Guerra romano-parta de 216-217, também conhecida como Campanha parta de Caracala, foi uma campanha militar fracassada empreendida pelo imperador romano Caracala (r. 211–217) contra o Império Parta entre 216 e 217. Foi o clímax de um período de quatro anos, iniciado em 213, no qual Caracala passou a perseguir uma longa campanha na Europa central, oriental e no Oriente Médio. Depois de intervir para depor monarcas em estados clientes na fronteira parta, Caracala invadiu o vizinho em 216 usando como pretexto a recusa de uma proposta de casamento com a filha do xá. Suas forças realizaram uma campanha de massacres no norte do Império Parta antes de recuar para a Ásia Menor, onde o imperador foi assassinado em abril de 217. A guerra terminou no seguinte com os romanos tendo que pagar uma enorme quantia na forma de reparações de guerra aos partas.
Contexto Nos anos imediatamente anteriores à guerra, o Império Parta esteve ocupado com um conflito os dois filhos do rei . sucedeu ao pai em 28, mas seu irmão, se rebelou e declarou-se rei logo em seguida. Enquanto Artabano conseguia se impor ao irmão, mas sem conseguir derrotá-lo completamente, o conflito desestabilizou os reinos vizinhos da Reino da Armênia e Osroena, estados-tampão entre os impérios romano e parta. Caracala se aproveitou da confusão em ambos para expandir o poder romano na região e criar as condições para uma invasão ao Império Parta.Scott, p. 27 Como a Armênia e Osroena eram parte da esfera de influência parta na época — a Armênia trocou diversas vezes de lado ao longo do século anterior — ele evidentemente sabia que o domínio romano seria uma forma de reduzir o poder parta e de se posicionar Roma para uma futura invasão.Scott, p. 28
De acordo com o historiador romano Dião Cássio, o rei osroeno Abgar X provocou revolta entre seus súditos por sua truculência e Caracala aproveitou o pretexto para derrubá-lo, convocando-o para sua corte e aprisionando-o. Com Abgar fora do caminho, Caracala anexou Osroena e transformou-a na província de Osroena. Três anos depois, ele interveio novamente na guerra civil entre Cosroes I da Armênia contra seus filhos. O imperador se ofereceu para mediar a disputa, mas prendeu tanto o rei quanto seus filhos rebeldes, provocando uma revolta entre os armênios. A revolta ainda estava em andamento quando Caracala morreu em 217.
Caracala viajou para o Mediterrâneo oriental em 215 e permaneceu ali pelo resto de seu reinado, transformando Antioquia em sua capital de facto durante o período. Seguindo Herodiano, sua intenção era se associar à imagem de Alexandre, o Grande — "transformar-se em Alexandre" — quando marchou pela Ásia Menor atravessando a Macedônia e com sua ordem para que fosse construídas numerosas estátuas do conquistador em Roma e em vários outros locais. Tanto Dião quanto Herodiano contam que Caracala viajou até o Egito para prestar homenagem no túmulo do rei macedônio, mas acabou perpetrando um grande massacre da população local em 215.Scott, p. 29
Campanha parta e assassinato thumb|direita|upright=1|Busto do imperador Caracala. Durante o inverno de 215-6, Caracala permaneceu em Nicomédia com seu exército se preparando para uma grande ofensiva contra armênios e partas. Segundo Dião, Caracala tentou arrumar um pretexto para a guerra na recusa do xá de soltar dois reféns, Tiridates da Armênia e o filósofo cínico Antíoco. Porém, quando Vologases foi deposto por , os reféns foram enviados a Caracala, que se viu temporariamente em um casus belli.
Caracala então simplesmente inventou uma nova causa para sua guerra, embora Dião Cássio e Herodiano apresentem relatos conflitantes sobre o que teria acontecido. Ambos relatam que Caracala justificou sua guerra afirmando que Artabano havia negado a exigência do imperador de se casar com a filha do xá. Dião afirma que Artabano se recusou por acreditar, provavelmente corretamente, que Caracala utilizaria o casamento como pretexto para simplesmente anexar a Pártia. Herodiano apresenta uma versão diferente, afirmando que Artabano, cansado das exigências de Caracala, concordou com o casamento. Durante a celebração pela chegada de Caracala, provavelmente no palácio real parta, em Arbil, Carcala teria ordenado que suas tropas massacrassem a noiva e todos os convidados. Nas palavras de Herodiano:
O exército romano iniciou uma campanha de massacres na Pártia, provavelmente numa área limitada ao norte da Mesopotâmia e ao reino aliado parta de Adiabena; por isso, é possível que a campanha tenha sido pouco mais do que uma demonstração do poder romano do que uma tentativa real de conquista. Segundo Dião Cássio:
Caracala mais tarde informou por carta o Senado Romano de que o Império Parta havia sido derrotado e recebeu o título de "Parthicus Maximus" ("grande conquistador da Pártia") para usar junto com os títulos já existentes de "Britannicus Maximus" e "Germanicus Maximus" (referências às suas campanhas na Britânia e na Germânia).Scott, p. 30 O exército passou o inverno em Edessa, mas Caracala foi assassinado em 8 de abril de 217 enquanto urinava na beira de uma estrada. Os partas se reagruparam e forçaram os romanos a um sangrento impasse na Batalha de Nísibis.Scott, p. 265 O sucessor de Caracala, Macrino, encerrou a guerra em 218 pagando aos partas uma grande quantia — possivelmente 50 milhões de denários ou mais — como reparações de guerra.Ando, p. 64
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