O Partido de Ação Popular ou Partido da Ação Popular (PAP; ; em ; ; ) é o partido político maioritário de Singapura desde sua vitória nas eleições de 1959.
Inicialmente fundado como um partido de centro-esquerda em 1954, o PAP teve sua facção de esquerda expulsa em 1961 por Lee Kuan Yew em meio à fusão de Singapura com a Malásia, numa tentativa de mover a ideologia do partido para o centro após sua primeira vitória eleitoral, em 1959. A partir da década de 1960, o partido passou a tender à centro-direita. Após o acordo de 1965, que levou à saída de Singapura da Malásia, quase toda a oposição, exceto o Partido dos Trabalhadores, boicotou as seguintes eleições de 1968 em resposta à sua incredulidade em relação à independência, então dando ao PAP a oportunidade de exercer monopólio sobre as instituições nacionais e se tornar o maior partido do país.
Entre 1965 e 1981, o PAP foi a única força política representada no parlamento até ser derrotado pelo Partido dos Trabalhadores numa eleição suplementar. No entanto, a sigla não viu a sua hegemonia efetivamente ameaçada e sempre ultrapassou 60% dos votos e 80% dos assentos em todas as eleições subsequentes. Atualmente, é partido que está ininterruptamente no poder a mais tempo entre as democracias parlamentares multipartidárias do mundo, com 67 anos consecutivos, bem como o segundo na história depois do mexicano Partido Revolucionário Institucional, que liderou por 71 anos (1929–2000).
O PAP é descrito como um partido conservadorBerger, Mark (2014). Rethinking the Third World (em inglês). Macmillan. p. 98. de centro-direita, sendo mais precisamente socialmente conservador e economicamente liberal. O partido geralmente favorece a economia de livre mercado, tendo transformado a economia de Singapura numa das mais livres e abertas do mundo, mas por vezes envolveu-se num intervencionismo estatal reminiscente das políticas do capitalismo bem-estarista. Notavelmente, apoiou a criação de empresas estatais, conhecidas localmente como "empresas ligadas ao governo". Isso foi feito para impulsionar a industrialização, liderar o desenvolvimento econômico e levar ao crescimento econômico, principalmente à geração de empregos, em vários setores da economia de Singapura. Socialmente, o partido apoia o comunitarismo, o nacionalismo cívico, e o secularismo, com a coesão dos principais grupos étnicos do país (chineses, malaios e indianos) numa identidade nacional unida formando muitas das suas políticas. Na política externa, favorece a manutenção de um exército forte e robusto que sirva como garantidor da soberania contínua do país no contexto da sua posição estratégica para as finanças e o comércio internacionais.
História
Lee Kuan Yew, Toh Chin Chye e Goh Keng Swee estiveram envolvidos no Fórum Malaio, um grupo de ativistas estudantis sediado em Londres que se opunha ao domínio colonial na Malásia durante as décadas de 1940 e início de 1950. Ao retornarem para Singapura, o grupo passou a se reunir regularmente para discutir estratégias para alcançar a independência dos territórios malaios e começou a procurar pessoas com ideias semelhantes para fundar um partido político. O jornalista S. Rajaratnam foi apresentado a Lee por Goh. Lee também foi apresentado a vários estudantes de esquerda educados em inglês, bem como a líderes sindicais e estudantis educados em chinês, enquanto trabalhava no julgamento por sedição do jornal Fajar e no caso da revolta do Serviço Nacional.
Formação O Partido de Ação Popular foi oficialmente registrado como partido político em 21 de novembro de 1954. Os membros do primeiro Comitê Executivo Central (CEC) do partido incluíam um grupo de sindicalistas, advogados e jornalistas, como Lee Kuan Yew, Abdul Samad Ismail, Toh Chin Chye, Devan Nair, S. Rajaratnam, Chan Chiaw Thor, Fong Swee Suan, Tann Wee Keng e Tann Wee Tiong. O partido era liderado por Lee Kuan Yew como secretário-geral, enquanto Toh Chin Chye ocupava o cargo de presidente fundador. Outros dirigentes incluíam Tann Wee Tiong, Lee Gek Seng, Ong Eng Guan e Tann Wee Keng.
