Her Story é um jogo eletrônico do gênero filme interativo desenvolvido por Sam Barlow. Ele foi lançado para Microsoft Windows, OS X e iOS em 24 de junho de 2015 e para Android um ano depois. Na história, os jogadores interagem com um banco de dados de vários pequenos clipes em vídeo de entrevistas policiais conduzidas durante a investigação do desaparecimento de um homem. As entrevistas focam-se em Hannah Smith, a esposa do desaparecido, interpretada por Viva Seifert.

O jogo foi o primeiro projeto de Barlow como desenvolvedor independente. Ele queria criar um título dependente da narrativa, evitando trabalhar no jogo até ter estabelecido uma ideia possível de ser executada. Barlow eventualmente decidiu desenvolver um jogo de investigação procedural e incorporar imagens reais. Ele realizou pesquisas ao assistir várias entrevistas policiais, descobrindo temas recorrentes nas respostas dos suspeitos e decidindo incorporar ambiguidade na investigação da história.

Her Story foi aclamado pelos críticos ao ser lançado, com muitos elogios sendo direcionados para sua narrativa, interpretação de Seifert e mecânicas de jogabilidade não convencionais. O título vendeu mais de cem mil cópias e foi indicado a diversos prêmios de final de ano, incluindo em categorias de Jogo do Ano por parte de várias publicações especializadas.

Jogabilidade Her Story é um filme interativo que se foca em uma série de sete entrevistas policiais ficcionais realizadas em 1994. O jogador é apresentado assim que o jogo começa a um antigo desktop de computador que contém vários arquivos e programas. Dentre os programas estão arquivos em texto instrucionais, que explicam as mecânicas do jogo. O programa "L.O.G.I.C. Database" é um daqueles que está automaticamente aberto no desktop, permitindo que o jogador acesse vários clipes em vídeo no banco de dados policial, que no total são 271. Os clipes são de entrevistas policiais conduzidas com uma mulher britânica chamada Hannah Smith. É impossível assistir as entrevistas em sua totalidade, forçando o jogador a assistir pequenos clipes. Hannah responde perguntas desconhecidas para um detetive fora de cena, forçando o jogador a decifrar o contexto das respostas. As respostas de Hannah estão transcritas e o jogador encontra novos clipes ao procurar palavras no banco de dados a partir das transcrições, tentando resolver o caso ao juntar toda a informação. O jogador pode usar etiquetas que então transformam-se em palavras procuráveis enquanto selecionam os clipes. Um dos arquivos aberto no desktop é um verificador do banco de dados, permitindo que o jogador acompanhe a quantidade de clipes que já assistiu; quando um clipe é visto, seu ícone correspondente passa de vermelho a verde. O desktop também contém um minijogo intitulado Mirror Game, baseado no jogo de estratégia de tabuleiro Reversi.

Enredo

As fitas da entrevista mostram uma mulher que se apresenta como Hannah Smith, cujo marido Simon desapareceu e depois foi encontrado assassinado. Hannah admite que os dois tinham um relacionamento difícil, porém possui um álibi que a coloca em Glasgow após a última discussão. Após novos pedaços de entrevistas serem descobertos, é revelado que "Hannah" é na verdade duas pessoas: Hannah e Eve, gêmeas idênticas separadas no nascimento pela parteira. As duas não descobriram sobre a existência da outra até anos depois, ponto em que decidiram agir como uma única pessoa, mantendo um diário comum e um conjunto de regras definindo suas ações como "Hannah".

Hannah começou a namorar Simon, quem conheceu no trabalho. Hannah dorme com Simon, contrariando as regras, e fica grávida, algo que não satisfaz Eve, que se esforça para engravidar também porém não consegue; Hannah aborta no oitavo mês. Eve vai morar longe de Hannah enquanto esta passa a morar junto com Simon. Ele se encontra com Eve em um bar anos depois. Os dois começam um caso e Eve fica grávida, porém nessa época Hannah está estéril. Simon presenteia Hannah com um espelho artesanal no aniversário das irmãs, porém eles discutem e Hannah revela que tem uma irmã que está grávida; Simon percebe que é o pai. As duas irmãs brigam no dia seguinte e Eve foge para Glasgow. Hannah confronta Simon usando a peruca de Eve. Simon lhe presenteia com outro espelho, sem saber que na verdade é Hannah. Ela fica furiosa, quebrando o espelho e acidentalmente enfiando-o no pescoço de Simon. Eve retorna e as duas concordam em esconder o corpo, usando a viagem de Eve para Glasgow como álibi. Eve comenta ao final das entrevistas que Hannah "se foi", pede para ver um advogado e comenta que "todas essas histórias que estamos contando entre nós ... são isso ... histórias". Não fica totalmente claro se a história das gêmeas idênticas é verdade, uma invenção intencional com o objetivo de confundir a polícia ou um caso de dupla personalidade.

Uma janela de conversa aparece perguntando ao jogador se já terminou quando ele descobre o suficiente da história. Assim que o jogador responde afirmativamente, é revelado que ele é Sarah, a filha de Eve. A janela de conversa pergunta se Sarah compreende as ações da mãe e pede para que se encontrem do lado de fora.

