Marc Dutroux (Ixelles, Bélgica, 6 de novembro de 1956) é um ladrão, traficante, pedófilo, estuprador e assassino em série da Bélgica. Parte dos crimes cometidos por ele tiveram a ajuda de sua então esposa, Michelle Martin, e de um amigo, Michel Lelièvre. Muitos belgas acreditam que Dutroux fazia parte de uma rede de pedófilos, a qual incluía membros do alto escalão do governo belga, governos internacionais e que as várias pessoas, supostamente envolvidas, nunca foram processadas.

Ele cumpre pena de prisão perpétua desde 2004 por rapto, sequestro e violação e por crimes cometidos entre junho de 1995 e agosto de 1996. Sua condenação se dá pelos atos cometidos contra seis meninas adolescentes, entre os 8 e os 19 anos, e pelo homicídio de quatro delas, apesar do número total de suas vítimas ser desconhecido.

O Caso Dutroux, como ficou conhecido, repercutiu em toda imprensa belga e também na imprensa internacional. Na Bélgica, as pessoas ficaram tão chocadas que mais de 30% dos belgas com o mesmo sobrenome do criminoso pediram para trocá-lo. O jornal português Correio da Manhã escreveu em 2013 que "o caso Dutroux é considerado o episódio mais sombrio da justiça belga", enquanto seu concorrente, o Público, o chamou de "o inimigo público número um da Bélgica. Já a BBC, também em 2013, escreveu que ele era o "pedófilo mais conhecido do país".

Biografia Segundo a Enciclopédia Britânica, Dutroux tinha um longo histórico de delinquência juvenil. Após ficar desempregado como eletricista, ele passou a roubar carros e a ganhar dinheiro com cafetões, o qual usava para comprar várias propriedades. "Era um criminoso mesquinho e a gravidade de seus crimes aumentava à medida que envelhecia", escreveu a Britânica.

Era casado, em segundas núpcias, com Michelle Martin, com quem teve três filhos.

Tem também dois filhos de um casamento anterior. Ele é algumas vezes chamado pela imprensa de o Monstro de Marcinelle.

Os crimes miniaturadaimagem|Em azul, a casa de Dutroux na Avenue Philippeville, 128, em Marcinelle Marc e Michelle raptaram as primeiras vítimas nos anos 80, tendo sido presos em 1986, por sequestro e estupro. Após conseguirem liberdade condicional, voltaram a cometer os mesmos crimes entre 1992 e 1996, tendo também a ajuda de dois conhecidos, Michel Lelièvre e Bernard Weinstein, ambos traficantes e usuários de drogas.

Em 1995 a mãe de Dutroux falou para a polícia que ele mantinha meninas cativas numa de suas casas, no entanto os policiais ignoraram a pista, o que posteriormente causou críticas devido a ineficiência da polícia belga. Meses depois da denúncia, em agosto de 1996, após o sumiço de Laetitia Delhez, o criminoso acabou identificado por ter sido visto perto da casa da jovem. Ao menos uma pessoa forneceu, inclusive, parte dos números da placa do carro de Dutroux.

Os policiais então revistaram suas propriedades e numa delas encontraram a adolescente presa numa cela com Sabina Dardenne. Dias depois, os corpos de duas outras meninas, Mellissa e Julie, ambas de 8 anos, foram encontrados enterrados em outra casa, em Marcinelle, uma localidade da cidade de Charleroi. Elas haviam desaparecido em junho de 1995.

Os corpos de An Marchal, de 17 anos, e Efeje Lambrecks, de 19, foram encontrados nas semanas seguintes, enterrados no quintal da casa de Weinstein, na localidade de Jumet, em Charleroi. Elas haviam desaparecido em agosto de 1995.

