Os Maias: Cenas da Vida Romântica (também conhecido apenas como Os Maias) é um filme luso-brasileiro de género drama romântico de 2014, escrito e realizado por João Botelho. Baseada na obra homónima de Eça de Queirós, a longa-metragem é protagonizada por Graciano Dias e Maria Flor, interpretando respetivamente Carlos da Maia, o último herdeiro da tradicional família Maia, e Maria Eduarda, o seu misterioso interesse romântico.
A produção, estreada nos cinemas portugueses a 11 de setembro de 2014 e no Festival do Rio (Brasil) a 28 de setembro do mesmo ano, resultou para além de um Corte teatral, um Corte de realizador com mais 50 minutos de duração e também numa Minissérie de mesmo nome exibida pela RTP1 a 28 de dezembro de 2015.
Sinopse Portugal, finais do século XIX. Após uma longa viagem pela Europa, o médico aristocrata Carlos da Maia regressa a Lisboa, para grande alegria do avô, por quem foi criado. Carlos, acompanhado pelo seu grande amigo João da Ega, leva uma vida ociosa e de pequenos prazeres, passando o tempo com amigos e amantes. Até que ele se apaixona por uma bela e misteriosa mulher, recém-chegada à capital, chamada Maria Eduarda. A paixão é correspondida e eles acabam por se envolver. Uns meses depois, Carlos descobre que Maria Eduarda é sua irmã, que ela fora levada pela mãe ainda criança quando esta fugiu do marido. Mesmo sabendo da verdade, ele mantém a relação. Tudo termina abruptamente quando o velho Afonso da Maia, seu avô, morre para expiar o seu terrível pecado. Carlos parte para o exterior. Dez anos mais tarde, Carlos da Maia e o velho amigo João da Ega voltam a encontrar-se em Lisboa.
Elenco e Personagens Principais Ator PapelGraciano Dias Carlos da MaiaMaria Flor Maria EduardaJoão Perry Afonso da MaiaPedro Inês João da EgaHugo Mestre Amaro Dâmaso SalcedeMaria João Pinho Condessa de GouvarinhoAdriano Luz Conde de GouvarinhoFilipe Vargas Manuel VilaçaDinarte Branco Marquês de Souselas
A história é narrada por Eça de Queirós, pela voz do barítono Jorge Vaz de Carvalho.
Elenco Adicional Ator PapelMarcello Urgeghe CraftPedro Lacerda Tomás de AlencarRita Blanco D. Maria da CunhaJosé Manuel Mendes Sr. GuimarãesAndré Gonçalves Castro GomesJosé Neto Caetano da Maia
Equipa técnica
Realizador: João Botelho Argumentista: João Botelho Fotografia: João Ribeiro Produtor: Alexandre Oliveira Assistentes de realização: Francisco Pinhão Botelho e João Canto Desenho de produção: Silvia Grabowski Maquilhagem: Sano de Perpessac Montagem: João Braz Música: Diogo Vida
Produção Os Maias foi produzido por Alexandre Oliveira, da Ar de Filmes, com o Brasil como país coprodutor. A produção custou um milhão e meio de euros, dos quais vieram do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), da Câmara Municipal de Lisboa, da Agência Nacional do Cinema (Ancine, o congénere brasileiro do ICA), e o restante do banco Montepio Geral, bem como da compra pela RTP dos direitos de exibição da minissérie.
João Braz é o responsável pela montagem das três versões desta produção: Os Maias: Cenas da Vida Romântica, Corte teatral: Versão original de 139 minutos. Os Maias: Cenas da Vida Romântica, Corte de realizador: Versão longa de 189 minutos. Os Maias, Minissérie: Quatro episódios de 50 minutos.
Rodagem A rodagem do filme decorreu entre 14 de outubro e 22 de dezembro de 2013 e teve lugar em Ponte de Lima, Celorico de Basto, Guimarães e Lisboa. A reconstituição dos exteriores da época do argument (o ano de 1875) fez-se em estúdio, a partir de cenários de telas de grandes dimensões da autoria do artista plástico João Queiroz, em particular para figurar a zona do Chiado, em Lisboa. Para os interiores, foram utilizados palacetes de Lisboa, Ponte de Lima e Cabeceiras de Basto.
Minissérie
O filme conta também com uma versão mais longa para a televisão, no formato de minissérie com quatro episódios, que foi exibida na RTP1 nos dias 28 e 29 de Dezembro de 2015, a partir das 22h45m.
