thumb|Abramo Pezzi
Pietro Lorenzo Abramo Pezzi, mais conhecido como Abramo Pezzi, alcunhado il Maestro (Dercolo, 5 de agosto de 1846 — Caxias do Sul, 6 de maio de 1903), foi um eminente professor ítalo-brasileiro ativo no período de fundação de Caxias do Sul.
Família Foi o filho único de Pietro Pezzi e Catarina Maines, descendente da nobre família Pecchio, nativa de Milão, atestada a partir de 1228 com o sobrenome De Pectis ou De Pezziis, quando segundo Bernardino Corio já eram poderosos, e por isso já deviam ser antigos. O sobrenome sofreu várias transformações em Milão, entre elas De Pegiis (dominante até o início do século XVI) e Pecchio (dominante a partir de meados do século XVI),Crescenzi, Giovanni Pietro de. Anfiteatro Romano, parte prima. Malatesta, 1648, pp. 285-286Godi, Carlo. Bandello: narratori e dedicatari della prima parte delle Novelle. Bulzoni, 1996 com personagens grafados de várias maneiras.Osio, Luigi. Documenti Diplomatici Tratti dagli Archivj Milanesi. Bernardoni, 1869 No século XVI o messere Dominico e Alberto de Pezzis se transferiram para o Principado Episcopal de Trento, estabelecendo-se em Cressino e adquirindo em 1577 uma grande propriedade rural em Sporminore, o Maso Milano, assim chamado em memória de suas origens milanesas. De Sporminore a família lançou um ramo em Dercolo no século XVII, onde o sobrenome se fixou como Pezzi,Comune di Sporminore. Maso Milano. ingressaram na vicinia local e ocuparam vários cargos no Conselho e na administração pública.Frantz, Ricardo André Longhi.Crônica das famílias Artico e Longhi de Caxias do Sul e sua parentela: estórias, história e genealogia - Volume IV: o passado na Europa. Academia.edu, 2015, pp. 42-86
Abramo trabalhou em sua cidade natal como professor, casando-se primeiro com Giulia Betta, nascida em Vervò em 1838 e professora como ele, tendo com ela três filhos, Giulio, Arcadio e Giovanni Giuseppe. Ficou viúvo com 26 anos, e depois esposou Teresa Maines, uma antiga aluna sua. Ela também era natural de Dercolo, nascida em 12 de março de 1856, tendo com ela grande prole.Maines, Mariano. Una Piccola Comunità si Racconta: Dercolo e Cressino 1725-1993: dalla Regola al Brasile ai nostri giorni. Saturnia, 2014, pp. 163-184
Vida no Brasil Como Dercolo enfrentava sérios problemas no fim do século XIX, ocorrendo grande empobrecimento e maciço despovoamento, chegando a perder dois terços da sua população, vendo a maioria dos seus familiares e amigos partir, Abramo decidiu também abandoná-la. Viajou com a família para o Brasil entre fins de 1877 e o início de 1878, fixando-se inicialmente na colônia Rio Novo, no estado do Espírito Santo, mas como ali não encontrou meios de exercer a profissão, decidiu transferir-se para a colônia de Caxias do Sul, onde vários parentes seus haviam se radicado,Grosselli, Renzo. Colônias Imperiais na Terra do Café. Camponeses trentinos (vênetos e lombardos) nas florestas brasileiras. Espírito Santo 1874-1900 . Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, 2008, p. 437 chegando em 17 de abril de 1879. Sua parentela havia se estabelecido principalmente na Comunidade de São Romédio, na zona rural, que haviam ajudado a fundar, mas Abramo preferiu ficar no centro urbano, adquirindo um lote junto à Praça Dante Alighieri.Gardelin, Mário & Balen, João Maria. “Primeiras Famílias Chegadas a Caxias do Sul”. Folha de Caxias, 10/06/1989
Em sua casa Abramo logo fundou uma escola particular, sendo um dos primeiros professores em atividade,Luchese, Terciane Ângela; Kreutz, Lúcio & Xerri, Eliana Gasparini. "Escolas étnico-comunitárias italianas no Rio Grande do Sul: entre o rural e o urbano (1875 – 1914)" In: Acta Scientiarum, 2014; 36 (2) atuando até pouco antes de falecer. Cobrava um fiorin por mês de cada aluno, mas isso era pouco para sustentar uma família que crescia. Então empregou-se como capataz nas obras de construção da estrada que ligou Caxias a São Sebastião do Caí, sendo auxiliado pela esposa, que trabalhou como lavadeira e engomadeira dos uniformes dos oficiais da municipalidade.