Após serem presos, Michelle admitiu que havia trancado Melissa e Julie num porão e as deixado morrer de fome, enquanto Dutroux cumpria pena por roubo de carros em 1995. Já Dutroux disse que o responsável pela morte das meninas era Weinstein, que não só havia sequestrado ambas, como ficou responsável de cuidá-las enquanto ele estivesse preso. Dutroux confessou que depois de ser solto drogou Weinstein e o enterrou vivo, junto com os corpos das meninas, tendo depois concretado a cova. Sua esposa, no entanto, negou a versão, dizendo que Dutroux matou Weinstein quando este descobriu que Marc havia lhe roubado cerca de 13.500 dólares.

Modus operandi Após serem sequestradas, as vítimas eram constantemente estupradas e ficavam presas. Segundo O Observador, "Dardenne contou em julgamento que o raptor usava outro nome e, embora as submeter a abusos sexuais, insistia que estava a protegê-las de pessoas 'malvadas' e que raptou Laetetia para lhe 'fazer companhia." Laetitia disse durante o depoimento que o acusado ria de sua dor enquanto a estuprava. Apesar de relatos que as jovens haviam sido vítimas de uma rede de pedofilia, mas Laetitia e Sabina, em seus depoimentos, falaram que haviam tido contato apenas com Dutroux.

Perfil das vítimas Todas as vítimas eram do sexo feminino e tinham entre 8 e 19 anos de idade.

Vítimas esquerda|miniaturadaimagem|220x220px|Placa em homenagem às vítimas em frente à casa de Dutroux em MarcinelleJulie Lejeune, 8 anos, sequestrada em 1995 e encontrada morta em 1996.Melissa Russo, 8 anos, sequestrada em 1995 e encontrada morta em 1996.An Marchal, 17 anos, sequestrada em 1995 e encontrada morta em 1996.Efeje Lambrecks, 19 anos, sequestrada em 1995 e encontrada morta em 1996.Sabina Dardenne, 12 anos, encontrada presa numa cela em 1996. Havia sido sequestrada enquanto ia de bicicleta para o colégio e ficou 80 dias presa.Laetitia Delhez, 14 anos, encontrada presa numa cela em 1996. Ficou presa por 6 dias até ser resgatada. Foi a última vítima de Dutroux.

Tráfico internacional Dutroux alegou que ele era um "cachorro pequeno em uma rede de pedófilos poderosa". Ele afirmou ainda que Michel Nihoul foi o organizador de seus sequestros. Ele disse que torturou e abusou de todas as meninas, mas negou ter matado qualquer uma delas. Dutroux negou ainda o sequestro, estupro e assassinato de Julie Lejeune e Mélissa Russo, mas ele admitiu tê-las encarcerado em uma de suas casas. No caso de Lejeune e Russo, Dutroux também afirmou que "as protegeu de um circulo de trafico sexual infantil". Ele também admitiu ter sequestrado e estuprado Laetitia Delhez, mas não os entregou a Nihoul "para poupá-los do destino das garotas como An e Eefje".

Investigações: o arquivo X O arquivo X são os relatos de vítimas. Eles foram criados depois que o juiz Jean-Marc Connerotte fez um apelo público para que as vítimas se apresentassem. No total, pelo menos dez vítimas entraram em contato com a polícia. Todas as testemunhas receberam o codinome "número X". Foi revelado que o nome de uma das testemunhas, X1, era Régina Louf. O nome completo de Louf vazou para a imprensa em uma campanha para fazê-la ser vista como uma fantasista e mentirosa.

Regina Louf afirmou que outros menores estiveram presentes nas festas de sexo e que essas eram filmadas secretamente para fins de chantagem. Ela disse: "Foi altamente organizado. Grande negócio. Chantagem. Havia muito dinheiro envolvido". Durante seu depoimento, ela descreveu alguns clientes regulares, incluindo juízes, um político proeminente e um banqueiro.Ela deu à polícia nomes, endereços e descrição detalhada de dois assassinatos, que correspondiam a casos não resolvidos dos dois assassinatos de adolescentes. Louf disse que as festas não incluíam apenas sexo, mas também sadismo, tortura e assassinato. Ela afirmou que um dos organizadores das festas era um homem que ela conhecia como Mich (Jean Michel Nihoul). Louf o descreveu como um homem cruel, que sadicamente torturava meninas. Louf disse que Dutroux era na época um jovem que trazia drogas para as festas para as meninas se anestesiarem e cuidava delas de outras maneiras. Como recompensa, ele também tinha permissão para usá-los para seu prazer. Os crimes que Louf descreveu aconteceram cerca de dez anos antes da prisão de Dutroux.