O PAP disputou pela primeira vez as eleições gerais de 1955, nas quais 25 dos 32 assentos da legislatura estavam em disputa. Nessa eleição, os quatro candidatos do PAP receberam amplo apoio de membros dos sindicatos e de grupos estudantis, como o University Socialist Club, que fizeram campanha em seu favor. O partido conquistou três assentos: um por seu líder Lee Kuan Yew na divisão de Tanjong Pagar e outro por um dos fundadores do PAP, Lim Chin Siong, na divisão de Bukit Timah. Aos 22 anos, Lim Chin Siong tornou-se, e continua sendo, o mais jovem deputado já eleito para o Legislativo. A eleição foi vencida pelo partido Frente Trabalhista, liderada por David Marshall.
Em abril de 1956, Lim e Lee representaram o PAP nas negociações constitucionais realizadas em Londres, ao lado do ministro-chefe David Marshall. As conversas fracassaram porque os britânicos se recusaram a conceder autogoverno interno à Singapura. Em 7 de junho de 1956, decepcionado com o resultado, Marshall renunciou ao cargo, conforme havia prometido caso a autonomia não fosse alcançada. Ele foi substituído por Lim Yew Hock, outro membro da Frente Trabalhista. Lim Yew Hock conduziu uma campanha fortemente anticomunista e conseguiu convencer os britânicos a estabelecer um plano definitivo para o autogoverno. Como resultado, a Constituição de Singapura foi revisada em 1958, substituindo a Constituição Rendel por uma nova estrutura que concedia autogoverno e permitia que a população elegesse integralmente sua Assembleia Legislativa.
O PAP e seus membros de esquerda ligados ao movimento comunista foram criticados por supostamente incitarem distúrbios em meados da década de 1950. Lim Chin Siong, Fong Swee Suan, Devan Nair e diversos sindicalistas foram detidos pela polícia após os tumultos nas escolas secundárias chinesas. Lim Chin Siong permaneceu em confinamento solitário por quase um ano, separado de outros membros do PAP, que foram enviados para uma prisão de segurança média. O número de membros do PAP presos aumentou em agosto de 1957, quando integrantes do partido ligados aos sindicatos (considerados “comunistas ou pró-comunistas”) conquistaram metade dos assentos do Comitê Executivo Central. Os membros considerados “moderados”, incluindo Lee Kuan Yew, Toh Chin Chye e outros, recusaram-se a assumir seus cargos. O governo de Lim Yew Hock então realizou uma nova onda de prisões, encarcerando todos os membros classificados como comunistas, antes que os moderados reassumissem o controle do partido.
Posteriormente, o PAP decidiu restabelecer laços com a ala trabalhista de Singapura para conquistar os votos dos chineses da classe trabalhadora, muitos dos quais apoiavam os sindicalistas presos. Lee Kuan Yew convenceu líderes sindicais encarcerados a assinar documentos declarando apoio ao partido e às suas políticas, prometendo libertar os membros presos do PAP caso o partido vencesse as próximas eleições. O ex-membro do Barisan Sosialis, Tan Jing Quee, afirmou que Lee colaborou secretamente com os britânicos para impedir que Lim Chin Siong e seus apoiadores trabalhistas chegassem ao poder, devido à enorme popularidade que possuíam. Segundo Quee, Lim Yew Hock teria provocado deliberadamente os estudantes a se rebelarem para então justificar a prisão dos líderes trabalhistas. O acadêmico Greg Poulgrain, da Griffith University, argumentou que “Lee Kuan Yew colaborou secretamente com Lim Yew Hock ao pressionar o Secretário Colonial a impor a proibição dos subversivos, tornando ilegal que ex-presos políticos concorressem a eleições”. Posteriormente, Lee Kuan Yew acusou Lim Chin Siong e seus apoiadores de serem comunistas ligados à Frente Comunista Unida. Entretanto, a existência de provas conclusivas de que Lim fosse um quadro comunista permanece objeto de debate entre historiadores, já que muitos documentos relevantes continuam classificados e indisponíveis ao público.
