Sirius XM Holdings Inc., chamada com frequência de SiriusXM, é uma empresa estadunidense de radiodifusão, com sede em Midtown Manhattan, na cidade de Nova Iorque, que oferece serviços de rádio por satélite e rádio via internet nos Estados Unidos. A empresa surgiu da fusão, em 2008, da Sirius Satellite Radio com a XM Satellite Radio, reunidas na SiriusXM Radio. A companhia também detém 70% de participação acionária na SiriusXM Canada, empresa afiliada que oferece os serviços Sirius e XM no Canadá. A SiriusXM Holdings, Inc. foi constituída em 21 de maio de 2013, e, em janeiro de 2020, a SiriusXM reorganizou sua estrutura societária, tornando a Sirius XM Radio Inc. uma subsidiária direta e integral da SiriusXM Holdings, Inc.

A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos, a FCC, aprovou a fusão da XM Satellite Radio Holdings Inc. com a Sirius Satellite Radio, Inc. em 29 de julho de 2008, 17 meses depois de as empresas apresentarem a proposta. A fusão criou uma empresa com 18,5 milhões de assinantes, e o negócio foi avaliado em US$ 3,3 bilhões, o equivalente a cerca de US$ 4,7 bilhões em 2024, sem incluir dívidas. A proposta enfrentou oposição de quem considerava que a união criaria um monopólio. Sirius e XM sustentavam que a fusão era a única forma de viabilizar o rádio por satélite.

Em setembro de 2018, a empresa concordou em comprar o serviço de streaming de música Pandora, e a transação foi concluída em 1.º de fevereiro de 2019. Em 12 de julho de 2022, a SiriusXM tinha cerca de 34 milhões de assinantes e afirmava ser a maior empresa de entretenimento em áudio da América do Norte.

A SiriusXM Radio é um ponto de entrada primário do Emergency Alert System.

Pré-fusão Primeiros anos da Sirius

A Sirius Satellite Radio foi fundada por Martine Rothblatt, que presidiu o conselho de administração da nova empresa. O cofundador David Margolese foi diretor-executivo, e Robert Briskman, presidente e diretor de operações. Em 1990, Rothblatt fundou a Satellite CD Radio em Washington, D.C.. A empresa foi a primeira a pedir à FCC que destinasse frequências sem uso à transmissão de rádio por satélite, iniciativa que "provocou um furor entre proprietários de grandes e pequenas emissoras de rádio [terrestres]". Em abril de 1992, Rothblatt deixou a presidência do conselho e o cargo de CEO para criar uma fundação de pesquisa médica. Briskman, ex-engenheiro da NASA e projetista da tecnologia de satélites da empresa, assumiu então os cargos de presidente do conselho e CEO.

Seis meses depois, em novembro de 1992, Margolese, cofundador da Rogers Wireless e financiador do empreendimento, assumiu o controle da empresa e sucedeu Briskman. Ele mudou o nome da companhia para CD Radio e passou os cinco anos seguintes fazendo lobby junto à FCC para permitir a implantação do rádio por satélite. Nos cinco anos posteriores, levantou US$ 1,6 bilhão, usado para construir e lançar três satélites em órbita elíptica a partir do Cazaquistão, em julho de 2000. Em 1997, depois que Margolese obteve a autorização regulatória e "efetivamente criou o setor", a FCC também concedeu uma licença à XM Satellite Radio, que seguiu o caminho aberto pela Sirius. Em novembro de 1999, Ira Bahr, diretor de marketing, convenceu Margolese a mudar novamente o nome da empresa, desta vez para Sirius Satellite Radio, para evitar uma associação com a tecnologia de CD, que se aproximava da obsolescência. Depois de fechar acordos de instalação com fabricantes de automóveis, entre eles BMW, Chrysler e Ford, a Sirius lançou a fase inicial do serviço em quatro cidades em 14 de fevereiro de 2002 e o estendeu ao restante dos Estados Unidos contíguos em 1.º de julho daquele ano.

