Santa Maria Antiqua ("Antiga Igreja de Santa Maria") é uma igreja de Roma construída no dentro do Fórum Romano e que, por um longo período, foi o acesso monumental aos palácios imperiais do monte Palatino. Localizada no sopé do monte Palatino, é o mais antigo monumento cristão no Fórum e abriga a mais antiga representação romana de "Santa Maria Regina" ("Nossa Senhora Rainha"), uma obra do .Erik Thunø, 2003 Image and relic: mediating the sacred in early medieval Rome ISBN 88-8265-217-3 page 34Bissera V. Pentcheva, 2006 Icons and power: the Mother of God in Byzantium ISBN 0-271-02551-4 page 21Anne J. Duggan, 2008 Queens and queenship in medieval Europe ISBN 0-85115-881-1 page 175

História Construída no meio do na face noroeste do monte Palatino, Santa Maria Antiqua é o mais antigo e o mais importante monumento cristão no Fórum Romano. Ela abriga uma coleção única de pinturas em suas paredes, realizadas entre os séculos VI e VIII. A descoberta destas pinturas deu origem a muitas teorias sobre o desenvolvimento da arte medieval primitiva e da arqueologia. Ela foi abandonada no depois que os destroços de um terremoto encobriram o edifício, que ficou fechado por mais de mil anos até ser redescoberto no início do . Portanto, Santa Maria Antiqua representa é um elemento chave para a compreensão do desenvolvimento cultural e urbano do Fórum Romano, da Antiguidade até os primeiros séculos do período cristão. Entre 1980 e 2012, o monumento esteve fechado ao público em geral e o acesso era permitido apenas para estudiosos com autorização especial. Depois de um programa de conservação executado pela Soprintendenza per il Patrimonio Storico em parceria com o World Monuments Fund, a igreja está atualmente aberta para o público novamente.

Graças aos séculos de isolamento, suas paredes exibem um impressionante ciclo de afrescos ricamente coloridos representando a Virgem Maria e o Menino Jesus, papas, santos e mártires, uma das maiores e mais importantes coleções de arte romana e bizantina do período anterior à iconoclastia no mundo.

No início do século, o papa João VII utilizou-a como sé da Diocese de Roma. O edifício em si foi parcialmente destruído em 847, quando um terremoto fez com que partes dos palácios imperiais desabassem, encobrindo a igreja. Por isso, uma nova igreja chamada Santa Maria Nova (a moderna Santa Francesca Romana) foi erigida nas redondezas pelo papa Leão IV utilizando partes do arruinado Templo de Vênus e Roma, que já abrigava uma antiga capela comemorando a queda de Simão Mago. O local sofreu novos danos durante o saque de Roma pelos normandos em 1084.

A igreja de Santa Maria Liberatrice al Foro Romano (Sancta Maria libera nos a poenis inferni) foi construída sobre as ruínas, mas foi demolida em 1900 para permitir que a antiga igreja fosse restaurada.

Afrescos bizantinos As paredes de Santa Maria Antiqua ostentam numerosos afrescos de variados estilos pintados durante um período de intensa atividade decorativa entre os séculos VI e IX.Folgero, Olav. "The Lowest, Lost Zone in the Adoration of the Crucified Scene in Santa Maria Antiqua in Rome: A New Conjecture". Journal of the Warburg and Courtauld Institutes, 2009, p. 207. Cada alcova, parede e altar pode ser atribuído a diferentes épocas e tendências estilísticas representativas de seus artistas e patronos, incluindo os papas Martinho I , João VII , Zacarias e Paulo I , mas a intensidade da erosão e destruição dificulta bastante a obtenção de um registro correto de todos estes estilos. Utilizando os fragmentos dos afrescos, arqueologistas e historiadores conseguiram montar uma cronologia aproximada da decoração na igreja.Nordhagen, Per Jonas. "The Frescoes of John VII (A.D. 705-707) In S. Maria Antiqua in Rome". 1986, p. 4. Historiadores geralmente se basearam em outros edifícios da mesma época para traçar esta cronologia de estilos e influências, uma abordagem que teve apenas um relativo sucesso por causa da singularidade do caso de Santa Maria Antiqua, uma vez que nenhuma outra igreja da Antiguidade tardia tenha uma coleção tão completa e nem demonstre uma evolução de estilos ao longo do tempo tão bem quanto ela.Knipp, David. "The Chapel of Physicians at Santa Maria Antiqua". Dumberton Oak Papers, 2002, p. 15.

