thumb|Anônimo: Vinte e cinco Bodhisattvas descendo do céu, Museu de Arte Kimbell, Texas. Período Kamakura, Japão (1185–1333)
No Budismo, um Bodisatva (em português) ou Bodhisattva ( bodhisattva; bodhisatta; sattva: "ser" e bodhi: "iluminado") é um estado sublime que um ser humano pode alcançar em vida (iluminação) tradicionalmente é qualquer pessoa que, movida por grande compaixão, gerou bodhicitta, teve o desejo de puro coração e atingir o mesmo estado espiritual do Buda, para que através disso possa ajudar todos os seres sencientes a se libertar do sofrimento. Um Bodisatva faz um juramento poderoso a sí mesmo para ajudar todas as pessoas, ele escolhe por vontade própria que não entrará no Nirvana até que todos os seres estejam livres do sofrimento. Uma pessoa pode pedir ajuda a um Bodisatva através de pedidos diretos e a recitação de seus mantras. O ideal do Bodisatva é central entre os praticantes do Budismo Mahayana, o que inclui o Zen, o Budismo Tibetano, o Budismo Chinês e várias outras tradições Mahayana.
The Bodhisattva Vow: A Practical Guide to Helping Others, page 1, Tharpa Publications (2nd. ed., 1995) ISBN 978-0-948006-50-0 De acordo com o budismo tibetano, bodhisattva é um dos quatro estados sublimes junto com Arhat, Buddha e, Pratyekabuddha.P. 313 Brilliant Moon: The Autobiography of Dilgo Khyentse by Dilgo Khyentse
Bodhisattva (bengali: বোধিসত্ত্ব, bodhishotto; tibetano: བྱང་ཆུབ་སེམས་དཔའ་; Wylie: byang chub sems dpa; birmanês: ဗောဓိသတ် bawdithat; bahasa indonesia: bodhisatwa; vietnamita: Bồ Tát; Páli बोधिसत्त, bodhisatta, tailandês: โพธิสัตว์, phothisat; japonês: 菩薩, bosatsu; chinês simplificado: 菩萨; chinês tradicional: 菩薩; pinyin: púsà), na tradição Mahayana e Vajrayāna, é representado por um panteão de bodisatvas, personificações das forças dentro de mentes humanas.
O bodisatva é um tema popular na arte budista.
Budismo Theravada
O termo bodhisatta (pāli) foi usado por Buda no Cânone Páli para referir-se tanto em sua vida anterior, como em sua última vida (Sidarta Gautama) como um novo homem antes de sua iluminação, no período durante o qual ele foi trabalhar para a sua própria libertação. Durante seus discursos ele relatava suas experiências como um jovem aspirante e regularmente usava a frase: "Quando eu era um bodisatva não-iluminado (...)". O termo denota, portanto, um ser que está "em direção a iluminação", em outras palavras, uma pessoa cujo objectivo é tornar-se plenamente iluminado. No Cânone Páli, o bodisatva também é descrito como alguém que ainda está sujeito ao nascimento, envelhecimento, enfermidade, morte, tristeza e contaminações. Algumas das vidas anteriores de Buda como um bodisatva são destaques no Jātaka.
No Cânone Páli, o bodisatva Sidarta Gautama:
Enquanto Maitreya (páli: metteya) é mencionado no Cânone Pali não como um bodisatva, mas simplesmente como o próximo Buda.
Na literatura Teravada o termo "bodhisatta" é usado com bastante frequência, no sentido de alguém no caminho para a libertação. A tradição posterior também reconhece a existência de dois tipos adicionais de bodisatvas: o paccekabodhisatta que atingirá o paccekabuddhahood e o savakabodhisatta que irá atingir a iluminação como um discípulo de um Buda. De acordo com o professor da doutrina Theravada, Bhikkhu Bodhi, o caminho do bodisatva não foi ensinado por Buda.
Budismo Mahaiana
Ideal do Bodisatva O Budismo Mahaiana, por outro lado, considera o bodisatva como uma pessoa que já tem um considerável grau de esclarecimento e procura usar sua sabedoria para ajudar outros seres humanos a tornarem-se livres. Nesse entendimento da palavra o bodisatva é uma pessoa sábia que usa meios hábeis para levar os outros a ver os benefícios da virtude e do cultivo da sabedoria.
