A Estação Parangaba é uma estação intermodal de metrô e de Veiculo Leve sobre Trilhos (VLT), integrante das linhas 1 – Vermelha (Sul) e 3 – Azul (Nordeste) do Metrô de Fortaleza, operada pela Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor). Localiza-se na Avenida Carlos Amora, nº 190, no bairro Parangaba, em Fortaleza, capital do Estado do Ceará, na Região Nordeste do Brasil.
Faz um importante papel de estação de integração intermodal entre os variados sistemas de transporte inseridos ao longo dos anos na região, fazendo uma ligação direta por meio de transbordo entre os sistemas do metrô e do Veiculo Leve sobre Trilhos (VLT), além de permitir fácil acesso ao terminal de ônibus urbano da Parangaba, permitindo dessa forma uma conexão entre os modais metroviários e rodoviário.
Histórico
Primórdios esquerda|miniaturadaimagem|227x227px|Antiga estação da Parangaba, preservado em baixo do elevado do metrô ao lado da atual estação.A história da Estação Parangaba está intimamente ligada à história ferroviária do Ceará. A primeira concessão para a construção de estradas de ferro no estado deu-se por um decreto de 1857, para uma via entre os municípios de Camocim e Ipu, passando por Sobral, mas o projeto foi arquivado. Em 1868, foi apresentado um novo projeto para uma linha ligando Fortaleza à vila de Pacatuba, com um ramal para Maranguape, que também não saiu do papel. Dois anos depois, surgiu o projeto da primeira estrada de ferro efetivamente construída no Ceará: a Estrada de Ferro de Baturité (EFB).
Em 30 de novembro de 1873, a estação foi oficialmente inaugurada sob o nome de Arronches, como parte do primeiro trecho da EFB. Foi a segunda do Ceará, construída logo após a Estação João Felipe, que hoje abriga o Complexo Cultural Estação das Artes, no Centro de Fortaleza. Este primeiro nome da estação faz referência a nomenclatura oficial do então Distrito de Arronches, anteriormente vila que foi incorporada à Fortaleza pela lei nº 2 de 13 de maio de 1835. Mais de dez anos após a inauguração da estação, o então distrito foi restaurado município pela lei nº 2097 de 25 de novembro em 1885 com o nome de Porangaba, levando, consequentemente, a mudança do nome da estação. Em 31 de outubro de 1921, por meio da lei nº 1913, o então município de Porangaba é oficialmente incorporado à capital.
A edificação original passou por uma reforma em 1927, mas foi demolida pouco mais de dez anos depois, em 1941, devido a construção de um novo ramal ferroviário com destino a região do Mucuripe. Três anos depois, em 1944, a estação, já com uma nova estrutura, tem o nome alterado para Parangaba por ordem do Conselho Nacional de Geografia (CNG).
Estação de trens urbanos (1977-2010) Em outubro de 1977, o Governo Federal liberou uma verba de Cr$ 40 milhões para os primeiros estudos de implantação de um sistema de trens urbanos na região metropolitana de Fortaleza, aproveitando a malha ferroviária existente. Com a criação da Coordenadoria de Transportes Metropolitanos (CTM), os trens suburbanos, que circulavam apenas nos horários de pico, passaram a operar de hora em hora.
Em 1986, o governo brasileiro contratou a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) para elaborar um projeto de eletrificação e modernização das Linhas Tronco Norte e Sul do Trem Urbano de Fortaleza. No ano seguinte, em 25 de setembro de 1987, foi formalmente iniciada a construção do projeto com a assinatura do contrato do Consórcio do Trem Metropolitano de Fortaleza, envolvendo a Rede Ferroviária Federal (RFFSA), a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e o Governo do Estado do Ceará, com interveniência do Ministério dos Transportes. esquerda|miniaturadaimagem|204x204px|Antiga estação Parangaba durante construção do elevado do metrô em 2008. Em outubro de 1998, foi anunciada a vitória do consórcio responsável pela construção da Linha Sul do Metrô de Fortaleza, formado pelas empresas Queiróz Galvão, Camargo Corrêa, ABB Daimler Transportation, CMW Equipamentos, GEC Alsthom Transport e Siemens. O valor do contrato era de R$ 333.318.897,89. As obras tiveram início no ano seguinte, em 1999.
