Movimento Brasil Livre (MBL) é um movimento político liberal-conservador brasileiro vinculado à direita, ativo desde 2014. Em seu manifesto, cita cinco objetivos: "imprensa livre e independente, liberdade econômica, separação de poderes, eleições livres e idôneas e fim de subsídios diretos e indiretos para ditaduras". Obtiveram maior destaque nacional como oposição ao governo Dilma em 2016, com grande atuação e liderança nos protestos da época. Apesar disso, posteriormente o movimento defendeu e protocolou à época o impeachment de Jair Bolsonaro e advogou pelo voto nulo no segundo turno das eleições presidenciáveis de 2022. Declaram-se como uma alternativa de "terceira via" na política brasileira. Fundaram, em novembro de 2025, o Missão, o partido político do movimento.
O Movimento Brasil Livre surgiu ao final de 2014 com a organização de duas manifestações nos estados brasileiros de São Paulo e Rio Grande do Sul em apoio às investigações da Operação Lava Jato e por mais liberdade de imprensa. Em 2016, combinou forças com as bancadas evangélica e ruralista do Congresso por uma agenda de Estado mínimo, reforma trabalhista, ajuste fiscal e redução da maioridade penal. Com sede nacional em São Paulo, o movimento realizou frequentes protestos a favor do impeachment de Dilma Rousseff e ações políticas em todo o país. Inicialmente, a estratégia política do MBL foi pela convocação das manifestações dos dias 15 de março e 12 de abril de 2015, em seguida, as manifestações de 2016. Após o impeachment, o movimento auxiliou o governo Temer na promoção de reformas, como as trabalhistas e previdenciárias. Em 2019, o MBL e o Movimento Vem pra Rua abandonaram o apoio ao bolsonarismo e tornaram-se oposição ao governo.
De acordo com o jornal The Economist, o grupo é composto por aderentes do thatcherismo e foi fundado "para promover respostas do livre mercado aos problemas do país". Para o jornal El País, apesar de sua aparência, a ação do movimento é eminentemente antipetista, aspecto que vem sendo repetidamente notado.HOLIDAY, Fernando. Palestra "O Brasil pós-impeachment" proferida na Universidade Livre UFABC no dia 18 de outubro de 2016. 2016. O movimento está posicionado à direita do espectro político tradicional. Formado em sua maioria por jovens com menos de trinta anos, seus integrantes são conhecidos por seus discursos incisivos, sendo comparados pela revista Exame a uma startup que nasceu para fazer protestos. Segundo a revista Época, nos protestos de 16 de agosto de 2015, Kim Kataguiri e Fernando Holiday, duas lideranças do movimento, foram recebidos pela população participante como estrelas da política brasileira.
História
Origens
miniaturadaimagem|Logomarca usada de 2014 a 2016. O MBL foi fundado em 1º de novembro de 2014 por Kim Kataguiri, Renan Santos, Gabriel Calamari, Frederico Rauh, Alexandre Santos, Rafael Rizzo e Rubinho Nunes, sob a estrutura formal (CNPJ, contas bancárias e sede) do Movimento Renovação Liberal (MRL), uma associação privada da família de Renan Santos. Tal associação se afirmava uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) "sem fins econômicos e lucrativos" em seu estatuto social registrado em cartório em julho de 2014. Como OSCIP, acarretaria prestações anuais de contas avalizadas pelo Ministério da Justiça (MJ) e dedução no imposto de renda para os doadores, mas não havia tal requisição ou reconhecimento pelo MJ. Já no cadastro na Receita Federal do Brasil, há informado que a criação ocorreu em março de 2015, tem por atividade principal a prestação de "serviços de feiras, congressos, exposições e festas" e quadro societário divergente do que consta no seu estatuto social.
