Os Dez Mandamentos é uma telenovela brasileira exibida pela Record de 23 de março de 2015 a 4 de julho de 2016 em 242 capítulos, substituindo Vitória e sendo substituída por A Terra Prometida. Foi exibida em duas temporadas: a primeira de 23 de março a 23 de novembro de 2015 em 176 capítulos e a segunda de 4 de abril a 4 de julho de 2016 em 66 capítulos. Foi a 24ª novela exibida pela emissora desde a retomada da dramaturgia em 2004.
Escrita por Vívian de Oliveira, com a colaboração de texto de Altenir Silva, Joaquim Assis, Maria Cláudia Oliveira, Emilio Boechat, João Gabriel Carneiro e Paula Richard na primeira temporada, e Alexandre Teixeira, Emilio Boechat, João Gabriel Carneiro, Joaquim Assis e Paula Richard na segunda, sob direção geral de Alexandre Avancini. É a segunda telenovela bíblica do mundo, a primeira foi O Rouxinol da Galileia, de 1968 da extinta TV Tupi. Enquanto a primeira temporada foi produzida totalmente pela emissora, a segunda teve coprodução da Casablanca.
É uma adaptação de quatro livros que compõem a Bíblia – Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio – narrando a história de Moisés desde o seu nascimento até sua morte, destacando as Dez pragas do Egito, a abertura do Mar Vermelho, a libertação do povo hebreu, a revelação dos Dez Mandamentos e a travessia de quarenta anos pelo deserto até a terra prometida. A trama recebeu três indicações no Seoul International Drama Awards de 2016 nas categorias de melhor novela, melhor diretor e melhor escritor. A trama também foi indicada ao Shorty Awards, o maior prêmio mundial de redes sociais na categoria televisão.
Contou com as participações de Guilherme Winter, Sérgio Marone, Camila Rodrigues, Giselle Itié, Petrônio Gontijo, Larissa Maciel, Denise Del Vecchio e Vera Zimmermann.
Produção Apesar de ser vendida como "a primeira telenovela bíblica do mundo" não é! A novela O Rouxinol da Galileia, exibida pela TV Tupi em 1968, já apresentava uma trama bíblica, que acontecia durante A Paixão de Cristo. A previsão inicial era de que Os Dez Mandamentos fosse exibida em 150 capítulos, dividida em quatro fases, com gravações no RecNov em Vargem Grande no Rio de Janeiro e com as filmagens externas no Deserto de Atacama - (Chile), além de locações no estado do Paraná, no município de Guarapuava. Também ocorreram gravações com locações nos municípios fluminenses de Itaguaí e Seropédica e no bairro de Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro. É considerada uma das produções mais caras da história da emissora, com um custo estimado de R$ 700 mil por capítulo, perdendo para, por exemplo, Milagres de Jesus (900 mil por capítulo). Foram constituídos 28 cenários e uma cidade cenográfica com mais de 7 mil metros quadrados, onde são reproduzidas as cidades dos hebreus, egípcios e midianitas. Para a gravação da telenovela, foram utilizadas câmeras digitais Arri Alexa.
Música A trilha sonora, de Daniel Figueiredo, é outro destaque da novela. Assim como em outras adaptações bíblicas, a Record optou por músicas instrumentais e outras em hebraico, como Miklat, tema do casal protagonista cantada por Gilbert Stein e Fortuna Safie. O tema da abertura da trama, que apresentava as dez pragas do Egito, o Monte Sinai, a peregrinação do povo hebreu no deserto, e o exército do faraó afogado no Mar Vermelho, intercaladas com as pedras que juntavam-se para formar as tábuas dos dez mandamentos e encerrando com o logo do nome da novela, também marcou muito os telespectadores, porém no dia 09/07 no capítulo 79 que exibiu o casamento de Moisés e passagem para terceira fase da trama, foi colocada como música de fundo do casamento de Moisés e Zípora. Pela primeira vez nas produções bíblicas, uma música em português: tratava-se de O amor que vem da fé ou No poço te encontrei, cantada por Kátia Jorgensen e Moyses Macedo (filho mais novo do Bispo Edir Macedo, proprietário da Record e líder fundador da Igreja Universal), uma versão com a mesma melodia de Miklat, que agradou e encantou o público que acompanhou.
