thumb|292px|Vista da praia e palmeiral de Preveli e da foz do Curtaliótico

Preveli () é um local na costa sul da ilha de Creta, Grécia, célebre pelo seu mosteiro histórico com esse nome e pela praia de grande beleza natural, situada na desembocadura da garganta de (ou de Asomatos), onde desagua o (Megalos Potamós).

Administrativamente faz parte da de , do município de Ágios Vasíleios e da unidade regional de Retimno. A praia encontra-se 12 km a leste de Plakiás, 40 km a leste de Frangocastelo, 25 km a sul de Arméni e 35 km a sul de Retimno (distâncias por estrada).

Praia e lagoa de Preveli

A praia e lagoa de Preveli , conhecida localmente como Praia das Palmeiras ou Palm Beach, situa-se abaixo do mosteiro, na desembocadura da garganta de Curtaliótico (também chamada de Asomatos). Há ligações de barco (frequentes no verão) entre a praia e a estância turística vizinha de Plakiás. Atrás da praia há um extenso palmeiral de tamareiras-de-Creta (). O conjunto do palmeiral e a garganta de Curtaliótico está classificado oficialmente como "paisagem de beleza excecional" e faz parte da Rede Natura 2000. Em 22 de agosto de 2010 uma parte do palmeiral ardeu, mas menos de um ano depois já havia fortes sinais de regeneração natural.

Mosteiro de Preveli O Mosteiro Sagrado Estauropégico e Patriarcal de São João Evangelista (ou Teólogo), conhecido como Mosteiro de Preveli , é composto por dois conjuntos principais de edifícios, um de cada lado de um monte costeiro: o arruinado e abandonado Mosteiro de Baixo de São João Batista (Moni Cato Preveli) e o Mosteiro de Cima (ou "traseiro") de São João Evangelista (Moni Pisso Preveli), atualmente a funcionar. O primeiro situa-se cerca de 3,5 km a nordeste do segundo por estrada. A praia encontra-se 2,5 km a sudeste de Pisso Preveli e 3 km a sul de Cato Preveli. O mosteiro é o local mais sagrado da Santa Diocese de Lambis e Sfakion e juntamente com as suas dependências administram uma vasta área da unidade municipal Foinicas ao longo do vale do rio Grande (Megalos Potamós).

A parte superior contém numerosas relíquias religiosas e ícones e muitos dos seus edifícios sofreram grandes restauros e estaõ abertos ao público. Há também vários monumentos dedicados ao trabalho do mosteiro durante a Segunda Guerra Mundial, muitos deles financiados por antigos soldados australianos que encontraram refúgio no mosteiro durante a guerra. Um desses soldados foi Geoff Edwards, que fundou a localidade costeira de Prevelly, em Margaret River, na Austrália Ocidental. O nome Preveli também é usado por um dos melhores vinhos dessas região.

Moni Cato Preveli left|thumb|Moni Cato Preveli Na parte inferior (Mosteiro de Baixo ou Moni Cato Preveli) encontravam-se as instalações agrícolas e era onde residiam principalmente os monges novos e os civis. É um aglomerado irregular de edifícios, em solo duro, com um pátio retangular com a Igreja de São João no centro, como é usual na maior parte dos mosteiros ortodoxos. As principais entradas do complexo são através de arcadas esculpidas situadas num dos lados do pátio. A entrada norte dá para a cozinha, que tem uma enorme chaminé erigida em 1816, na base da qual se encontra um forno. No lado norte há há dois duas divisões com arcadas, cada uma com 26 por 11 metros e 11 metros de altura. Uma das câmaras abrigava gado e na outra funcionava um lagar de azeite. No lado sul há um átrio fechado com seis celas e mais a sul há armazéns e alojamentos de trabalhadores. Perto da entrada sul encontram-se as oficinas dos monges, que incluíam correaria de selas, carpintaria, oficinas de sapateiro, cestaria e de reparação de ferramentas agrícolas. No aldo oposto às oficinas à um refeitório comprido com uma inscrição (1804). Os aposentos do abade encontram-se na parte ocidental do pátio. No piso superior há cinco celas para acomodar os convidados oficiais, situando-se os aposentos dos monges no piso inferior, com celas mais pequenas.

