Dystopia é o décimo quinto álbum de estúdio da banda americana de thrash metal Megadeth. Foi lançado pela gravadora Tradecraft, do vocalista e guitarrista Dave Mustaine, através da Universal, em 22 de janeiro de 2016. É o primeiro álbum do Megadeth a contar com o guitarrista Kiko Loureiro, o único com o baterista Chris Adler e o último com o baixista David Ellefson. O álbum foi produzido por Mustaine e Chris Rakestraw e a arte da capa é de Brent Elliot White.

Antes da gravação de Dystopia, o baterista de longa data Shawn Drover e o guitarrista Chris Broderick anunciaram sua saída da banda. Esses papéis no álbum foram preenchidos, respectivamente, pelo baterista do Lamb of God, Chris Adler, e pelo guitarrista do Angra, Kiko Loureiro. Adler retornou ao Lamb of God pouco depois do lançamento do álbum e foi substituído pelo baterista Dirk Verbeuren.

Após a recepção morna do álbum anterior do Megadeth, Super Collider (2013), Dystopia recebeu críticas majoritariamente favoráveis, sendo considerado um retorno à boa forma da banda. O álbum possui uma pontuação de 69/100 no Metacritic (em novembro de 2020). O álbum estreou em terceiro lugar na parada Billboard 200, tornando Dystopia o segundo álbum da banda com a melhor posição nas paradas dos EUA, depois de Countdown to Extinction, que alcançou o segundo lugar em 1992. Além disso, a faixa-título rendeu à banda seu primeiro Grammy (na categoria Melhor Performance de Metal) na 59ª edição do Grammy Awards, após onze indicações sem sucesso.

Antecedentes e produção

Antecedentes Em junho de 2013, o Megadeth lançou seu décimo quarto álbum de estúdio, Super Collider, com reações mistas da crítica. Nos meses seguintes ao lançamento do álbum, o vocalista e guitarrista Dave Mustaine revelou que ele e o resto da banda já haviam começado a discutir um sucessor, uma urgência em parte influenciada pela morte recente do guitarrista do Slayer, Jeff Hanneman, que teria deixado Mustaine com um sentimento de mortalidade.

Ao longo de 2014, a banda anunciou sua intenção de iniciar a pré-produção do álbum. A banda vinha trabalhando em material novo desde dezembro de 2013 e, em janeiro de 2014, Mustaine revelou que muitos riffs já haviam sido escritos para o disco. Em maio de 2014, antes de sua saída, Shawn Drover revelou que ele e Mustaine haviam entrado no estúdio e começado a gravar algumas ideias para demos. A banda originalmente planejava gravar em agosto de 2014 e lançar o álbum em 2015. Em vez disso, os planos foram feitos apenas para gravar demos de novo material em outubro e começar a gravar em janeiro de 2015. Mustaine explicou que, devido a uma agenda de shows reduzida para o verão de 2014, a banda teve mais tempo para se concentrar na composição.

Além disso, a banda enfrentou diversas dificuldades em 2014. Em maio, o baixista David Ellefson perdeu seu irmão Eliot para o câncer, após o que a banda cancelou vários shows agendados. Em 4 de outubro, a sogra de Mustaine, que sofria de Alzheimer, desapareceu de um acampamento. Seus restos mortais foram encontrados em 26 de novembro. Além disso, o baterista Drover e o guitarrista Chris Broderick anunciaram suas saídas da banda em novembro daquele ano. A dupla posteriormente formaria uma nova banda, Act of Defiance.

Apesar de tudo, Ellefson anunciou que a banda ainda estava determinada a começar a trabalhar no álbum no início de 2015. Ellefson sugeriu ainda que o álbum "ajudaria a determinar" os substitutos de Broderick e Drover.

Produção e gravação

Em fevereiro de 2015, Ellefson revelou que o álbum estava "praticamente escrito". A banda entrou no Latitude South Studios em Leiper's Fork, Tennessee, em abril de 2015, e a gravação terminou em julho. Inicialmente, não estava claro quem produziria o álbum. Mustaine sugeriu que, em vez de recontratar Johnny K, que produziu Thirteen (2011) e Super Collider (2013), a banda possivelmente optaria por um novo produtor. Embora Mustaine inicialmente tenha indicado interesse em trabalhar com o produtor Max Norman, que mixou Rust in Peace (1990) e produziu Countdown to Extinction (1992) e Youthanasia (1994), mais tarde foi revelado que Mustaine produziria o trabalho junto com Toby Wright. No entanto, Wright foi dispensado logo no início, e Mustaine produziu o álbum com Chris Rakestraw.

