William Henry Seward (Florida, – Auburn, ) foi um advogado e político norte-americano que serviu como o 24º Secretário de Estado dos Estados Unidos de 1861 a 1869. Anteriormente tinha atuado como o 12º Governador de Nova Iorque entre 1839 e 1842 e também senador pelo mesmo estado de 1849 a 1861. Seward foi um grande opositor da expansão da escravidão nos Estados Unidos nos anos que precederam a Guerra de Secessão, uma das principais figuras do Partido Republicano em seus primeiros anos e um dos líderes políticos da União durante a Guerra de Secessão.
Seward nasceu em 1801 no vilarejo de Florida, em Nova Iorque, onde seu pai era um fazendeiro escravocrata. Formou-se advogado e se mudou para Auburn, no centro do estado. Foi eleito em 1830 para o senado estadual como membro do Partido Antimaçônico. Quatro anos depois foi indicado pelo Partido Whig para a eleição a governador, sendo derrotado, porém foi eleito para o cargo em 1838 e reeleito em 1840. Seward, durante este período, aprovou várias leis que concederam mais direitos e oportunidades para cidadãos negros, além de garantir julgamentos com júri no estado para escravos fugitivos. Essas legislações protegeram abolicionistas e ele usou sua posição para intervir em casos de negros livres que foram escravizados no Sul.
Ele passou anos praticando direito em Auburn até ser eleito em 1849 pela legislatura de Nova Iorque para o Senado dos Estados Unidos. Seward logo passou a ser odiado no Sul devido suas posições fortes e retórica provocativa contra a escravidão. Foi reeleito senador em 1855 e logo filiou-se ao recém-fundado Partido Republicano, tornando-se uma de suas principais figuras. Seward era considerado um dos principais candidatos para a indicação republicana na eleição presidencial de 1860. Entretanto, fatores como suas atitudes sobre escravidão, apoio a imigrantes e católicos e associação com o editor e chefe político Thurlow Weed lhe prejudicaram, permitindo que Abraham Lincoln conseguisse a indicação para concorrer. Seward ficou devastado pela perda, mas mesmo assim fez campanha para Lincoln, que o nomeou como Secretário de Estado depois de vencer a eleição.
Seward se esforçou ao máximo para impedir que os estados do Sul se separassem, dedicando-se completamente para a causa da União depois disso falhar. Sua posição firme contra qualquer intervenção internacional na Guerra de Secessão ajudou a dissuadir o Reino Unido e a França de reconhecerem a independência dos Estados Confederados. Ele foi um dos alvos da trama de assassinatos que matou Lincoln em 1865, sobrevivendo depois de ser seriamente ferido por Lewis Powell. Seward manteve seu cargo na presidência de Andrew Johnson, durante a qual negociou a Compra do Alasca em 1867 com a Rússia e apoiou o presidente durante seu impeachment. Seward se aposentou em 1869, viajando pelos Estados Unidos e mundo até morrer em 1872. Sua reputação cresceu após sua morte, sendo muito elogiado pela historiografia por seu papel na Guerra de Secessão.
Infância William Henry Seward nasceu em 16 de maio de 1801 na pequena comunidade de Florida, localizada no Condado de Orange em Nova Iorque. Era o quarto filho de Samuel S. Seward e sua esposa Mary Jennings. Samuel Seward era um rico dono de terras e escravagista em Nova Iorque; a escravidão só foi abolida completamente no estado em 1827. Florida ficava localizada a aproximadamente cem quilômetros ao norte da cidade de Nova Iorque, ao oeste do rio Hudson, e era um pequeno vilarejo rural com por volta de doze casas. O jovem Seward estudou na escola local e também em Goshen, a capital do condado. Ele era um estudante inteligente que gostava de seus estudos. Anos depois, um dos ex-escravos de sua família contou que Seward costumava fugir de casa para ir para a escola, em vez de fugir da escola para ir para casa.
