A história econômica do Japão é muito estudada pelo grande crescimento social e econômico após a Restauração Meiji, quando o Japão se tornou a primeira potência não europeia, e pela expansão após a Segunda Guerra Mundial, quando o Japão se recuperou de uma devastação para se tornar a terceira maior economia do mundo, atrás de Estados Unidos e China. Os especialistas têm estudado sobre a posição econômica única do país durante a Guerra Fria, com exportações indo tanto para os Estados Unidos como para a União Soviética, e têm um grande interesse na situação do período pós-Guerra Fria das 'décadas perdidas' japonesas.

Primeiros contatos com a Europa (século XVI)

Os europeus da época do Renascimento tiveram bastante admiração pelo Japão quando eles chegaram ao país no século XVI. O Japão foi considerado um país rico em metais preciosos, principalmente devido aos relatos de Marco Polo de templos e palácios dourados, mas também devido à abundância relativa de minérios característicos de um país vulcânico, antes de a mineração profunda de larga escala se tornar possível na era industrial. O Japão também veio a se tornar um grande exportador de cobre e prata durante o período.

O Japão também era percebido como uma sociedade feudal sofisticada com uma alta cultura e tecnologia pré-industrial avançada. Ele era densamente povoado e urbanizado. Observadores importantes europeus da época pareciam concordar que "os japoneses se destacavam não apenas em relação aos outros povos orientais, mas eles ultrapassavam também os europeus".Alessandro Valignano, 1584, "Historia del Principo y Progresso de la Compania de Jesus en las Indias Orientales.

Os primeiros visitantes europeus se impressionaram com a qualidade do artesanato e ferraria japoneses. Isso decorre do fato de que o próprio Japão é pobre em recursos naturais encontrados na Europa, especialmente o ferro. Assim, os japoneses eram frugais com seus recursos não-renováveis; o pouco que tinham eles usavam com habilidade.

Comércio com a Europa A carga dos primeiros navios portugueses (geralmente cerca de quatro navios menores todo ano) que chegaram no Japão consistia quase inteiramente de bens chineses (seda,porcelana). Os japoneses tinham muita vontade de adquirir estes bens, mas foram proibidos de ter qualquer contato com o Imperador da China, como uma punição pelos ataques piratas Wakō. Os portugueses (que eram chamados de Nanban, literalmente bárbaros do sul), então, descobriram a oportunidade agir como intermediários no comércio asiático.

Da época da aquisição de Macau em 1557 e seu reconhecimento formal como parceiros comerciais pelos chineses, a Coroa portuguesa começou a regular o comércio com o Japão vendendo para o maior lance a "capitania" anual para o Japão, de fato conferindo direitos de comércio exclusivos para uma única nau realizar a atividade todo o ano. As naus eram navios muito grandes, geralmente pesando entre 1 000 e 1 500 toneladas, cerca do dobro ou triplo do tamanho de um galeão ou junco grande.

Esse comércio continuou com algumas interrupções até 1638, quando foi proibido pelo fato de os navios estarem contrabandeando padres para dentro do Japão.

O comércio português encarou cada vez mais a concorrência de contrabandistas chineses em navios de selo vermelho japoneses por volta de 1592 (cerca de dez navios por ano), navios espanhóis de Manila por volta de 1600 (cerca de um navio por ano), os holandeses a partir de 1609 e os ingleses a partir de 1613 (cerca de um navio por ano).

Os holandeses, que ao invés de "Nanban" eram chamados de "Kōmō" (紅毛, literalmente "cabelo vermelho") pelos japoneses, chegaram pela primeira vez no Japão em 1600, a bordo do Liefde. Seu piloto era William Adams, o primeiro inglês a alcançar o Japão. Em 1605, dois dos tripulantes do Liefde foram enviados para Pattani por Tokugawa Ieyasu, a fim de convidar os holandeses a fazerem comércio com o Japão. O líder do posto comercial holandês de Pattani, Victor Sprinckel, recusou-se pelo fato de ele estar muito ocupado lidando com a oposição portuguesa no sudeste asiático. No entanto, em 1609 o holandês Jacques Specx chegou com dois navios em Hirado e através de Adams obteve privilégios comerciais de Ieyasu.