A igreja (católico) no centro do pátio tem uma nave única com um teto em arco. Mede 10,5 por 4,4 metros e tem 6 metros de altura. Na parede ocidental há uma torre com dois sinos uma claraboia decorada. Os ícones e relíquias que foram salvas das várias pilhagens e destruições sofridas pelo mosteiro estão guardadas no museu do Mosteiro Traseiro.

Moni Pisso Preveli thumb|Moni Pisso Preveli

O chamado "Mosteiro Traseiro" ou "de Cima" (Moni Pisso Preveli) situa-se numa zona relativamente plana sobre o mar da Líbia, no sopé de uma montanha. À esquerda da entrada principal encontra-se o pequeno e pitoresco cemitério dos monges, cuja capela, da Santíssima Trindade tem um ossário. A planta do mosteiro é basicamente um Π irregular, com edifícios nas partes ocidental e oriental numa zona plana, com a igreja no centro. Esta área foi tornada plana artificialmente, em parte com aterros que compensam a inclinação natural do terreno e outra parte construindo caves subterrâneas abobadadas. Na extremidade sul do lado ocidental ergue-se o edifício que é usado para as receções oficiais, onde dantes estava instalado o museu. Ao lado dele, em frente à igreja, há um grande edifício de dois andares onde se encontram no rés-do-chão a antiga sala de receção, sala de jantar, cozinha e despensas. No piso de cima, onde se encontram elementos decorativos neoclássicos simples, há uma sala espaçosa para reuniões oficiais e quartos para acomodar convidados de honra.

O refeitório oficial é uma divisão comprida, abobadada, orientada no sentido leste-oeste, cuja cruz acima da sua entrada em arco tem inscrita a data da construção: 1804. Junto ao refeitório situa-se a antiga hospedaria do mosteiro, que tem saídas diretamente para as montanhas, para facilitar a fuga dos visitantes em caso de perigo. Perto do refeitório há uma área de fornalha, dividida em secções por três arcos ogivais altos. Esta parte é a mais antiga do mosteiro e ali se encontram um forno de cozinha e caixas de madeira para armazenar farinha. A pouca distância no canto noroeste do complexo há um conjunto de edifícios arruinados, onde se situavam as celas das freiras, nas quais viviam religiosas, geralmente familiares dos monges. As celas dos monges situam-se ao longo do lado norte.

O abastecimento de água do mosteiro era feito por uma fontes simples escavada, que ainda é usada e que tem uma inscrição com a data de construção: 1701. Quase em frente à fonte está a entrada de uma divisão comprida que foi usada como estábulo e que recentemente foi convertida no novo museu do mosteiro.

Igreja thumb|Igreja de Moni Preveli

No centro do pátio ergue-se a igreja, construída ao lado da antiga, que foi demolida em 1835. A construção da nova igreja foi atrasada pelos turcos, mas foi terminada em 1837. É um edifício com duas grandes naves unidas internamente por uma sequência de três arcos, com 13,8 por 10,8 m e 7,8 m de altura. As paredes têm 1,5 m de espessura em baixo e 1,2 m em cima e são cobertas com reboco simples. Em cada um dos lados há duas janelas com arcos ogivais. Posteriormente à construção, foi adicionada uma porta na parede sul da sala de sacramento. Só o exterior da parede ocidental apresenta elementos arquitetónicos, com uma varanda alta de pedra porosa esculpida, onde se ergue o campanário, com três sinos. Esta fachada ocidental une as duas naves, cujas extremidades dos tetos podem ser vistas atrás de uma cornija de pedra. Os únicos elementos decorativos nessa fachada são as claraboias redondas com lunetas perfuradas e a cornija retangular de pedra. As luxuosas ombreiras de mármore e a águia bicéfala bizantina foram colocadas, segundo uma inscrição, em 1911, quando era abade Neilos Volanakis, substituindo outras muito mais simples de 1835.