Em novembro de 2001, Margolese deixou o cargo de CEO e permaneceu como presidente do conselho até novembro de 2003. Em comunicado, a Sirius agradeceu por "sua grande visão, liderança e dedicação na criação da Sirius e do setor de rádio por satélite". Joe Clayton, ex-CEO da Global Crossing, foi CEO de novembro de 2001 a novembro de 2004 e continuou na presidência do conselho até julho de 2008. Mel Karmazin, ex-presidente da Viacom, assumiu como CEO em novembro de 2004 e permaneceu no cargo durante a fusão, até dezembro de 2012.

Primeiros anos da XM

A origem da XM Satellite Radio remonta a uma petição de regulamentação apresentada à Comissão Federal de Comunicações pela advogada especializada em regulação e fundadora da Satellite CD Radio Martine Rothblatt. O pedido buscava estabelecer frequências e regras de licenciamento para o primeiro serviço de rádio digital por áudio via satélite, o Satellite Digital Audio Radio Service (SDARS). Em 18 de maio de 1990, a Satellite CD Radio, Inc. (SCDR) apresentou uma petição de regulamentação em que solicitava espectro para oferecer um serviço de rádio digital com qualidade de CD, transmitido por satélites e transmissores de rádio complementares. Após o aviso de proposta de regulamentação sobre alocação, a FCC fixou 15 de dezembro de 1992 como prazo final para pedidos de DARS por satélite que seriam analisados junto ao da CD Radio. Um desses pedidos veio da American Mobile Radio Corporation (AMRC), antecessora da XM Satellite Radio.

A XM Satellite Radio foi fundada por Lon Levin e Gary Parsons. Suas origens também remontam à criação, em 1988, da American Mobile Satellite Corporation (AMSC), consórcio formado por organizações dedicadas inicialmente à transmissão via satélite de sinais de telefone, fax e dados. Em 1992, a AMSC criou uma unidade chamada American Mobile Radio Corporation para desenvolver um serviço de rádio digital por satélite. Em 1998, ela foi separada da empresa como XM Satellite Radio Holdings, Inc. O financiamento planejado estava concluído em julho de 2000, quando a XM havia levantado US$ 1,26 bilhão, o equivalente a cerca de US$ 2,2 bilhões em 2024, e firmado acordos de instalação com General Motors, Honda e Toyota. O início do serviço estava previsto para 12 de setembro de 2001, mas foi adiado por causa dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra o World Trade Center e o Pentágono. A primeira transmissão da XM Satellite Radio ocorreu em 25 de setembro de 2001, quase quatro meses antes da Sirius.

Gary Parsons presidiu o conselho da XM Satellite Radio desde a criação da empresa até a fusão e deixou o cargo em novembro de 2009. Hugh Panero foi CEO da XM de 1998 a julho de 2007, pouco depois da proposta de fusão com a Sirius. Nate Davis foi nomeado CEO interino até a conclusão da operação, quando Mel Karmazin, CEO da Sirius, assumiu o comando da empresa resultante, a SiriusXM.

Fusão Anúncio Após três meses de negociações, a fusão de US$ 13 bilhões entre Sirius e XM, o equivalente a cerca de US$ 18,9 bilhões em 2024, foi anunciada oficialmente em 19 de fevereiro de 2007. Naquele momento, as duas únicas prestadoras de rádio por satélite dos Estados Unidos somavam quase 14 milhões de assinantes, perto de 8 milhões deles na XM, e nenhuma das duas havia registrado lucro anual. A Sirius era avaliada em US$ 5,2 bilhões, cerca de US$ 7,6 bilhões em valores de 2024, e a XM, em US$ 3,75 bilhões, cerca de US$ 5,4 bilhões em valores de 2024. Cada serviço cobrava US$ 12,95 por mês, valor equivalente a cerca de US$ 20,11 em 2025.

