A guerra de Gaza de 2014 (, transl. al-Harb 'alaa Ġazzah; em português, 'guerra de Gaza de 2014'), também referida como conflito Israel-Gaza de 2014 ou Operação Margem Protetora (, Mivtza' Tzuk Eitan; em português, 'Operação Rocha Inabalável') foi uma campanha militar lançada pelas Forças Armadas de Israel contra a Faixa de Gaza, governada pela organização palestina Hamas."Confronto entre Israel e Hamas corre risco de se tornar generalizado". Página acessada em 9 de julho de 2014. A operação aérea foi iniciada em 8 de julho de 2014, enquanto as primeiras incursões terrestres contra Gaza aconteceram a partir do dia 17 do mesmo mês. Em 26 de agosto, os combates se encerraram depois de sete semanas de lutas.

O conflito teve início logo após o sequestro e assassinato de três adolescentes israelenses em meados de junho de 2014. As Forças de Defesa de Israel então iniciaram a Operação Busca dos Irmãos, na procura dos três rapazes. Como parte da operação, nos onze dias seguintes, militares israelenses mataram entre cinco e dez palestinos e prenderam entre 350 e 600 outros,Maan News, "100 Palestinians killed in Israeli assault on Sunday alone". Página acessada em 29 de julho de 2014. incluindo quase todos os líderes do Hamas na Cisjordânia. Em resposta ao sequestro dos israelenses, um jovem menino palestino, Muhamed Abu Khdeir, foi raptado e queimado vivo por extremistas judeus. Uma série de protestos eclodiram nos territórios palestinos e foguetes foram disparados contra o sul de Israel. Este, por sua vez, iniciou uma campanha de bombardeio aéreo intenso contra a Faixa de Gaza. Nove dias depois, o exército israelense decidiu começar uma invasão por terra no território e então os combates se tornaram generalizados, matando centenas de pessoas (a maioria civis).

Foi o ataque militar mais mortífero contra a região desde a Guerra de Gaza de 2008. O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários estimou em 23 de julho que 697 dos mortos eram civis, dos quais 256 eram mulheres ou crianças. No final de agosto (com sete semanas de combates), mais de 2 000 palestinos e 60 militares israelenses já haviam morrido. As Forças de Defesa de Israel acusaram o Hamas de usar civis como "escudos humanos"; uma alegação que é negada pelo grupo palestino.Israel Says That Hamas Uses Civilian Shields, Reviving Debate ANNE BARNARD e JODI RUDOREN, The New York Times

Grupos de direitos humanos argumentaram que os ataques de ambos os lados, tanto os lançamentos de mísseis palestinos contra o território israelense quanto a destruição de casas de militantes do Hamas em áreas civis de Gaza pelas forças de Israel, violam o direito internacional humanitário e podem constituir crimes de guerra.'B'Tselem info sheet: 52 Palestinians killed in bombings of homes in Gaza Strip, which are unlawful', B'tselem, 13 de julho de 2014; acessado em 1 de agosto de 2014.

Histórico

Antecedentes

Os confrontos que levariam a esta operação começaram após o sequestro e assassinato de três jovens israelenses. As autoridades de Israel culparam o Hamas, já que dois dos militantes responsáveis seriam ligados ao grupo. Um oficial de inteligência palestino teria confirmado esta informação."In extended version of kidnapped teens' call to police, murderers heard singing in celebration". Página acessada em 9 de julho de 2014.

O Hamas negou envolvimento, dizendo que nem sequer tinha conhecimento do ocorrido e afirmou que não havia provas de que eles eram os responsáveis. Contudo, membros da organização aprovaram o sequestro, dizendo que os garotos pegos poderiam ser usados no futuro para trocas de prisioneiros. Vários palestinos foram presos em ações seguintes lideradas pelo exército israelense e várias instituições mantidas pelo Hamas, mesmo algumas com apenas fins humanitárias, foram obrigadas a fechar.