Uma das outras testemunhas X, cujo nome verdadeiro não foi revelado, mas que depois trabalhou para a polícia, disse que testemunhou e experimentou abusos semelhantes. As testemunhas também relataram casos em que crianças eram perseguidas pela floresta por Dobermans.

A testemunha X3 testemunhou que uma das pessoas presentes nas reuniões que envolveram orgias sexuais com menores, tortura e assassinato foi Willy Claes, secretário-geral da OTAN. Claes renunciou depois de ser considerado culpado de corrupção em um processo de licitação para compra de helicópteros Agusta de um produtor italiano de helicópteros militares. O depoimento de X2 implicou Etienne Davignon, Maurice Lippens, Paul Vanden Boeynants, Benoît de Bonvoisin e o Príncipe Alexandre de Saxe-Coburg-Gotha como tendo estado presentes em orgias envolvendo menores de idade.

Críticas ao trabalho da polícia Segundo a BBC, houve "falhas na investigação policial". A polícia também foi acusada de acobertar o criminoso, pois autoridades teriam se beneficiado de um esquema de prostituição chefiado por Marc Dutroux. De acordo com a BBC em 2013: "A polícia chegou a fazer duas visitas à casa onde Dutroux escondia suas reféns, mas não conseguiu encontrá-las.(...) Foi apenas em uma terceira inspeção que os policiais descobriram as duas últimas reféns, de 12 e 14 anos, ainda vivas, no porão de sua residência. Apesar de Dutroux ter sido detido em 1995, o caso só foi apreciado pelos tribunais em 2004. O criminoso conseguiu, inclusive, fugir durante uma audiência em 1998. Na época, sua fuga resultou na renúncia do então chefe de polícia, ministro da Justiça e ministro do Interior da Bélgica".

Remoção do juiz Jean-Marc Connerotte Antes de sua destituição, o juiz Jean-Marc Connerotte estava prestes a revelar publicamente os nomes de altos funcionários do governo que haviam sido reconhecidos em fitas de vídeo. Connerotte havia dito que o empresário Michel Nihoul era o cérebro por trás da operação de sequestro de crianças. Os investigadores também acreditaram que Dutroux e Nihoul estavam planejando criar uma rede de tráfico de prostituição de longa distância envolvendo carros e a importação de meninas da Eslováquia. A polícia anunciou em 1996 que Dutroux fazia parte de uma rede de prostituição infantil, que também pode ter sido responsável por vários outros desaparecimentos ainda não resolvidos. Suas atividades criminosas também envolviam roubo de carros.

A procuradora-geral Anne Thilly decidiu que o furto e o contrabando do carro fossem investigados por diferentes autoridades policiais em diferentes partes do país. Desta forma, era quase impossível investigar a ligação entre o roubo de carro, sequestro e tráfico de pessoas. De acordo com a blogueira Elizabeth Vos, escrevendo no Consortium News, Dutroux também disse que Nihoul havia proposto traficar meninas de países orientais.

Michel Lelièvre, cúmplice de Marc Dutroux, disse que as duas meninas, Lejeune e Russo, foram sequestradas por ordem de um terceiro. No entanto, enquanto estava preso, Lelièvre parou de cooperar com as autoridades. Ele disse à polícia que havia sido ameaçado e não podia se arriscar a dizer mais nada.

O pai da vitima Mélissa Russo, Gino Russo, disse durante a Marcha Branca que a destituição do juiz Connerotte foi como "cuspir no túmulo de Julie e Melissa". Russo posteriormente afirmou que depois que Connerotte foi removido, não houve progresso na investigação.

Riqueza e ativos de Dutroux miniaturadaimagem|Uma casa de Dutroux, atualmente desabitada, em Marchienne-au-Pont