thumb|Retrato de Claude-Nicolas Ledoux, com a sua filha Adélaïde Constance, por volta de 1782 – Museu Carnavalet. thumb|Fachada do Hôtel de Mlle Guimard, Paris, edificado entre 1770 e 1773, ao estilo neoclássico.

Claude Nicolas Ledoux (Dormans, 21 de março de 1736 — Paris, 18 de novembro de 1806), foi um arquiteto, urbanista e utópico francês, um dos principais representantes da arquitectura neoclássica. As suas principais obras financiadas pela monarquia francesa, pela eloquência das formas elementares e o caráter distintivo dos monumentos dignificariam a autoridade citadina do Antigo Regime e assinalariam a passagem ao domínio austero da urbanidade.AZEVEDO, Ricardo Marques de. Op. cit., p. 53 Ledoux era protegido de Madame du Barry, amante do rei Luis XV, e foi autor de duas das mais importantes obras públicas da época: A Salina Real de Arc-et-Senans (declarada património da Humanidade em 1982) e as «Barrières» de Paris — 47 portas alfandegárias projetadas por Ledoux nos estertores do Ancien Regime — o cerco fiscal que a Ferme générale levantou para cobrar impostos — entre eles a gabela, o imposto sobre o sal —, uma barreira de 24 km e 6 m de altura com 60 barreiras ou postos de controle que alguns autores consideram uma das causas que mais contribuiu para o descontentamento da população que culminaria na Revolução francesa de 1789.

O seu papel enquanto arquiteto tem suscitado alguma controvérsia e passou do reconhecimento ao absoluto desprestigio no século XIX: Ledoux compõe variações sobre temas: o templo grego, os portais amuralhados, o esquema palladiano da rotunda. A mistura de tipos antigos e modernos é violentamente contestada por Quatremère,Antoine Chrysostome Quatremère, conhecido como Quatremère de Quincy (Paris, 21 de outubro de 1755 - Paris, 28 de dezembro de 1849), arqueólogo, historiador, crítico de arte, que editou entre 1788 e 1825 o «Dictionnaire d'Architecture», foi um dos mais importantes teóricos do seu tempo. A referência encontra-se num artículo intitulado «Barrière», escrito para a Encyclopédie Méthodique, «Architecture», vol. I, 1788, pag. 216. apenas o arco triunfal seria adequado ao tema. Enquanto o emprego das massas imponentes e da mais austera e viril das ordens gregas é motivo de encômio, as licenças de toda espécie encontradas algures — arcos inseridos em frontões, ábacos comuns a duas colunas, modilhões, bossagens, colunas “submetidas aos piores gêneros de tortura” — justificam a exprobração.

Em 1832, Victor Hugo questionava-se: «Por acaso teremos chegado a um extremo tal de miséria que somos forçados a admirar as portas alfandegárias de Paris»?.Guerre aux demolisseurs, Victor Hugo, Paris 1832. No entanto, durante o século XX a sua figura terá sido reivindicada: em 1933, Emil Kaufmann, o assinalava como um dos precursores da arquitetura moderna;De modo significativo, intitulou o seu influente ensaio Von Ledoux bis Le Corbusier, Viena 1933. Kaufmann seguiu com o seu estudo em Three Revolutionary Architects, Boullée, Ledoux and Lequeu, Filadelfia, 1952. nos anos 1960 foi considerado como um utopista;Sobre todo pela sua proposta para a «Ville idéale de Chaux». Para isso, veja a obra de Anthony Vidler. «Claude-Nicolas Ledoux: Architect of the Revolution Between Vision and Utopia», Birkhauser, 2006. e, desde finais de 1980, foi uma das referências dos pós-modernos, que nele encontraram um antecedente e uma fonte para as suas propostas.

Apesar de a sua carreira ter prevalecido por apenas 25 anos — apenas depois da Revolução francesa é que voltaria a construir — realizou obras suficientes para tal reconhecimento, todavia, a maioria delas foram destruídas no século XIX.

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