miniatura|250px|Distribuição étnica dos búlgaros na Bulgária Os búlgaros () são um grupo étnico eslavo, pertencente ao grupo dos eslavos do sul, geralmente associado com a República da Bulgária e a língua búlgara. Existem minorias búlgaras e comunidades imigrantes em diversos outros países também.

Origens étnicas Geograficamente, a Bulgária está situada na cabeça de ponte entre a Europa e a Ásia. Os dados do DNA búlgaro sugerem que uma expansão demográfica humana ocorreu em sequência no Oriente Médio, atravessou a Anatólia e se espalhou para o resto da Europa (Bulgária incluída). A taxa de tempo estimada desta expansão abrange aproximadamente os últimos anos, correspondendo à chegada dos humanos anatomicamente modernos à Europa.From Asia to Europe: mitochondrial DNA sequence variability in Bulgarians and Turks. Ann Hum Gen.1996.Jan;60 (Pt 1):35-49. Do ponto de vista histórico, os búlgaros são descendentes de três principais grupos étnicos que se misturaram nos Bálcãs entre os séculos VI e X: tribos locais, que incluíam os trácios; invasores eslavos, dos quais os búlgaros herdaram a língua; e os protobúlgaros falantes de línguas túrquicas, dos quais o gentílico e a mais antiga condição de estado foram herdados.

Na aparência física, a população búlgara é caracterizada pelas feições do tipo antropológico europeu meridional, HLA-DRB1, DQA1, DQB1 DNA polymorphism in the Bulgarian population.Division of Clinical and Transplantation Immunology, Medical University, Sofia, Bulgaria. com algumas influências adicionais. Geneticamente, os búlgaros são mais proximamente aparentados com as outras populações balcânicas (macedônios, gregos, romenos) que com as demais populações europeias.HLA polymorphism in Bulgarians defined by high-resolution typing methods in comparison with other populations.Y-chromosomal diversity in Europe is clinal and influenced primarily by geography, rather than by language Por outro lado, eles são mais proximamente aparentados com algumas populações mediterrâneas e anatólias, como armênios, italianos, turcos, cretenses e sardos.Distributions of HLA class I alleles and haplotypes in Bulgarians – contribution to understanding the origin of the population. M. Ivanova, P. Spassova, A. Michailova, E. Naumova. Division of Clinical and Transplantation Immunology, Medical University, Sofia, Bulgaria. Bulgarian Bone Marrow Donors Registry—past and future directions - Asen Zlatev, Milena Ivanova, Snejina Michailova, Anastasia Mihaylova and Elissaveta Naumova, Central Laboratory of Clinical Immunology, University Hospital "Alexandrovska", Sofia, Bulgaria, Published online: 2 June 2007 Eles também são aparentados com bósnios e croatas.haplogrupo I Do ponto de vista antropológico, os búlgaros são caracterizados por diferentes elementos étnicos que incluem uma estatura atlanto-mediterrânea de média para alta, cabelos parcialmente louros neo-danubianos, típico nariz arrebitado e uma aparência dinárica, com o resultado comum alpino, e turca asiática central braquicéfala ou tártara. O elemento básico é o atlanto-mediterrâneo, que provavelmente chegou antes do neolítico; o neo-danubiano foi provavelmente introduzido pelos eslavos e úgricas, embora alguns deles sejam mais antigos; o nórdico pode ter várias origens, incluindo a trácia; o dinárico é simplesmente o resultado da mescla com elementos locais na Macedônia do Norte; o turco é encontrado principalmente na Bulgária oriental, majoritariamente entre os habitantes das cidades e pastores, mas não entre agricultores. Destes elementos variados, os dois primeiros são os mais importantes.snpa nordish Bulgaria by Bertil Lundmann

