Pneumonite de hipersensibilidade ou alveolite alérgica extrínseca é uma doença pulmonar caracterizada pela inflamação e dos alvéolos pulmonares por uma reação alérgica (hipersensibilidade tipo 4) à inalação de poeira ou vapor com proteínas orgânicas por vários anos. Acometidos são normalmente expostos ao alérgeno devido a sua profissão ou moradia e podem ser obrigados a mudar de carreira ou casa para recuperar-se. O uso de máscara é recomendado para prevenir os episódios de pneumonite.

Classificação por causa Está associada a diversas profissões e diferentes patógenosLacasse Y, Cormier Y; Hypersensitivity pneumonitis. Orphanet J Rare Dis. 2006 Jul 3;1:25.Enelow, RI (2008). Fishman's Pulmonary Diseases and Disorders (4th ed.). McGraw-Hill. pp. 1161–72. ISBN 0-07-145739-9.: Pulmão do fazendeiro: A variedade mais comum, causada por respirar feno mofado, geralmente por Saccharopolyspora rectivirgula. Afeta entre 1 e 7% dos fazendeiros. Pulmão do avicultor: Devido à exposição a poeira das penas e dejetos de aves. Pulmão do carpinteiro: Devido a exposição a serragem com Penicillium spp Pulmão do músico: Devido a exposição a poeira dentro de instrumentos de sopro, com Mycobacterium spp. Pulmão do queijeiro: Devido à exposição ao mofo do queijo, geralmente Penicillium casei ou Penicillium roqueforti. Pulmão do químico: Devido a exposição a poeira de tintas, resinas ou poliuretano. Pulmão da sauna: Devido exposição ao vapor com Mycobacterium avium ou Graphium spp, comum em saunas ou jacuzzi mal-lavadas. Pulmão do trabalhador do café: Devido a exposição a poeira do café. Pulmão do trabalhador do cogumelo: Devido a exposição a actinomicetos termófilos nos compostos dos cogumelos. Pulmão do trabalhador de laboratório: Devido a exposição a urina de ratos machos. Pulmão do trabalhador do malte: Devido a exposição ao mofo do malte com Aspergillus clavatus. Pulmão do umidificador: Devido a inalação de vapor do umidificador com Bacillus, actinomicetos, Aureobasidium ou amebas. Pulmão do vinicultor: Devido a exposição ao mofo de uvas com Botrytis cinerea. Soberose: Devido a exposição a fungos nas pessoas que trabalham na indústria da cortiça (como a cortiça vem do sobreiro esta doença chama-se soberose).

Patofisiologia miniaturadaimagem|Na histologia podem ser vistas células inflamatórias, linfócitos, granulomas e fibrose intersticial.

O processo histopatológico consiste em inflamação crônica dos brônquios e tecidos próximos (bronquiolite), muitas vezes com granulomas não caseosos mal definidos e células gigantes no interstício ou alvéolos. Fibrose e enfisema podem se desenvolver mais tarde.https://radiopaedia.org/articles/hypersensitivity-pneumonitis

Sinais e sintomas Pneumonite de hipersensibilidade é categorizada aguda, subaguda ou crônica baseado na duração da doença.

Forma aguda Os sintomas da pneumonite de hipersensibilidade aguda geralmente começam 4 a 8 horas após a exposição ao agente responsável pela alergia (alérgeno) e são similares a uma gripeDr Sean Kavanagh e Dr Roger Henderson (2016). Extrinsic Allergic Alveolitis. http://patient.info/doctor/extrinsic-allergic-alveolitis-pro#ref-5: Febre, Tosse seca, Aperto no peito, Falta de ar, Cansaço.

Outros sintomas comuns incluem mal-estar, calafrios, dor de cabeça, dores pelo corpo e perda de apetite. Resolve depois de 12h ou alguns dias evitando o alérgeno e volta após nova exposição.

Forma intermitente Os sintomas tendem a ser menos grave e mais graduais no início e incluem: Tosse produtiva, Dificuldade pra respirar, Cansaço Perda de apetite e de peso. Pode ocorrer após ataques agudos repetidos e episódios de pneumonia. Ao contrário da forma aguda os sintomas demoram semanas ou meses para melhorar.

Forma crônica Pode aparecer com ou sem fases agudas prévias Perda de peso Diminuição gradual da tolerância ao exercício Dificuldade para respirar progressiva Ponta dos dedos agrandados e dormentes Distresse respiratório, pode-se escutar crepitação na base pulmonar

Pode complicar com fibrose pulmonar progressiva e parcialmente irreversível, destruição dos alvéolos (enfisema), insuficiência cardíaca direita (cor pulmonale) e ruptura pulmonar (pneumotórax espontâneo) com altos níveis de mortalidade.Ismail T, McSharry C, Boyd G; Extrinsic allergic alveolitis. Respirology. 2006 May;11(3):262-8.

Diagnóstico miniaturadaimagem|Tomografia axial e coronal.

O diagnóstico é baseado na história de sintomas após a exposição ao alérgeno e em testes clínicos. Exames de sangue indicam sinais de inflamação pouco específicos, a radiografia de tórax revela áreas de opacidade difusa, pode haver edema e fibrose, e testes de função pulmonar revelam doença pulmonar restritiva.

Tratamento Descobrir a causa da alergia e evitá-la é a principal parte do tratamento, frequentemente não é necessário medicação. Nos casos crônicos pode demorar anos até que o pulmão se recupere. Corticosteroides podem tratar os sintomas, mas não impede a evolução da doença. Sem evitar o alérgeno a fibrose pulmonar continua a progredir e até ser fatal mesmo com terapia corticosteroide agressiva.

Ver também Pneumonite Alergias

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