thumb|270x270px|Artefatos do período neolítico|borda

Neolítico (do grego néos, novo, e lithos, pedra, "pedra nova") ou Período da Pedra Polida é o período histórico que vai aproximadamente do (12 mil anos atrás) quando a agricultura apareceu no Oriente Próximo e Mesopotâmia e mais tarde no resto do mundo. Durou no Oriente Próximo até o período de transição do Calcolítico (Era do Cobre) de cerca de 6.500 anos atrás (4500 a.C.), marcado pelo desenvolvimento da metalurgia, levando à Idade do Bronze e à Idade do Ferro. O Neolítico marcou o início da sedentarização e surgimento da agricultura, ao , dando lugar à Idade dos Metais. Não se aplica à pré-história americana, subsaariana, nem oceânica. Em outros lugares, o Neolítico sucedeu o Mesolítico e se estendeu até períodos posteriores. No Egito Antigo, o Neolítico perdurou até o período Protodinástico, por volta de 3150 a.C. Na China, durou até cerca de 2000 a.C., com a ascensão da cultura Erlitou pré-Shang, assim como na Escandinávia.

Origem

Por volta de , ou seja, há cerca de 12 mil anos, no Período Mesolítico, deram-se várias transformações climáticas que viriam a criar condições favoráveis para a prática da agricultura e criação de animais. A invenção da agricultura ocorreu nos vales férteis dos grandes rios do Oriente Próximo, em uma região chamada Crescente Fértil.

No já se cultivavam cereais como trigo e cevada. O feijão, a lentilha, a ervilha, o grão-de-bico, a ervilhaca-amarga, o linho, o milho, o arroz e etc. estão inclusos entre as primeiras espécies cultivadas por humanos. Na mesma época animais como o cão, o carneiro ou a cabra já eram domesticados. Humanos passaram assim de nômades a pastores, horticultores e agricultores. Cria-se, assim, um novo tipo de economia, chamada de economia de produção, em que os seres humanos já sabem produzir os alimentos necessários à sua sobrevivência, graças à criação de animais e ao cultivo da terra.

Nem todos esses elementos culturais e característicos do Neolítico surgiram em todos os lugares na mesma ordem: as primeiras sociedades agrícolas do Oriente Próximo não utilizavam cerâmica. Em outras partes do mundo, como África, Sul da Ásia e Sudeste Asiático, eventos independentes de domesticação levaram ao surgimento de culturas neolíticas distintas em cada região, que se desenvolveram completamente à parte daquelas da Europa e do Sudoeste Asiático. As primeiras sociedades japonesas e outras culturas do Leste Asiático utilizavam cerâmica antes de desenvolver a agricultura.

Revolução neolítica Essas mudanças de comportamento foram consideradas tão importantes que o arqueólogo Gordon Childe designou este momento de Revolução neolítica, ou Revolução agrária, fator decisivo para a sobrevivência dos povos nesse período.

A Revolução Neolítica durou por volta de 10.000 anos, e seus principais pontos são:

A crosta terrestre aquece, aumentando o nível dos mares e resultando em alterações climáticas; Formam-se grandes rios e desertos, além de florestas temperadas e tropicais; Animais de grande porte desaparecem e dão origem à fauna que conhecemos hoje; A vida vegetal modifica-se, favorecendo a sobrevivência humana; Dão-se grandes conquistas técnicas do ser humano que, aliadas às transformações do ambiente, os permitem controlar gradativamente a natureza; O ser humano aprende aos poucos a reproduzir plantas, domesticar animais e armazenar alimentos; A agricultura e a domesticação de animais favorecem um sensível aumento populacional em algumas regiões; Ampliam-se as conquistas técnicas, como a produção de cerâmica;

O Neolítico, pelo fato de ter sido o último período da Idade da Pedra, terminou com o surgimento da Idade dos Metais. Mas a transição do Neolítico para a Idade dos Metais (Idade do Cobre, Bronze e Ferro) caracterizou a transição da Pré-História para a História em alguns locais, já que a escrita surgiu quase na mesma época.

