Perda de visão é a perda ou diminuição grave e irreversível da função visual que não é corrigível com lentes ou cirurgia e que interfere com as tarefas do dia a dia. A perda visual pode ser súbita e grave ou ser o resultado de uma deterioração gradual, em que objetos a grande distância se tornam cada vez mais difíceis de ver. A condição causa à pessoa dificuldades em realizar atividades do dia a dia, como conduzir veículos, ler, socializar ou deslocar-se a pé. A deficiência visual engloba todas as condições em que existe comprometimento da visão. A Organização Mundial de Saúde classifica a deficiência visual em seis graus de acordo com a acuidade visual (AV) da pessoa. Quando a perda de visão é parcial denomina-se visão subnormal. A visão subnormal pode ser ligeira, moderada ou grave. Quando a perda de visão é total ou quase total denomina-se cegueira. A cegueira divide-se em cegueira profunda, quase total e total. A maior parte dos cegos possui alguma função visual e percebe luzes, sombras e movimento. Só uma pequena percentagem é que não possui qualquer sensação visual.

As causas mais comuns de perda visual são erros refrativos não corrigidos em tempo útil (43%), cataratas (33%) e glaucoma (2%). Os erros refrativos mais comuns são a miopia, hipermetropia, presbiopia e astigmatismo. As cataratas são a causa mais comum de cegueira. Entre outras possíveis doenças que causam perda visual estão a degeneração macular relacionada com a idade, retinopatia diabética, opacidade da córnea, cegueira infantil e diversas infeções. A perda visual pode ainda ser causada por problemas neurológicos na sequência de um acidente vascular cerebral, parto prematuro ou trauma, entre outros. Estes casos denominam-se deficiência visual cortical. O diagnóstico de perda visual baseia-se em exames oculares. O rastreio visual em crianças permite corrigir atempadamente os problemas de visão e inverter o insucesso escolar que daí resulta. No entanto, os benefícios do rastreio em adultos não são claros.

Estima-se que 80% dos casos de deficiência visual sejam evitáveis ou tratáveis. Nos casos evitáveis inclui-se a perda visual causada por cataratas, tracoma, oncocercose, glaucoma, retinopatia diabética e alguns casos de cegueira infantil. A muitas pessoas com perda visual profunda é recomendada a reabilitação funcional, alterações no ambiente e utilização de equipamentos auxiliares.

Em 2015 havia 940 milhões de pessoas em todo o mundo com algum grau de perda visual. Entre estas, havia 246 milhões com défice de visão e 39 milhões com cegueira. A maioria das pessoas com dificuldades de visão encontram-se nos países em vias de desenvolvimento e têm mais de 50 anos de idade. A prevalência de deficiência visual tem vindo a diminuir desde a década de 1990. A condição tem custos económicos elevados, derivados não só do custo do tratamento em si, como também da incapacidade para o trabalho. Algumas definições incluem pessoas com dificuldades de visão por não terem acesso a óculos ou lentes de contacto.

Classificação

Visão subnormal

Segundo a 10 ª Revisão da OMS de Classificação Estatística Internacional de Doenças, Lesões e Causas de Morte, a visão subnormal é definida como acuidade visual inferior a 20/60 (6/18), mas igual ou melhor que 20/200 (6/60), ou correspondente a perda de campo visual menor que 20 graus, no melhor olho com a melhor correção possível. A cegueira é definida como acuidade visual menor que 20/400 (6/120), ou correspondente a perda de campo visual menor que 10 graus, no melhor olho com a melhor correção possível.

Cegueira

Cegueira é a condição de falta de percepção visual, devido a fatores fisiológicos ou neurológicos. Várias escalas têm sido desenvolvidas para descrever a extensão da perda de visão e definir a cegueira. Cegueira total é a completa falta de percepção visual de forma e luz e é clinicamente registrado como NLP, uma abreviação para "no light perception" (sem percepção de luz). Cegueira é frequentemente usada para descrever a deficiência visual grave, com visão residual. Aqueles descritos como tendo apenas percepção de luz têm apenas a capacidade de diferenciar o claro do escuro e a direção de uma fonte de luz.

