direita|250px|thumb|Mandala da permacultura.
A permacultura que significa “cultura permanente”, é um sistema de planejamento de ambientes humanos sustentáveis que se utiliza de práticas agrícolas e sociais cujo planeamento do seu design é centrado em simular ou utilizar diretamente os padrões e características observados em ecossistemas naturais e foi sistematizada para dar resposta à nova e crescente consciencialização da degradação ambiental global. A própria designação “permanente” foi concebida como a antítese dos modernos sistemas industriais, incluindo sistemas de produção de alimentos que, através da sua alta emergia, por exemplo pela dependência dos combustíveis fósseis e produtos químicos, foram se revelando instáveis, não-resilientes e poluentes (portanto insustentáveis)O que é Permacultura?, por Laura Williams, Projeto Vida Desperta.
Permacultura é a utilização de uma forma sistêmica de pensar e conceber princípios ecológicos que podem ser usados para projetar, criar, gerir e melhorar todos os esforços realizados por indivíduos, famílias e comunidades no sentido de um futuro sustentávelO que é a Permacultura, Horta Biológica.
Atualmente, é assim considerada uma ciência de âmbito social e ambiental que alia o conhecimento científico com o conhecimento tradicional e popular assegurando dessa forma a permanência do ser humano como espécie no planeta TerraIntrodução à permacultura: 12 princípios fundamentais, A Cientista Agrícola, 12 de Junho de 2018.
A permacultura, além de ser um método para planejar sistemas de escala humana, proporciona uma forma sistêmica de se visualizar o mundo e as correlações entre todos os seus componentes. Serve, portanto, como meta-modelo para a prática da visão sistêmica, podendo ser aplicada em todas as situações necessárias, desde como estruturar o habitat humano até como resolver questões complexas do mundo empresarial.
Não está limitada a design sustentável, também incluindo engenharia ecológica, arquitetura bioclimática, construção. Também inclui gerenciamento integrado de recursos hídricos que desenvolve arquitetura sustentável e sistemas de habitat e agricultura regenerativos e auto-mantidos modelados a partir de ecossistemas naturais.
No fim, é uma filosofia e uma abordagem idealista que dá ênfase ao uso do solo agrícola que interliga clima, plantas, animais, ciclos de nutrientes, solo, gestão da água e necessidades humanasCurso de Planeamento em Permacultura, Universidade Católica Portuguesa, Porto, 2019 num ambiente produtivo e criativo com estética, ética e harmonia, de acordo com os princípios básicos da natureza.
História A permacultura tem na sua relação com a atividade agrícola uma síntese das práticas tradicionais com ideias inovadoras, unindo o conhecimento secular às descobertas da ciência moderna, proporcionando o desenvolvimento integrado da propriedade rural de forma viável e segura para o agricultor familiar. E, neste ponto, encontra paralelos com a Agricultura Natural que, sendo difundida intencionalmente pelas pesquisas do japonês Masanobu Fukuoka por todo o mundo, chegaram às mãos dos fundadores da permacultura e foram por eles desenvolvidas.
O termo permacultura conhece a sua origem com os ecologistas australianos David Holmgren, então um estudante de pós-graduação, e Bill Mollison, inicialmente seu professor, na década de 1970, baseando-se no modo de vida integrado à natureza das comunidades aborígines tradicionais da Austrália, que depois o desenvolveram e tem inspirado diversos movimentos sociais na direção de vidas mais socialmente justas e ecologicamente saudáveis, como é o caso das Cidades em Transição iniciado pelo permacultor Rob Hopkins.
Mais tarde, nos anos de 1980, para ensinarem a ética, princípios e fundamentos da permacultura, os seus fundadores vêm a desenvolver e a estabelecer cursos, com 72 horas. designados por PDC (sigla para o título em inglês "Permaculture Design Certificate course" ou seja, curso Certificado de Design em Permacultura ou também traduzido como Curso de Planejamento em Permacultura)O que é um curso de design de permacultura? (PDC), Permaculture Institute AsiaPDC SYLLABUS, UPISF.