Na época o MBL promoveu sua primeira manifestação, reunindo cerca de 5 mil pessoas no Museu de Arte de São Paulo (MASP) pela investigação e punição dos envolvidos no escândalo apurado pela Operação Lava Jato, e pela liberdade de imprensa, depois da sede do Grupo Abril ter sido vandalizada em outubro do mesmo ano.
thumb|Protestos que o MBL ajudou a convocar e nos quais esteve presente O MBL participou das manifestações populares que ocorreram em diversas regiões do Brasil e que tiveram como principais objetivos protestar contra o Governo Dilma Rousseff e a corrupção. Essas manifestações reuniram centenas de milhares de pessoas nos dias 15 de março, 12 de abril e 16 de agostoPellegrini, Marcelo. "Manifestações contra o governo encolhem em todo Brasil". Carta Capital. 12 de abril de 2015. Página visitada em 2 de junho de 2015. e, segundo algumas estimativas, foram a maior mobilização popular no país desde o início da Nova República. No dia 15 de março, ocorreram protestos em todos os estados brasileiros, em ao menos 160 cidades. Os estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro registraram as maiores adesões, enquanto os estados do Norte e do Nordeste tiveram menor índice de participação. Em Palmas, por exemplo, não houve protestos.Sobrinho, Wanderley Preite. "Número de manifestantes no 15 de março causa polêmica". Carta Capital. 17 de março de 2015. Página visitada em 2 de junho de 2015. Também foram registrados protestos em seis cidades do exterior: Buenos Aires, Londres, Lisboa, Miami, Montreal e Nova Iorque. As estimativas totais de participantes variam. Enquanto as polícias militares estimam entre milhão e milhões, outras fontes afirmam que estiveram presentes milhões de pessoas.
Após as últimas manifestações, o MBL iniciou a Marcha pela Liberdade, uma marcha de São Paulo até Brasília, pleiteando o impeachment de Dilma Rousseff. Chamada de "Marcha pela Liberdade", saiu de São Paulo no dia 24 de abril e percorreu três estados e mais de mil quilômetros, ao longo de 33 dias, chegando a Brasília em 27 de maio.Prazeres, Leandro. "Esvaziada, marcha que saiu de SP para pedir impeachment chega ao Congresso". UOL. Folha da manhã, 27 de maio de 2015. Página visitada em 2 de junho de 2015. No Congresso Nacional, ingressaram com um pedido de impeachment contra a presidente. Os manifestantes foram recebidos por líderes da oposição no Congresso Nacional e, em seguida, se reuniram com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Durante a marcha, Kim Kataguiri, um dos líderes do MBL, sofreu um acidente quando um motorista embriagado atingiu o carro que dava apoio ao grupo na estrada.
Durante a discussão do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados, em 16 de abril de 2016, quando o acesso à Câmara estava restrito, os líderes Kim Kataguiri, Renan Santos e Rubens Nunes entraram no plenário com crachás fornecidos irregularmente pelos deputados oposicionistas Darcísio Perondi (PMDB-RS) e Pauderney Avelino, líder do DEM.
Questionamentos sobre seu financiamento O financiamento do MBL tem sido repetidamente questionado, uma vez que o grupo não revela de forma transparente a origem de seus recursos. A deputada federal Jandira Feghali acusou, em entrevistas, o movimento de receber financiamento internacional. O financiamento do MBL é supostamente ligado aos irmãos Koch (David e Charles Koch). Por outro lado, os responsáveis pelo MBL afirmam que ele é mantido pela contribuição financeira de seus seguidores, por recursos pessoais e por doações de empresários, para promover seus atos e divulgá-los nas redes sociais. Entretanto, Kim Kataguiri confirma que coordenadores do MBL receberam treinamento no Students for Liberty, organização que é financiada pelos irmãos Koch.
Após o impeachment miniaturadaimagem|Logomarca utilizada de 2016 a 2024. Participação nas eleições municipais de 2016 Ao final do processo de impeachment, o MBL direcionou seu foco para as eleições vindouras, tendo o MBL lançado um candidato a prefeito, José Pocai, que venceu a eleição e tornou-se prefeito de Monte Sião; um candidato a vice-prefeito, Rubinho Nunes, que foi derrotado em Vinhedo; e 45 candidatos a vereador, dos quais 8 foram eleitos: Fernando Holiday em São Paulo, Ramiro Rosário em Porto Alegre, Filipe Barros em Londrina, Léo Braga em Sapiranga, Carol Gomes em Rio Claro, Marschelo Meche em Americana e Homero Marchese em Maringá. O MBL também apoiou a candidatura de Nelson Marchezan Júnior à prefeitura de Porto Alegre, que foi a vencedora.
