Cidade Leonina () é a parte da cidade de Roma à volta da qual, no , o papa Leão IV encomendou a construção da Muralha LeoninaFerdinand Gregorovius, Annie Hamilton, tr. History of the City of Rome in the Middle Ages, vol. 3, 1903 ch. III "The Leonine City" pp 95ff.. Ela fica do lado oposto do Tibre em relação às sete colinas de Roma e não estava protegida pela antiga muralha da cidade, a Muralha Aureliana, construída entre 271 e 275. O Vaticano está inteiramente dentro da Cidade Leonina, mas ela é muito maior que o minúsculo território vaticano e incorpora também o rione Borgo de Roma.

História A "Muralha Leonina", que define os limites da Cidade Leonina, foi construída logo depois do saque da Antiga Basílica de São Pedro em 846Hodges, Richard. Mohammed, Charlemagne & the Origins of Europe, p. 168. Cornell University Press, 1983. ISBN 0-8014-9262-9. Construída entre 848 e 852, é a única expansão das muralhas de Roma jamais feita, se estende por três quilômetros e circunda completamente o Monte VaticanoWards-Perkins, Bryan. From Classical Antiquity to the Middle Ages, p. 195. Oxford University Press, 1984. ISBN 0-19-821898-2. Uma tentativa anterior de construir a muralha sob o comando do papa Leão III havia fracassado por causa de protestos contra a obra recém-iniciada e os cidadãos romanos desmantelaram o pouco que havia sido construído como pedreira para suas próprias construçõesGregorovius/Hamilton 1903:96.. O papa Leão IV utilizou trabalhadores que moravam em suas propriedades, principalmente sarracenos capturados depois da Batalha de Óstia (849), e uma doação do Império Franco para construir a muralha, que segue um traçado em forma de "U" desde a margem do Tibre no Mausoléu de Adriano (que seria logo depois rebatizado de Castelo de Santo Ângelo) até os aclives do Monte Vaticano à volta da basílica de volta às margens. A muralha em si foi construída em tufa, com 13 metros de altura e 44 poderosas torres espaçadas em intervalos equivalentes ao tiro de um arco. A massiva torre de canto que ainda coroa o Monte Vaticano tem sua origem nesta obraGregorovius/Hamilton 1903:97.. Um festival foi celebrado quando a muralha foi concluída em 27 de junho de 852Gregorovius/Hamilton 1903:99f..

Três novos portões davam acesso ao recém-enclausurado Borgo. Dois estavam no trecho do muro que levava ao Castelo de Santo Ângelo: uma pequena poterna do lado detrás do mausoléu recém-fortificado, chamada de de "Posterula S. Angeli" — e, depois, por sua proximidade ao castelo, "Porta Castelli" — e um maior, o principal pelo qual passavam os imperadores, perto da igreja de São Peregrino, conhecido como "Porta Peregrini" (depois, "Porta S. Petri"). O terceiro e último portão ligava a Cidade Leonina ao Trastevere.

Além disso, torres de corrente foram construídas ao logo do Tibre para repelir ataques sarracenos pelo rio.

Em 1083, depois de se recusar a coroar Henrique IV como novo imperador do Sacro Império Romano-Germânico, o papa Gregório VII se viu cercado na Cidade Leonina. Depois que Henrique tomou a cidade, Gregório se refugiou no Castelo de Santo Ângelo. Segundo o papa, a cidade caiu por causa da fome e da negligência, e não tanto "pela coragem dos homens de Henrique"Robinson, I.S. Henry IV of Germany 1056–1106, p. 224. Cambridge University Press, 2003. ISBN 0-521-54590-0.

No , uma extensiva circunvalação completa foi patrocinada pelo papa Pio IV , quando a Muralha Leonina já estava interrompida em alguns pontos. Três novos portões foram aberto nesta época.

Em 1870, quando as forças militares do Reino da Itália capturaram Roma, depondo o que restava dos Estados Papais, o governo italiano pretendia permitir que o papa mantivesse a Cidade Leonina sob seu controle. Porém, o papa Pio IX não concordou com o acordo e criou-se um impasse de 59 anosDe Mattei, Roberto. Pius IX, p. 76. Gracewing Publishing, 2004. ISBN 0-85244-605-5, resolvido em 1929 pelo Tratado de LatrãoPham, John-Peter, Heirs of the Fisherman, p. 250. Oxford University Press US, 2004. ISBN 0-19-517834-3, que reconheceu a soberania e a independência do Vaticano.

Bibliografia

Gibson, Sheila and Bryan Ward-Perkins. "The Surviving Remains of the Leonine Wall". Papers of the British School at Rome, 47 (1979): 30–57. Hodges, Richard. Mohammed, Charlemagne & the Origins of Europe. Cornell University Press, 1983. ISBN 0-8014-9262-9 Wards-Perkins, Bryan. From Classical Antiquity to the Middle Ages. Oxford University Press, 1984. ISBN 0-19-821898-2

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