Abramo foi também um dos fundadores da Sociedade Príncipe de Nápoles, uma associação para o mútuo socorro dos colonos e o fomento da cultura italiana, e em 1890 foi indicado suplente do juiz municipal dos órfãos pelo Governo do Estado, mas recusou um assento no Conselho Municipal para melhor dedicar-se ao ensino, sua grande vocação.Adami, João Spadari. História de Caxias do Sul 1877-1967. Tomo III - Educação. EST, 1981, p. 55 Lecionou primeiramente em italiano, e mais tarde também em português, formando gerações. Abramo veio a se tornar uma lenda em Caxias do Sul, tanto pela sua intensa atividade educativa como pela ajuda que dava aos outros colonos em suas várias dificuldades.Netto, Miranda. “Tiroleses em Caxias”. Correio do Povo, 24/11/1974 Após sua morte, a casa onde viveu foi transformada no Hotel Pezzi, um edifício em madeira decorado com lambrequins na fachada, que se tornou uma hospedaria tradicional, com um anexo servindo como comércio de secos e molhados e ferragens. Hoje o local é ocupado pelo Edifício Dona Ercília, cujo nome homenageia uma de suas filhas, Ersilia, a última da sua família imediata a viver ali antes da construção.Frantz, Ricardo André Longhi. Crônica das famílias Artico e Longhi de Caxias do Sul e sua parentela: estórias, história e genealogia - Volume I. Academia.edu, 2025. Os Pezzi: pp. 284-369; o ramo de Abramo: pp. 369-444
Citado por Gelson Rech como "de exemplar retidão, e por isto querido por todos",Rech, Gelson Leonardo. “Iniciativas escolares entre imigrantes italianos no Rio Grande do Sul lembradas no Álbum do Cinquentenário da Colonização Italiana”. In: Conjectura: Filos. Educ., 2014; 19 (3): 200-215 elogiado no grande álbum comemorativo dos 75 anos da imigração como um “professor de raras qualidades cívicas, transmitindo pelo seu esforço construtivo, aos alunos, o amor à Pátria brasileira”,Festa da Uva. Álbum Comemorativo do 75º Aniversário da Colonização Italiana no Rio Grande do Sul. Globo, 1950 foi distinguido com um monumento na Praça Dante Alighieri, recebeu várias outras homenagens póstumas"Abramo Pezzi – pedra fundamental na pirâmide do saber”. Ecos do Mundo, 24/11/1962 e seu nome batiza uma escola estadual e uma municipal,Escola Municipal de Ensino Fundamental Abramo Pezzi - Caxias do Sul. Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e com Altas Habilidades no Rio Grande do SulEscola Estadual de Ensino Básico Abramo Pezzi - Caxias do Sul. Guia do Rio Grande do Sul uma rua e o Prêmio Mérito Educacional Abramo Pezzi, instituído pela Câmara Municipal."Decreto Legislativo Nº 170/A, de 14 de setembro de 2005" . Jornal do Município, 06/10/2005, p. 15
Descendência Abramo produziu grande e ilustre descendência, com muitos membros destacados na vida comunitária nos campos da indústria, da política, da assistência social e do comércio. Chegaram à idade adulta os filhos Arcadio, Mansueto, Mario, Ettore, Ersilia, Fenice e Aurora, e cinco outros faleceram na infância. Nas palavras do historiador Mário Gardelin, “os Pezzi, por muitos anos, na fase heroica de Caxias do Sul, se fariam presentes no seu Conselho ou na Câmara de Vereadores. É uma família que conquistou lugar indelével nas lembranças de nossa comunidade, assim como ocorreu na Câmara de Indústria e Comércio".Gardelin, Mário & Costa, Rovilio. Colônia Caxias: Origens. EST, 1993 Seus filhos:
Arcadio Pezzi (1870-1915) comerciante, ocupou várias funções na administração municipal. Casado com Isabella Casagrande, notada enfermeira do Hospital Pompeia.Tonet, Tânia & Tonet, Charles. Em Presença do Tempo: Hospital Pompeia: história oral de vida. E.A., 1998 O casal teve dez filhos: Julia, Higyna, Marcela, Amilcar, Alba, Luiza, Eleonora, Gismunda (Segismunda), Ottilia e Alcibíades.