thumb|esquerda|240px|Plano da igreja:(1) Nave, (2) Presbitério, (3) Abside, (4) Capela de Teodósio, (5) Capela dos Santos Médicos, (6) Rampa até o Monte Palatino, (7) Templo de Augusto, (8) Oratório dos Quarenta Mártires, (9) Átrio.

Roma mudou de mãos múltiplas vezes durante o período em que Santa Maria Antiqua permaneceu em uso. A derrota do Império Romano do Ocidente pelos visigodos no abriu espaço para as influências bizantina e lombarda daí até meados do .Frothingham Jr., A.L. "Notes on Byzantine Art and Culture in Italy and Especially in Rome". The American Journal of Archaeology and of the History of the Fine Arts, 1895, p. 152, 157. A comunidade grega que vivia nas redondezas influenciou a decoração por conta dos artistas, mas a administração bizantina da cidade estava abrigada no monte Palatino.Knipp 2002, p. 2. Acredita-se que esta contínua mudança nas influências tenha sido o fator determinante para os diferentes estilos encontrados em Santa Maria Antiqua,Maguire, Henry. "Style and Ideology in Byzantine Imperial Art". Gesta, 1989, p. 217. o que também pode ser observado pela língua utilizada nas inscrições remanescentes no local: grego para Martinho I, grego e latim para João VII e somente o latim para Paulo I.Avery, Myrtilla. "The Alexandrian Style at Santa Maria Antiqua, Rome". The Art Bulletin, 1925, p. 137.

Detalhes dos afrescos A parede do palimpsesto, localizada no presbitério, traz pelo menos camadas sucessivas de decoração, representando diferentes estilos, datas e influências.Nordhagen, Per Jonas. "Studies in Byzantine and Early Medieval Painting". Pindar Press, 1990, p. 163. As duas primeiras, dos séculos IV ao VI, são mosaicos pagãos em estilo romano que foram depois cobertos pelos primeiros afrescosNordhagen, Studies, p. 175. e apenas cerca de 2% deles sobreviveu.Nordhagen 1990, p. 158. A terceira camada, 500–550, contém restos de uma representação de "Nossa Senhora Rainha", a mais antiga associação deste título com a Virgem Maria.Osborn, John. "The Atrium of S. Maria Antiqua, Rome: A History in Art". Papers of the British School at Rome, 1987, p. 195.Nordhagen 1990, p. 175. Foi nesta camada que os arqueologistas perceberam uma mudança para o estilo bizantino. As camadas quatro e cinco, ca. 570–655, atestam o domínio completo do estilo bizantino sobre o romano, uma prova da influência do Império Bizantino sobre Roma. A última camada é da época do papa João VII , responsável pela grande reforma e pela decoração que sobrevive na capela atualmente.

O estilo helenístico (bizantino) é notável pela luz branca, pelas sombras nos cabelos e roupas e pelas figuras em movimento.Avery 1925, p. 135. É interessante notar, porém, que, apesar de muitos dos afrescos sobreviventes em Santa Maria Antiqua serem helenísticos, lhes faltam as clássicas villa e colunas romanas no fundo,Nordhagen 1990, p. 309. que é mais distante e neutro.Avery 1925, p.137. Os exemplos mais antigos geralmente têm as pupilas enegrecidas olhando diretamente para a frente com detalhes no contorno da face. O primeiro estágio de cada afresco envolvia o desenho a lápis do contorno, depois o preenchimento das cores mais escuras e os detalhes mais delicados eram deixados para o final.Osborne 1987, p. 192.