Seward foi enviado para a Union College em Schenectady aos quinze anos de idade. Foi admitido em uma classe do segundo ano e logo se destacou como um excelente aluno, conseguindo entrar para a sociedade de honra Phi Beta Kappa. Seus colegas incluíam Richard M. Blatchford, que se tornaria um duradouro associado jurídico e político. Samuel Seward dava pouco dinheiro para o filho e os dois brigaram sobre dinheiro em dezembro de 1818, no meio do último ano de Seward na Union. Este voltou para Schenectady, mas logo deixou a faculdade junto com seu colega estudante Alvah Wilson. Os dois pegaram um navio para a Geórgia, onde Wilson tinha recebido uma oferta de emprego como reitor de uma nova academia na área rural do Condado de Putnam. Wilson no caminho aceitou um trabalho em outra escola, deixando que Seward continuasse até Eatonton, no Condado de Putnam. Os fideicomissários da instituição entrevistaram Seward, então com dezessete anos, e consideraram suas qualificações boas.
Ele gostou de sua época na Geórgia, onde foi aceito como adulto pela primeira vez na vida. Seward foi tratado com hospitalidade, porém também testemunhou o péssimo tratamento dos escravos. Sua família o persuadiu a voltar e ele o fez em junho de 1819. Já era muito tarde para que ele se formasse junto com sua turma, assim estudou direito em um escritório de advocacia em Goshen antes de voltar para a Union College, conquistando seu diploma com as mais altas honras em junho de 1820.
Início de carreira Advogado e política thumb|esquerda|240px|Casa em que Seward morou em Auburn de 1824 até sua morte, construída por seu sogro, hoje um museu Seward passou os dois anos seguintes estudando direito em Goshen e em Nova Iorque com os advogados John Duer, John Anthon e Ogden Hoffman. Ele passou na prova da ordem dos advogados em 1822. Seward poderia ter começado a praticar direito em Goshen, porém não gostava da cidade e procurou trabalhar no crescente oeste do estado. Ele decidiu ir para Auburn, no Condado de Cayuga, que ficava aproximadamente duzentos quilômetros ao oeste da capital estadual Albany e uns trezentos quilômetros ao noroeste de Goshen. Ele juntou-se ao escritório do juiz aposentado Elijah Miller, cuja filha Frances Adeline Miller era uma colega de classe de Cornelia Seward, irmã de Seward, no Troy Female Seminary. Frances Miller e Seward se casaram 20 de outubro de 1824.
O casal viajou para Niagara Falls em 1824 e a roda de sua carruagem se danificou enquanto passavam por Rochester. Dentre aqueles que os ajudaram estava Thurlow Weed, o editor do jornal local. Seward e Weed tornaram-se amigos nos anos seguintes enquanto descobriam a crença conjunta de que políticas governamentais deveriam promover melhorias de infraestrutura, como estradas e canais. Weed é considerado um dos primeiros chefes políticos norte-americanos e se tornaria um dos maiores aliados de Seward. Este beneficiou-se do apoio, porém contemporâneos ficaram com a impressão que Seward era controlado em demasia por Weed.
Seward envolveu-se em política assim que se mudou para Auburn. O sistema político da época estava mudando enquanto novos partidos evoluíam. Havia de forma geral duas facções em Nova Iorque que tinham diferentes nomes, porém eram caracterizadas pelo fato de uma ser liderada por Martin Van Buren e a outra ser contra ele. Van Buren ocupou vários cargos públicos no governo federal. Seus aliados foram chamados de Regência de Albany, pois governavam por Van Buren enquanto ele estava longe.
Ele inicialmente apoiou a Regência, porém já não mais o fazia em 1824, concluindo que ela era corrupta. Seward tornou-se parte do Partido Antimaçônico, que se popularizou em 1826 depois do desaparecimento de William Morgan, um maçom do norte de Nova Iorque. Morgan foi provavelmente morto por outros maçons por publicar um livro que revelava os ritos secretos da ordem. Como o principal candidato em oposição ao presidente John Quincy Adams era o major-general Andrew Jackson, um maçom que caçoava de opositores da ordem, a antimaçonaria ficou muito associada com a oposição a Jackson e suas políticas depois dele ter sido eleito presidente em 1828.