Embora tenha havido especulação inicial de que Mustaine e Ellefson poderiam tentar reunir a formação da época de Rust in Peace, inicialmente não houve nenhuma declaração da banda sobre o assunto. Mais tarde, veio à tona que a banda de fato esteve em negociações com os ex-membros Nick Menza (bateria) e Marty Friedman (guitarra), mas não conseguiu chegar a um acordo. A oportunidade não surgiria novamente, pois Menza morreu de um ataque cardíaco em maio de 2016.

Durante março de 2015, vários sites de notícias de música rock especularam que o baterista do Lamb of God, Chris Adler, tocaria bateria no álbum, o que foi posteriormente confirmado pela banda. Também foi anunciado no mesmo mês que o guitarrista do Angra, Kiko Loureiro, se juntaria à banda. Mustaine revelou a lista de faixas do álbum, então sem título, em 27 de julho e anunciou que a produção do álbum estava concluída um mês depois.

Capa do álbum A capa foi feita pelo artista nova-iorquino Brent Elliott White, que teve a ideia de adotar uma abordagem pós-apocalíptica. Vic Rattlehead é retratado como um ciborgue, com um headset de realidade virtual no lugar da viseira rebitada, um fone de ouvido no lugar das tampas de metal nas orelhas e um bocal que lembra uma máscara. A pose, segurando a cabeça de um ciborgue que lembra a Estátua da Liberdade e uma catana, é uma homenagem a Os Sete Samurais. O cenário homenageia Os Doze Macacos, com uma cidade deserta e destruída, Mad Max, colocando Vic sob a Ponte da Baía de Sydney, e The Walking Dead, com os "drones que representam os companheiros zumbis escravizados de Michonne". Na votação popular dos leitores da revista Burrn! de 2016, a capa foi premiada como Melhor Capa de Álbum.Revista Burrn!, edição de abril de 2017.

Canções Mustaine elaborou sobre possíveis temas líricos, revelando que estava lendo sobre história mundial e "coisas de ciência maluca". Tanto Mustaine quanto Ellefson indicaram que o álbum apresentaria uma abordagem musical e estilística diferente do álbum anterior, incluindo um afastamento de um som voltado para o rádio, que foi posteriormente caracterizado como um retorno a um som voltado para o thrash metal. Mustaine também afirmou acreditar que o som e a composição do álbum seriam influenciados por sua participação especial em 2014 com a Orquestra Sinfônica de San Diego.

Em maio de 2015, a banda postou vários videoclipes no PledgeMusic apresentando trechos de novas músicas, intituladas "The Emperor" e "Conquer... or Die". Uma música, "Poisonous Shadows", foi declarada por Mustaine como tendo partes de piano executadas por Loureiro. Além disso, ele indicou que incluiria arranjo orquestral de Ronn Huff, pai do produtor musical Dann Huff, que trabalhou com a banda no final da década de 1990. Também foi anunciado que o álbum contaria com a participação especial do músico country Steve Wariner, que executaria partes de steel guitar. No entanto, nem Huff nem Wariner foram creditados nas notas do encarte do álbum.

Lançamento Apesar das saídas de Broderick e Drover, Ellefson afirmou que a banda inicialmente pretendia lançar o álbum no final de 2015. Em janeiro de 2015, o álbum, ainda sem título na época, foi listado pela Loudwire como um dos "30 álbuns de rock e metal mais aguardados de 2015". Sugeriu-se que as saídas de Broderick e Drover, bem como a falta de detalhes sobre possíveis substitutos, alimentaram a expectativa por parte dos fãs e críticos. Com um título e data de lançamento oficiais confirmados, o álbum também entrou na lista da Loudwire de 2016. Após seu lançamento para streaming, Joe DiVita, da Loudwire, elogiou a faixa-título do álbum.

