Zorobabé (capitania do Rio Grande, meados do séc. XVI — Évora, Portugal, 1609) foi um líder indígena brasileiro, que, servindo como mercenário para a Coroa portuguesa, veio a se tornar um dos maiores caçadores de escravos quilombolas da história do Brasil colonial. Inicialmente inimigo dos luso-brasileiros vindos da capitania de Pernambuco para conquistar o agreste paraibano, tornou-se aliado destes após uma derrota na Serra da Copaoba.

O chefe potiguara morreu no exílio em Portugal, após ter sido acusado de intentar se rebelar contra a Coroa. Zorobabé nunca se converteu ao cristianismo.

Capitão do mato thumb|270px|Serra da Copaoba, reduto potiguara no Brasil colônia Antes da conquista portuguesa do agreste paraibano, Zorobabé vivia na região da Copaoba, tornando-se cacique tribal e aliando-se posteriormente aos corsários franceses que buscavam o «pau de tinta», como era conhecido o pau-brasil. Aguerrido chefe dos potiguaras, lutou contra os portugueses na Guerra dos Potiguaras até 1599, quando, após uma sangrenta derrota passou a prestar-lhes serviços.

Atuou, junto com seu séquito potiguara, em várias campanhas às quais foi enviado. Mandado combater os aimorés da Bahia, os quais aterrorizavam as capitanias de Ilhéus e Porto Seguro, Zorobabé decidiu também atacar o quilombo do rio Itapicuru, na capitania de Sergipe D’El Rey, onde matou a maior parte dos quilombolas, desobedecendo as ordens preestabelecidas pela Metrópole.

No livro Ouro vermelho: a conquista dos índios brasileiros (vol. 27) lê-se:

Por ordem de Diogo Botelho, tornou-se jagunço e arruinador dos quilombos da Paraíba. Os sobreviventes de seus ataques, ele escravizava ou vendia para comprar roupas, armas e bandeiras, as quais acreditava lhe darem a mesma pompa dos militares brancos.

Morte Com medo de que sua crescente empáfia fizesse Zorobabé se rebelar contra a Coroa, o rei deu ordens para ele ser mandado para o exílio em Évora, Portugal, em 4 de novembro de 1608. Lá, após muitas tentativas de assassinato sofridas na prisão, veio a falecer meses depois nos calabouços dessa então vila portuguesa, tornando-se o primeiro exilado brasileiro da história.

O Frei Vicente, que estava na Paraíba à época do retorno de Zorobabé de suas campanhas na capitania da Bahia, dedicou um capítulo inteiro de seus escritos a este chefe potiguara.

Ligações externas Zorobabe e seus dois destinos: protagonismo tupi na chamada conquista do Maranhão (séc. XVII) a partir de narrativas dissonantes História da Paraíba

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