A contribuição étnica das populações nativas dos trácios e dos daco-getas, que viviam no território da atual Bulgária e lá estabeleceram o Reino Odrísio foi por muito tempo debatida entre os cientistas no . Alguns estudos genéticos recentes revelam que estes povos realmente tiveram uma contribuição significante nos genes da moderna população búlgara, que é comparável, ou um pouco menor, que a contribuição para outros grupos balcânicos (albaneses, gregos, romenos) e italianos. Isto também é evidente no tipo antropológico mediterrâneo oriental dos búlgaros modernos.Lundman, Bertil J. - The Races and Peoples of Europe (New York: IAAEE. 1977) As antigas línguas dos povos locais já tinham se tornado extintas antes da chegada dos eslavos, e as influências culturais destes povos foram altamente reduzidas devido às repetidas invasões bárbaras (godos, celtas, hunos e sármatas) nos Bálcãs durante o começo da Idade Média, acompanhadas pelas persistentes helenização, romanização e, por último, eslavização. Os celtas também se expandiram ao sul do Danúbio e de seus afluentes no Eles estabeleceram um estado em parte do território da moderna Bulgária, com a capital em , que eles governaram por um século.

Os eslavos emergiram de sua terra natal original (a opinião mais comum sugere que tenha sido na Europa oriental) no começo do , e se espalharam pela maior parte da Europa central, Europa oriental e Bálcãs, formando três ramos principais: os eslavos ocidentais, os eslavos orientais e os eslavos do sul. Os eslavos do sul mais orientais se tornaram parte dos ancestrais dos búlgaros, que, no entanto, são claramente separados geneticamente do coeso grupo de DNA da maioria dos povos eslavos. Este fenômeno é explicado pela "contribuição genética dos povos que viveram na região antes da expansão eslava". A freqüência do haplogrupo R1a1 eslavo proposto alcança apenas 14,7% na Bulgária.

Os protobúlgaros eram um povo semi-nômade que, acredita-se, falavam uma língua turkomana, e que durante o migraram da Ásia Central para a estepe norte caucasiana. Entre 377 e 453, participaram das incursões hunas na Europa central e ocidental. Depois da morte de Átila em 453, e a subsequente desintegração do império huno, as tribos protobúlgaras se dispersaram principalmente para as partes oriental e sudeste da Europa. No final do , algumas tribos protobúlgaras, umas comandadas por Asparuque e outras por Cuber, estabeleceram-se permanentemente nos Bálcãs, e formaram a classe dominante do Primeiro Império Búlgaro em 680-681. O patrimônio genético asiático fluiu para os búlgaros, provavelmente introduzido pelos protobúlgaros e outros povos das estepes que também contribuíram com as origens genéticas búlgaras, como cumanos, pechenegues e ávaros, como é indicado através da limitada presença de alguns alelos e haplótipos raros.GENOTYPE AND ALLELIC FREQUENCIES OF A Taq1 POLYMORPHISM IN THE 3’-UTR OF THE IL-12 p40 GENE IN BULGARIANS. L. Miteva, S. Stanilova (PDF)

Por outro lado, os macedônios vizinhos são cultural, linguística e geneticamente muito próximos dos búlgaros, com suas línguas sendo mutuamente inteligíveis. Os macedônios étnicos eram identificados como "búlgaros" pela maioria dos etnógrafos até a metade do . As razões para isto eram várias, particularmente então por causa do recente surgimento de uma consciência nacional macedônia e independência religiosa, assim como pelo fluido e intercambiável significado de "etnia" no . Uma proporção ínfima de cidadãos da Macedônia do Norte continua a se identificar como búlgaros étnicos, e compôs cerca de 0,5% da população no último censo. Recentemente, a Bulgária tem mantido uma política de tornar o processo o mais fácil possível para macedônios étnicos que reivindicam origem búlgara para obter cidadania. Durante os últimos anos, quando a Bulgária viu crescer a prosperidade econômica e a admissão à União Europeia, cerca de cidadãos da Macedônia do Norte requereram a cidadania búlgara por este caminho.