Os executivos da XM e da Sirius avaliavam que a fusão reduziria os custos de programação ao eliminar canais sobrepostos e gastos duplicados de marketing. Pelas licenças de operação originais, cada empresa estava proibida de deter a licença da outra. Ao avançar com a fusão, o CEO da Sirius, Mel Karmazin, apostou que a FCC consideraria outras formas de entretenimento em áudio como concorrentes e abriria uma exceção à regra para permitir a operação.

Aprovação Após 57 semanas de análise, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos aprovou a fusão da Sirius com a XM em 24 de março de 2008, concluindo que o rádio por satélite competia com o rádio terrestre, o streaming pela internet e aparelhos como reprodutores de MP3 e tablets. Em 25 de julho de 2008, a FCC aprovou a fusão por três votos a dois e concluiu que a empresa resultante não constituiria um monopólio diante da concorrência pela internet. A FCC afirmou que a fusão "é de interesse público" e que "beneficiará os consumidores ao lhes oferecer uma seleção mais ampla de opções de programação em diferentes faixas de preço, além de maior escolha e controle sobre a programação que assinam".

Como condições para a aprovação, as duas empresas concordaram em permitir que terceiros fabricassem aparelhos de rádio por satélite, produzir em até um ano novos rádios capazes de receber os canais da XM e da Sirius, permitir que os consumidores escolhessem os canais desejados, congelar os preços das assinaturas por três anos, reservar 8% dos canais da companhia resultante para programadores não comerciais e pagar US$ 19,7 milhões em multas por violações anteriores das regras.

O maior desafio da nova empresa era vender mais assinaturas em meio à queda no número anual de automóveis vendidos nos Estados Unidos, à redução correspondente da procura por veículos equipados com rádio por satélite e à concorrência do rádio transmitido pela internet. Entre as condições da fusão estavam permitir que qualquer empresa terceira fabricasse aparelhos de rádio por satélite, produzir em até um ano novos rádios capazes de receber os sinais da XM e da Sirius, permitir que os consumidores escolhessem os canais desejados, congelar os preços das assinaturas por três anos, reservar 8% dos canais a programadores não comerciais e pagar US$ 19,7 milhões em multas por infrações anteriores, cerca de US$ 28,1 milhões em valores de 2024. Sirius e XM começaram a unificar seus canais em 12 de novembro de 2008.

Cada ação da XM foi substituída por 4,6 ações da Sirius. Os acionistas de cada companhia ficaram, de início, com cerca de 50% da empresa resultante. Na época da fusão, a programação de maior destaque da Sirius tinha canais dedicados a Howard Stern e Martha Stewart, partidas ao vivo da NBA e da NFL e corridas ao vivo da NASCAR e da IndyCar. A XM oferecia canais de Willie Nelson, Opie and Anthony, Snoop Dogg e Oprah Winfrey, além de jogos ao vivo da Major League Baseball.

Oposição A National Association of Broadcasters se opôs firmemente à fusão e a chamou de monopólio. Pouco depois de o Departamento de Justiça apoiar a operação sem restrições, os procuradores-gerais de 11 estados, Connecticut, Iowa, Maryland, Mississippi, Missouri, Nevada, Ohio, Oklahoma, Rhode Island, Utah e Washington, pediram que a FCC impusesse restrições à fusão. Parlamentares democratas no Congresso também se opuseram, qualificando a operação como anticompetitiva e criticando o governo de George W. Bush por permitir sua conclusão.

Pós-fusão Recuperação e crescimento Poucos meses depois da fusão de 2008, a SiriusXM esteve perto de pedir proteção contra falência pelo Chapter 11 e chegou a contratar advogados para preparar uma possível solicitação. A empresa evitou a falência com um empréstimo de US$ 530 milhões concedido em fevereiro de 2009 pela Liberty Media, conglomerado de mídia fundado por John Malone. Mel Karmazin negociou o acordo em troca de uma participação acionária de 40% na SiriusXM.