Uma prévia lançada no final de setembro insinuava que a música "Fatal Illusion" seria lançada como o primeiro single do álbum em 2 de outubro. Mustaine havia anunciado anteriormente que um single acompanhado de um vídeo estrearia durante as festas de fim de ano. "The Threat is Real", o segundo single do álbum, foi lançado para streaming em 25 de novembro. Em 7 de janeiro de 2016, a faixa-título foi lançada para streaming.

O álbum foi lançado em 22 de janeiro de 2016 pela gravadora Tradecraft de Mustaine, distribuído pela Universal Music, e disponibilizado em CD, vinil e formatos de download digital. Nos Estados Unidos, uma versão do álbum incluindo duas faixas bônus estava disponível exclusivamente na Best Buy. Esta versão também estava disponível no iTunes. Além disso, foi anunciada uma versão deluxe com um headset de realidade virtual e incluindo um código para baixar um vídeo da banda tocando cinco músicas do álbum.

Dystopia estreou em terceiro lugar na Billboard 200, com 48.000 cópias vendidas na primeira semana, além de outras 14.400 cópias na segunda semana, quando caiu para o 30º lugar na Billboard 200. Dystopia vendeu mais de 110.000 cópias nos EUA quatorze semanas após o lançamento. O álbum vendeu mais do que Super Collider, que levou 43 semanas para atingir 80.000 cópias. O álbum vendeu 148.000 cópias nos EUA até dezembro de 2016, tornando-se o segundo álbum de heavy metal mais vendido lançado em 2016.

Para promover Dystopia, o Megadeth embarcou em uma turnê norte-americana em fevereiro-março de 2016, com as bandas de abertura Children of Bodom, Suicidal Tendencies e Havok. A banda excursionou pelos Estados Unidos com o Suicidal Tendencies novamente em setembro-outubro de 2016, com Metal Church, Amon Amarth e Butcher Babies substituindo Children of Bodom e Havok.

Em 10 de maio de 2017, no Japão, foi lançada uma edição de luxo em SHM-CD com quatro faixas bônus exclusivas e um DVD ao vivo.

Recepção crítica

Dystopia recebeu críticas geralmente positivas e possui uma classificação de 69/100 no Metacritic. Elogiando o retorno da banda a um estilo mais agressivo, Calum Slingerland, da Exclaim!, escreveu que Dystopia colocou a banda de volta nos trilhos e iniciou um novo capítulo na história da banda. Sarah Rodman, do The Boston Globe, gostou da combinação de riffs energéticos e letras cínicas sobre o estado do mundo. Chad Bowar, da Loudwire, disse que Dystopia era um álbum de primeira linha do Megadeth e elogiou a interação entre Mustaine e Loureiro. Joel McIver, da Record Collector, chamou o álbum de um retorno à boa forma do Megadeth e uma grande melhoria em relação aos dois discos anteriores.

Uma crítica favorável foi publicada no site de notícias de heavy metal Blabbermouth.net. O crítico Ray Van Horn Jr. proclamou: "Dystopia não é monumental, mas é um álbum muito bom (frequentemente magnífico). Todo o quarteto nesta encarnação do Megadeth busca a vitória e Dystopia facilmente a alcança." Thom Jurek, da AllMusic, concorda, dizendo: "É fácil apreciar a música em Dystopia; ela mostra Mustaine e uma nova versão excelente do Megadeth em um pico criativo." Dom Lawson, do The Guardian, chamou o álbum de "um retorno absolutamente arrasador" ao estilo "de glórias passadas como Rust in Peace e Endgame."

Escrevendo para a Rolling Stone, Kory Grow declarou que o Megadeth "soa renascido" no álbum e disse que a banda "raramente soou tão coesa ou incisiva". Grow também afirmou que, apesar dos temas líricos "sombrios" de conspirações e desgraça iminente, Mustaine conseguiu inserir um pouco de humor no álbum, citando letras de "The Emperor". John Semley, da Now, chamou Dystopia de "um ótimo disco" e elogiou a performance de Loureiro no álbum. Semley argumentou que, apesar dos pontos positivos do álbum, ele provavelmente seria ofuscado pelo sucessor de Death Magnetic, do Metallica, de 2008, com lançamento previsto para 2016. Dom Lawson, agora na Metal Hammer, creditou a turbulência na banda após o lançamento de Super Collider pela criação de "um dos melhores discos que o Megadeth já fez".