População 150px|miniatura|esquerda|Colheita de rosas no Vale das Rosas, próximo à cidade de Kazanluk na Bulgária, década de 1870, pintura de Felix Kanitz

A maioria dos búlgaros vive na República da Bulgária. Há significantes minorias tradicionais búlgaras na Moldávia e na Ucrânia (búlgaros bessárabes), assim como pequenas comunidades na Romênia (búlgaros banatos), Sérvia (as Províncias Ocidentais), Grécia, Macedônia do Norte, Albânia e Hungria. Muitos búlgaros também vivem em diáspora, formada por representantes e descendentes das emigrações antiga (antes de 1989) e nova (depois de 1989). A emigração antiga foi feita por emigrantes por motivos econômicos e por dezenas de milhares de emigrantes políticos, e foi dirigida em sua maior parte para Estados Unidos, Canadá, Argentina, Brasil e Alemanha. A emigração mais recente é estimada em pessoas e pode ser dividida em duas: a emigração permanente no começo da década de 1990, direcionada principalmente para Estados Unidos, Canadá, Áustria e Alemanha e a emigração trabalhista do final da década de 1990, direcionada em sua maior parte para Grécia, Itália, Reino Unido e Espanha. As migrações para o Ocidente foram fortalecidas no final da década de 1990 e começo do , conforme as pessoas continuam a se deslocar para países como Estados Unidos, Canadá e Austrália. A maioria dos búlgaros que vivem nos Estados Unidos pode ser encontrada em Chicago, Illinois. Todavia, de acordo com o censo norte-americano de 2000, a maioria dos búlgaros vive nas cidades de Nova Iorque e Los Angeles, e o estado com mais búlgaros nos Estados Unidos é a Califórnia. As maiores populações urbanas de búlgaros estão em Sófia (), Plovdiv () e Varna (). O número total de búlgaros assim alcança entre 7 e 8 milhões, dependendo apenas das estimativas usadas para a diáspora.

No Brasil, as estimativas variam entre 35 e pessoas de origem búlgara. A maior parte vive nos estados do Paraná, São Paulo e Santa Catarina. A antiga presidente do Brasil Dilma Rousseff é filha de um búlgaro.

História

Cultura Alfabeto cirílico miniatura|esquerda|400px|Versão mais antiga do alfabeto cirílico

A Bulgária medieval foi o mais importante centro cultural dos povos eslavos no final do e por todo o X. As duas escolas literárias, a Escola Literária de Preslav e a de Ócrida, desenvolveram uma rica literatura e atividade cultural com autores do nível de Constantino de Preslav, João, o Exarca, Chernorizets Hrabar, Clemente de Ácrida e Naum de Ácrida. Na primeira metade do , o alfabeto cirílico foi inventado na Escola Literária de Preslav baseado nos alfabetos grego e glagolítico. Versões modernas deste alfabeto são agora usadas para escrever, além do búlgaro, mais cinco línguas eslavas: bielorrusso, macedônio, russo, sérvio e ucraniano, assim como o mongol e mais umas 60 línguas faladas no que foi outrora a União Soviética.

A Bulgária exerceu similar influência sobre os países vizinhos na metade do , na época da Escola Literária de Tarnovo, com trabalhos de patriarca Eutímio da Bulgária, Gregório Tsamblak e Constantino de Kostenets. A influência cultural búlgara foi especialmente forte na Valáquia e na Moldávia, onde o alfabeto cirílico foi usado até 1860, enquanto o eslavônico foi a língua oficial da chancelaria real e da igreja até o final do .

Arte e ciência Boris Christoff, Nicolai Ghiaurov, Raina Kabaivanska e Ghena Dimitrova fizeram preciosas contribuições para a ópera, com Ghiaurov e Christoff sendo dois dos maiores baixos do período pós-guerra. Os búlgaros também fizeram valiosas contribuições à cultura mundial nos tempos modernos. Julia Kristeva e Tzvetan Todorov estavam entre os mais influentes filósofos europeus da segunda metade do . O artista Christo (com sua mulher Jeanne-Claude) está entre os mais famosos representantes da arte ambiental.

Os búlgaros da diáspora também têm sido ativos. Cientistas e inventores americanos de descendência búlgara incluem John Atanasoff, Peter Petroff, e Assen Jordanoff. A búlgara-americana Stephane Groueff escreveu o celebrado livro Projeto Manhattan, sobre a construção da primeira bomba atômica, assim como Crown of Thorns ("Coroa de Espinhos"), uma biografia do czar Bóris III da Bulgária.

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