Templo de Jano () era um antigo templo dedicado ao deus Jano, o deus duas faces das fronteiras, localizado perto do Argileto, no Fórum Romano. Ele tinha duas portas, uma cada extremidade, e abrigava uma estátua do deus. Estas portas, chamadas de "Portas de Jano" eram fechadas em tempos de paz e abertas em tempos de guerra.
De acordo com Lívio (1.19), o segundo rei de Roma, Numa Pompílio, decidiu mudar os primeiros romanos, propensos à guerra, de seus modos violentos instigando neles o espanto e a reverência. Entre seus projetos estava a promoção da religião, a criação de cargos sacerdotais e a construção de templos, que tinham o benefício adicional de imbuir na população um senso de espiritualidade. O Templo de Jano foi o mais famoso deste projeto.
Descrições antigas Plutarco, na "Vida do Rei Numa", escreveu:
Portas de Jano thumb|esquerda|300px|Sestércio de Nero com o Templo de Jano fechado no reverso, com as guirlandas indicando o momento festivo. Durante o reinado de Numa, as Portas de Jano permaneceram fechadas e Roma ficou em paz. O rei seguinte, Túlio Hostílio, abriu as Portas de Jano quando iniciou sua guerra contra Alba Longa e elas permaneceram abertas pelos 400 anos seguintes, até logo depois da Primeira Guerra Púnica, quando Tito Mânlio as fechou em 235 a.C.. O templo ficou fechado por apenas oito anos, pois a guerra contra os gauleses no norte da Itália obrigou que elas fossem reabertas. Assim ficaram até 29 a.C., quando foram fechadas depois da morte de Marco Antônio e Cleópatra.
Segundo a "Feitos do Divino Augusto", o primeiro relato da vida de Augusto, "Jano Quirino, que nossos ancestrais desejavam que fosse fechado sempre que a paz fosse assegurada pelas vitórias em todo o império, por terra ou por mar, foi fechado, segundo os registros, antes de eu nascer, apenas duas vezes desde a fundação da cidade, mas o senado decretou que deveria ser fechado em três ocasiões enquanto fui príncipe"{Feitos do Divino Augusto, parágrafo 13, disponível no Wikisource em inglês. Pelo relato de Dião Cássio, é possível datar os dois primeiros eventos em 29 a.C. e 25 a.C.
Porém, a data do terceiro fechamento permanece tema de debates entre os estudiosos. O único autor antigo a datá-lo foi Paulo OrósioOrósio, Paganos 6.22, que associa o fechamento ao nascimento de Cristo (entre 4 e 1 a.C.). Porém, acadêmicos modernos universalmente rejeitam esta hipótese, pois o exército romano estava em campanha pela Germânia e no Extremo Oriente nesta época. Inez Scott Ryberg e Gaius Stern datam este terceiro fechamento em 13 a.C., baseados no retorno conjunto de Augusto e Agripa a Roma depois de pacificarem as provínciasInez Scott Ryberg, "The Procession of the Ara Pacis," MAAR 19 (1949), 77-101; Gaius Stern, Women, Children and Senators on the Ara Pacis Augustae (Berkeley diss. 2006), and "How Many Lictors are on the Ara Pacis Augustae?" CAMWS 2007 . Sir Ronald SymeRonald Syme History in Ovid (1977), 24 ff, and "Problems with Janus," AJP 100 (1979), 188 ff data o evento em 7 a.C., coincidindo com o triunfo de Tibério e seu segundo consulado, eventos ocorridos em anos perdidos numa lacuna dos manuscritos sobreviventes de Dião Cássio. Mario Torelli segue a data de OrósioMario Torelli, Structure and Typology of Roman Historical Reliefs, (1982) Chapter 2: “A New Start: The Ara Pacis Augustae" .
Imperadores posteriores fecharam as Portas de Jano com grande fanfarra, a mais famosa delas na época de Nero e Vespasiano. O primeiro cunhou uma grande série de moedas com o Ara Pacis (e o Templo de Jano com as portas fechadas) no reverso para comemorar o evento. Outros imperadores certamente abriram e fecharam as Portas de Jano, mas as referências foram se tornando cada vez mais raras.
O poeta Virgílio também incluiu na Eneida a abertura das Portas de Jano para marcar o início da guerra entre troianos e latinosVirgílio, Eneida 7.
Ver também Pax Romana Templo de Jano (Fórum Holitório) Arco de Jano
Ligações externas
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