thumb|direita|180px|A interpretação de Michelangelo sobre o Céu. Misticismo (do grego μυστικός, transliterado mystikos, "um iniciado em uma religião de mistérios") é o contato com uma verdade espiritual, divindade ou Deus através da experiência direta ou intuitiva.
No livro sobre Jakob Böhme, "O Príncipe dos Filósofos Divinos",Do livro: Jacob Boehme - O Príncipe dos Filósofos Divinos página 29 (Título original: BOEME (RAD10 - SUPREMA GRANDE LOJA - AMORC) 1.ª Edição em Língua Portuguesa, Setembro de 1983 Biblioteca Rosacruz. Composto e Impresso na Grande Loja do Brasil - Curitiba, Paraná o misticismo se define como um tipo de religião que enfatiza a atenção imediata da relação direta e íntima com Deus, ou com a espiritualidade, com a consciência da Divina Presença. É a religião em seu mais apurado e intenso estágio de vida. O iniciado que alcançou o "segredo" é chamado um "místico". Os antigos cristãos empregavam a palavra "contemplação" para designar a experiência mística.
"O místico é aquele que aspira a uma união pessoal ou a unidade com o Absoluto, que ele pode chamar de Deus, Cósmico, Mente Universal, Ser Supremo, etc. (Lewis, Ralph M)"::Lewis, Ralph M., ALQUIMIA MENTAL, Biblioteca Rosacruz, Editora Renes, Rio de Janeiro, número XX, 1982.
Visão geral A palavra "místico" foi empregada pela primeira vez no Mundo Ocidental nos escritos atribuídos a Dionysius, o Areopagite, que apareceu no final do século V. Dionysius empregou a palavra para expressar um tipo de "teologia", mais do que uma experiência. Para ele e para muitos intérpretes, desde então, o misticismo tem se baseado em uma teoria ou sistema religioso que concebe Deus como absolutamente transcendente, além da Razão, do pensamento, do intelecto e de todos os processos mentais.
A palavra, desde então, tem sido usada para os tipos de "conhecimento" esotérico e teosófico, não suscetíveis de verificação. A essência do misticismo é a experiência da comunicação direta com Deus.
A palavra "misticismo" tem origem no termo grego μυστικός = "iniciado" (nos Mistérios de Elêusis, μυστήρια = "mistérios", referindo-se as "Iniciações"Os Mistérios Eleusinianos, ou Religião de mistérios em geral, não necessariamente envolvendo o misticismo; o significado presente do termo surgiu, antes, via platonismo e neoplatonismo, que fazem referência à iniciação eleusina como uma metáfora para a "iniciação" às verdades espirituais.). É a busca para alcançar comunhão ou identidade consigo mesmo, com o divino, com a Verdade espiritual, ou com Deus através da experiência direta, intuição ou insight; e a crença de que tal experiência é uma fonte importante de conhecimento, entendimento e sabedoria. As tradições podem incluir a crença na existência literal de realidades empíricas, além da percepção, ou a crença de que uma "verdadeira" percepção humana do mundo transcende o raciocínio lógico ou a compreensão intelectual.
O termo "misticismo" é, frequentemente, usado para se referir a crenças que são externas a uma religião ou corrente principal, mas relacionadas ou baseadas numa doutrina religiosa da corrente principal. Por exemplo, Kabala é a seita mística dominante do judaísmo, sufismo é a seita mística do Islã e gnosticismo refere geralmente a várias seitas místicas que surgiram como alternativas ao cristianismo. Enquanto religiões do Oriente tendem a achar o conceito de misticismo redundante, e o conhecimento tradicional e ritual são considerados como esotéricos: por exemplo, vajrayana e budismo. thumb|esquerda|180px|Uma grande estátua em Bangalore retratando Shiva meditando Definições Uma definição de misticismo não poderia ser ao mesmo tempo significativa e de abrangência suficiente para incluir todos os tipos de experiências, que têm sido descritas como "místicas".