Períodos por região Europa

esquerda| Mapa da Europa neolítica no apogeu da expansão das áreas do Danúbio e Mediterrâneo|miniaturadaimagem|232x232pxNo sudeste da Europa, as sociedades agrárias apareceram pela primeira vez no sétimo milênio a.C. atestada por um dos primeiros locais agrícolas da Europa, descoberto em Vashtëmi, sudeste da Albânia e que remonta a 6500 a.C. Na maior parte da Europa Ocidental em seguido nos próximos dois mil anos, mas em algumas partes do noroeste da Europa é muito mais tarde, durando pouco menos de 3.000 anos a partir de c. 4500 a.C.–1700 a.C. Os recentes avanços na arqueogenética confirmaram que a disseminação da agricultura do Oriente Médio para a Europa estava fortemente correlacionada com a migração de agricultores primitivos da Anatólia há cerca de 9.000 anos, e não era apenas um intercâmbio cultural.

Estatuetas antropomórficas foram encontradas nos Bálcãs a partir de 6000 a.C. e na Europa Central por volta de 5800 a.C. (La Hoguette). Entre os primeiros complexos culturais desta área estão a cultura Sesklo na Tessália, que mais tarde se expandiu nos Bálcãs, dando origem a Starčevo-Körös (Cris), Linearbandkeramik e Vinča. Através de uma combinação de difusão cultural e migração de povos, as tradições neolíticas se espalharam para o oeste e para o norte para chegar ao noroeste da Europa por volta de 4500 a.C.. A cultura Vinča pode ter criado o sistema mais antigo de escrita, os signos de Vinča, embora o arqueólogo Shan Winn acredite que eles provavelmente representavam pictogramas e ideogramas em vez de uma forma verdadeiramente desenvolvida de escrita.

A cultura Cucuteni-Trypillian construiu enormes assentamentos na Romênia, Moldávia e Ucrânia entre 5300 e 2300 a.C. Os complexos megalíticos de templos de Ġgantija, na ilha mediterrânea de Gozo (no arquipélago maltês), e de Mnajdra (Malta) são notáveis ​​por suas gigantescas estruturas neolíticas, as mais antigas datando de cerca de 3600 a.C. O Hipogeu de Ħal-Saflieni, em Paola, Malta, é uma estrutura subterrânea escavada por volta de 2500 a.C.; originalmente um santuário, tornou-se uma necrópole, o único templo subterrâneo pré-histórico do mundo, e exibe um grau de arte em escultura em pedra único na pré-história das ilhas maltesas. Após 2500 a.C., essas ilhas ficaram despovoadas por várias décadas até a chegada de um novo fluxo de imigrantes da Idade do Bronze, uma cultura que cremava seus mortos e introduziu em Malta estruturas megalíticas menores chamadas dólmens. Na maioria dos casos, são pequenas câmaras com cobertura feita de uma grande laje colocada sobre pedras verticais. Acredita-se que pertençam a uma população diferente daquela que construiu os templos megalíticos anteriores. Presume-se que essa população tenha vindo da Sicília, devido à semelhança dos dólmens malteses com algumas pequenas construções encontradas lá.

Com algumas exceções, os níveis populacionais aumentaram rapidamente no início do Neolítico até atingirem a capacidade de suporte do ambiente. Isso foi seguido por um declínio populacional de "enorme magnitude" após 5000 a.C., com os níveis permanecendo baixos durante os próximos 1500 anos. As populações começaram a aumentar após 3500 a.C., com novas quedas e aumentos ocorrendo entre 3000 e 2500 a.C., mas variando em data entre as regiões. Por volta dessa época ocorreu o declínio neolítico, quando as populações entraram em colapso em grande parte da Europa, possivelmente devido a condições climáticas, pestes ou migrações em massa.

Características culturais Em geral As primeiras aldeias eram criadas em proximidade de rios, de modo a usufruir da terra fértil (onde eram colocadas sementes para plantio) e água para seres humanos e animais. Também nesse período começou a domesticação de animais (cabra, boi, cão, dromedário, etc.). A disponibilidade de alimento permite também às populações um aumento do tempo de lazer; e a necessidade de armazenar os alimentos e as sementes para cultivo leva à criação de peças de cerâmica, que vão gradualmente ganhando fins decorativos.

