Simple Minds é uma banda de rock da Escócia, que atingiu sua maior popularidade de meados da década de 1980 até o início da década de 1990. Originários da zona sul de Glasgow, a banda produziu álbuns aclamados pela crítica no início de sua carreira, e posteriormente engajando-se numa obra mais inspirada politicamente, que também conseguiu o sucesso de público.
Entre os sucessos da banda destacou-se o single "Don't You (Forget About Me)", número um em diversos países, que fez parte da trilha sonora do filme de John Hughes, The Breakfast Club.
Entre os membros que fundaram a banda, Jim Kerr (vocais) e Charlie Burchill (guitarra e teclados), que formam o núcleo da banda.
História Início da banda e Life in a Day Charlie Burchill e Jim Kerr formaram uma banda de punk em 1977. Foram fortemente influenciados por Lou Reed, e após lançarem um single malsucedido com o nome de Johnny & the Self Abusers, mudaram a formação de modo a incluir dois antigos membros da banda Abusers, Brian McGee na bateria e Tony Donald no baixo, com o segundo vindo a ser substituído logo em seguida por Derek Forbes. Após recrutarem Mick MacNeil para ficar em cargo dos teclados e sintetizadores, adotaram o nome de Simple Minds ("mentes simples", em inglês), a partir do verso de uma canção de David Bowie, "The Jean Genie": "...so simple-minded, he can't drive his module."FAQ - Simple Minds (página oficial)
O álbum de estreia do Simple Minds, Life in a Day, foi influenciado por outros antecessores do pós-punk, como Magazine, e era derivado, de maneira um tanto consciente, do boom do punk ocorrido no fim da década de 1970, quando surgiram diversas bandas com um potencial de crossover com o chamado album-oriented rock (como The Cars). Neste contexto, Life in a Day representou exatamente o que a gravadora da banda, Arista, desejava promover.
Experimentação com o new wave Embora ainda tenha sido categorizado como 'rock', o segundo lançamento do Simple Minds, Real to Real Cacophony, tinha um clima mais sombrio, e anunciava algumas das experimentações new wave que se tornariam a marca registrada do som da banda pelos próximos dois álbuns. Entre estas inovações estavam o uso de fórmulas de compasso pouco convencionais e estruturas minimalistas baseadas na seção rítmica de Forbes e McGee.
O álbum seguinte, Empires and Dance, simbolizou uma mudança muito mais radical, marcada pela influência de artistas europeus como Kraftwerk e Neu!. Muitas das faixas no álbum eram extremamente minimalistas, com o uso de sequenciadores; os teclados de MacNeil e o baixo de Forbes se tornaram os principais elementos melódicos, e a guitarra de Burchill passou a contar com muitos efeitos. Com este álbum, Kerr começou a experimentar com letras que não eram narrativas. Embora de maneira inconsciente, Empires and Dance era essencialmente industrial em sua estética, antecedendo por alguns anos o crossover pop-industrial do álbum The Crackdown, do Cabaret Voltaire. A gravadora da banda, no entanto, demonstrou pouco entusiasmo com estas interpretações, e em 1981 o Simple Minds trocou a Arista pela Virgin.
O primeiro lançamento do Simple Minds pela Virgin foi composto na realidade por dois álbuns - Sons and Fascination e Sister Feelings Call, produzidos por Steve Hillage. O último havia sido incluído inicialmente como um disco-bônus incluindo com as primeiras 10.000 cópias de vinil de Sons And Fascination, porém foi relançado posteriormente como álbum independente. Sons and Fascination aperfeiçoou a fórmula que havia sido iniciada com Empires and Dance, e mostra a habilidade musical da banda durante o seu período mais prolífico, a tal ponto que este virtuosismo ditou sua orientação rumo ao terreno do rock progressivo, distanciando-os da frivolidade de muitos outros músicos new wave. O álbum impressionou Peter Gabriel, que escolheu o Simple Minds como banda de abertura para sua turnê européia, o que aumentou a visibilidade da banda. "Love Song" foi um sucesso internacional, alcançando o Top 20 no Canadá e na Austrália, e a instrumental "Theme For Great Cities" se provou uma composição tão duradoura que foi regravada posteriormente, em 1991, como lado B do single "See the Lights".
Os "Novos Românticos" O sexto álbum de estúdio do Simple Minds, New Gold Dream (81-82-83-84), lançado em 1982, representou uma mudança significante para a banda. Com um som mais sofisticado, graças ao produtor Peter Walsh, o grupo logo foi categorizado como parte do subgrupo do new wave conhecido como New Romantic ("Novos Românticos"), juntamente com Duran Duran e outras bandas de sucesso na época. O disco produziu uma série de singles nas paradas de sucesso, entre eles "Promised You a Miracle" e "Glittering Prize", que atingiram o Top 20 do Reino Unido e o Top 10 da Austrália. Além disso, o tecladista de jazz Herbie Hancock executou um solo de sintetizador na faixa "Hunter and the Hunted."
Apesar do sucesso do álbum, alguns dos fãs mais antigos da banda passaram a criticar o que viam como uma orientação mais comercial do grupo. Enquanto algumas faixas ("Promised You a Miracle", "Colours Fly and Catherine Wheel") continuavam com a fórmula aperfeiçoada em Sons and Fascination, outras ("Someone Somewhere in Summertime", "Glittering Prize") eram pura música pop. A direção do álbum foi influenciada, sem dúvida, pela partida do baterista Brian McGee, que alegou estar cansado de fazer turnês. O álbum tem três bateristas diferentes, Kenny Hyslop, Mike Ogletree, e Mel Gaynor, que se tornaria a partir de então o baterista permanente da banda.
