Thomas Mathiesen (Oslo, 5 de outubro de 1933 – 29 de maio 2021Professor Thomas Mathiesen er død ), de origem norueguesa, é um dos maiores sociólogos da atualidade. Estudou sociologia na Universidade de Wisconsin (1955) e se graduou em artes na Universidade de Oslo (1958), onde também fez seu doutorado em 1965 e na qual é professor de Sociologia desde 1972.
Mathiesen é, juntamente com Nils Christie e Louk Hulsman, um dos maiores representantes do movimento abolicionista carcerário. Escreve em Norueguês e Inglês, tendo muitas de suas obras traduzidas para outros idiomas, como Sueco, Alemão, Italiano e Espanhol.
Mathiesen foi um dos inspiradores do movimento britânico de prisioneiros, PROP. Participou também, por 20 anos, do Instituto de Pesquisa Sociais de Oslo, além da KROM, a associação norueguesa para reforma penal, da qual foi presidente de 1968 a 1973.
Tem se dedicado à criminologia radical, tratando sobre a prisão, política criminal, mídia e sistemas de vigilância surgidos com a modernização. Mathiesen defende em suas obras a abolição da prisão por ser completamente ineficaz para a consecução dos fins a que supostamente se propõe. Em sua obra Prison on Trial, demonstra a falência dos principais fundamentos justificadores da prisão. O sociólogo aponta que não se produz os efeitos desejados de prevenção individual e tampouco de prevenção geral, bem como não se atinge a justiça por meio da prisão.
Mathiesen demonstra que não apenas a manutenção, como também a expansão do cárcere, se baseiam em uma ideologia dentro da lógica do capitalismo, por se tratar de uma crença arraigada na sociedade e sustentada por diversos atores, com especial destaque para os meios de comunicação em massa. Por conseguinte, o sociólogo defende a abolição da prisão por meio do combate a essa ideologia, propondo métodos alternativos — e efetivos — de controle à criminalidade na sociedade atual.
Biografia A seguinte biografia foi inspirada em um artigo acadêmico.JEWKES, Yvonne - "Fifty Key Thinkers in Criminology", editores Keith Harvard, Shadd Maruna, Jayne Mooray, p.208-214.
Juventude Thomas Mathiesen nasceu em 5 de outubro de 1933, em uma família de classe média. Cresceu nos subúrbios de Oslo, Noruega. Sua mãe e seu pai eram primos, assim sendo, o casamento deles, mesmo que não fosse ilegal, tornou-se objeto de desaprovação pelo resto da família. O relacionamento entre os pais de Mathiesen era estável e sobreviveu até mesmo a uma separação de 3 anos, enquanto a mãe estudava nos Estados Unidos e o pai permanecia na Noruega.
Sua infância foi feliz e relativamente confortável. Mesmo durante a Ocupação Alemã da Noruega, ao longo da Segunda Guerra Mundial, quando commodities básicas eram escassas e havia uma preocupação generalizada com fome, a família não foi afetada gravemente. A maioria dos noruegueses transformou suas terras, a fim de criar plantações e animais. Mathiesen, que tinha 7 anos à época da invasão alemã, lembra-se desse tempo como aquele em que sua família plantou batata, tabaco e criou galinhas e coelhos. Como muitos de seus compatriotas, seu pai tomou parte de esforços de resistência passivos, distribuindo jornais ilegais - apesar disso, em geral, Mathiesen não experimentou riscos significantes de perigo ao longo da ocupação militar.
O fato de sua mãe ser norte-americana foi decisivo em sua vida. Em parte devido a ela, ele desenvolveu uma afeição pelos Estados Unidos, que aumentou durante a segunda ocupação militar da Noruega, pelo exército americano, em meio à Segunda Guerra. Vindos pela Itália, milhares de americanos haviam sido massacrados pela feroz resistência Alemã. Um pequeno grupo de soldados americanos tornou-se amigo da família do jovem Mathiesen, conquistando seu apreço e admiração. Posteriormente, sua decisão de estudar na Universidade de Wisconsin – estado em que sua “família americana” vivia – foi reflexo desse contexto de sua vida enquanto jovem. Ao invés de estudar música, como inicialmente pretendia, optou pelo curso de Sociologia, o que, segundo suas palavras, não teria acontecido caso ele tivesse continuado seus estudos em Filosofia na Universidade de Oslo, na qual entrara durante o outono de 1952. A seguir, uma série de encontros decidiu seu destino: encontrou companheiros estudando Sociologia que o impressionaram; conheceu uma Sociologia e uma Antropologia vibrantes, que acabavam de haver recebido a contribuição de Hans H. Gerth e C. Wright Mills; inscreveu-se em um curso na “Sociedade Americana”. Tendo tomado a decisão de tornar-se sociólogo, estudou com a tutela do professor Howard Paul Becker. A visão de Becker era qualitativa, interpretativa e fenomenológica, ele mesmo tinha tido como mentor Robert E. Park, e alavancou na escola de Chicago e também na Sociologia Clássica Europeia. A influência de Becker era tão grande que outros renomados sociólogos da época, entre eles Talcott Parsons, mal foram registrados no desenvolvimento intelectual de Mathiesen e de seus colegas, sendo lembrados, apenas, como pessoas que tornavam o estudo da Sociologia monótono e que, por isso,deveriam ser evitados.