Desenvolvimento thumb|Sam Barlow deixou a Climax Studios e tornou-se um desenvolvedor independente para criar Her Story. Her Story foi desenvolvido por Sam Barlow, que anteriormente tinha trabalhado em jogos como Silent Hill: Origins e Silent Hill: Shattered Memories na Climax Studios. Ele concebeu a ideia de um título procedural de investigação enquanto ainda estava no estúdio, porém decidiu tornar-se um desenvolvedor independente para criar o jogo e assim elaborar um título que fosse "profundo em história". Ele ficou frustrado por publicadoras rejeitarem ideias de jogos citando como razão o "realismo de pia de cozinha", achando que ficar independente lhe permitiria criar seu próprio jogo do tipo. Barlow também passou a desejar virar independente após jogar títulos como Year Walk e 80 Days. Ele evitou desenvolver qualquer coisa até conseguir ter uma ideia que fosse possível de ser executada: "Eu provavelmente poderia facilmente ter ido e feito um jogo de exploração de terror ... mas eu meio que sabia que haveria grandes concessões por causa de orçamento". Barlow gastou suas economias para trabalhar no jogo, lhe concedendo um prazo de um ano de desenvolvimento. Ele seguiu com o conceito de Her Story pois focava-se em uma "ambientação íntima, diálogos e interação de personagens", algo que frequentemente achava que estava ausente de jogos grandes. Barlow se sentiu particularmente inspirado em desenvolver Her Story depois de ver o apoio contínuo de seu jogo Aisle de 1999. Ele comparou o modo como Her Story desafia as convenções dos jogos com o movimento cinematográfico Dogma 95 e o filme Rope, dirigido por Alfred Hitchcock.

Her Story foi aprovado através da Steam Greenlight e foi financiado coletivamente pelo Indie Fund. Ele foi lançado em 24 de junho de 2015 para Microsoft Windows, OS X e iOS. Barlow queria lançar o jogo simultaneamente em todas as plataformas, já que ele não sabia onde os jogadores estariam: "Se eu tivesse ido para apenas uma eu teria perdido muito do público em potencial". Ele achou que jogar Her Story em dispositivos móveis era uma experiência de "sofá". Barlow também comentou que achou "natural" lança-lo para aparelhos portáteis, pois estes são regularmente usados para assistir vídeos e entrar na internet; tarefas similares são usadas como mecânicas de jogabilidade em Her Story. A resolução de tela menor no iPhone de 640×480 pixels contra os 800×600 colocaram dúvidas em Barlow sobre lançar o título nessa plataforma, porém ele foi influenciado a seguir em frente depois de comentários positivos na fase de testes. Esta fase perto do final do desenvolvimento permitiu que ele "equilibrasse alguns aspectos" e "polir os itens juntos". Uma versão para Android estreou em 25 de junho de 2016. Her Story usou o motor de jogo Unity.

Projeto thumb|left|250px|Barlow decidiu implementar filmagens reais depois de ficar frustrado com os desafios técnicos de traduzir a interpretação de um ator para o motor de jogo. A primeira ideia de Barlow foi criar um jogo envolvendo entrevistas policiais, porém ele "não sabia exatamente o que isso significava". Ele então concebeu a ideia de envolver filmagens reais e a capacidade de acessar essas imagens através de uma interface de banco de dados; Barlow descreveu a interface como sendo "parte Apple II, parte Windows 3.1 e parte Windows 98". O projeto da interface foi inspirado por sua apreciação do gênero de ficção procedural de investigação, comentando que "era muito legal o conceito de fazer do próprio computador um objeto de cena no jogo". Ele também comparou a mecânica de busca do jogo com o Google, querendo "seguir com a ideia" que os jogadores estariam "essencialmente" fazendo pesquisas no Google. O conceito de Her Story foi também inspirado pela série de televisão Homicide: Life on the Street, que Barlow achou que representava as entrevistas policiais como sendo uma "arena gladiatória para detetives". Ele fez a tela inicial do jogo ser intencionalmente "um pouco longa demais" com o objetivo de notificar os jogadores do ritmo lento que se seguiria dali em diante.

A decepção de Barlow com outros títulos de investigação lhe inspirou a trabalhar em Her Story: ele achou que L.A. Noire nunca lhe permitiu sentir como "o incrível detetive que estava tendo que ler coisas e seguir linhas de investigação", também falando que a série Ace Attorney era "rígida". Barlow adicionou elementos de jogabilidade mais típicos no começo do desenvolvimento, porém as mecânicas tornaram-se mais minimalistas à medida que a produção prosseguiu. O plano inicial para Her Story era que os jogadores trabalhassem rumo uma resolução definitiva, por fim resolvendo o crime. Entretanto, ao testar a conceito do jogo em transcrições de entrevistas policiais já existentes sobre o caso do assassino Christopher Porco, Barlow descobriu novos temas surgindo de dentro das entrevistas, particularmente relacionado ao conceito de dinheiro, que acabou sendo um dos principais fatores no julgamento de Porco. Ele pegou esse conceito de temas recorrentes e tópicos e decidiu "ir além da coisa claramente roteirizada". Barlow achou que o apelo da história era a ambiguidade da investigação, comparando o jogo com o podcast investigativo Serial, que ele escutou durante o desenvolvimento. Barlow achou que o atrativo de Serial era sua falta de solução definitiva, percebendo que as "pessoas tendem para certas interpretações ... o que deixa interessante é a extensão em que isto vive na sua imaginação".

Narrativa thumb|230px|A musicista Viva Seifert foi escolhida para interpretar a protagonista de Her Story, tendo antes trabalhado com Barlow em Legacy of Kain: Dead Sun.