Enquanto as tensões na região aumentavam, um palestino chamado Mohammed Abu Khdeir foi sequestrado por extremistas judeus e foi assassinado. Isso levou a uma revolta dentro da população nos territórios palestinos. Na Faixa de Gaza, mísseis foram lançados contra a região sul de Israel. O governo israelense retaliou com ataques aéreos maciços."Israel bombardeia Gaza e foguetes de militantes atingem Tel Aviv". Página acessada em 9 de julho de 2014.

Início da operação thumb|esquerda|Uma explosão causada por um foguete palestino na cidade israelense de Sderot.

Entre os dias 4 e 7 de julho, o governo de Israel lançou vários ataques aéreos contra a Faixa de Gaza, matando dezenas de pessoas e ferindo várias outras. O Hamas retaliou, disparando centenas de mísseis contra o sul do país, atingindo cidades como Bersebá, Asdode, Ofakim, Ascalão e Netivot, mas sem deixar vítimas."Israel launches military offensive in Gaza". Al Jazira. Página acessada em 9 de julho de 2014.Noam Sheizaf, "Israeli-Palestinian clashes upsetting Israeli faith in status quo". Al Jazira. Página acessada em 9 de julho de 2014. No dia 8, militantes palestinos lançaram mais foguetes, acertando esporadicamente a área norte de Hadera, e até Telavive. O sistema de defesa aéreo israelense, o Iron Dome, teria interceptado vários projéteis. Militares de Israel também teriam interceptado uma tentativa de infiltração de jihadistas pelo mar."Israel hits Hamas, Islamic Jihad leaders after rockets land north of Tel Aviv | The Times of Israel". Página acessada em 9 de julho de 2014.

No dia 8 de julho, as incursões da força aérea israelense na Palestina se intensificaram. Enquanto isso, o exército do país se aprontava, enviando milhares de soldados para a fronteira, ao mesmo tempo que ordenou a mobilização de mais 40 000 reservistas."Israel mobiliza 40 mil reservistas e põe hipótese de operação terrestre em Gaza". Página acessada em 9 de julho de 2014. thumb|esquerda|Alcance dos mísseis lançados a partir da Faixa de Gaza

Um porta-voz das forças armadas de Israel afirmou que seus exércitos estavam prontos para iniciar uma invasão terrestre da Faixa de Gaza, para "interromper as ações terroristas palestinas". Um porta-voz do governo palestino respondeu afirmando que as ações do vizinho eram uma "declaração de guerra" e que eles se protegeriam contra o "massacre de inocentes", afirmando que os palestinos tinham o direito de se autodefender."Presidency: Palestinians have the right to defend themselves". Ma'an News Agency. 8 de julho de 2014.

No dia 9 de julho, novos ataques aéreos feitos por Israel contra a Faixa de Gaza foram reportados, deixando vários mortos. Enquanto isso, o lançamento de foguetes por militantes palestinos, a maioria ligados ao Hamas, continuava. Ambos os lados aceleraram a mobilização de combatentes e apoiadores, ameaçando escalar a violência na região - transformando o conflito numa guerra total aberta."Novos ataques de Israel matam palestinos em Gaza". Página acessada em 9 de julho de 2014.

Nos dias 10 e 11, ambos os lados expandiram suas operações. O Hamas intensificou o lançamento de foguetes em mais cidades inimigas, enquanto Israel aumentava o número de incursões aéreas e bombardeios contra os palestinos. No amanhecer do quarto dia de operações, Benny Gantz, comandante do Estado-Maior das Forças de Defesa Israelenses, afirmou que o país estava pronto para iniciar a invasão terrestre contra Gaza, se tal ordem chegasse. Apenas nos três primeiros dias de confrontos, mais de 100 pessoas já haviam morrido no lado palestino, a maioria seriam civis."Palestinian death toll hits 100". Página acessada em 11 de julho de 2014.

