O Comando de Operações Especiais (COpEsp) é uma unidade do Exército Brasileiro a nível de brigada sediada em Goiânia e subordinada ao Comando Militar do Planalto e Comando de Operações Terrestres. É uma tropa de elite adaptada à guerrilha e contraterrorismo e integra a Força de Ação Rápida Estratégica, podendo reagir a ameaças convencionais e não convencionais. Suas duas unidades operacionais são o 1.º Batalhão de Forças Especiais e o 1.º Batalhão de Ações de Comandos. De seus componentes, somente o Centro de Instrução de Operações Especiais, em Niterói, está fora de Goiânia. A 3.ª Companhia de Forças Especiais, em Manaus, é subordinada ao Comando Militar da Amazônia. Esses componentes às vezes operam juntamente com as forças especiais do restante das Forças Armadas ou das polícias, mas não há um comando conjunto permanente.

O primeiro curso de operações especiais brasileiro foi criado em 1957, e a primeira formação operacional, em 1968, ambos dentro da atual Brigada de Infantaria Paraquedista. Elas têm ligações históricas à instrução de guerra na selva e às forças especiais policiais. As forças especiais e comandos estudaram a contrainsurgência no contexto da Guerra Fria e da luta armada contra a ditadura militar brasileira, e o foco não foi perdido após a redemocratização. Na Guerrilha do Araguaia, aplicaram o princípio de que “guerrilha se combate com guerrilha”. A Amazônia permanece como área de interesse para operações especiais, e há a intenção de usá-las em ação indireta contra um invasor convencional, organizando uma resistência entre a população. Desde a década de 1990, as forças especiais são também usadas na segurança de grandes eventos e no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro. As forças de operações especiais foram expandidas a uma Brigada em 2002, quando o risco do terrorismo estava na agenda pública. No ano seguinte ela foi transferida a Goiânia, no centro do país; a denominação atual data de 2014.

Os comandos e operadores de forças especiais (FEs) do Exército usam equipamentos avançados e passam por seleção e treinamento mais rigorosos do que militares comuns. Os comandos, conhecidos pelo símbolo da faca na caveira, são recrutados entre militares voluntários em serviço fora do 1.º BAC. Eles são usados em ações bélicas diretas na retaguarda inimiga. Os FEs são recrutados entre os que já possuem os cursos paraquedista e de Ações de Comandos; o difícil acesso ao 1.º BFEsp torna-o valorizado na instituição. Seus integrantes têm funções mais avançadas como a coleta antecipada de inteligência e a organização de forças irregulares. Por sua atuação sigilosa, são também chamados de “fantasmas”. Comandos e FEs contam com viaturas especiais, a Força Aérea e a Aviação do Exército para sua mobilidade e adentram o território hostil por infiltração. Afora esses dois batalhões operacionais, o COpEsp conta com uma Companhia de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (DQBRN).

Contexto nas forças especiais brasileiras esquerda|miniaturadaimagem|Operadores especiais das três forças: da esquerda para a direita, a Força Aérea, Exército e Marinha Afora os operadores especiais do Exército, a Marinha tem o Grupamento de Mergulhadores de Combate (GRUMEC) e Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais (Batalhão Tonelero), e a Força Aérea, o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (PARA-SAR). As forças especiais das três armas fazem algumas operações conjuntas. Não há, porém, um comando conjunto permanente para todas as forças especiais, como o Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos.. p. 66-68.

Essas forças têm em comum o emprego de pequenos grupos de treinamento e equipamento diferenciados, contando com inteligência e contrainteligência especializadas. Elas operam sigilosamente em áreas sensíveis, durante limitadas janelas de oportunidade, com duas formas de ação: direta, em contato violento com o inimigo, e indireta, na preparação de forças irregulares amigas. Elas adentram o território inimigo por infiltração (terrestre, aquática ou aérea), onde são vulneráveis. Elas têm acesso limitado ao apoio de fogo, tipicamente apenas aéreo, são sensíveis à contrainteligência e guerra eletrônica inimigas, complexas para a logística e difíceis de recuperar baixas, devido ao grande investimento de tempo necessário para treinar novos combatentes.. p. 33-37.

Há alguns casos de operação conjunta com as forças especiais das polícias, e elas têm ligações genealógicas. O Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro teve em seus quadros originais uma maioria de forças especiais (paraquedistas engajados na contrainsurgência).. p. 41-44. O rigoroso e sádico curso do BOPE, tornado famoso pelo filme Tropa de Elite (2007), é inspirado no curso das Forças Especiais do Exército. Mas as raízes das forças especiais policiais não estão puramente no Exército, pois desde 1932 a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro tinha a Polícia Especial, grupamento com seleção rigorosa, que serviu de antecedente ao BOPE e à Coordenadoria de Recursos Especiais.. p. 5.

História Origens miniaturadaimagem|Salto paraquedista das forças especiais, uma continuidade com o passado na brigada paraquedista O Exército Brasileiro traça paralelos entre as atuais missões de comandos e forças especiais e antecedentes na Insurreição Pernambucana em meados do século XVII, especialmente o militar português Antônio Dias Cardoso. Ele organizou civis para uma força de resistência aos invasores holandesas, combatendo à base de emboscadas. Diversos outros comandantes, como o capitão Francisco Padilha, usaram emboscadas e táticas de guerrilha contra o exército convencional holandês.. p. 99-103. Antônio Dias Cardoso é hoje o patrono do 1.º Batalhão de Forças Especiais.