A fórmula que definiu o período 'new wave' do Simple Minds havia se esgotado, e o próximo álbum, Sparkle in the Rain, marcou o abandono completo do estilo por parte da banda. Produzido por Steve Lillywhite, que também havia produzido os primeiros três álbuns do U2, Sparkle in the Rain é um disco agressivo e de uma orientação mais rock, na mesma veia do álbum War, do mesmo U2; o próprio Bono, vocalista do U2, é citado na biografia oficial do Simple Minds, The Race is the Prize, como tendo dito que a sensação e o som do "barulho glorioso" que havia sido atingido neste álbum era o que ele e a sua banda aspiravam. O resultado eventual desta mudança na direção musical foi uma série de singles de grande sucesso, como "Waterfront" - que atingiu a primeira posição em diversos países europeus e até hoje é uma das marcas registradas da banda - além de "Speed Your Love to Me" e "Up on the Catwalk."
Em 1984 Jim Kerr se casou com Chrissie Hynde, vocalista da banda de rock inglesa The Pretenders, e os dois grupos se juntaram numa turnê pelos Estados Unidos. O casal se divorciou em 1990.
1985-1986: The Breakfast Club e o sucesso mundial Apesar da recém-descoberta popularidade da banda no Reino Unido e na Europa, o Simple Minds continuava essencialmente desconhecido nos Estados Unidos. O filme The Breakfast Club, lançado no início de 1985, mudaria isso: este drama, dirigido por John Hughes e estrelado pelos atores do chamado Brat Pack, foi um sucesso de bilheterias e consagrou como estrelas de Hollywood muitas de suas jovens estrelas, como Molly Ringwald, Judd Nelson, Anthony Michael Hall, Ally Sheedy e Emilio Estevez. O filme também catapultou a banda para dentro do mercado americano quase que da noite para o dia, fazendo com que a banda alcançasse seu único número um no mercado pop americano com a faixa-tema do filme, "Don't You (Forget About Me)". Ironicamente, a canção nem mesmo havia sido escrita pela banda, mas por Keith Forsey, que a ofereceu a Billy Idol e Bryan Ferry antes que o Simple Minds aceitasse gravá-la. "Don't You (Forget About Me)" foi um sucesso nas paradas de sucesso de diversos países ao redor do mundo.
Aproveitando-se de sua nova popularidade, o Simple Minds lançou seu disco mais admitidamente comercial, Once Upon a Time, que foi feito especialmente para agradar às sensibilidades stadium rock ("rock de estádio") do público americano. Desprezado pelos fãs mais antigos, porém acolhido por milhões de novos ouvintes, e bem-recebido pela crítica, o álbum atingiu o primeiro lugar na Grã-Bretanha e o décimo nos Estados Unidos, ainda que "Don't You (Forget About Me)" não constasse do disco. A banda deixou claro em entrevistas antes do lançamento do álbum que não a incluiriam, acreditando que ela poderia desvalorizar as outras canções, que eles acreditavam ter capacidade de sustentar o disco por seus próprios méritos.
Once Upon a Time acabaria gerando quatro singles de sucesso mundial: "Alive & Kicking", "Sanctify Yourself", "Ghostdancing" e "All The Things She Said", das quais a última contava com um videoclipe de última linha, dirigido por Zbigniew Rybczyński e que usava técnicas desenvolvidas para bandas como Pet Shop Boys e Art of Noise. Devido à poderosa presença de palco do Simple Minds e às letras que transitavam pelo simbolismo cristão, a banda foi criticada por alguns críticos musicais como uma versão menor do U2, apesar do fato de que as duas bandas estavam caminhando para direções musicais totalmente diferentes. Os integrantes dos dois grupos, no entanto, mantinham um bom relacionamento; Bono subiu ao palco do Simple Minds no festival de Barrowlands, em Glasgow (1985) para uma versão ao vivo de "New Gold Dream." Para o álbum Once Upon A Time e sua turnê subsequente, a banda também contou com a cantora Robin Clark, que fez vocais adicionais e apareceu com algum destaque nos clipes da banda na época.
Fim dos anos 1980: ativismo político Para documentar a turnê de muitos sucesso do álbum Once Upon a Time Tour, o Simple Minds lançou a caixa Live in the City of Light, em 1987, gravado majoritariamente durante duas noites em Paris no ano anterior. Um disco de vinil duplo com o logotipo da banda em dourado sobre uma capa preta faz que este LP se destaque entre o resto do catálogo da banda; o disco também veio com um grande livreto com fotografias artísticas da performance da banda e de uma sessão de autógrafos ao ar livre.
A turnê também promoveu o trabalho da Anistia Internacional. Inspirados por Peter Gabriel, com quem haviam feito alguns shows no início da década de 1980, o Simple Minds encabeçou uma série de concertos nos Estados Unidos e Europa, em 1988, juntamente com diversos outros artistas politicamente engajados (como o próprio Gabriel), que ficaram conhecidos como Freedomfest, e tinham como intenção apontar os males do apartheid na África do Sul. A banda escreveu a canção "Mandela Day" especificamente para esta série de shows, e a gravou em seu próximo álbum.