Centro de Defesa Cibernética (CDCiber) é uma autarquia federal brasileira vinculada ao Ministério da Defesa cujo objetivo é proteger sistemas de informações e neutralizar ataques cibernéticos a instituições públicas nacionais.
O CDCiber foi criado pela Portaria Normativa n.º 666 de 4 de agosto de 2010 e inaugurado em 2011.
Atuação O CDCiber teve como sua primeira missão o monitoramento de rede da Rio+20, a conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que aconteceu no mês de Junho de 2012. O evento foi essencial para mostrar internacionalmente a estrutura de defesa contra ataques cibernéticos do país, reunindo cerca de cem chefes de Estado e de governos estrangeiros.
A equipe do CDCiber escalada para o evento proposto foi composta por 40 militares do Exército Brasileiro, 4 militares da Força Aérea Brasileira (FAB), 4 militares da Marinha Brasileira, 4 técnicos do Serviço de Repressão a Crimes Cibernéticos (SRCC) da Polícia Federal e 4 técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O órgão também contou com a parceria de outros órgãos, como o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados).
Além da segurança e da disponibilidade da rede, outro aspecto da operação seria a segurança da informação para os participantes do evento.
Outra parceria firmada entre o Serpro e o Centro de Defesa Cibernética, referiu-se à Copa do Mundo da FIFA de 2014, com um investimento do Ministério da Justiça de R$ 1,2 bilhão em segurança para o mundial. Uma grande quantia do orçamento foi voltada para equipar os centros integrados de comando e controle, e também para a aquisição de equipamentos digitais e eletrônicos, como: Robôs antibombas, câmeras de alta precisão instaladas em transportes aéreos policiais e plataformas de observação elevada, que captam imagens de diversos ângulos e as transmitem em tempo real para os centros de controle. O Serpro colocou disposição sua expertise, incluindo serviços de respostas a ataques e visitas de membros ao CDCiber, para garantir uma melhor qualidade em termos de segurança cibernética.
Em 2026 o CDCiber participou de um dos maiores exercícios de defesa cibernética em tempo real do mundo, o Locked Shields 2026, organizado pelo Centro de Excelência de Defesa Cibernética Cooperativa da OTAN (NATO CCDCOE). A edição de 2026 ano reuniu mais de 4.000 participantes de 42 países, envolvendo representantes de instituições públicas e privadas.
O exercício tem como principal objetivo simular ataques cibernéticos de grande escala contra infraestruturas críticas, exigindo das equipes a manutenção da integridade e da funcionalidade de sistemas informatizados em um ambiente realista. O evento reuniu os exércitos cibernéticos mais fortes do mundo, como a Estônia, Alemanha, França, Suécia e Singapura.
Números da Copa do Mundo Item Quantidade Análises de Riscos realizadas 15 Relatórios de Riscos Emitidos 30 Visitas Técnicas realizadas 60 Ativos identificados 1.582 Eventos de Segurança Tratados 756 Notificações de Segurança Enviadas 258 Eventos de Segurança Tratados que envolveram análise de logs 3 Militares e Civis empregados 112 Pessoal capacitado 79 Cursos de Capacitação 2 Novas Vulnerabilidades Alertadas 12
Atuação em Grandes Eventos Rio +20 (2012) Copa das Confederações da FIFA (2013) Jornada Mundial da Juventude (2013) Copa do Mundo da FIFA (2014) COP30 (2025)
Investimentos A expectativa é de que o departamento criado pelo Ministério da Defesa tenha recebido R$ 400 milhões de reais em investimentos até 2015. Segundo o general José Carlos dos Santos, chefe do CDCiber em 2012, a previsão é que cerca de dez projetos iriam receber esses recursos. Criado oficialmente em 2012, o CDCiber consumiu apenas R$ 190 milhões de seu orçamento previsto até 2015. Apesar das restrições nos gastos, o CDCiber aprovou as operações nos grandes eventos: Rio+20, Jornada Mundial da Juventude, Copa das Confederações e Copa do Mundo, porém o país ainda não possui capacidade de se proteger de armas cibernéticas como o Great Cannon.