Influências Nos diferentes livros escritos pelos criadores do conceito de permacultura, David Holmgren e Bill Mollison, são apresentados os principais autores e conceitos que inspiram a permacultura em seus princípios:
Povos tradicionais; Piotr Kropotkin, com A Conquista do Pão (1892), depois com o Campos, fábricas e oficinas (1898) e enfim com o Ajuda Mútua: um fator de evolução (1902); Joseph Russell Smith, com seu livro Three crops: A Permanent Agriculture (1929); Toyohiko Kagawa, e suas teorias agroflorestais (1930); Percival Alfred Yeomans e toda sua obra sobre os conceitos de Linha Chave (a partir de 1954); Masanobu Fukuoka, com A revolução de uma palha (1978), que resultou na agricultura natural.
A ética da Permacultura Os princípios da Permacultura vêm da posição de Mollison de que
Pode-se dizer que as três éticas ou pilares da Permacultura na sua versão contemporânea são:
Cuidar da terra: Provisão para que todos os sistemas de vida continuem e se multipliquem. Este é o primeiro princípio, porque sem uma terra saudável, os seres humanos não podem exercer suas qualidades, também compreendido como cuidar do planeta. Cuidar das pessoas: Provisão para que as pessoas acessem os recursos necessários para sua existência. Compartilhar excedentes, inclusive conhecimentos: através dos limites ao consumo e ao crescimento populacional, ou seja da partilha justa, também compreendido como cuidar do futuro ou ainda como paridade.
Significados e polêmicas em relação à terceira ética Há um debate sobre a polêmica em relação a esta terceira ética. Bill Mollison explicava que bastaria haver a primeira ética (Cuidar da terra). Mas para evitar que as pessoas deturpassem seu significado e excluíssem os humanos dos sistemas naturais, foi importante deixar isso claro através da segunda ética (Cuidar das pessoas). Ainda assim em um sistema socioeconômico baseado na exploração de alguns humanos por outros em busca da concentração da riqueza e do acesso aos recursos necessitaria ser explicitado através de uma terceira ética. A compreensão destas três éticas de forma clara e indissociável é a base para a permacultura, independente das palavras que usemos para representá-las.
Repartir os excedentes: Ecossistemas saudáveis utilizam a saída de cada elemento para nutrir os outros. Nós, os seres humanos, podemos fazer o mesmo, compartilhando os excedentes, inclusive os conhecimentos. Limites ao consumo: Usar apenas o necessário e reutilizar sempre o que puder, visando sempre a sustentabilidade e a redução tanto de custos, mas como também de recursos. Esses conceitos permitem a convivência e a troca de experiências com pessoas, cursos, leituras e alguns parâmetros. Com ênfase no aproveitamento e reaproveitamento máximo dos materiais, evitando a criação de lixo desnecessário. Explorar a criatividade com as condições que a natureza dispõe, fechar ciclos produtivos, diversificar recursos de fontes de recursos e cooperar ao invés de competir, agregar e não fragmentar. A permacultura não é apenas uma técnica ou muito menos um pacote. É muito mais complexo que uma simples agricultura sem agrotóxicos, mais complexo que uma agricultura ecológica, ou sustentável, ou biodinâmica ou que sistemas agroflorestais. É uma forma de viver que pode ou não envolver essas e outras técnicas. Ao mesmo tempo é muito mais simples por ser a conduta natural das coisas. Necessita apenas de uma observação sem máscaras, da natureza, sem pressa e com atenção. Sem preconceitos. Permacultura é um sistema de planejamento de ambientes humanos complexos e sustentáveis em todos seus aspectos, onde cada item desse sistema tem suas características, necessidades e funções, sendo conectados de forma consciente pelo designer.
