de seu tempo.
Lauand participou de importantes exposições realizadas pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), entre elas a primeira edição do Panorama da Arte Atual Brasileira'', em 1969. Criado sob a direção de Diná Lopes Coelho o evento tinha como objetivo ampliar e renovar o acervo da instituição por meio de prêmios de aquisição e doações. Na ocasião, a artista contribuiu para a iniciativa ao doar a obra ''Stop the War'' (1969) ao museu. Após cerca de três décadas sem participar de exposições promovidas pela instituição, sua obra voltou a integrar mostras de destaque dedicadas à arte construtiva brasileminiaturadaimagem|350x350px|A artista Judith Lauand (à esq.) e o escultor britânico Henry Moore (à dir.) durante workshop para monitores da 2ª Bienal de São Paulo ministrado em dezembro de 1953ira, como ''Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner'' (1998), ''Paralelos: arte brasileira da segunda metade do século XX em contexto'' (2002) e ''Concreta '56: a raiz da forma'' (2006). Em 2008, Lauand foi convidada a participar do Clube de Colecionadores de Gravura do MAM-SP. Para a iniciativa, autorizou a reimpressão de uma xilogravura produzida na década de 1950 e doou a matriz original da obra ao acervo do museu.
Em 2022, ano do centenário de seu nascimento, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) realizou a exposição retrospectiva ''Judith Lauand: Desvio Concreto'', dedicada a revisitar sua obra e evidenciar sua contribuição para a arte brasileira do século XX e início do século XXI.
Judith Lauand morreu no dia 9 de dezembro de 2022 em sua casa, no bairro de Pinheiros, São Paulo, aos 100 anos.
Prêmios Selecionados 1964 - 13° Salão Paulista de Arte Moderna - Prêmio Aquisição 1959 - 8° Salão Paulista de Arte Moderna - Prêmio Aquisição 1958 - 7° Salão Paulista de Arte Moderna - Prêmio Aquisição 1955 - 4° Salão Paulista de Arte Moderna - Pequena Medalha de Prata 1954 - 3° Salão Paulista de Arte Moderna - Grande Medalha de Bronze 1953 - 16° Salão de Belas Artes de Araraquara - Prêmio Cidade de Araraquara 1952 - 15° Salão de Belas Artes de Araraquara - Primeiro Lugar 1945 - 9° Salão de Belas Artes de Araraquara - Prêmio Estímulo de Desenho Exposições Individuais Selecionadas 1954 - São Paulo SP - Primeira individual, na Galeria Ambiente 1962 - Campinas SP - Individual, na Galeria Aremar 1965 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Novas Tendências 1971 - São Paulo SP - Individual, na Galeria da Aliança Francesa 1977 - São Paulo SP - Individual, no MAC/US 1986 - São Paulo SP - Individual, na Choice Galeria de Arte 1992 - São Paulo SP - Efemérides, no MAC/USP 1994 - Pontal SP - Individual, na Casa da Cultura Manoel de Vasconcelos Martins 1996 - São Paulo SP - Judith Lauand: obras de 1954-1960, no Sylvio Nery da Fonseca Escritório de Arte 2017 - Araraquara (SP) – ''Ruptura: obras de Judith Lauand' 2022 - Araraquara (SP) – ''Concreta'', na Biblioteca Municipal Mário de Andrade.
Exposições Coletivas Selecionadas miniaturadaimagem|320x320px|Sidney Rodrigues, Alfredo Volpi e Judith Lauand na mostra 'Jovens Pintores' da Escola de Belas-Artes de Araraquara, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), em 1952
1952 – Mostra Jovens Pintores da Escola de Belas-Artes de Araraquara – Museu de Arte Moderna (SP) – 17 de nov 1955 – 3ª Bienal Internacional de São Paulo, Pavilhão das Nações, São Paulo (SP). 1956 – 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo (SP). 1963 – 7ª Bienal Internacional de São Paulo, Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo (SP).
1977 – ''Projeto Construtivo Brasileiro na Arte: 1950–1962'', Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro (RJ). 1977 – ''Projeto Construtivo Brasileiro na Arte: 1950–1962'', Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo (SP). 1987 – ''1ª Abstração Geométrica: Concretismo e Neoconcretismo'', Funarte, Rio de Janeiro (RJ). 1994 – ''Bienal Brasil Século XX'', Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo (SP). 1997 – ''1ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul'', Porto Alegre (RS). 1998 – ''Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner'', Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo (SP). 2000 – ''L'Espace de l'Art Concret'', Château de Mouans-Sartoux, Mouans-Sartoux, França. 2003 – ''Cuasi Corpus: Arte Concreto y Neoconcreto de Brasil'', Museo Rufino Tamayo, Cidade do México, México. 2022 – ''Ruptura e o Grupo – Abstração e Arte Concreta – Anos 70'', Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo (SP).
Coleções Públicas Obras de Judith Lauand integram importantes acervos públicos e privados no Brasil e no exterior, entre os quais:
Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), São Paulo.
Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo. Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro. Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo. Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB-FAAP), São Paulo. Coleção Adolpho Leirner. Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), São Paulo
Ligações externas:
http://www.judithlauand.com/ https://masp.org.br/exposicoes/judith-lauand-desvio-concreto https://mam.org.br/exposicao/judith-lauand-experiencias/ https://acervo.mac.usp.br/acervo/index.php/Detail/entities/5580 https://www.iacbrasil-online.com/exposicao-anterior/judith-lauand/2015 https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/3422-judith-lauand/obras?classificacao_id=60 https://www.acervo.sp.gov.br/Home/JudithLauand https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/3422-judith-lauand
Bibliografia
SILVA, Paula Carolina Neubauer da. A vocação construtiva na arte sul-americana: os cinéticos venezuelanos e os concretos paulistas. 2012. Dissertação (Mestrado em Artes) – Instituto de Artes, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", São Paulo, 2012. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/885b3f22-f4a6-4a69-8b94-7438f08023f9/content. Acesso em: 17 jun. 2026. TRIZOLI, T. Uma dupla exclusão: Judith Lauand e Jandyra Waters, entre concretismos, misticismos e possíveis feminismos. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 5, n. 1, p. 231–248, 2021. DOI: 10.20396/modos.v5i1.8663977. Disponível em: ˂https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/86 63977˃. TRIZOLI, Talita. Atravessamentos feministas: um panorama de mulheres artistas no Brasil dos anos 60/70. 2018. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-03122018-121223/. Acesso em: 17 jun. 2026. Cartoce, R. E. (2026). Entre as linhas e os círculos de Judith Lauand nos anos 1950. Imagem: Revista de História da Arte, 8(1). https://doi.org/10.34024/d6mxjt76 LOUISE, Victoria. MASP celebra Judith Lauand e resgata experimentação visual e poética da arte concreta. ArtSoul, 20 dez. 2022. Disponível em: https://blog.artsoul.com.br/masp-celebra-judith-lauand-e-resgata-experimentacao-visual-e-poetica-da-arte-concreta/. Acesso em: 17 jun. 2026.
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