Em 13 de julho, com o término do quinto dia de operações, foi reportado que as forças armadas israelenses já haviam atacado mais de 1 320 alvos em Gaza,"21 said killed in strike on Gaza police chief’s house". Página acessada em 13 de julho de 2014. causando mais de 167 mortos e 1 000 feridos."Gaza death toll at 167 as deadly Israeli strikes continue". Página acessada em 13 de julho de 2014. Durante este mesmo período, mais de 600 foguetes foram disparados por militantes palestinos contra a região sul de Israel."Israeli Troops Launch First Ground Raid On Gaza". Página acessada em 13 de julho de 2014. thumb|Uma casa palestina em ruínas após um bombardeio israelense

Entre os dias 13 e 15 de julho, novos ataques, de ambos os lados, foram reportados. A situação humanitária na Faixa de Gaza, que já era deteriorada, começou a piorar, de acordo com organizações de direitos humanos. Nesse meio tempo, o governo do Egito fez uma proposta de paz, onde pedia um cessar-fogo bilateral e o encerramento dos combates. O gabinete do governo israelense sinalizou que aceitaria o acordo e a liderança política do Hamas afirmou que a proposta era viável. Contudo, extremistas palestinos e membros do braço armado do Hamas, as chamadas "brigadas al-Qassam", rejeitaram o texto, afirmando que a batalha iria crescer em "ferocidade e intensidade". Israel havia respondido que, caso os palestinos não aceitassem a trégua, o país ampliaria as operações militares contra Gaza."Israel ampliará operações militares em Gaza se Hamas rejeitar trégua". Página acessada em 15 de julho de 2014. Então, com foguetes continuando a ser disparados contra a região sul israelense, as forças armadas do país responderam intensificando os bombardeios aéreos."Israel retoma bombardeios contra Gaza após fracasso de cessar-fogo". Página acessada em 15 de julho de 2014. No dia 16, quatro crianças palestinas entre 9 e 11 anos foram mortas em um bombardeio israelense a uma praia de Gaza.

A segunda semana de operações foi marcada por aumento no número de mortos, tentativas de tréguas e alguns cessar-fogos pontuais. Em 17 de julho, o governo israelense e a liderança do Hamas fizeram, informalmente, um acordo para suspender as hostilidades temporariamente por razões humanitárias. Contudo, algumas facções palestinas continuaram a, esporadicamente, disparar foguetes e morteiros contra o sul de Israel. A paz tênue e temporária foi aproveitada pela população civil em Gaza, que correu para os bancos de ajuda internacional, atrás de mantimentos. A situação humanitária na região já havia sido descrita como 'terrível'."Israel aceita cessar-fogo a partir de sexta, diz oficial". Página acessada em 17 de julho de 2014.

Ofensiva terrestre miniaturadaimagem|esquerda|Paraquedistas da infantaria israelense durante a operação na Faixa de Gaza. No anoitecer do dia 17 de julho, o exército israelense iniciou sua primeira ofensiva terrestre contra Gaza na guerra. De acordo com um comunicado oficial do governo, o objetivo da incursão era eliminar os "túneis utilizados para atividades terroristas contra Israel". O ataque, feito por militares de infantaria, blindados e artilharia, teve o apoio da força aérea e da marinha, que intensificaram seus bombardeios contra a Faixa de Gaza. O Hamas condenou a ofensiva terrestre e a chamou de "tola". No dia seguinte, o Ministério da Defesa Israelense aprovou a convocação de mais 18 000 reservistas, elevando o número total de convocados para . O ataque veio após um curto cessar-fogo entre as partes, visando ações humanitárias, no dia anterior."Premiê israelense anuncia operação militar por terra na Faixa de Gaza". Página acessada em 17 de julho de 2014.

Ao fim do décimo dia de operações, mais de duas mil surtidas aéreas já haviam sido feitas por Israel. De acordo com o porta-voz do exército, general Moti Almoz, houve vários combates nas primeiras horas da invasão terrestre, que terminou com um soldado morto (possivelmente por fogo amigo). Eles também afirmaram ter matado pelo menos 14 militantes palestinos nos embates iniciais. Em um pouco mais de uma semana, cerca de 1 500 foguetes já haviam sido disparados a partir de Gaza. miniaturadaimagem|Ruínas da cidade de Beit Hanoun, no norte do território de Gaza.