Os holandeses também se dedicaram à pirataria e ao combate naval para enfraquecer os navios portugueses e espanhóis no Pacífico, tornando-se os únicos ocidentais a terem acesso ao Japão a partir do pequeno enclave de Dejima após 1638 e pelos próximos dois séculos.

Período Edo

O início do período Edo coincide com as últimas décadas do período Nanban, quando uma intensa interação com as potências europeias, nos planos econômico e religiosos, ocorreu. Foi no início do período Edo que o Japão construiu seu primeiro navio de guerra ao estilo ocidental, tal como o San Juan Bautista, um navio do tipo galeão de 500 toneladas que transportou uma embaixada japonesa liderada por Hasekura Tsunenaga para as Américas, que depois continuou para a Europa. Durante o período, o bakufu também comissionou por volta de 350 shuinsen, navios comerciais armados de três mastros, para o comércio intra-asiático. Os aventureiros japoneses, como Yamada Nagamasa eram ativos por toda a Ásia.

A fim de erradicar a influência da cristianização, o Japão entrou em um período de isolamento chamado de sakoku, durante o qual sua economia gozou de estabilidade e um progresso moderado.

O desenvolvimento econômico durante o período Edo incluiu a urbanização, aumento do transporte de mercadorias, uma grande expansão do comércio doméstico e, inicialmente, estrangeiro, e uma difusão do comércio e indústrias e artesanato. O comércio de construção floresceu, junto com serviços bancários e associações comerciais. Cada vez mais as autoridades han supervisionaram a produção agrícola crescente e a expansão do artesanato rural.

Em meados do século XVIII, Edo tinha uma população de mais de 1 milhão e Osaka e Quioto cada uma tinha mais de 400 mil habitantes. Muitas outras cidades-castelos cresceram. Osaka e Quioto tornaram-se centros de intenso comércio e produção de artesanato, enquanto Edo era o centro da oferta de alimentos e bens de consumo urbanos essenciais.

O arroz era a base da economia, com o daimyo coletando as taxas dos camponeses na forma de arroz. As taxas eram altas, cerca de 40% da colheita. O arroz era vendido no mercado fudasashi em Edo. Para conseguir dinheiro, o daimyo usava contratos a termo para vender arroz que ainda não tinha sido colhido. Esses contratos eram semelhantes ao contrato futuro moderno.

Durante o período, o Japão progressivamente estudou as ciências e técnicas do Ocidente (chamadas de rangaku, literalmente "estudos holandeses") através das informações e livros recebidos dos comerciantes holandeses em Dejima. As principais áreas que foram estudadas incluíam geografia, medicina, ciências naturais, astronomia, arte, línguas, ciências físicas tais como o estudo do fenômeno elétrico e ciências mecânicas como exemplificado pelo desenvolvimento dos relógios japoneses, ou wadokei, inspirados em técnicas ocidentais.

Período Meiji Após 1854, quando o xogunato Tokugawa abriu pela primeira vez o país para o comércio com o Ocidente (Bakumasu), o Japão passou por dois períodos de desenvolvimento econômico. Quando o xogunato Tokugawa foi derrubado e o governo Meiji foi fundado, a ocidentalização japonesa começou a ser completa. O primeiro período foi durante o período pré-guerra do Japão e o segundo foi no Japão pós-guerra.George Allen, Short Economic History of Modern Japan (1972)

A revolução industrial apareceu pela primeira vez nos têxteis, incluindo algodão e especialmente a seda, que era baseada em artesanatos caseiros em áreas rurais. Na década de 1890, as têxteis japonesas dominaram os mercados internos competiram com sucesso com os produtos britânicos na China e na Índia. Os transportadores japoneses competiram com comerciantes europeus para carregar esses bens pela Ásia e até mesmo para a Europa. Como no Ocidente, as fábricas têxteis empregavam principalmente mulheres, metade delas abaixo dos vinte anos. Elas eram enviadas pelos seus pais e repassavam seus salários para eles.E. Patricia Tsurumi, Factory Girls: Women in the Thread Mills of Meiji Japan (1992) p 83 O Japão ignorou em grande parte a geração de energia pela água e foram direto para as usinas alimentadas a vapor, que eram mais produtivas e criaram uma demanda por carvão.