Núcleos Dentro do núcleo egípcio, destacam-se a rainha Tuya (Angelina Muniz), a vilã Yunet (Day Mesquita/Adriana Garambone), o general Disebek (Daniel Aguiar/Eduardo Lago), a princesa do Egito e mãe adotiva de Moisés, Henutmire (Mel Lisboa/Vera Zimmermann), a segunda esposa de Seti I, Nayla (Maria Ceiça), o sacerdote Paser (Paulo Nigro/Giuseppe Oristanio) e seu assistente Simut (Renato Livera), os oficiais Bakenmut (Kiko Pissolato) e Ikeni (Victor Pecoraro), o feitor Apuki (Heitor Martinez), sua esposa Judite (Nanda Ziegler) e seus filhos Ana (Tammy di Calafiori) e Jairo (Gabriel Quaresma/Erich Pelitz), além do cozinheiro do palácio, Gahiji (Fernando Sampaio) e seu filho Chibale (Júlio Oliveira), os artesãos israelitas Hur (Floriano Peixoto) e Uri (Rafael Sardão), respectivamente pai e filho, a dama de companhia de Nefertari, Karoma (Roberta Santiago), o filho de Ramsés, Amenhotep (José Victor Pires), o filho de Ikeni e Karoma, Pepy (Íttalo Paixão), o comerciante Meketre (Luciano Szafir), sua esposa Taís (Babi Xavier), seus filhos Meryt (Nikki Meneghel), Hori (Kauã Torres) e o bastardo Bak (Matheus Lustosa), e o dono do bordel Casa de Senet, Ahmós (Carlos Bonow).
Ainda há o núcleo da vila dos hebreus, formado por Eliseba (Gabriela Durlo), a esposa de Arão, e seus filhos Nadabe (Higor Castro/Marco Antonio Gimenez), Abiú (Kaik Brum/Daniel Siwek), Itamar (Henrique Gottardo) e Eleazar Rafael Sun / Bernardo Velasco), o amigo de Arão e operário Num (Vicente Tuchinsky/Licurgo), morto por Apuki por vingança, sua esposa Amália (Marina Moschen/Lisandra Souto), o pai de Moisés, Arão e Miriã, Anrão (Roger Gobeth/Paulo Gorgulho), a esposa de Uri, Leila (Juliana Didone), a irmã Abigail (Bianka Fernandes) e o filho Bezalel (Luiz Felipe Mello/Igor Cosso), os operários Zelofeade (Felipe Cardoso) e Eldade (Paulo Reis).
Com o passar da novela, o núcleo midianita é introduzido durante a fuga de Moisés do Egito, sendo composto por Zípora (Gisele Itié), o pai Jetro (Paulo Figueiredo) e as irmãs, Adira (Rayana Carvalho), Jerusa (Thais Müller), Betânia (Marcela Barrozo), Ada (Camila Santanioni), Damarina (Talita Younan) e Jaque (Rafaela Sampaio/Fran Maya), os filhos de Moisés, Gérson (Luiz Eduardo Oliveira) e Eliézer (Gustavo Henzel), além do comerciante Baruk (Bemvindo Sequeira) e seus filhos Aníbal (Thierry Figueira) e Menahem (Jorge Pontual).
O núcleo israelita é ampliado na terceira fase, introduzindo personagens como o filho de Num e Amália, Oseias (Sidney Sampaio) e seu melhor amigo, Calebe (Rodrigo Vidigal), a esposa de Eleazar, Inês (Brendha Haddad) e o filho do casal, Fineias (Pietro Buannafina), o escultor Aoliabe (Fabio Beltrão), o chefe dos trabalhadores israelitas, Corá (Victor Hugo), sua esposa Bina (Kátia Moraes), os filhos Assir (Leonardo Braga) e Elcana (João Pedro Franco), e a irmã Safira (Jeniffer Setti), que por sua vez é casada com Datã (Bruno Padilha). Além disso, estão envolvidos no núcleo, o irmão de Datã, Abirão (Sandro Rocha), a amiga de Safira, Karen (Anita Amizo), e a sobrinha de Zelofeade, Deborah (Pérola Faria). Na primeira fase, personagens fizeram rápidas aparições, e por sua vez não apareceram mais nas fases seguintes, como o antigo dono do bordel Casa de Senet, Bennu (Iran Malfitano), e as parteiras de Moisés, Puá (Valéria Alencar) e Sifrá (Stella Freitas).