Surge também o comércio com o aparecimento do dinheiro, que facilita a troca de materiais e que começou por ser, na época, baseado em sementes. Estas, diferenciadas umas das outras, tinham cada tipo o seu valor. Uma aldeia, ao produzir mais do que o necessário e, para não perder grande parte da produção que não iria ser utilizada, troca o excesso por peças de artesanatos, roupas e outros utensílios com outras aldeias.

Com a ascenção da agricultura e do pastoreio, surgiram as primeiras aldeias, normalmente juntas ou próximas dos grandes rios como o Nilo, Eufrates, Tigre ou Jordão (Jericó), devido à necessidade de água para regar e fertilizar os campos. No entanto, há também aldeias em planaltos, como Çatalhüyük, na Anatólia.

Com a criação das aldeias e com uma nova economia, surgiu a chamada divisão do trabalho e a diferenciação social. Esses dois novos mecanismos de sobrevivência baseavam-se no sexo e na idade: os mais velhos exerciam a autoridade sobre os mais novos. Com a criação dos aldeamentos, a população cresceu. À medida que isso aconteceu, as tarefas e a divisão do trabalho foram-se tornando mais complexas. Enquanto que uns produziam e cuidavam do gado e da terra, outros dedicavam-se à criação de vestuário e à defesa do território. Assim, os guerreiros, curandeiros e sacerdotes passaram a ter mais autoridade sobre os outros, destacando assim a diferenciação social.

Religião A arqueologia registra certas descobertas relativas aos períodos Paleolítico e do Neolítico que são por alguns interpretadas — embora em caráter um tanto subjetivo — pela possibilidade de ter havido a primeira manifestação humana de uma religião a qual baseou-se no culto à mulher, Ufpb, Revista Artemis ao feminino e a associação desta à Natureza, ao poder de dar a vida.O cálice e a espada, Riane Eisler, p.14 Foram descobertas, no abrigo de rochas Cro-Magnon em Les Eyzies, conchas cauris, descritas como "o portal por onde uma criança vem ao mundo" e cobertas por um pigmento de cor ocre vermelho, que simbolizava o sangue e que estavam intimamente ligados ao ritual de adoração às estatuetas femininas. Constatou-se por escavações que estas estatuetas eram encontradas muitas vezes numa posição central, em oposição aos símbolos masculinos, localizados em posições periféricas ou ladeando as estatuetas femininas.O cálice e a espada, Riane Eisler, p.18

O cultivo da terra deu origem a cultos agrários, já que acreditava-se que haviam fenômenos naturais e forças sobrenaturais que influenciavam as colheitas. Surgiram assim as primeiras estátuas, que mostram uma deusa, ligando a fertilidade da mulher à fertilidade da terra. Outra manifestação artística foi a criação dos monumentos megalíticos, para o culto funerário. Os mais simples são os menires e os dólmens. Ao agrupamento de vários menires em linha ou círculo dá-se o nome de cromeleques.

Progressos técnicos O Neolítico foi marcado por uma série de transformações técnicas relacionadas às novas formas de subsistência e à progressiva sedentarização das comunidades. O desenvolvimento da agricultura e a domesticação de animais estimularam a produção de novos instrumentos e utensílios destinados ao cultivo, ao processamento e ao armazenamento de alimentos, bem como às atividades domésticas e artesanais.

Entre as principais inovações encontram-se o aperfeiçoamento das ferramentas de pedra, especialmente com a pedra polida, e o desenvolvimento de técnicas como a cerâmica, a tecelagem, a cestaria e a moagem. Essas atividades permitiram a fabricação de recipientes, tecidos, cestos e instrumentos destinados ao processamento de produtos agrícolas. Em períodos posteriores do Neolítico, algumas comunidades também desenvolveram ou difundiram tecnologias relacionadas à tração animal e à roda, utilizadas principalmente no transporte e nas atividades agrícolas.