Estudos acadêmicos
O macarthismo moldou seu aprendizado intelectual e político. Wisconsin era o estado do senador Joseph McCarthy na época em que Mathiesen lá vivia. Em decorrência disso, meio século depois, ele elaborou a obra “Silently Silenced”, que descreve o período em que, em sua universidade, as “sombras de McCarthy estavam em todo o campus, silenciando as pessoas”. Contudo, mesmo com o clima político fervoroso, um espírito liberal e crítico prevaleceu na Universidade de Wisconsin e Mathiesen amadureceu. De acordo com o próprio Mathiesen, os protestos contra o macarthismo constituíram sua iniciação na vida política.
De volta à Noruega, em 1955, Mathiesen registrou-se no Departamento de Sociologia da Universidade de Oslo, onde foi encorajado a desenvolver pesquisas empíricas em pequenos grupos dinâmicos, estudos estes que foram como uma bem-vinda distração ao conservador funcionalismo estrutural que dominou a Sociologia nos anos 50. Nesse contexto, Talcott Parsons era uma leitura imprescindível; sua influência nas Ciências Sociais era, como Mathiesen refletiu depois, “parte de uma cultura americana de conquista da Europa pós-guerra”, e representou a principal razão pela qual este tempo foi um dos períodos mais infelizes de sua vida (um ano depois, Mathiesen visitou Salzberg, na Áustria, para um seminário de um mês e ouviu Talcott Parsons, que lhe pareceu mais interessante ao vivo do que seus livros tinham mostrado). Sua oposição a essa Sociologia hegemônica foi calada, no entanto. Mathiesen reflete: “Eu fiquei em silêncio. Eu era muito fraco e provavelmente muito conformado, sem ter a coragem de protestar”.
Nesse período, entretanto, nos anos de 1955 e 1956, um grupo de pesquisa empírica liderado por Ted Mills chamou a atenção de Mathiesen. Esse foi o único período em que Mathiesen, como estudante da Universidade de Oslo, pode utilizar o conteúdo que ele havia aprendido em Wisconsin.
Depois de estudar por 7 anos, a convite de Vilhelm Aubert, professor associado de Sociologia Jurídica da Universidade de Oslo, sua carreira profissional começa em 1o. de Janeiro de 1959, no Instituto de Pesquisa Social em Oslo, um centro de pesquisa independente, onde ele permaneceu, em diversas capacidades, por 20 anos. Financiado pelo Conselho Norueguês de Pesquisa para Ciências Humanas, Mathiesen se encontrou em um ambiente acadêmico bem diferente daquele da Universidade de Sociologia. Agora ele fazia parte de um time criativo, comunicativo, crítico, interdisciplinar e politicamente ativo, que imbuiu em seu trabalho um senso de otimismo e vitalidade. Esse, de acordo com o próprio Mathiesen, foi o período mais feliz de sua vida, principalmente devido ao caráter interdisciplinar do projeto, que acabou proporcionando a ele, novamente, uma visão otimista sobre a Sociologia. Foi nessa mesma época em que, em meio à Guerra do Vietnam e aos crescentes protestos pelos Direitos Civis e Políticos nos Estados Unidos, seu amor pelos Estados Unidos definitivamente desmoronou.
No Instituto de Pesquisas Sociais Mathiesen entrou em contato pela primeira vez com as prisões. Ele recebeu fundos para passar dois anos observando e participando de uma prisão em Oslo - seu seu primeiro e maior projeto empírico. Intitulado “The defences of the weak”, ele afirma que essa obra foi orientada às pesquisas de prisões americanas, uma vez que, durante esse período, ele ainda era alinhado aos Estados Unidos. Essa obra ainda se separa, porém, dos trabalhos de seus contemporâneos americanos, particularmente de “Society of Captives” de Gresham Sykes. Apesar de ambos compartilharem a visão de que o aprisionamento é uma experiência dolorosa, Mathiesen contradiz Sykes em sua constatação sobre como os prisioneiros se adaptam à vida dentro da prisão. Sykes argumentou que as pressões do confinamento eram substancialmente mitigadas pela interação social solidária e pela participação de papéis estilizados subculturais; descoberta que trouxe o surgimento de dezenas de estudos que apresentam ainda mais complexas tipologias de adaptação de prisioneiros. Mathiesen, contudo, encontrou poucas provas desse grau de solidariedade que Sykes descreve. Alguns dos temas de que tratou trazem similaridade aos de Sykes – lealdade, equidade, privacidade e masculinidade – mas, por fim, Mathiesen pondera que, no ambiente individualista da prisão, os prisioneiros são essencialmente indivíduos fracos e solitários, sujeitos à dependência dos seus carcereiros.
Em 1972, Mathiesen tornou-se professor de Sociologia Jurídica na Universidade de Oslo. Ele continuou seus estudos sobre a prisão e sobre políticas criminais, além de tentar desenvolver sistemas de vigilância com o advento da tecnologia.
Participação na reforma penal norueguesa