Primeiros anos no governo
O PAP acabou vencendo as eleições gerais de 1959. Essa eleição também foi a primeira a produzir um parlamento totalmente eleito e um gabinete com plenos poderes de autogoverno interno. Desde então, o partido permaneceu no poder, conquistando a maioria dos assentos em todas as eleições gerais subsequentes. Lee Kuan Yew, escolhido para ser o primeiro premiê após uma eleição interna do PAP, permaneceria no cargo pelos 31 anos seguintes. Ele solicitou aos britânicos a libertação dos membros de esquerda do PAP, incluindo Lim Chin Siong, Fong Swee Suan, Sandrasegaran Woodhull, James Puthucheary e Devan Nair.
Em 1961, o Congresso dos Sindicatos de Singapura (STUC), que havia apoiado o PAP em 1959, dividiu-se entre o pró-governo Congresso Nacional dos Sindicatos (NTUC) e a mais esquerdista e não alinhada Associação de Sindicatos de Singapura (SATU). A SATU entrou em colapso em 1963 após a repressão conduzida pelo governo liderado pelo PAP e a prisão de seus líderes durante a Operação Coldstore, seguida de sua dissolução oficial em 13 de novembro de 1963. O NTUC permanece até hoje como a única central sindical do país e continua mantendo uma relação próxima com o PAP.
A grande cisão de 1961 Em 1961, divergências sobre o plano proposto de fusão para formar a Malásia e uma longa disputa interna pelo poder levaram à separação da ala de esquerda do PAP.
Embora a facção considerada “comunista” já tivesse sido impedida de assumir o controle do partido, outros problemas internos começaram a surgir. Ong Eng Guan, ex-prefeito do Conselho Municipal após a vitória do PAP nas eleições municipais de 1957, apresentou um conjunto de “16 Resoluções” para reexaminar algumas questões anteriormente levantadas pela facção de Lim Chin Siong. Entre as propostas estavam a abolição da PPSO, a revisão da Constituição do partido e mudanças no método de seleção dos membros do quadro dirigente.
Embora as 16 Resoluções de Ong tivessem origem em pautas defendidas pela ala de esquerda liderada por Lim Chin Siong, essa facção apenas solicitou, de forma relutante, que a liderança do PAP esclarecesse sua posição sobre elas. Muitos ainda acreditavam que um partido liderado por Lee Kuan Yew era uma alternativa melhor do que Ong, que era visto como imprevisível e autoritário. No entanto, Lee interpretou a postura dos membros esquerdistas como um sinal de falta de confiança em sua liderança. Isso aprofundou a divisão entre os membros “moderados” do PAP, liderados por Lee, e a facção “de esquerda”, liderada por Lim.
Ong acabou sendo expulso do partido e renunciou ao seu assento na Assembleia para desafiar o governo em uma eleição suplementar em Hong Lim, em abril de 1961. Ele venceu com 73,3% dos votos. Isso ocorreu apesar de Lee Kuan Yew ter firmado uma aliança secreta com Fong Chong Pik, líder do Partido Comunista da Malásia, para que os quadros do partido comunista apoiassem o PAP nessa eleição suplementar.
Barisan Sosialis O grupo dissidente formou o Barisan Sosialis, tendo Lim Chin Siong como secretário-geral. Além dos líderes sindicais chineses, os advogados Thampoe Thamby Rajah e Tann Wee Tiong também aderiram ao novo partido. Vários membros do University Socialist Club, como James Puthucheary (tio de Janil Puthucheary) e Poh Soo Kai, juntaram-se ao partido. A nova legenda atraiu um número significativo de desertores do PAP: 35 das 51 seções locais do partido e 19 dos 23 secretários de seção migraram para o Barisan Sosialis.
Anos de fusão, 1963–1965