Em 2008, a antiga edificação da Estação Parangaba foi tombada. No mesmo ano, o prédio passou por um dilema. Devido a construção da primeira linha de metrô da capital, a estação teria que sair do local para dar espaço ao novo modal. Na época, o então governador Cid Gomes tinha as seguintes opões: fazer uma réplica da estação e transferi-la para outro bairro, custando R$ 214 mil; transladar o prédio para a praça central da Parangaba, ao custo de R$ 5,27 milhões; ou construir um memorial no mesmo local, respeitando a estrutura da estação. A solução foi acordada entre Cid e a prefeita de Fortaleza na época, Luizianne Lins: rebaixar a estação por 3,5 metros e elevar a linha do metrô para preservar o equipamento histórico e evitar sua demolição. A obra durou cinco meses, onde foi priorizado a manutenção das estrutura do prédio, bem como seus traços arquitetônicos. O valor de investimento foi de R$ 1.063.324,47. A participação dos moradores do bairro no debate sobre o assunto foi importante para que os executivos acatassem essa decisão.
A estação continuou operando até 11 de janeiro de 2010, quando as operações de trens urbanos em toda a Linha Sul foram definitivamente encerradas para o avanço das obras do metrô.
Estação de metrô e VLT miniaturadaimagem|Estrutura da estação Parangaba dedicada ao metrô (direita) e ao VLT (esquerda). As duas partes da estação são interligadas por uma passarela. Aproximadamente treze anos após o início das obras, a Linha Sul realizou sua viagem inaugural em 15 de junho de 2012. O trem percorreu, pela primeira vez com passageiros, 15 quilômetros, saindo da estação Carlito Benevides, no município de Pacatuba, até a estação Parangaba, em Fortaleza, realizando o percurso em 15 minutos. A solenidade da viagem inaugural, que contou com a presença de diversas autoridades, marcou a entrega do primeiro trecho da primeira linha de metrô da capital cearense. A partir daquele dia, a linha passou a funcionar em operação assistida. Durante esse período, a Linha Sul operou de forma limitada. Inicialmente, a operação ocorria de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h, com um headway (intervalo entre os trens) de 20 minutos. O tempo de operação foi progressivamente estendido ao longo da operação assistida e após o início da operação comercial, até chegar ao horário atual: de segunda a sábado, das 5h30 às 23h. A operação comercial da linha teve início em 1º de outubro de 2014.
No dia 25 de julho de 2017, a estrutura da estação destinada ao VLT foi entregue à população junto com o trecho 2 da linha. Na solenidade de entrega estiveram presentes o chefe do executivo estadual, Camilo Santana e o Vice-prefeito de Fortaleza, Morone Torgan. Com a entrega, a estação Parangaba tornou-se a primeira do sistema a oferecer integração por meio de transbordo entre duas linhas. Em julho de 2020, a estação Parangaba, passou a ser a primeira do sistema metroviário da capital a contar com rede wi-fi gratuita para os passageiros.
Características Gerais esquerda|miniaturadaimagem|Ligação entre as plataformas da Linha Sul do metrô com a plataforma do VLT na estrutura anexa em janeiro de 2018.Estação elevada divida em duas grandes estruturas, com plataformas laterais na área destinada a Linha Sul, e plataforma central na área destinada ao VLT. A parte mais antiga destinada ao metrô tem estruturas em concreto aparente, paredes de alvenaria feitas com blocos de concreto, revestidos ou não, conforme o local de aplicação; os revestimentos utilizados são os usuais, tais como pisos de placas de borracha, vinil ou granito, ladrilhos cerâmicos de alta resistência; cimentado em alguns pisos, argamassa de emboço/reboco, pintura e cerâmica em paredes; telhas metálicas na cobertura; janelas e portas de alumínio ou aço, conforme os locais de aplicação. Já a parte mais atual destinada a Linha Nordeste foi concebida com o intuito de usar uma linguagem diferente da outra estrutura, com isso os materiais usados, metal e vidro, se diferenciam da outra estrutura em concreto.