O Mahaiana incentiva todos a se tornarem bodisatvas e tomar os votos. Com estes votos, faz a promessa de trabalhar para o completo esclarecimento de todos os seres, praticando as seis perfeições. A indelével ligação com o voto do bodisatva é o parinamana.
No Budismo Mahaiana a vida neste mundo é comparada as pessoas que vivem em uma casa que está pegando fogo. Eles tomam o mundo como realidade, realização de projectos e prazeres do mundo sem perceberem que a casa está pegando fogo e logo vai queimar (a inevitabilidade da morte). Um bodisatva é o único que tem vontade de libertar os seres sencientes do samsara. Este tipo de mente é conhecida como bodhicitta. Bodisatvas tomam os votos do bodhisattva a fim de avançar no caminho espiritual para o estado de Buda.
Há uma variedade de diferentes concepções sobre a natureza de um bodisatva no Mahaiana. De acordo com algumas fontes maaianas, um bodisatva é alguém no caminho para um estado de Buda completo. Outros falam que os bodisatvas renunciam ao estado de Buda. De acordo com Kun-bzang bla-ma'i zhal-lung, um bodisatva pode escolher entre três caminhos para ajudar os seres sencientes no processo de alcançar o estado de Buda. Eles são:
Rei - como bodisatva - aquele que aspira a tornar-se Buda logo que possível, e então ajudar os seres sencientes em pleno desenvolvimento; Barqueiro - como bodisatva - aquele que aspira a alcançar o estado de Buda, juntamente com outros seres; Pastor - como bodisatva - aquele que aspira a demora para alcançar o estado de Buda até que todos os outros seres sencientes alcancem o estado de Buda. Bodisatvas como: Avalokiteśvara, Śāntideva, entre outros, acredita-se que se enquadrem nesta categoria.
A Doutrina Tibetana (como a Theravada, por motivos diferentes), reconhece apenas o primeiro destes, considerando que os Budas que permanecem no mundo são capaz de ajudar os outros, então não há nenhum ponto em contradição. Geshe Kelsang Gyatso observa:
As doutrinas tradicionais da Ásia Oriental tendem a enfatizar a segunda e a terceira, a ideia de abster-se deliberadamente de se tornar um Buda, talvez para sempre.
Dez estágios De acordo com certos textos, como o Dashabhumika Sutra e o Rajaparikatha Ratnamala, descrevem as dez terras, solos ou estágios (sânsc.: bhūmi) que um bodisatva deve atravessar até alcançar o estado de Buda. Cada um destes estágios enfatiza o desenvolvimento de uma das dez (ou catorze) perfeições (sânsc.: paramita): generosidade, ética, paciência, esforço, concentração, sabedoria, meios hábeis, aspiração, poder e conhecimento. Algumas escrituras afirmam que um bodisatva pode levar três, sete ou trinta e três éons imensuráveis (sânsc.: asamkhyeya kalpa) para atravessar esses estágios e alcançar a iluminação. Um éon equivale ao tempo de uma era universal, um período de tempo incalculável. Abaixo está a lista dos dez bhūmis e suas descrições de acordo com o Avataṃsaka Sūtra e A Joia do Ornamento da Libertação, um tratado por Gampopa (um influente professor da escola Kagyu tibetana). Outras escolas dão uma descrição um pouco diferente.