A previsão dos investimentos previstos para a defesa cibernética do Brasil cobre pelo menos as próximas duas décadas, é estimado que menos de 0,5% dos R$ 208 bilhões a serem gastos. Com a projeção de gastos de aproximadamente R$ 840 milhões até 2035, o investimento médio anual brasileiro em defesa cibernética seria inferior a R$ 40 milhões. Em comparação internacional, os Estados Unidos destinaram, somente em 2014, cerca de US$ 4,7 bilhões ao setor de defesa cibernética. No Brasil, os recursos previstos contemplam ações de capacitação, implantação de núcleos de defesa cibernética e a construção da sede definitiva do Centro de Defesa Cibernética (CDCiber).
Núcleos de Defesa Cibernética
Nos últimos anos, hacktivistas tem usado a internet como arma de protesto, seja para derrubar sites, usando Ataques de negação de serviços, ou para realizar ataques usando técnicas de defacement, como aconteceu nos ataques de hackers ao governo brasileiro em 2011, que ficou conhecido como o maior ataque cibernético sofrido pelo governo brasileiro até 2011.
Crimes cibernéticos não são exclusividade apenas dos hackers, em 2013 Edward Snowden, ex-contratado da NSA, tornou pública detalhes do programa de espionagem da NSA, que espionava vários países, inclusive o Brasil. No dia 21 de julho de 2015, o Exército Brasileiro ativou dois núcleos de defesa cibernética nacional, no Comando Militar do Planalto (CMP). As instalações são provisórias, mas representam um passo importante para o Setor. O Núcleo do Comando de Defesa Cibernética (NuComDCiber) e o Núcleo da Escola Nacional de Defesa Cibernética (NuENaDCiber) passaram a contar com militares das três Forças Armadas trabalhando no mesmo ambiente físico.
Núcleo do Comando de Defesa Cibernética (NuComDCiber) Subordinado ao Centro de Defesa Cibernética (CDCiber), definida por meio da Portaria Normativa nº 2777, de 27 de outubro de 2014, publicada no dia 28 de outubro de 2014 no Diário Oficial da União (DOU).
Núcleo da Escola Nacional de Defesa Cibernética (NuENaDCiber)
Definida em portaria do Ministério da Defesa publicada em outubro de 2014. O projeto foi encomendado à Universidade de Brasília (UnB) e foi entregue em julho de 2015. A capacitação de recursos humanos para atuação no setor cibernético a favor da defesa do país, que antes era atrelado ao Centro de Defesa Cibernética (CDCiber), agora é papel do ENaDCiber. Diferentemente de outros centros de estudos do Exército, como o Instituto Militar de Engenharia, o ENaDCiber terá uma sede física, mas os cursos serão espalhados por todo território brasileiro, em parcerias com universidades e centros técnicos.
Projetos Estratégicos Def Ciber nº Projeto Responsabilidade 1 Organização do Centro de Defesa Cibernética CDCiber 2 Planejamento e Execução da Segurança Cibernética (Escudo Cibernético) CITEx 3 Estrutura de Apoio Tecnológico e Desenvolvimento de Sistemas CDS 4 Estrutura de Pesquisa Científica na Área Cibernética IME 5 Estrutura de Capacitação e de Preparo e Emprego (Força Cibernética) CCOMGEX 6 Arcabouço Documental CDCiber 7 Estrutura para Produção do Conhecimento Oriundo da Fonte Cibernética CIE 8 Gestão Pesoa CDCiber 9 Rede Nacional da Segurança da Informação e Criptografia (RENASIC) CDCiber 10 Rádio Definido por Software (RDS) CTEx
Crimes Cibernéticos Em 2013 o Brasil perdeu em torno de US$ 8 bilhões com ataques hackers, roubos de senha, clonagem de cartões, pirataria virtual e espionagem governamental. O valor perdido equivale a 0,32% do PIB brasileiro em 2013. No mundo, esses prejuízos são ainda maiores, no mesmo ano a perda ficou entre US$ 375 bilhões e US$575 bilhões aproximadamente. Os países com maiores perdas foram Alemanha (1,6% do PIB) e Holanda (1,5% do PIB). O crime cibernético mais popular no Brasil ocorreu em 2012, quando a atriz Carolina Dieckmann teve suas fotos íntimas vazadas na internet, ao todo foram 36 imagens. O ocorrido gerou vários debates no país, o que resultou em uma alteração no código penal que foi apelidado com o mesmo nome da atriz. Com a alteração, crimes deste tipo agora são punidos com multa e detenção de seis meses a dois anos, se houver divulgação ou comercialização a pena pode ser elevada em até dois terços.
Ver também Ciberguerra Ciberterrorismo NSA Edward Snowden Hacktivismo Crime informático Lei Carolina Dieckmann
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