A cobertura é formada por pórticos metálicos, apoiados nas vigas de concreto que perfazem a estrutura das vias com o objetivo de dar mais leveza estética e estrutural. A coleta e condução de água pluvial será através de calha metálica em alumínio, tendo o seu fechamento por placas de policarbonato, que proporcionam uma entrada de iluminação natural e de telhas metálicas com material térmico entre as chapas, para proporcionar conforto aos passageiros na plataforma. Uma característica importante do projeto, foi que com a introdução dos pórticos metálicos para sustentar a cobertura da estação, liberou-se a plataforma de pilares, tendo como único elemento que transpassa a estação o elevador para deficientes e pessoas idosas, este também tem a função estrutural de apoiar o reservatório de água.
A estação conta com mapas de localização, elevadores, sistemas de sonorização, telas de led nas plataforma que mostram os destinos de trens, horário de chegada da próxima composição além de outras informações e mensagens como o horário de funcionamento do metrô de Fortaleza, as integrações como os outros sistemas nos terminais intermodais, informações de utilidade publica como também publicidades, além de passarela de acesso entre as duas partes da estação. A estação Parangaba permite fácil integração com outros sistemas de transportes, pois integra o sistema metroviário ao VLT e ao terminal de ônibus da Parangaba .
A localização estratégica da estação com sua proximidade de um shopping e de importantes avenidas, a fácil integração com outros modais e o fato de estar no coração de um dos mais importantes micro centros de Fortaleza, torna a estação Parangaba uma das mais movimentadas e importantes do sistema.
Acessos Os Acessos a estação Parangaba podem ser realizados de três modos: Do lado Oeste, através da galeria comercial, tendo como via de entrada a Rua Eduardo Perdigão. Do lado Leste, também através de uma galeria comercial, tendo como via de entrada a Rua Carlos Amora. Todos os acessos chegam ao pátio dos bloqueios, com 12 unidades, situados no pavimento Térreo. Através dele, por meio de escadas fixas e rolantes e elevadores, se tem acesso ao Mezanino, ponto de ligação para acessar a plataforma da Linha Nordeste. A ligação é feita através de elevador e escada fixa, para um nível mais elevado, denominado passarela de acesso, que faz a ligação até a plataforma da Linha Nordeste, sendo esta feita através de escadas fixas e elevador.
Acessibilidade A estação segue as normas técnicas de acessibilidade, garantindo recursos para pessoas que possuem alguma deficiência ou estão com mobilidade reduzida por qualquer razão.
Entre os recursos ofertados na estação Parangaba estão: Um conjunto de três elevadores convencionais, solução de mobilidade e acessibilidade vertical mais utilizada no Metrô de Fortaleza, possibilitando a subida e descida de pessoas em cadeiras de rodas, carrinhos de bebê, idosos ou pessoas com a saúde debilitada, sendo usado para fazer o transporte entre os três níveis da estação; pisos táteis, caracterizados como percursos fixados no chão da estação, com relevo, que permitem aos deficientes visuais transitar com autonomia e segurança; mapas táteis, que trazem informações, em braile, sobre a localização dos principais pontos na estação, indicando aos deficientes visuais onde estão localizados os elevadores, as plataformas de embarque, a bilheteria e as escadas. Localizado na entrada da estação, o mapa tátil é uma importante ferramenta para a locomoção dos deficientes visuais, conferindo maior autonomia para estes passageiros.
Ressalta-se também, que as equipes presentes nas estações, compostas por agentes de estação e vigilantes, recebem treinamento especializado para ajudar no embarque e desembarque de passageiros com deficiência.
Integração