Por definição natural, misticismo é a crença através da prática, estudo e aplicação das leis que unem o homem à Natureza.
Desta forma, a mística se distingue da religião por referir-se à experiência direta com o divino, transcendendo sem a necessidade de intermediários.
Na teologia Conjunto de práticas religiosas que levam à contemplação dos atributos divinos. Estado natural ou disposição para as coisas místicas, religiosas; religiosidade.
thumb|180px|direita|O "Olho que tudo vê" ou Olho da Providência que aparece na torre da Catedral de Aachen. História do termo miniaturadaimagem|Pintura do Século XVII que apresenta um exemplo de experiência mística. Nesse quadro, produzido pelo artista flamengo Peter Paul Rubens, vê-se uma figura feminina experienciando uma conexão com algo de ordem mística, de modo que seus olhos estão dirigidos, exclusivamente, para essa aparição. É possível observar, também, que a sua cabeça está iluminada, o que reforça, simbolicamente, essa interpretação. Além disso, em cima do pedestal, pode-se visualizar um crânio humano, que na tradição cristã, especificamente na católica romana (mas também no Estoicismo, corrente filosófica criada por Zenão de Cítio), alude ao "memento mori". O memento mori é uma expressão latina que, ao ser traduzida, significa: "lembre-se da morte". Esse lema era difundido, especialmente, entre intelectuais que se debruçaram em áreas como Filosofia, Teologia e Alquimia. Isso se deve ao fato de que a morte, na compreensão dessas três ciências, era tomada como uma verdade, embora muitas vezes pautada através de uma ótica metafísica. Dessa forma, independentemente do indivíduo, ela seria o destino comum à todos os seres humanos.
Mundo helenístico No mundo helenístico, a palavra "místico" se referia a rituais religiosos secretos, como os Mistérios de Elêusis. O uso do termo não tinha ligações diretas com o transcendental. Um mystikos era um iniciado em uma religião de mistério. Cristianismo primitivo No cristianismo primitivo, a palavra mystikos se referia a três dimensões, que logo se confundiramː a bíblica, a litúrgica e a espiritual ou contemplativa. A dimensão bíblica se refere a interpretações alegóricas ou secretas da Bíblia. A dimensão litúrgica se refere ao mistério litúrgico da eucaristia, ou seja, à presença de Cristo na eucaristia. A terceira dimensão é o conhecimento experimental ou contemplativo de Deus.
Até o século VI, o termo grego theoria, significando "contemplação" em latim, era usado para a interpretação mística da Bíblia. A ligação entre misticismo e a visão do divino foi introduzida pelos primeiros Padres da Igreja, que usavam o termo como um adjetivo, como em "teologia mística" e "contemplação mística". Sob a influência do Pseudo-Dionísio, o Areopagita, a teologia mística passou a significar a investigação da verdade alegórica da Bíblia, e "a consciência espiritual do Absoluto inefável além da teologia dos nomes divinos". A teologia negativa do Pseudo-Dionísio exerceu uma grande influência na religiosidade monástica medieval. Ela foi influenciada pelo neoplatonismo, e foi muito influente na teologia da Igreja Ortodoxa. No cristianismo ocidental, foi uma contracorrente à teologia que prevaleceu, a teologia positiva.
Theoria permitiu que os Padres da Igreja percebessem camadas de sentido na Bíblia que escapavam a uma abordagem puramente científica ou empírica à interpretação. Os Padres de Antioquia, em particular, viram um duplo sentido (literal e espiritual) em todas as passagens da Escritura.