Sinais e sintomas A cegueira é definida pela Organização Mundial de Saúde como visão menor que 20/500 no melhor olho de um pessoa ou campo visual inferior a 10 graus. Esta definição foi criada em 1972 e há uma discussão em curso sobre se ela deve ser alterada.

Deficiência visual é uma categoria que abrange pessoas cegas e com visão reduzida. Na definição pedagógica, a pessoa é cega, mesmo possuindo visão subnormal, quando necessita da instrução em braile; a pessoa com visão subnormal pode ler tipos impressos ampliados ou com auxílio de potentes recursos ópticos.

A definição clínica define como cego o indivíduo que apresenta acuidade visual menor que 0,1 (com a melhor correção no melhor olho) ou campo visual abaixo de 20 graus; como visão reduzida quem possui acuidade visual de 6/60 e 18/60 (escala métrica) e/ou um campo visual entre 20 e 50 graus, e sua visão não pode ser corrigida por tratamento clínico nem com óculos convencionais.

Comorbilidades Cegueira pode ocorrer diante de algumas condições tais como retardo mental, espectro autista, paralisia cerebral, surdez e epilepsia. Em um estudo com 228 crianças com deficiência visual na região metropolitana de Atlanta entre 1991 e 1993, 154 (68%) tinha uma deficiência adicional além da deficiência visual. Cegueira em combinação com a perda auditiva é conhecida como surdocegueira.

Causas Deficiência visual grave possui uma variedade de causas: Doenças thumb|Um homem cego guiado por um cão-guia em Brasília, Brasil. De acordo com estimativas da OMS, as causas mais comuns de cegueira em todo o mundo em 2002 foram: cataratas (47,9%); glaucoma (12,3%); degeneração macular relacionada à idade (8,7%); opacidade da córnea (5,1%); retinopatia diabética (4,8%); cegueira infantil (3,9%); tracoma (3,6%); oncocercose (0,8%); Má alimentação.

Em termos de prevalência mundial de cegueira, a um número muito maior de pessoas e maior probabilidade de serem afetadas em países em desenvolvimento, significa que as causas de cegueira nessas áreas são numericamente mais importantes. A catarata é responsável por mais de 22 milhões de casos de cegueira e glaucoma seis milhões, enquanto que a lepra e oncocercose cegam aproximadamente um milhão de indivíduos em todo o mundo. O número de indivíduos cegos por tracoma caiu drasticamente nos últimos 10 anos de seis para 1,3 milhões, colocando-o em sétimo lugar na lista de causas de cegueira no mundo. É estimado que a xeroftalmia afete cinco milhões de crianças a cada ano; 500 mil desenvolvem o envolvimento da córnea ativa, e metade destes tornam-se cegos. Ulceração da córnea central é também uma importante causa da cegueira monocular no mundo, o que representa uma estimativa de 850 mil casos de cegueira corneal todos os anos apenas na Índia. Como resultado, as cicatrizes corneanas por todas as causas agora são a quarta maior causa global da cegueira.Vaughan & Asbury's General Ophthalmology, 17e

A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é uma doença degenerativa da retina que provoca uma perda progressiva da visão central e leva a cegueira. Atualmente é apontada como a causa mais comum de perda de visão nas pessoas acima de 55 anos. Segundo dados da Foundation Fighting Blindness, 10 milhões de pessoas nos EUA tem DMRI ou possuem risco considerável de desenvolver a doença. Estima-se que no ano de 2020, até 8 milhões de pessoas com 65 anos ou mais poderão apresentar DMRI.Pizzarello LD. The dimensions of the problem of eye disease among the elderly. Ophthalmology. 1987 Sep;94(9):1191-5. A taxa de acometimento pela DMRI aumenta com a idade.

