Concílio de Roma (ou Sínodo de Roma) é o nome dado a diversos concílios e sínodos realizados na cidade italiana de Romana, antiga capital do Império Romano e capital do Império Romano do Ocidente.

Concílio sobre Atanásio (341) Quando Constantino morreu, o bispo de Alexandria e defensor da doutrina nicena Atanásio, que havia sido exilado no Concílio de Tiro, em 335, recebeu permissão para retomar sua sé em Alexandria. Logo depois, em 338, o filho de Constantino, o novo imperador Constâncio II, um ariano, renovou o banimento de Atanásio. Ele seguiu para Roma e passou a ser protegido por Constante, o imperador romano do ocidente.

Em 340, cem bispos se reuniram em Alexandria e se declararam a favor de Atanásio e papa Júlio I escreveu para os aliados de Ário exigindo fortemente que eles reinstalassem Atanásio, mas sem sucesso. Em 341, papa Júlio I convocou um sínodo em Roma para tratar do impasse e o resultado foi que Atanásio foi inocentado de todas as acusaçõesEncyclopædia Britannica, 15th edition. Chicago: Encyclopædia Britannica, Inc. ISBN 0-85229-633-9 e reinstalado em sua sé.

Concílio de 382 O Concílio de Roma de 382 foi um concílio regional. No ano anterior (381), o imperador Teodósio I tinha apontado um candidato pouco popular, Nectário. Os bispos ocidentais se opuseram ao resultado da eleição e pediram um sínodo comum para o ocidente e o oriente para resolver a sucessão ao trono de Constantinopla. Por isso, Teodósio, logo após o término do Primeiro Concílio de Constantinopla em 381 d.C., convocou os bispos do império para um novo sínodo na cidade. Quase todos os bispos que compareceram ao concílio anterior se reuniram novamente no início do verão de 382 d.C. Logo ao chegarem, receberam uma carta vinda do sínodo de Milão, convidando-os para um grande concílio geral em Roma. Eles responderam que não iriam pois não tinham feito preparação alguma para uma viagem tão longa. Porém, enviaram três representantes - Siríaco, Eusébio e Prisciano - com uma carta para o Papa Dâmaso, para Ambrósio de Milão e outros bispos então reunidos no sínodo em Roma.

O sínodo romano para o qual a carta fora endereçada era o quinto sob Dâmaso. Nenhum relato formal restou dos procedimentos e nem como seus membros trataram a questão de Nectário. Teodósio enviou comissários a Roma para apoiar seu sínodo.

Este sínodo histórico em Roma ganhou importância adicional muito depois. De acordo com um documento que estava anexado a alguns manuscritos do assim chamado Decretum Gelasianum e sozinho em outros, neste concílio a autoridade do cânon bíblico do Novo e do Antigo Testamento teriam sido confirmadas por um decreto. O documento foi pela primeira vez conectado a este concílio em Roma em 1794, quando o frade Faustino Arévalo (1747 - 1824), o editor das obras de Célio Sedúlio, defendeu sua teoria de que os três primeiros capítulos entre os cinco do Decretum eram na realidade decretos de um concílio romano realizado um século antes de Papa Gelásio I, sob Dâmaso, em 382 d.C.

As conclusões de Arevalo foram amplamente aceitas e o texto destes três primeiros capítulos, agora com o título de "O Concílio Romano sob Dâmaso", tem sido republicado continuamente desde então. De acordo com esta teoria da chamada "Lista Damasiana", a lista seria a mais antiga lista ocidental do cânon bíblico promulgada por um concílio, dois anos antes da publicação da primeira versão da Vulgata.

Lista de Dâmaso A "Lista de Dâmaso" emitida pelo Papa Damaso I, no concílio sobre os livros da Bíblia, é a seguinte

Sínodos do século VIII O primeiro deles, o de 721, foi convocado pelo papa Gregório II para estabelecer a os cânones para melhorar a disciplina da IgrejaHefele, Charles Joseph; Clark, William R. (trans.), A History of the Councils of the Church from the Original Documents, Vol. V (1896). Um outro concílio, em 732, convocado por Gregório III com o mesmo objetivo, tratou de questões disciplinares sobre a conduta dos mongesMann, Horace K., The Lives of the Popes in the Early Middle Ages, Vol. I: The Popes Under the Lombard Rule, Part 2, 657-795 (1903).

Os sínodos de 731 foram parte da controvérsia iconoclasta contra as doutrinas do imperador bizantino , que decretou o fim da veneração aos ícones e a imediata destruição de imagens por todo o impérioMann, pgs. 204-205. No primeiro sínodo, Gregório sugeriu depor um padre que havia sido encarregado de levar suas cartas ao imperador, mas acovardou-se ao chegar em Constantinopla. O concílio decidiu apoiar a condenação de Gregório ao imperador, mas sugeriu que o padre se penitenciasse e fosse enviado novamente com as cartasMann, pg. 205.

Depois que o emissário foi preso na Sicília por ordens de Leão, um segundo sínodo foi convocado em 1 de novembro de 731 e contou com a presença do arcebispo de Ravena, um tradicional aliado dos bizantinos, o que demonstra a magnitude da crise instalada na igreja pela iconoclastia do imperadorHefele, pgs. 302–303Duffy, Eamon, Saints & Sinners: A History of the Popes (1997), pg. 63. O concílio condenou Leão novamente, mas nenhuma tentativa de fazer chegar até ele uma comunicação oficial fracassaram. Depois da condenação, Leão confiscou os territórios papais na Sicília e na Calábria e retirou de sua jurisdição também o território da prefeitura pretoriana da Ilíria, passando-a para a do patriarca de ConstantinoplaHefele, pgs. 303–304. Em retribuição, o sínodo passou para o patriarca de Grado toda a regão da Venetia et Istria, reduzindo significativamente a jurisdição de AquileiaMann, pg. 211.

Sínodos durante a controvérsia das investiduras Durante a controvérsia entre o imperador Otão I e o papa João XII por causa do apoio deste a Berengário II, rei da Itália. Depois de expulsar o papa da cidade, Otão convocou o clero da cidade para sínodo em 963, entre 6 de novembro e 4 de dezembro, provavelmente ilegal, que depôs o papa. Liuprando de Cremona, o secretário e defensor de Leão durante os trabalhos, conta que, depois de se recusar a comparecer por 3 vezes, Leão foi deposto e o protonotário Leão, agora papa Leão VIII, foi eleito em seu lugar.

No sínodo do ano seguinte, entre 26 e 28 de fevereiro, os atos de 963 foram rejeitados e Leão VIII, deposto. Já no trono, João XII ordenou a mutilação de alguns de seus principais acusadores, a flagelação de outros e excomungou Leão. No mesmo ano, em 14 de maio, morreu e os nobres romanos elegeram papa Bento V, provocando o imperador Otão I a cercar a cidade novamente, tomando-a em 23 de junho acompanhado de Leão VIIIMann, Horace K., The Lives of the Popes in the Early Middle Ages, Vol. IV: The Popes in the Days of Feudal Anarchy, 891-999 (1910). Bento V foi demovido a diácono e jamais retornou ao trono papal.

Em 1078, outro sínodo foi realizado em Roma para reafirmar as reformas do papa Gregório VII.

Bibliografia

Treadgold, Warren, A History of the Byzantine State and Society (1997) Hefele, Charles Joseph; Clark, William R. (trans.), A History of the Councils of the Church from the Original Documents, Vol. V (1896) Mann, Horace K., The Lives of the Popes in the Early Middle Ages, Vol. I: The Popes Under the Lombard Rule, Part 2, 657–795 (1903)

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