Em sua forma moderna, os comandos e forças especiais proliferaram durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria.. p. 50-51. O primeiro curso brasileiro, em 1957, visava o salvamento e resgate, tendo em mente o acidente aéreo do avião Presidente em 1952. Outra preocupação logo se somou a essa: a “guerra revolucionária”. No início da Guerra Fria, pensadores militares no Brasil e no bloco ocidental enfatizavam as forças especiais na contrainsurgência anticomunista. Eles concebiam o soldado de forças especiais como o salvador dos valores marciais perdidos com o avanço da tecnologia militar, mas capaz também de superar a moralidade tradicional da guerra e lutar de forma “suja” e violenta como seus oponentes.

As forças paraquedistas na América do Sul nasceram nessa época, sob influência americana e ligadas às forças especiais, comandos e contrainsurgência.. p. 196-197. Um capitão americano contribuiu com a criação do curso, e após sua realização, militares brasileiros estudaram com os rangers e forças especiais nos Estados Unidos. No caso brasileiro, poucos militares estudaram a contrainsurreição em instituições americanas. As visitas de instrutores americanos, como os Boinas Verdes, foram limitadas e a contrainsurgência era apenas um de vários tópicos ensinados. Há opiniões diversas sobre o resultado: a influência doutrinária e prática americana teria sido decisiva, apesar dos números pequenos,. p. 77-78. ou pouco importante, pois o Exército Brasileiro já tinha sua própria doutrina de contrainsurgência e usou métodos diferentes de outros países no continente.. cap. 8 (p. 298).

O primeiro Curso de Operações Especiais brasileiro foi criado em 1957, dentro do então Núcleo da Divisão Aeroterrestre, e é o embrião dos atuais cursos de Ações de Comandos, Forças Especiais e Operações na Selva. Em 1966 ele foi desmembrado em cursos separados de Comandos e Forças Especiais.. p. 19. O tradicional Regimento Escola de Infantaria criou um curso de comandos nesse ano, mas ele foi desativado dois anos depois. Nas reformas militares da ditadura, o Núcleo foi transformado em Brigada em 1968, recebendo um Destacamento de Forças Especiais,. p. 165. mais tarde Companhia, expandida em 1983 ao 1.º Batalhão de Forças Especiais, com companhias de comandos e forças especiais.

O foco na contrainsurgência coube à Brigada Paraquedista, onde estavam as forças especiais. Ela se voltou no início da década de 1970 ao combate à luta armada de esquerda contra a ditadura militar brasileira. Os terrenos de difícil acesso às forças regulares, como a selva e a montanha, eram considerados ideais para a guerrilha. O Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), criado em 1964, até certo ponto contestou o domínio dos paraquedistas sobre a formação de forças especiais. A qualificação de forças especiais e a unidade operacional permaneceram com os paraquedistas, mas de 1970 a 1978 a formação de comandos ocorreu no CIGS, em Manaus.

Na Guerrilha do Araguaia, maior experiência de contrainsurgência do período, as investidas iniciais com forças convencionais fracassaram. O foco insurgente na selva foi eliminado pelo princípio de “guerrilha se combate com guerrilha”: os insurgentes foram identificados num trabalho de inteligência e eliminados por pequenos grupos de militares paraquedistas e de selva. Descaracterizados e clandestinos, levavam consigo guias locais. Após 1975, com a abertura política e o esgotamento dos focos de guerrilha, a Brigada Paraquedista voltou a focar na guerra convencional. O “combate contra a subversão” continuou a ser estudado nos comandos, forças especiais e precursores paraquedistas. O Exército manteve uma capacidade antiguerrilha após o desmonte do aparato repressivo do DOI-CODI. Perdurou também o interesse nas operações especiais numa guerra convencional, reforçado pelo estudo da Guerra das Malvinas de 1982. As forças especiais se tornariam destino prioritário de recursos e uma das Forças de Ação Rápida.. p. 188-189 e 194.

Criação miniaturadaimagem|Formatura do efetivo na sede Em 2002 foi criada a Brigada de Operações Especiais, que receberia seu nome atual de Comando de Operações Especiais em 2013. Devido às restrições orçamentárias, em 2002 o 42.º e 43.º batalhões da 3.ª Brigada de Infantaria Motorizada, em Goiás, foram extintos, numa tendência geral de downsizing indireto no Exército. A sede original era no Rio de Janeiro, onde fica a Brigada de Infantaria Paraquedista, mas no ano seguinte a Brigada foi transferida a Goiânia. Suas unidades em 2012 eram o 1.º Batalhão de Forças Especiais, 1.º Batalhão de Ações de Comandos, 1.º Batalhão de Operações Psicológicas, Batalhão de Apoio às Operações Especiais e componentes menores.

Objetivos concebidos miniaturadaimagem|Treinamento contraterrorista para as Olimpíadas de 2016|esquerda O contexto imediato para a criação da Brigada de Operações Especiais foram os ataques de 11 de setembro de 2001. A subsequente Guerra ao Terror justificou ao público brasileiro e aos Estados Unidos a reativação dos planos de expansão das forças de operações especiais. Elas são a vanguarda do contraterrorismo no Exército. p. 20. e permitem reagir a ameaças imprevisíveis e inimigos não estatais; na mesma época, o Exército investia nas capacidades para as operações internacionais de paz e operações internas, como a Garantia da Lei e da Ordem (GLO). O terrorismo não foi o único motivo da decisão, mas também a “revolução nos assuntos militares”, com a busca por forças de alto nível tecnológico, mobilização rápida e menor dependência no serviço militar obrigatório. O Comando é flexível e tem grande poder destrutivo.. p. 132-133 e 159-160. Dentro do Exército, tem grande prestígio.