Posteriormente, theoria ou contemplação passou a se distinguir da vida intelectual, levando θεωρία ou contemplatio a se identificar com uma forma de oração distinta da oração discursiva do Oriente e do Ocidente. Sentido medieval Esse triplo sentido de "místico" continuou na Idade Média. De acordo com Dan Merkur, a expressão unio mystica surgiu no século XIII como um sinônimo para "casamento espiritual", ou êxtase, que era experimentado quando a oração era usada "para contemplar tanto a onipresença de Deus no mundo quanto Deus em sua essência". Sob a influência do Pseudo-Dionísio, o Areopagita, a teologia mística passou a denotar a investigação da verdade alegórica da Bíblia, e "a consciência espiritual do Absoluto inefável além da teologia dos nomes divinos". A teologia negativa do Pseudo-Dionísio exerceu uma grande influência na religiosidade monástica medieval, embora ela fosse uma religiosidade predominantemente masculina, pois não era permitido que as mulheres estudassem. Ela foi influenciada pelo neoplatonismo, e foi muito influente na teologia da Igreja Ortodoxa. No cristianismo ocidental, foi uma contracorrente à teologia que prevaleceu, a teologia positiva. É mais conhecida atualmente no mundo ocidental graças a Mestre Eckhart e a João da Cruz. Sentido moderno inicial Nos séculos XVI e XVII, "misticismo" passou a ser usado como um substantivo. Essa mudança se ligou a um novo discurso, no qual ciência e religião eram separadas.
Martinho Lutero dispensou a interpretação alegórica da Bíblia, e condenou a teologia mística, que ele via mais como platônica do que cristã. O místico, enquanto procura pelo significado oculto dos textos, se tornou secularizado, e também associado com a literatura, em oposição à ciência e à prosa.
A ciência também se distinguiu da religião. Por volta de meados do século XVII, o místico passou a ser aplicado apenas ao âmbito religioso, separando religião e "filosofia natural" como duas abordagens distintas da descoberta do sentido oculto do universo. As hagiografias tradicionais e os escritos dos santos passaram a ser designados como "místicos", indo de virtudes e milagres até experiências extraordinárias e estados mentais, criando por conseguinte a nova expressão "tradição mística". Uma nova compreensão do divino como residindo dentro do ser humano, uma essência além da variedade das expressões religiosas. Sentido contemporâneo O século XIX viu uma crescente ênfase na experiência individual, como uma defesa contra o crescente racionalismo da sociedade ocidental. O significado de "misticismo" foi consideravelmente reduzidoː
Sob a influência da filosofia perene, que se popularizou tanto no oriente quanto no ocidente pelo unitarismo, transcendentalismo e teosofia, o termo "misticismo" foi aplicado a um amplo espectro de tradições religiosas, no qual todos os esoterismos e tradições e práticas religiosas são reunidos. O termo "misticismo" foi estendido para fenômenos comparáveis em religiões não cristãs, onde ele influenciou a resposta do budismo e do hinduísmo ao colonialismo, resultando no neovedanta e no modernismo budista.
No uso contemporâneo, o termo "misticismo" se tornou um termo generalista para vários tipos de visões de mundo não racionais, parapsicologia e pseudociência. William Harmless chega a afirmar que o misticismo se tornou "um termo genérico para esquisitice religiosa". Dentro do estudo acadêmico de religião, a "inequívoca convergência" se tornou "opaca e controversa". O termo "misticismo" está sendo usado de maneiras diferentes em diferentes tradições. Alguns chamam a atenção para a fusão entre misticismo e termos correlatos, como espiritualidade e esoterismo, e apontam as diferenças entre várias tradições. Variações de misticismo Baseado em várias definições de misticismo, principalmente misticismo como uma experiência de união ou de vazio, misticismo como um estado alterado de consciência que é adquirido de uma forma religiosa, misticismo como uma visão ou intuição, e misticismo como uma via de transformação, misticismo pode ser encontrado em várias culturas e tradições religiosas, tanto em religiões populares quanto em religiões organizadas. Essas tradições incluem práticas que induzem a experiências místicas ou religiosas, mas também padrões éticos e práticas para fortalecer o autocontrole e integrar a experiência mística na vida diária.
Dan Merkur observa, no entanto, que as práticas místicas são sempre separadas das práticas religiosas diárias, e são restritas a "especialistas religiosos como monges, sacerdotes e renunciantes". Misticismo ocidental Religião de mistérios