Sinopse Geral Na página oficial da RTP pode ler-se a seguinte sinopse: «Os Maias, o filme que João Botelho realizou a partir da obra de Eça de Queiroz, chegam agora em versão alargada aos ecrãs da RTP1, uma minissérie de quatro episódios, com cenas inéditas e personagens mais desenvolvidas.»
Lista de Episódios Episódios Transmissão Original Dia da Semana Audiências Estreia de Temp. Final de Temp. 4 28 de dezembro de 2015 29 de dezembro de 2015 Segunda-feira a Terça-feira 1,6% (rating)4,3% (share)71 300 (espetadores)
Abaixo, estão listados os episódios de Os Maias, exibidos entre 28 e 29 de dezembro de 2015:
Título Argumento Realização Transmissão Original Rating Episódio n.º 1 João Botelho João Botelho 28 de dezembro de 2015 1,5% No início dos anos 20 do século XIX, o velho Caetano da Maia expulsa de sua casa o filho Afonso, partidário da Revolução Francesa que varre a Europa. Pouco tempo depois, Afonso arrepende-se e com o perdão e o dinheiro do seu pai, casa com a pequena fidalga trigueira Dona Maria Runa e vai viver para Inglaterra. Juntos têm um filho, Pedro da Maia, onde vinte anos depois também se vai revoltar contra o seu pai, pelo seu casamento não consentido com Maria Monforte. Pedro e Maria fogem do país e passados alguns anos regressam a Portugal com a sua filha Maria, mais tarde nasce Carlos. Mas mesmo assim, Afonso recusa a reconciliação. A tragédia espreita. Pedro e o seu filho mais novo, Carlos, voltam para casa do pai Afonso, pois a sua mulher fugiu com o príncipe italiano Tancredo e levou a outra filha, Maria. Toda esta situação leva Pedro a cometer o suicídio. Episódio n.º 2 João Botelho João Botelho 28 de dezembro de 2015 1,5% Entre Afonso da Maia e o seu neto Carlos, constrói-se o último laço forte da velha família Maia. A vida ociosa de Carlos, um médico aristocrata, invariavelmente acompanhado pelo seu amigo João da Ega, conduz a um comportamento sem muitas regras e muitas convicções. Até que se apaixona de verdade por uma mulher bela e cheia de mistérios. Episódio n.º 3 João Botelho João Botelho 29 de dezembro de 2015 1,6% Esta obra literária escrita pelo genial Eça de Queiroz, grande, melodramático, divertido e melancólico, aponta um destino sem remédio, tanto para a família Maia como para Portugal. Episódio n.º 4 João Botelho João Botelho 29 de dezembro de 2015 1,6% Mesmo sabendo que Maria Eduarda é a irmã, a paixão de Carlos não morre e vai ao limite. E depois termina abruptamente porque Afonso da Maia morre para expiar o pecado terrível do seu neto, neto que era a razão da sua existência. Carlos e Ega partem para uma longa viagem de ócio e de pequenos prazeres, mas dez anos depois, voltam a encontrar-se em Lisboa tão diferente e tão igual, a capital de um país a caminho da bancarrota.
Temas e estilo Tal como no romance homónimo de Eça de Queirós, também o filme perpassa a sugestão de uma certa universalidade portuguesa através da abordagem aos temas da hipocrisia social, do culto das aparências e da corrupção no interior da cena política. Críticos comentam como estes temas são tratados de modo a encontrar ressonâncias na sensibilidade do espetador de 2014. De facto, o próprio realizador recusou a ideia de, com Os Maias, estar a produzir um filme de época: "O Portugal dos Maias é igual ao Portugal de hoje". Filomena Antunes Sobral escreve que a transmutação cinematográfica proposta por João Botelho destaca a "atualidade" do romance. A fieldade do argumento de Botelho não se verifica apenas a nível temático, uma vez que segue com detalhe as palavras de Queirós, sendo constituído por transcrições literais do livro.
A adaptação cinematográfica tem sido comentada pelo seu caráter artificioso e operático-teatral. Em 2011, no Teatro de São Carlos, Botelho encenou a ópera Banksters, de Nuno Côrte-Real, com libreto de Vasco Graça Moura e a sua abordagem a Os Maias demonstra influência dessa experiência. Esta produção fílmica estilizada acolhe o artifício teatral, para criar o mundo dos personagens. O artificialismo não é somente assumido, mas realçado, com um propósito de emancipação artístico-autoral.
