miniaturadaimagem|Símbolo do (trans)feminismo marxista Feminismo marxista é uma corrente do feminismo, que identifica as maneiras pelas quais as mulheres são oprimidas por meio do sistema capitalista. De acordo com as feministas marxistas, as desigualdades vivenciadas pelas mulheres seriam produtos das lógicas de opressão e exploração capitalistas e o Estado seria um dos meios centrais para sua concretização. A ideologia burguesa que estruturaria as relações sociais no interior das famílias, ancorada no patriarcado e incentivada pelo Estado, seria uma forma de reprodução da opressão das mulheres, principalmente pelo trabalho doméstico não remunerado que elas exercem. A libertação das mulheres só poderia ser alcançada através de uma reestruturação radical da economia capitalista, desde a tomada de consciência e luta organizada de trabalhadoras e trabalhadores.Ferguson, A. & Hennessy, R. (2010). Feminist Perspectives on Class and Work. Stanford Encyclopedia of Philosophy.
As contribuições de Marx e Engels Diferente de alguns e algumas dos/as socialistas utópicos/as, que descreverem as desigualdades vivenciadas pelas mulheres , Marx e Engels foram além, ao pensar a opressão das mulheres como produto das formações sociais (e, portanto, não entendida como natural e ahistórica). Ainda que não tenham produzido uma teoria ou uma análise sistemática da subordinação das mulheres, contribuíram para desnaturalizar as desigualdades, politizar os papeis sociais, compreendendo assim, que as hierarquias sociais são fruto de condições materiais e, portanto, homens e mulheres são diferenciados/as segundo seu posicionamento de classe e, portanto, a partir das condições de reproduzir a vidaHOLMSTROM, Nancy. Como Karl Marx pode contribuir para a compreensão do gênero? In: CHABAUD-RYCHTER et al. O gênero nas Ciências Sociais: releituras críticas de Max Weber a Bruno Latour. São Paulo: Unesp; Brasília: Editora Universidade Brasília, 2014.. Ambos teorizaram sobre o papel da ideologia nas formas de subordinação. A ideologia burguesa, como formação histórica, estava baseada na sujeição das mulheres no espaço privado e público, desde o casamento, a prostituição, etc.
Apesar disso Marx criticou o carreirismo do feminismo burguês escandinavo.
Karl Marx chegou a citar Charles Fourier que dizia que o progresso humano estaria associado a emancipação com relação ao sexismo.Hayden, Carol Eubanks. 1979 /1984. Feminism and Bolshevism: The Zhenotdel and the Politics of Women’s Emancipation in Russia, 1917-1930. Ann Arbor, Mich.: University Microfilms International. O combate que Marx e Engels faziam ao sexismo era confirmado por contemporâneos como August Bebel que republicou os trabalhos do antropólogo Lewis Henry Morgan sobre este tema.Hayden, Carol Eubanks. 1979 /1984. Feminism and Bolshevism: The Zhenotdel and the Politics of Women’s Emancipation in Russia, 1917-1930. Ann Arbor, Mich.: University Microfilms International.p. 32-34 Marx também argumentava que o trabalho extenuante tirava o foco dos pais com relação ao cuidado da proleField, Mark G. 1968. “Workers (and Mothers): Soviet Women Today.” Pp.7-56 in The Role and Status of Women in the Soviet Union by Donald R. Brown, ed. NYC: Teachers College Press. P. 8-9 e defendia que a família tradicional era uma maneira de preservar a propriedade privada.Luryi, Yuri I. 1980. Soviet Family Law. Buffalo, NY: William S. Hein and Company.
O autor também não descartou o papel da mulher como grupo social na história,Hayden, Carol Eubanks. 1979 /1984. Feminism and Bolshevism: The Zhenotdel and the Politics of Women’s Emancipation in Russia, 1917-1930. Ann Arbor, Mich.: University Microfilms International.p. 33-34 desafiando o determinismo machista e darwinista da época, apesar de afirmar que a emancipação das mulheres seria algo inevitável desde que haja a superação dos modos de produção.Buckley, Marry. 1985. “Soviet Interpretations of the Woman Question.” Pp.24-53 in Soviet Sisterhood: British Feminists on Women in the USSR. Barbara Holland, ed. London, UK: Fourth Estate. Os autores marxistas dos séculos XIX e início do XXGoldman, Wendy Z. 1993. Women, The State, and Revolution: Soviet Family Policy and Social Life, 1917-1936. NYC: Cambridge University Press.Pushkareva, Natalia.1997. Women in Russian History: From the Tenth to the Twentieth Century. Translated and edited by Eve Levin. London, UK: M.E. Sharpe.Marsh, Rosalind. 1998. “Introduction.” Pp.ix-xix in Women and Russian Culture: Projections and Self-Perceptions by Rosalind Marsh, ed. Oxford, UK: Berghahn Books.Stites, Richard. 1978. The Women’s Liberation Movement in Russia: Feminism, Nihilism, and Bolshevism 1860-1930. Princeton, NJ: Princeton University Press. acreditavam que a resolução do sexismo era uma das maiores questões a serem enfrentadas pela esquerda a nível de justiça social e equidade.
A prostituição também é descrita pelo pensador como algo suscetível a toda classe trabalhadora e Karl defendia como antídoto um conceito de nova família em que cada membro fosse considerado como irmão.Field, Mark G. 1968. “Workers (and Mothers): Soviet Women Today.” Pp.7-56 in The Role and Status of Women in the Soviet Union by Donald R. Brown, ed. NYC: Teachers College Press. Apesar disso, alguns autores argumentam que Marx defendia uma redução da jornada de trabalho para que as mulheres ficassem na dependência do lar.Field, Mark G. 1968. “Workers (and Mothers): Soviet Women Today.” Pp.9 in The Role and Status of Women in the Soviet Union by Donald R. Brown, ed. NYC: Teachers College Press. Ainda esta vertente é a pioneira na análise feminista conjuntamente com o feminismo anarquista na Europa.Engel, Barbara Alpern, and Anastasia Posadskaya-Vanderbeck, eds. 1998. A Revolution of Their Own: Voices of Women in Soviet History. Translated by Sona Hoisington. Oxford, UK: Westview Press. O feminismo marxista tem influenciado movimentos anti-coloniais no mundo todo, mesmo que indiretamente, dialogando com outros feminismos de esquerda.CONNELL, Raewyn. A colonialidade do gênero. In: Gênero em termos reais. São Paulo: nVersos, 2016, p. 25-44. LUGONES, María. Rumo a um feminismo decolonial. In: HOLLANDA, Heloísa Buarque de (org.). Pensamento feminista:Conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019, p. 357-377. ANZALDÚA, Gloria. Falando em línguas: uma carta para as mulheres escritoras do terceiro mundo. Estudos Feministas. Florianópolis, v. 8, n. 1, p. 229-236, 2000 GARGALLO CELENTANI, Francesca. Formas, líneas e ideas de los feminismos indígenas. In: Feminismos desde Abya Yala. Ideas y proposiciones de las mujeres de 607 pueblos en nuestra América. Bogotá: Desde Abajo, 2015, p. 119-162.
Teóricas principais
Ver também Feminismo socialista Anarcafeminismo Interseccionalidade Economia feminista Capitalismo púrpura História do feminismo
Ligações externas
Marxista Categoria:Correntes do marxismo *