As épocas de Martinho I, João VII e Paulo I nos fornecem claros exemplos das tendências estilísticas do período através das decorações que sobreviveram. Os afrescos sobreviventes exemplificam a habilidade dos artistas de incorporar diferentes técnicas e estilos e, por isso, estes rapidamente se tornaram únicos conforme gerações de artistas aprenderam habilidades especificamente para decorar Santa Maria Antiqua e depois podiam continuar ou descontinuar essas tendências sem motivo aparente.Nordhagen 1990, p. 465.

Os afrescos de Martinho I são poucos, mas estão relativamente bem preservados. Os mais antigos representam os Padres da Igreja (649), cujas figuras expressam seu movimento pelas pernas levantadas, andando enquanto seus mantos estão dobrados e destacados para exagerar o efeito.Nordhagen 1968, p. 119. Eles expressam uma fluidez maior com suas túnicas balançando do que afrescos posteriores, mas suas faces são muito mais rígidas as posteriores.Nordhagen 1968, p. 106. A data precisa está indicada por uma inscrição em grego abaixo relativa ao Concílio de Latrão de 649, que condenou o monotelismo.Osborne 1986, p. 188. No final, Martinho I acabou exilado por esta condenação, mas João VII encomendou esta imagem, que foi pintada no presbitério, e de outros papas.Osborn 1986, p. 188. Ele aparece já em estilo helenístico, visível nas pinceladas em branco escondendo sua barba, pintada numa mandíbula macilenta e de fortes contornos, e ele carrega um grande livro adornado de jóias.Nordhagen 1968, p. 43. O cabelo de Martinho está pintado no estilo eclesiástico, curto e com um tufo à volta da testa, e seus olhos não estão olhando para a frente com pupilas negras, como era típico na época, mas olham para baixo e estão pintados individualmente. O mais notável é que as imagens de Martinho I e João VII estão banhadas com numa pênula de luz de cores idênticas, amarelo com um toque de verde por baixo aparecendo, o que sugere uma espécie de solidariedade entre os papas contra os bizantinos, uma utilização da arte para passar a mensagem política de que a decisão bizantina de exilar Martinho I havia sido errada.Maguire 1989, p. 217.

É do período do papa João VII a maioria da decoração sobrevivente em Santa Maria Antiqua,Nordhagen 1968, p. 87. o que permite o estudo das técnicas utilizadas durante a ampla reforma e redecoração do presbitério, da Capela dos Médicos (ou dos "Santos Médicos") e do Oratório dos Quarenta Mártires. Foi provavelmente culpa dos projetos ambiciosos de João VII a remoção e destruição dos afrescos então existentes, pois os artistas contratados por ele cobriram com gesso todas as regiões acima de 4,5 metros.Nordhagen 1990, p. 169. Buracos perfurados nas paredes em intervalos e níveis regulares são pistas de como conseguiram fazê-lo num lugar tão apertado e pequeno. Eles perfuravam as paredes a 9,3 metros a partir do chão para prenderem os andaimes e em seguida espalhavam intonaco (gesso) para reforçar as camadas abaixo da superfície que estavam trabalhando e a pintura começava imediatamente depois que o intonaco era espalhado para permitir que a tinta fosse absorvida pelo gesso para aumentar o efeito. Os mesmos buracos eram então perfurados mais abaixo, 8 metros acima do chão e o processo se repetia. Assim, a maioria dos afrescos sobreviventes em Santa Maria Antiqua foram pintados de cima para baixo e não de um lado para o outro como era o costume. Afrescos complexos e detalhados eram necessários onde o intonaco era espalhado pois ele se acomodava sobre os afrescos já existentes criando linhas e dobras que permitiam que os frescos helenísticos anteriores fossem facilmente identificados. Os novos desenhos complexos ajudavam a esconder estas linhas e dobras.