Uma das maiores influências na economia do período Meiji trouxe um fim para o sistema feudal. Com uma estrutura social relativamente flexível, o povo japonês foi capaz de avançar através dos níveis sociais mais facilmente que as gerações anteriores. Eles foram capazes de fazer isto ao inventar e vender seus próprios produtos. Mais importante, no entanto, era o fato de que o povo japonês agora tinha a habilidade de se tornar mais letrada. Com uma população mais letrada, o setor industrial japonês cresceu significativamente. Implementando o ideal ocidental de capitalismo no desenvolvimento da tecnologia e aplicando-a às suas forças militares, isto ajudou o Japão a se tornar uma potência militar e econômica no início do século XX.

No período Meiji, os líderes inauguraram um novo sistema educacional baseado no Ocidente para todos os jovens, enviando milhares de estudantes para os Estados Unidos e Europa, e contratando mais de 3 mil ocidentais para ensinar ciência moderna, matemática, tecnologia e línguas estrangeiras no Japão (Oyatoi gaikokujin). O governo também construiu ferrovias, melhorou rodovias e inaugurou um programa de reformar agrária para preparar o país para um maior desenvolvimento.

Para promover a industrialização, o governo decidiu que, embora ele devesse ajudar os negócios privados a alocar os recursos e planejar, o setor público estava melhor equipado para estimular o crescimento econômico. O maior papel do governo era de ajudar a fornecer boas condições econômicas para os negócios. Em resumo, o governo tinha de ser o guia e os negócios o produtor. No início do período Meiji, o governo construiu fábricas e estaleiros que foram vendidos para empreendedores por uma fração de seu valor. Muitos desses negócios cresceram rapidamente e se transformaram em conglomerados. O governo emergiu como o principal promotor da iniciativa privada, aprovando uma série de políticas pró-negócios.

O desenvolvimento do sistema bancário e a confiança no financiamento bancário foram o centro do desenvolvimento econômico japonês desde pelo período Meiji.Richard A. Werner (2003), Princes of the Yen, Armonk: M. E. Sharpe

Século XX Nos meados de 1930, os salários nominas japoneses eram 10 vezes menores que os dos Estados Unidos (baseados em taxa de câmbio da época), enquanto o nível de preços era de cerca de 44% do nível dos Estados Unidos.

Comparação do PIB per capital entre os países do Leste Asiático e dos Estados Unidos em 1935: País PIB per capita $ 1935 (Liu-Ta-Chung) PIB-PPC/capita, $1990 (Fukao) PIB-PPC/capita, $1990 (Maddison) E.U.A. 540 5,590 5,590 Japão (excluindo Taiwan e Coreia) 64 1,745 2,154 Taiwan 42 1,266 1,212 Coreia 24 662 1,225 China 18 543 562

Militarismo Antes da Segunda Guerra Mundial, o Japão construiu um império extenso que incluía Taiwan, Coreia, Manchúria, e partes do norte da China. Os japoneses consideraram esta esfera de influência como uma necessidade política e econômica, evitando que os estados estrangeiros pudessem estrangular o Japão ao bloquear seu acesso a matérias-primas e rotas marítimas cruciais, visto que o Japão possuía muitos poucos recursos naturais e minerais, embora ele importasse grandes montantes de carvão da Coreia, Manchukuo e algumas regiões ocupadas da China. A grande força militar do Japão era considerada como essencial para a defesa do império.