Mansueto Pezzi (1877-1919), comerciante; sócio honorário do Clube Juvenil, ajudou a construir sua sede;“Club Juvenil”. Correio do Município, 13/07/1911 tesoureiro, secretário e vice-presidente da Associação dos Comerciantes,“Associação Commercial”. Cidade de Caxias, 16/03/1912“Associação dos Comerciantes, di Caxias”. Città di Caxias, 22/01/1917 tesoureiro e conselheiro da Cooperativa Agrícola;“Cooperativa Agrícola de Caxias”. Città di Caxias, 19/03/1913 correspondente do Consulado da Áustria-Hungria;“Comunicato”. Città di Caxias, 23/04/1917 suplente de juiz distrital e juiz interino;“Caxias”. A Federação, 15/07/1904 secretário da administração, conselheiro municipal por três mandatos e vice-presidente do Conselho; considerado por Mário Gardelin "o que havia de mais digno no espírito comunitário de nossa gente", prestando "os mais relevantes serviços à vida pública de Caxias do Sul", hoje nome de uma rua.Gardelin, Mário. “Para a História da Câmara de Vereadores – LXXI”. Pioneiro, 12/09/1979 Casado com Adelia Parolini, tiveram oito filhos: Emílio, Germano, Nestor, Ivo, Maria Thereza, Maria Emilia, Maria Elisabetha e Vasco.
Mario Pezzi (1879-1949), contabilista, comerciante, professor, produtor de vinho, telegrafista e bancário, gerente do Banco Pelotense; um dos fundadores e membro da Diretoria do Grupo Dramático Juvenil;“Club Juvenil”. Correio do Município, 07/04/1909 secretário e vice-presidente da Sociedade Príncipe de Nápoles;“Governo do Estado – Secretaria do Interior – Despachos”. A Federação, 26/03/1921 secretário da Associação dos Comerciantes;“L’Associazione dei Commercianti”. Città di Caxias, 03/08/1914 um dos fundadores e 1º tesoureiro da Associação dos Varejistas.“Associação dos Varejistas de Caxias”. A Federação, 22/06/1932 tenente-quartel mestre e secretário do Estado Maior do 85º Batalhão de Reserva da Guarda Nacional;“Guarda Nacional”. A Federação, 10/12/1913 conselheiro municipal e secretário do Conselho;“Dispositivo nº 25”. Città di Caxias, 05/10/1914 diretor-secretário da Caixa de Crédito Rural,“Acta da primeira sessão da Directoria da Caixa de Credito Rural de Caxias”. O Brazil, 12/10/1911 e hoje nome de rua. Casado com Marina Montanari, teve os filhos Edmundo, Petronila e Edgar.
Ettore Pezzi (1881-1947), grande e premiado produtor de vinho e um dos maiores exportadores da cidade, um dos fundadores e diretores do Sindicato e da Sociedade Vinícola Rio-Grandense;Antunes, Duminiense Paranhos (org). Documentário Histórico do Município de Caxias do Sul 1875-1950, Comemorativo do 75º Aniversário da Colonização. Associação Comercial / Biblioteca Pública / Câmara dos Vereadores / Prefeitura de Caxias do Sul, 1950“Commercio e Industrias”. A Federação, 24/03/1925Jalfim, Anete. “Elementos para o estudo da agroindústria vinícola: uma abordagem da indústria vinícola rio-grandense”. In: Ensaios FEE, 1991; 12 (1):229-247 um dos fundadores, conselheiro fiscal e presidente do Clube Juvenil;“Nova Diretoria do Clube Juvenil”. A Época, 09/08/1942Clube Juvenil. Histórico do Clube. presidente da Sociedade Operária São José;“Sociedade S. José”. O Brasil, 26/04/1920 membro da Comissão Eleitoral do Centro Republicano de Caxias;“Centro Republicano de Caxias”. O Brasil, 03/05/1924 fabriqueiro da Catedral de Caxias do Sul, conselheiro permanente do Orfanato Santa Teresinha, colaborador assíduo das Damas de Caridade, membro da Comissão Pró-Construção do Hospital Pompeia e um dos paraninfos em sua inauguração,Brandalise, Ernesto A. Paróquia Santa Teresa - Cem Anos de Fé e História (1884-1984). EDUCS, 1985 hoje nome de rua. Foi casado com Virginia Pellizer, gerando Abramo II, Fortunato, Paride Achiles, Ire Catharina Maria, Thereza Maria, Germano Mansueto, Elza, Maria de Lourdes, Edith Maria e Noely.
Ersilia Pezzi (1886-1956), casada com Domingos Grazziotin, abastado comerciante em Antônio Prado, depois de sua morte assumiu os negócios. O casal gerou Inês, Mário Germano, Abramo, Hugo Theodorico e Waldemar Mansueto.