Heranes I (; ), também chamado Herodes, Herodiano (; m. ) foi um nobre palmireno e cogovernante daquele reino no , um dos Trinta Tiranos da História Augusta. Era filho de Odenato com sua primeira esposa de nome incerto e depois se torna afilhado de Zenóbia e meio-irmão de seus filhos. Aparece em 251, quando foi feito senador e senhor de Palmira (exarco), ofícios que seu pai assume no ano seguinte. Em 263, foi nomeado co-rei de reis com Odenato e mantém-se no poder até 267, quando ambos são assassinados em circunstâncias incertas, seja por motivação pessoal de Meônio, primo ou sobrinho de Odenato, ou por instigação de Zenóbia ou do imperador Galiano .
Família
Heranes era o filho mais velho de Odenato com esposa de nome incerto, neto de Heranes, bisneto de Vabalato e tataraneto de Nasor. Seu nome, diferente do de seu pai que era árabe, tinha origem aramaica. Devido ao segundo casamento, em data incerta, de seu pai com Zenóbia, torna-se afilhado dela e tem como meio-irmãos duas moças, cujos nomes não são conhecidos mas se sabe que se casaram, respectivamente, com o imperador Aureliano e um senador romano, e Vabalato, e Sétimo Antíoco. A História Augusta (HA) cita outros dois filhos de Zenóbia, chamados Hereniano e Timolau, cuja existência é questionada; alguns pensam que o primeiro era uma variante do nome de Heranes II, enquanto o segundo pode ser uma figura fabricada, um indivíduo de fato (cujo nome, aqui registrado na forma latinizada, tem a variante palmirena Taimallat) ou uma corrupção do nome de Vabalato.
Nome
A reconstituição da vida de Heranes depende da forma como as fontes disponíveis são elencadas. A História Augusta alude ao filho de Odenato, fruto de sua relação com uma mulher de nome desconhecido antes de Zenóbia, mas chama-o Herodes. A historiografia nota Herodes como nada mais do que a corrupção do nome Heranes, permitindo associá-los. O mesmo é dito de Sétimo Herodiano, o governante em Palmira citado na inscrição de sua investidura (IGR III 1032) e num selo de cobre da Síria, e que a literatura igualmente associa como sendo Heranes; parte da literatura, a esse respeito, opta por associar Herodiano com Heranes II. Para Udo Hartmann, a diferença gráfica entre Heranes e Herodiano se deve a linguagem usada na inscrição (Herodiano seria a variante grega), implicando que seu nome era Heranes Herodiano/Herodes.
Vida
thumb|upright=1.1|esquerda|Possível busto de Odenato em calcário.Gliptoteca Ny Carlsberg, Copenhague
Seu surgimento no registro histórico acompanha o surgimento de seu pai. Quando Odenato aparece, no começo dos anos 250, sua primeira mulher estava morta e Heranes era crescido. A HA afirma que ele era o mais efeminado dos homens, totalmente oriental e entregue ao luxo grego, pois tinha tendas e pavilhões bordados com tecido de ouro e tudo à persa. Para Richard Stoneman, livre da validade da afirmação, ela indica a opulência da corte palmirena nesse período. Além disso, para o mesmo autor, Heranes é honrado liderando um exército vitorioso contra o Império Sassânida (persas), embora não se saiba em qual campanha, permitindo relativizar o peso da afirmação da HA. A mesma fonte ainda indica que Odenato, obedecendo aos modos do filho e movido pelos estímulos da indulgência de um pai, deu-lhe todas as concubinas do rei e as riquezas e joias que capturou.
Em inscrição datada de outubro de 251, Heranes é registrado como senador e senhor de Palmira (exarco); noutra, de 252, seu pai aparece com o mesmo título. Pouco depois, foi coroado rei de reis por Odenato; a evidência à coroação é uma dedicação não datada encontrada inscrita na base de uma estátua de Palmira. A dedicação foi feita por Sétimo Vorodes como duúnviro, um ofício que ocupou entre 263 e 264; Udo Hartmann, com base nisso, disse que a coroação ocorreu em 263. A dedicação também implica que Heranes derrotou um exército persa no rio Orontes.
Heranes foi provavelmente assassinado com seu pai sob circunstâncias incertas em 267. A HA apresenta três versões diferentes: na Vida de Galiano, afirma que foram traiçoeiramente mortos pelo primo de Odenato, Meônio, no tempo que os citas (nesse caso godos) estavam invadindo o Império Romano; na Vida de Odenato, afirma que após pôr todos os assuntos do Oriente em ordem, Odenato foi morto com Heranes por Meônio; na Vida de Meônio, diz-se que Meônio matou-os por inveja e por estar em conluio com Zenóbia, que não suportava a ideia de seu afilhado estar em posição superior a seus filhos. Zósimo disse que o assassinato ocorreu em Emessa durante a celebração de um aniversário de um amigo de Odenato, enquanto João de Antioquia afirmou que o evento foi fruto de uma conspiração do imperador Galiano , a quem Odenato respondia como representante imperial no Oriente.
Para João Zonaras, o assassinato foi motivado por uma disputa durante uma caça. Segundo o relato, Meônio acompanhou Odenato numa caçada e atirou a lança contra o animal primeiro, matando-o. Odenato se enfureceu e ameaçou-o, mas Meônio fêz o mesmo e foi punido com o confisco de seu cavalo, algo tido como insultuoso. Meônio ameaçou-o e foi posto em correntes. Depois, Heranes pede a Odenato que Meônio fosse libertado, e quando Odenato estava bêbado, Meônio matou ele e Heranes. Para Richard Stoneman, Meônio, para além da suposta relação conspiratória com Zenóbia, deve ser entendido como rival ao trono ou membro de um grupo que desaprovava a atitude amigável de Odenato em relação ao Império Romano.
Bibliografia
Categoria:Nascidos no século III Categoria:Árabes do século III Categoria:Romanos antigos do século III Categoria:Romanos antigos assassinados Categoria:Trinta Tiranos (Roma Antiga) Categoria:Império de Palmira Categoria:Filhos de Odenato Categoria:Dinastia emesena