Antes de um bodisatva chegar no primeiro fundamento, ele ou ela primeiro deve trilhar os dois primeiros dos cinco caminhos:
O caminho da acumulação O caminho de preparação
Os dez estágios do bodisatva que podem ser agrupados para os próximos três caminhos:
Bhūmi 1 o caminho do discernimento Bhūmis 2-7 o caminho da meditação Bhūmis 8-10 o caminho de não mais aprender direita|thumb|Largura300px|xAltura240px|Imagem em relevo de Kuan Yin, no Monte Jiuhua, China. O capítulo dos dez fundamentos do Avataṃsaka Sūtra refere-se a 52 estágios, com os 10 seguintes fundamentos:
Muito Alegre O primeiro estágio é Muito Alegre, uma vez que o bodisatva está exultante. Ele abandona os três impedimentos e nasce na linhagem dos Tathagatas. Pela maturação dessas qualidades, a perfeição da generosidade torna-se suprema; ele ilumina, com sua vibração, uma centena de mundos e se torna um grande senhor do universo. Sem Mácula O segundo estágio é chamado Sem Mácula porque as dez ações virtuosas do corpo, da fala e da mente são imaculadas e ele permanece nelas de modo natural. Pela maturação dessas qualidades, a perfeição da ética torna-se suprema; ele se torna um monarca universal que auxilia os seres, senhor dos quatro continentes gloriosos e das sete substâncias preciosas. Brilhante O terceiro estágio chama-se Brilhante porque surge a pacificadora luz da sabedoria. Geram-se as concentrações e clarividências, enquanto o desejo e o ódio são de todo extintos. Pela maturação dessas qualidades, a perfeição da paciência torna-se suprema; extinguindo-se o desejo por completo, torna-se um grande e sábio rei dos deuses. Radiante O quarto estágio é chamado Radiante porque surge a luz da verdadeira sabedoria, na qual ele cultiva de modo supremo as práticas que auxiliam a iluminação. Pela maturação dessas qualidades, ele se torna um rei dos deuses no paraíso Yama, hábil em impedir o surgimento da concepção de que a conjunção transitória seja a natureza intrínseca. Difícil de Superar O quinto estágio chama-se Difícil de Superar porque os perversos acham dificílimo subjugá-lo; ele se torna capaz de conhecer os significados sutis das verdades nobres e afins. Pela maturação dessas qualidades, ele se torna um rei dos deuses, que habita o paraíso Tushita, supera as fontes de aflição e as opiniões de todos os tirthikas. Aproximação O sexto estágio é chamado Aproximação porque ele se aproxima das qualidades de um Buda; pela familiaridade com a quietude permanente e com a sabedoria discriminativa, ele atinge a cessação e, portanto, avança na sabedoria. Pela maturação dessas qualidades, ele se torna um rei dos deuses no paraíso Nirmanarati. Os shravakas não podem superá-lo: ele pacifica os que têm o orgulho da superioridade. Afastado O sétimo estágio é o Afastado porque o número de suas qualidades aumentou e em qualquer momento ele pode adentrar o equilíbrio da cessação. Pela maturação dessas qualidades, ele se torna um senhor dos deuses no paraíso Paranirmitavasavartin, torna-se um grande mestre de mestres porque conhece a realização direta das verdades nobres. Imutável O oitavo estágio é chamado Imutável, o estágio vigoroso; devido à sua não-conceitualidade, ele é imóvel e as esferas de atividade de seu corpo, fala e mente são inconcebíveis. Pela maturação dessas qualidades, ele se torna um Brahma, senhor de mil mundos; arhats, pratyeka-buddhas e afins não podem superá-lo em elucidar o significados das doutrinas. Inteligência Perfeita O nono estágio é chamado Inteligência Perfeita; como um regente, ele atingiu a realização individual correta e, portanto, tem inteligência perfeita. Pela maturação dessas qualidades, ele se torna um Brahma que é senhor de um milhão de mundos; os arhats e afins não podem superá-lo em responder às questões dos pensamentos dos seres sencientes. Nuvem do Dharma O décimo estágio é a Nuvem do Dharma porque cai a chuva da doutrina excelente; o bodisatva é consagrado com luz pelos Budas. Pela maturação dessas qualidades, ele se torna um senhor dos deuses de Morada Pura, ele é um grande soberano supremo, senhor da esfera da sabedoria infinita.
Após os dez bhūmis, de acordo com o Budismo Maaiana, a pessoa atinge a iluminação completa e torna-se um Buda.
Com os 52 estágios, o Śūraṅgama Sūtra na Ásia Oriental reconhece 57 estágios. Com os 10 estágios, várias escolas Vajrayāna reconhecem 03-10 estágios adicionais, a maioria com mais 6 estágios de variadas descrições.
Um bodisatva acima do 7 estágio é chamado de mahāsattva. Alguns bodisatvas como Samantabhadra também disseram já ter atingido o estado de Buda.
Escolas/Doutrinas