O governador DeWitt Clinton nomeou Seward para o Tribunal Testamentário do Condado de Cayuga no final de 1827 ou início de 1828, porém ele nunca foi confirmado pelo senado estadual por não estar disposto a apoiar Jackson. Seward discursou em favor da reeleição de Adams na campanha de 1828. Foi nomeado para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos pelos antimaçônicos, porém retirou a indicação por achar que não tinha chances de ganhar. Recebeu em 1829 a oferta para a indicação local para uma candidatura à Assembleia Estadual, mas novamente achou que não tinha perspectivas de vitória. Ele conquistou em 1830, com o apoio de Weed, a indicação antimaçônica para senado estadual pelo distrito local. Seward já tinha aparecido em tribunais pelo distrito e falado em favor do apoio governamental para melhoramentos de infraestrutura, uma opinião popular. Weed tinha transferido suas operações para Albany, onde seu jornal defendeu a candidatura de Seward, que foi eleito por dois mil votos.
Político estadual Seward assumiu como senador estadual em janeiro de 1831. Ele deixou Frances e os filhos em Auburn, mas escreveu para ela sobre suas experiências, incluindo se encontrar com o ex-vice-presidente Aaron Burr, que tinha voltado a praticar direito em Nova Iorque depois de um exílio na Europa por seu duelo com Alexander Hamilton e julgamento de traição. A Regência, ou o Partido Democrata, como o partido nacional liderado por Jackson e apoiado por Van Buren passou a ser conhecido, controlava o senado estadual. Seward e seu partido aliaram-se com democratas dissidentes e outros para aprovarem algumas legislações, incluindo medidas de reforma penal, pelas quais ele ficaria conhecido.
Ele viajou bastante durante seu tempo como senador estadual, visitando outros líderes anti-Jackson, incluindo o ex-presidente Adams. Também acompanhou seu pai em uma viagem pela Europa, onde encontraram-se com políticos proeminentes da época. Seward esperava que os antimaçons nomeassem John McLean, Juiz Associado da Suprema Corte, para enfrentar Jackson na eleição presidencial de 1832, porém a indicação ficou com o ex-procurador-geral William Wirt. Henry Clay, senador pelo Kentucky e oponente de Jackson, era um maçom, assim inaceitável pelo partido. Jackson venceu a eleição com facilidade e muitos de seus opositores passaram a acreditar que uma frente unida era necessária para derrotar os democratas, com o Partido Whig se formando gradualmente. Os whigs acreditavam em ações legislativas para desenvolver o país e eram contra as decisões unilaterais de Jackson como presidente, que eles consideravam imperiais. Muitos antimaçons como Seward e Weed se filiaram ao novo partido.
Os whigs de Nova Iorque se reuniram em Utica em preparação para eleição para governador em 1834 a fim de determinarem seu candidato. Esperava-se que o governador William L. Marcy, do Partido Democrata, fosse reeleito e alguns whigs proeminentes estavam ansiosos sobre realizarem uma campanha que provavelmente terminaria em derrota. A esposa e pai de Seward queriam que ele se aposentasse da política para aumentar a renda familiar oriunda da sua prática do direito, enquanto Weed pedia para que ele procurasse se reeleger para o senado estadual. Entretanto, a relutância de outros em se candidatarem fez Seward emergir como um dos principais candidatos. Weed conquistou a indicação para Seward durante a convenção em Utica. A eleição concentrou-se em questões nacionais, principalmente sobre as políticas de Jackson. Estas eram populares na época e foi um bom ano para os democratas, com Seward sendo derrotado por onze mil votos. Weed chegou a afirmar que os whigs foram prejudicados por muitos votos ilegais.