Os princípios da Permacultura Os princípios de design, ou de planejamento como também são chamados, são a base conceitual da permacultura e foram derivados da ciência da ecologia de sistemas e do estudo de exemplos pré-industriais de uso sustentável da terra. A permacultura se baseia em várias disciplinas, incluindo agricultura orgânica, agroflorestas, agricultura integrada, desenvolvimento sustentável, física, meteorologia, sociologia, antropologia, bioquímica, engenharia e ecologia aplicada. A permacultura tem sido aplicada mais comumente ao projeto de habitação e paisagismo, integrando técnicas como agrofloresta (inclua-se aqui a agricultura sintrópica), construção natural e coleta de água da chuva no contexto local e dos princípios e da teoria da permacultura.
Os princípios de planejamento apareceram na permacultura em suas primeiras publicações sendo citados por completo, mas ainda de forma não sistematizada, ao longo do livro de Bill Mollison, Permaculture: a design manual em 1988Mollison, Bill. Permaculture, a designer's manual. Tyalgum, Australia: Tagari Publications. 1988.. Posteriormente esses princípios foram sistematizados e bem organizados por David Holmgren.
Princípios de planejamento da permacultura segundo Bill Mollison (1988) No livro do Bill, os princípios aparecem de forma aleatória ao longo do texto. Aqui seguem alguns dos princípios:
Observação. Localização relativa. Planejamento energético eficiente em zonas e setores. Cada elemento cumpre várias funções e cada função é apoiada por vários elementos. O resíduo de um elemento é o recurso de outro. Usar recursos biológicos e naturais, não os fósseis. Ciclar energia. Sistemas intensivos em pequena escala. Acelerar a sucessão. Propiciar a diversidade. Use as bordas. O problema é a solução. (“Transforme problemas em oportunidades”) Trabalhar COM a natureza e não contra. Cooperação e não competição. Promova os ciclos fechados. Nunca ponha todos os ovos no mesmo cesto.
É possível posteriormente relacionar esses princípios de forma sistematizada, percebendo que todos eles se encontram nas explicações dos princípios propostos pelo David.
Princípios de planejamento da permacultura sistematizados por David Holmgren (2002) David Holmgren articulou 12 princípios de design da Permacultura em seu livro Permacultura Princípios e Caminhos Além da Sustentabilidade são:
Observe e interaja: Alocando tempo para engajar-nos com a natureza, podemos desenhar soluções adequadas à nossa situação particular. Capte e armazene energia: Desenvolvendo sistemas que coletem recursos que estejam no pico de abundância, podemos utilizá-los quando houver necessidade. Obtenha rendimento: Assegure-se de que esteja obtendo recompensas verdadeiramente úteis como parte do trabalho que você está fazendo. Pratique auto-regulação e aceite retornos: Precisamos desencorajar atividades inapropriadas para garantir que os sistemas continuem funcionando bem. Utilize e valorize recursos e serviços renováveis: Faça o melhor uso da abundância da natureza para reduzir nosso comportamento consumista e nossa dependência de recursos não renováveis. Evite o desperdício: Valorizando e fazendo uso de todos os recursos que estão disponíveis para nós, nada será desperdiçado. Projete dos padrões aos detalhes: Dando um passo atrás, podemos observar padrões na natureza e na sociedade. Estes padrões podem formar a espinha dorsal de nossos projetos, com os detalhes sendo preenchidos conforme avançamos. Integrar ao invés de segregar: Colocando as coisas certas no local certo, fazemos com que as relações entre uma e outra se desenvolvam e elas passam a trabalhar juntas para ajudar uma à outra. Utilize soluções pequenas e lentas: Sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que sistemas grandes, fazendo uso mais adequado de recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis. Utilize e valorize a diversidade: A diversidade reduz a vulnerabilidade à uma variedade de ameaças e tira vantagem da natureza única do ambiente na qual reside.