Pessoas nos países em desenvolvimento são significativamente mais propensas a adquirir a deficiência visual como consequência de doenças tratáveis ou evitáveis do que suas contrapartes em países desenvolvidos. Enquanto a deficiência visual é mais comum em pessoas com mais de 60 anos de idade em todas as regiões, as crianças em comunidades mais pobres são mais propensas a serem afetadas do que seus pares mais ricos.

A ligação entre pobreza e deficiência visual tratável é mais evidente quando se realizam comparações regionais sobre a causa. A maioria dos adultos com deficiência visual na América do Norte e na Europa Ocidental tem como causa degeneração macular relacionada à idade e retinopatia diabética. Enquanto ambas as condições estão sujeitos a tratamento, nenhuma delas pode ser curada.

Nos países em desenvolvimento, onde as pessoas têm menor expectativa de vida, catarata e parasitas transmitidos pela água —ambas podem ser tratadas eficazmente— são na maioria das vezes os culpados. Em países desenvolvidos, onde doenças parasitárias são menos comuns e cirurgia de catarata é mais disponível, a degeneração macular relacionada à idade, glaucoma e retinopatia diabética são geralmente as principais causas da cegueira.

Cegueira infantil pode ser causada por condições relacionadas à gravidez, tais como a síndrome da rubéola congênita e retinopatia da prematuridade.

Anormalidades e lesões thumb|210px|Reeducação de feridos. Soldados franceses cegos aprendem a fazerem cestas, Primeira Guerra Mundial. Lesões nos olhos, na maioria das vezes ocorrem em pessoas com menos de 30, são a principal causa de cegueira monocular (perda de visão em um olho) em todo o Estados Unidos. Lesões e cataratas afetam o olho em si, enquanto anormalidades tais como hipoplasia do nervo óptico afetam o feixe nervoso que envia sinais do olho para trás do cérebro, que pode levar à diminuição da acuidade visual.

Pessoas com lesões no lóbulo occipital do cérebro podem, apesar de terem os olhos e nervos ópticos danificados, ainda serem legalmente ou totalmente cegos. Anomalias genéticas Pessoas com albinismo têm frequentemente perda de visão e muitos são legalmente cegos, embora poucos deles realmente não possam ver. Neuropatia óptica hereditária de Leber pode causar cegueira total ou perda de visão grave desde o nascimento ou na infância.

Os recentes avanços no mapeamento do genoma humano identificaram outras causas genéticas de baixa visão ou cegueira. Um exemplo é a síndrome de Bardet-Biedl.

Intoxicação Raramente, a cegueira é causada pela ingestão de determinados produtos químicos. Um exemplo bem conhecido é o metanol, que é apenas levemente tóxico e minimamente intoxicante, mas não quando o etanol compete com o metabolismo, metanol decompõe-se em formaldeído e ácido fórmico substâncias que por sua vez pode causar cegueira, uma série de outras complicações de saúde e até a morte. O metanol é comumente encontrado em bebidas alcoólicas, o álcool etílico desnaturado, para evitar pagar impostos sobre a venda de etanol destinados ao consumo humano. Álcool etílico é por vezes usado por alcoólatras como um substituto desesperado e barato para bebidas alcoólicas. Ações intencionais Cegueira tem sido usada como um ato de vingança e tortura em alguns casos, para privar uma pessoa de um sentido importante pelo qual ela pode guiar-se ou interagir com o mundo, agir com total independência e estar ciente dos acontecimentos que os rodeiam. Um exemplo da esfera clássica é Édipo, que fura seus próprios olhos após perceber que cumpriu a terrível profecia sobre ele.Sófocles, Oedipus the King 1316 Assassino de búlgaros, o imperador bizantino cegou 15 mil prisioneiros, antes de libertá-los.Finlay, George (1856). History of the Byzantine Empire from DCCXVI to MLVII, Segunda Edição, Publicada por W. Blackwood, p. 444–445.

Em 2003, um tribunal antiterrorista paquistanês condenou um homem a ser cegado depois de ter realizado um ataque com ácido contra a sua noiva, que resultou em sua cegueira. A mesma sentença foi dada em 2009 para o homem que cegou Ameneh Bahrami.

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