Ataque ao Queermuseu O MBL fez críticas à exposição de arte Queermuseu e, mais tarde, à peça teatral La Bête, acusando-os de incentivar a pedofilia e por blasfêmia. Por essa razão, o movimento foi acusado pelos críticos de tentar censurar a arte. O Santander Cultural, patrocinador do Queermuseu, se viu obrigado a recuar e fechou antecipadamente a exposição, e emitiu uma nota de esclarecimento.
Exclusão de alegadas redes de desinformação pelo Facebook No dia 25 de julho de 2018, o Facebook excluiu 196 páginas e 87 contas do Brasil que classificou como integrantes de uma "rede de desinformação". Muitas dessas páginas eram ligadas ao MBL e a outros grupos conservadores como uma página relacionada ao movimento "Brasil 200".
Seis dessas páginas eram ligadas ao Movimento Brasil Livre, como os perfis dos militantes Renato Battista e Thomaz Henrique Barbosa, e a página de um dos coordenadores nacionais do grupo, Renan Santos.
Desempenho nas eleições gerais de 2018 Em 2018, alguns membros e políticos ligados ao MBL foram eleitos para o Congresso Nacional: os deputados federais Kim Kataguiri, por São Paulo; José Mario Schreiner, por Santa Catarina; Paulo Martins, pelo Paraná, Sóstenes Cavalcante, pelo Rio de Janeiro e Jerônimo Goergen, pelo Rio Grande do Sul e os senadores Marcos Rogério, por Rondônia e Eduardo Girão, pelo Ceará.
Nas assembleias legislativas estaduais, foram eleitos Arthur do Val em São Paulo, Homero Marchese no Paraná e Ulysses Moraes no Mato Grosso.
Promoção da rede social Gab Em janeiro de 2019 foi mencionado ao lado de outros veículos sociais de "ultradireita" ao promover a rede social Gab, que tem sido descrita como uma plataforma de supremacistas brancos e de pessoas da direita alternativa.
Polarização política Em 28 de julho de 2019, em entrevista à Folha de S.Paulo, Renan Santos, que coordena o grupo nacionalmente, disse que outros membros abriram "a caixa de Pandora de um discurso polarizado" sobre política no Brasil e que seriam "paz e amor na forma de dialogar com o outro".
Revelações da Vaza Jato No arquivo da Vaza Jato de 2019 do The Intercept, foi apontado que o procurador da República Deltan Dallagnol usou grupos políticos para ser um dos seus porta-vozes pessoais, entre eles o Movimento Brasil Livre. No entanto, nos diálogos, o procurador da Lava Jato e o então juiz Sergio Moro afirmaram que não tinham contato com o MBL.
Em novembro de 2019, o administrador Thiago Dayrell foi acusado de injúria racial contra uma cozinheira pelos funcionários do restaurante onde estava, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Segundo o relato, Thiago, que era integrante do núcleo do MBL de Belo Horizonte, se exaltou com a demora no atendimento, o que levou a cozinheira a pedir calma, ao que ele teria respondido "Não coloca a mão em mim, sua crioula", o que teria iniciado uma confusão com outros funcionários. A cozinheira tentou separar a briga e Thiago a agarrou pelo pescoço e chutou sua perna. Thiago, em seu relato, negou a injúria racial e afirmou que ele é quem foi espancado, e pediu imagens das câmeras de segurança pra provar sua versão.
Ao fim, o ex-integrante do MBL de Belo Horizonte foi autuado em flagrante por "injúria racial" e "vias de fato", e levado à delegacia. Thiago pagou fiança e depois foi liberado, e responderá aos processos em liberdade.
Acusação de lavagem de dinheiro em 2020 No dia 10 de junho de 2020 foram presos Alessander Mônaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso (mais conhecido como Luciano Ayan), investigados por lavagem de dinheiro. Inicialmente os empresários foram ligados ao MBL pela imprensa, mas o grupo negou que ambos faziam parte do movimento.