A novela também teve participações especiais que duraram poucos capítulos, como por exemplo a filha do sumo sacerdote do Egito, Maya (Bárbara França) e ex-noiva de Ramsés, que morre envenenada em um plano de Yunet e Disebek, Anippe (Bárbara Quercetti), uma das amantes do general Disebek, Panahasi (Daniel Satti), um feitor egípcio assassinado por Moisés para defender um hebreu, Teti (Fernanda Nizzato), uma ex-noiva de Ramessés, Raymundo de Souza como Nabor, um homem que recebe Moisés e sua família em sua estalagem durante seu caminho ao Egito e Andréa Avancini como sua esposa, Joana, além de Arianny Carvalho, Renata Pirillo e Juliana Kelling como esposas de Seti I, Rocco Pitanga como Jahi, sobrinho da esposa de Seti, Nayla, e sua irmã, a princesa Radina (Aisha Jambo), e Adriano Petermann e William Vita interpretando respectivamente, os sacerdotes Janes e Jambres, contratados por Ramsés para contaminarem a fonte dos hebreus com sangue. Depois da fuga dos hebreus do Egito, o núcleo dos amalequitas é brevemente introduzido, com seu rei, Amaleque (Ricardo Petraglia), pelejando contra os israelitas, e seus guerreiros, Zuri e Amir, interpretados respectivamente pelos atores Adriano Toloza e Jandir Ferrari.
Efeitos especiais Abertura do Mar Vermelho Uma das cenas mais esperadas desde que a novela Os Dez Mandamentos começou foi a abertura do Mar Vermelho. A sequência de cenas foi gravada em maio de 2015, na Fazenda Lama-Preta, no Rio de Janeiro. O episódio cravou recorde histórico com média de 28 pontos, com picos de 31 e 39% de share na Grande São Paulo, no Grande Rio, cravou 32 pontos com 36 de pico e 47% de share. Para a gravação foram usados 120 animais, mais de 400 figurantes e 240 profissionais envolvidos nos 31 dias de filmagens. Inicialmente a abertura do Mar Vermelho estava programada para ir ao ar dia 27 de outubro de 2015, mas como a trama ganhou mais 20 capítulos, a exibição foi adiada em duas semanas, sendo exibida no dia 10 de novembro de 2015.
Além de envolver um grande número de funcionários desde o elenco de apoio até os responsáveis pela pós-produção, realizada pelo Stargate Studios, em Hollywood, que produz efeitos especiais em séries como Revenge, CSI e The Walking Dead, o capítulo em que Moisés (Guilherme Winter) abriu o Mar Vermelho para a fuga dos hebreus custou à Record o investimento de R$ 1 milhão. Esses custos vão desde o elenco até os recursos gráficos. Tanto a abertura do Mar Vermelho quanto a sétima praga tiveram a superprodução do estúdio americano Stargate Studios, que ficou responsável pela computação gráfica. Para as cenas do fechamento do Mar Vermelho foram produzidas quatro rampas de 12 metros de altura, feitas de madeira e metal, que despejavam 12 mil litros de água reutilizada sobre os atores e figurantes. Para esta sequência foram utilizados no total 20 mil litros de água transportados em dez caminhões-pipa.
As pragas do Egito A atriz, que vive Nefertari, a mulher do faraó Ramsés II (Sérgio Marone), ficou completamente coberta de sangue cenográfico ao gravar a cena em que a rainha resolve tomar um banho na piscina do palácio e, ao mergulhar, emerge da água tingida de vermelho. “Fiquei manchada por quase uma semana”, disse Camila Rodrigues ao site oficial da novela. Em entrevista ao R7, Petrônio Gontijo, conta como a cena em que a água vira sangue foi gravada e revela curiosidades sobre os bastidores da praga das rãs: "Arão não transforma a água em sangue, ele é usado por Deus para que aquilo aconteça. Nós gravamos a cena cerca de três vezes para capturar todos os detalhes. Filmamos de longe, de perto e apenas o lago, justamente para ter material nos diversos ângulos possíveis. Assim, a equipe de efeitos pôde trabalhar em cima destas imagens."