O interior da igreja (católico) do mosteiro é particularmente interessante, pois permanece intacto, sem quaisquer modificações à parte dos mosaicos decorativos do chão. As naves são separadas por uma série de arcos semicirculares suportados por fortes pilares que têm bases e capitéis simples. As florescências dos arcos apresentam relevos decorativos e no centro de cada arco há um emblema esculpido do qual se podem suspender candeeiros de prata. Junto ao primeiro pilar ergue-se o púlpito em talha dourada, acessível por degraus em madeira em volta do pilar. Uma inscrição informa que o púlpito foi esculpido em 1863 por Dimitrius Ragouzis, o Sikineos, quando era abade Daniel Koufakis em 1863, enquanto o douramento da madeira e a pintura dos ícones foram realizados em 1874, quando era abade Kallinikos Spitadakis. A parte inferior do púlpito é formada por três secções triangulares chanfradas divididas por linhas de estrelas. Cada secção triangular tem decorações florais que rodeiam duas molduras ovais nas quais há retratos pintados dos apóstolos.

Outros elementos importantes são o magnífico trono patriarcal, encostado à parede sul, e as cinco sacrários laterais em madeira esculpida situados junto ao segundo pilar. O ícone de São João Teólogo e outro de com cenas da sua vida são obras do um excelente pintor de nome desconhecido cuja atividade cerca da década de 1830, deixou marcas nas regiões de Sfakiá e Ágios Vasíleios. O chamado "pintor de Sfakiá", repetia com considerável qualidade os modelos da escola cretense tardia. Os ícones da iconóstase são obra de pintores locais em 1840–1841. Durante a Revolução de 1866, os ícones foram escondidos juntamente com as relíquias em cavernas das redondezas para que não fossem destruídos. A construção da iconóstase é uniforme ao longo das duas naves da igreja e constitui um programa iconográfico completo que dá uma certa independência a cada nave. O projeto arquitetónico e a decoração estão ligados à tradição da escola cretense.

História Há fortes indícios de que o primeiro núcleo do mosteiro foi fundado na área de Cato Preveli durante o segundo período bizantino, na segunda metade do ou início do , quando surgiram muitos mosteiros na costa sul de Creta. No entanto, o primeiro registo de Moni Preveli, uma inscrição num dos sinos do mosteiro, é de 1594. O mosteiro como se conhece hoje foi fundado provavelmente durante a ocupação de Creta pela República de Veneza, tendo sido o seu fundador um senhor feudal chamado Prevelis. Quando Creta foi conquistada pelo otomanos em 1649, os novos invasores destruíram numerosos edifícios da igreja, entre os quais o Mosteiro de Preveli, que foi depois reconstruído.

O mosteiro foi durante três séculos o principal centro religioso, social e político da região de Ágios Vasíleios e da vizinha Sfakiá, onde a topografia acidentada e os acessos difíceis impediram um controlo efetivo das forças ocupantes e permitiram uma certa tolerância política e alguma autonomia de facto. Os monges de Preveli gozavam de grande prestígio e atuavam como líderes não só religiosos como políticos, contando para isso com a rede de informações e infiltrações da igreja cretense. O mosteiro dava abrigo e cuidava dos rebeldes que sempre foram existindo nas montanhas nunca completamente dominadas do sul de Creta. O mosteiro foi também um centro de artes durante a ocupação otomana, onde artistas locais e estrangeiros pintaram ícones e esculpiram madeira até meados do , mantendo tradições que remontam à velha escola cretense.

Participação em revoltas Em 1770, o abade Efraim tomou parte na rebelião do caudilho sfaquiota Daskalogiannis, tendo sido condenado à morte pelos turcos pelo assassínio de um janízaro, mas acabou por ser perdoado.