Distribuição Em Portugal, a produção, estreou comercialmente no Teatro Nacional São João a 11 de setembro de 2014. No mesmo dia, estreou o Corte de realizador numa iniciativa exclusiva do Cinema Ideal (Lisboa). No Brasil, a estreia comercial do filme acorreu a 12 de novembro de 2015, em sete cidades: Recife, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro. A versão Minissérie foi transmitida originalmente nos dias 28 e 29 de dezembro de 2015, pelas 22:45, na RTP1.
DVD O dia 25 de junho de 2015 marcaria o lançamento do DVD de Os Maias. A versão integral do filme em DVD foi também distribuída pela TVGuia a 15 de janeiro de 2016.
EspecificaçõesConteúdosData de Lançamento<small> 1 disco Vídeo: Widescreen 2.35:1 anamórfico 16:9 Áudio: Português Dolby Digital 5.1<small> 139 minutos<small> Zona 2: 25 de junho de 2015
Festivais Os Maias estreou no Brasil a propósito da edição de 2014 do Festival do Rio, a 28 de setembro e integrou a 37a Mostra Internacional de S. Paulo. No mesmo ano, foi selecionado para ser exibido a 23 de outubro no Festival Internacional de Cinema de Roma.
A longa-metragem foi exibida também a 10 de maio de 2016 no Bohemian National Hall (Nova Iorque), como parte do festival de cinema Panorama Europe, na edição de 2018 do Lisbon & Sintra Film Festival e a 12 de setembro de 2019, no International Film Festival Cinematik (Eslováquia).
Receção Audiências Os Maias, de João Botelho, foi o filme nacional mais visto de 2014, ultrapassando os 122 mil espectadores em sala.
A sua transmissão na RTP1 encontrou uma audiência modesta, porque passou fora do horário nobre e sem promoção. Resultado desta politica do canal público para o cinema português o episódio de estreia de Os Maias foram o trigésimo primeiro programa mais visto do dia, com 1,5% de rating e 4,2% share.
Crítica De maneira geral, a crítica a Os Maias: Cenas da Vida Romântica foi positiva, elogiada em particular por ser fiel à obra literária original. Acerca deste aspeto, Irene Fialho (Expresso) escreve que "o rigor sequencial manifesta-se pela primeira vez na analepse, característica dos escritos do século XIX e essencial nos romances de Eça de Queirós, filmada a preto e branco para indicar um passado remoto, contrastando com as cenas do presente da história narrada, em cores vivas e brilhantes".
A crítica especializada apontou algumas reservas quanto às interpretações dos protagonistas. Jorge Mourinha (Público) escreveu que a Graciano Dias e Maria Flor "falta na maior parte do tempo a febre apaixonada que propulsiona a sua história". Acrescenta que as suas performances empalidecem perante "Hugo Mestre Amaro como Dâmaso Salcede, perante a discrição de João Perry como Afonso ou a presença física de Maria João Pinho na Gouvarinho". Muitos outros, tal como Leonardo Ralha (Correio da Manhã) destacaram a interpretação de Pedro Inês: "num filme com tantas interpretações magníficas é um milagre como Pedro Inês sobressai como João da Ega".
Comparando o Corte teatral e o Corte de realizador, a segunda versão foi apontada como superior. João Lameira (À Pala de Walsh) comenta que na versão reduzida "Botelho parece mais apressado, até por pretender abarcar toda a pré-história da narrativa principal (apresentada a preto-e-branco), e a dinâmica de grupo (grupo de personagens, grupo de actores)". Rui Alves de Sousa (Espalha Factos) defende que o Corte de realizador "desenvolve, com um maior interesse e inspiração, o rumo das personagens, os seus sentimentos e as suas posições na sociedade do seu tempo".
Premiações
|2014 | Prémios Aquila |Cinema: Melhor atriz secundária |Rita Blanco
|rowspan="28" |2015 |rowspan="2" |Prémio Autores |Melhor ator |Pedro Inês | |rowspan="2" | |- |Melhor atriz |Maria João Pinho
|rowspan="7" | Prémios Cinema Bloggers |Melhor filme português |Os Maias: Cenas da Vida Romântica, Alexandre Oliveira | |rowspan="7" | |-